Categoria: Política

  • Carne de jacaré amazônico mira selo de excelência nacional: IG pode alavancar bioeconomia do Pantanal e da Amazônia

    Carne de jacaré amazônico mira selo de excelência nacional: IG pode alavancar bioeconomia do Pantanal e da Amazônia

    A carne de jacaré produzida na Reserva Extrativista (Resex) Lago do Cuniã, em Porto Velho (RO), ingressa na reta final para obter a Indicação Geográfica (IG), um dos selos mais cobiçados do mercado brasileiro. Entre 1º e 6 de setembro de 2026, uma etapa técnica crucial será conduzida, visando comprovar que o produto carrega atributos exclusivos da região amazônica onde é cultivado.

    De alimento local a patrimônio nacional: o que está em jogo

    Se aprovado pelo INPI, o reconhecimento transformará a carne de jacaré em mais um dos produtos brasileiros protegidos por sua origem — como o café do Cerrado Mineiro ou o queijo de Canastra. A distinção não apenas agregaria valor ao produto, mas consolidaria Rondônia e a Amazônia como polos de inovação em bioeconomia, alinhados às demandas globais por produtos sustentáveis.

    Um modelo que une conservação e economia

    Produzida por comunidades ribeirinhas em sistema de manejo sustentável, a iguaria já é comercializada em feiras e restaurantes da região, mas o selo da IG poderia expandir seu mercado para o restante do país. Especialistas destacam que o processo reforça um modelo de desenvolvimento que prioriza a floresta em pé, em contraste com práticas predatórias como o desmatamento ou a pecuária extensiva.

    O desafio da certificação: precisão e identidade territorial

    A fase técnica em andamento analisará critérios como métodos de criação, alimentação dos animais e características organolépticas da carne. Segundo dados do Ibama e da Embrapa, o manejo na Resex Lago do Cuniã segue protocolos rígidos, com abate controlado e aproveitamento integral do animal — uma abordagem que já atrai interesse de chefs e exportadores europeus.

  • Governo brasileiro negocia flexibilização de cota de carne bovina para China, que mantém sobretaxa de 55% para excedentes

    Governo brasileiro negocia flexibilização de cota de carne bovina para China, que mantém sobretaxa de 55% para excedentes

    A China mantém desde dezembro de 2025 uma tarifa de 55% sobre as importações brasileiras de carne bovina que ultrapassarem a cota estabelecida para cada país. No entanto, o Brasil, que detém a maior cota entre os fornecedores — 1,106 milhão de toneladas —, ainda não atingiu o limite que desencadearia a sobretaxa.

    Negociação em andamento para ampliar limites

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) negocia com as autoridades chinesas a flexibilização dos limites atuais, buscando preservar a competitividade da carne brasileira no mercado asiático, seu principal destino de exportação. A medida faz parte de uma estratégia para garantir que o Brasil não perca espaço para concorrentes como Austrália e Estados Unidos, que também disputam o fornecimento ao gigante asiático.

    Cota atual protege exportações, mas risco persiste

    Até o momento, o volume exportado pelo Brasil não atingiu o patamar que acionaria a tarifa de 55%. Contudo, a incerteza sobre a manutenção dos acordos comerciais e a crescente demanda chinesa por proteína animal exigem ações preventivas. A cota de 1,106 milhão de toneladas, sujeita a tarifa de 12%, segue como o principal mecanismo de proteção aos produtores nacionais.

  • Tarifa de 37,5% dos EUA pode custar US$ 12,4 bi em exportações brasileiras

    Tarifa de 37,5% dos EUA pode custar US$ 12,4 bi em exportações brasileiras

    Nova sobretaxa dos EUA entra em vigor

    A partir de hoje, 24 de julho de 2026, o governo estadunidense aplicará uma tarifa adicional de 12,5% sobre 3.985 produtos brasileiros, elevando a carga tributária total para 37,5% no mercado norte-americano. A medida, anunciada na última quarta-feira (23), abrange US$ 12,4 bilhões em exportações brasileiras, o equivalente a 29,4% do total vendido aos EUA.

    Impacto concentrado em manufaturados

    Do total de produtos afetados, 3.985 já estavam sujeitos a uma tarifa de 25%, agora somada à nova sobretaxa. Esse grupo representa 80,7% das exportações impactadas, com valor de US$ 10,8 bilhões. A análise da Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que a medida atingirá principalmente produtos industrializados, ampliando os custos de acesso ao principal parceiro comercial do Brasil.

    Risco para setores-chave da indústria

    A elevação das tarifas ocorre em um momento de recorde nas exportações brasileiras de carnes, que faturaram quase US$ 16 bilhões recentemente. No entanto, a indústria de manufaturados — já pressionada por custos logísticos e concorrência internacional — deve sofrer o maior impacto, com possível retração de investimentos e demissões em setores intensivos em exportação.

  • MPF aciona Justiça para barrar gasolina E32: riscos aos motores e indenização bilionária entram na pauta

    MPF aciona Justiça para barrar gasolina E32: riscos aos motores e indenização bilionária entram na pauta

    Governança energética em xeque: MPF desafia política de combustíveis

    O Ministério Público Federal (MPF) ingressou com ação civil pública para impedir a comercialização da gasolina E32 — mistura com 32% de etanol anidro — a partir de 1º de agosto, data definida pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) em 14 de julho. Segundo o órgão, a decisão não apresenta estudos suficientes que garantam a segurança dos motores nacionais, colocando em risco milhões de veículos em circulação. A ação, que pede liminar imediata, também exige perícia independente e indenização de R$ 500 milhões por danos morais coletivos.

    Base técnica sob suspeita: margem de 2% é alvo de críticas

    A União justificou a ampliação da mistura de 30% para 32% com base em ensaios técnicos que, segundo o MPF, extrapolam a margem de segurança prevista para a gasolina E30. O órgão argumenta que os dados usados pelo governo são insuficientes para validar a E32, especialmente em motores mais antigos ou adaptados para baixas concentrações de etanol. A polêmica reacende o debate sobre a transição energética no setor automotivo brasileiro, impulsionada pela Lei do Combustível do Futuro.

    Impacto imediato: consumidores e indústria na mira do impasse

    A eventual suspensão da medida poderia adiar a implementação da E32, mas também expõe fragilidades na governança de políticas públicas que impactam diretamente o bolso do consumidor. Enquanto o governo defende a medida como parte de sua estratégia de descarbonização, o MPF alerta para potenciais prejuízos aos proprietários de veículos e ao meio ambiente. A Justiça agora terá 30 dias para analisar a liminar e decidir sobre os próximos passos.

  • Reforma tributária: governo adianta prazo para CNPJ de autônomos e produtores rurais

    Reforma tributária: governo adianta prazo para CNPJ de autônomos e produtores rurais

    O adiamento da obrigatoriedade de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) para autônomos, produtores rurais e prestadores de serviços que precisam recolher a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) foi oficializado pelo governo federal.

    Novo cronograma evita sobrecarga nos sistemas tributários

    A medida, estabelecida pelo Decreto nº 13.075, de 21 de julho de 2026, adianta em seis meses o início das exigências — originalmente previstas para julho de 2026 —, passando a valer apenas em 1º de janeiro de 2027. A decisão busca reduzir a pressão sobre contribuintes, administrações tributárias e desenvolvedores de sistemas contábeis, que teriam de se adaptar em um curto espaço de tempo.

    CBS: o tributo que pede pressa — mas ganha fôlego

    A CBS, que integra a reforma tributária, entrará em vigor em 2027, mas sua implementação já vinha gerando dúvidas entre prestadores de serviços e produtores rurais sobre a obrigatoriedade de regularização como pessoa jurídica. Com o novo prazo, o governo sinaliza priorizar a transição gradual, evitando colapsos operacionais nos primeiros meses do novo sistema tributário.

    Consequências para o setor produtivo

    Para autônomos e pequenos produtores, a prorrogação representa um alívio imediato, permitindo mais tempo para organização fiscal e adequação a novos procedimentos. Já para o mercado de tecnologia tributária, o adiamento pode adiar investimentos em sistemas atualizados, mas reduz riscos de erros em cálculos e emissões de notas fiscais nos primeiros meses de vigência da CBS.

  • MP-SP move ação milionária contra World ID por coleta indevida de íris de 400 mil brasileiros

    MP-SP move ação milionária contra World ID por coleta indevida de íris de 400 mil brasileiros

    Biometria sob escrutínio: MP acusa projeto de explorar dados sensíveis

    Na última quarta-feira, 22 de julho de 2026, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) ingressou com ação civil pública contra a Tools for Humanity — empresa por trás do World ID — e a Amazon Web Services (AWS), acusando-as de coletar dados biométricos de íris de cerca de 400 mil brasileiros de forma abusiva e em troca de recompensas financeiras.

    Demanda milionária e pedido de suspensão imediata

    A iniciativa judicial exige indenização mínima de R$ 240 milhões por danos morais coletivos e solicita a interrupção imediata do mapeamento de íris na capital paulista. Segundo o órgão, a prática viola dispositivos da legislação brasileira sobre proteção de dados e privacidade, além de expor os cidadãos a riscos de uso indevido das informações biométricas.

    AWS como parte do processo: infraestrutura sob investigação

    A subsidiária da Amazon figura no processo pela provisão de infraestrutura em nuvem ao projeto. Em comunicado recente, a AWS afirmou possuir termos de serviço claros, mas não se manifestou sobre os termos específicos do acordo com a Tools for Humanity, mantendo o debate sobre a responsabilidade compartilhada na gestão de dados sensíveis.

  • França lidera Europa e aprova lei que proíbe redes sociais para menores de 15 anos a partir de 2027

    França lidera Europa e aprova lei que proíbe redes sociais para menores de 15 anos a partir de 2027

    A França aprovou nesta quarta-feira, 22 de julho de 2026, uma legislação histórica que proíbe menores de 15 anos de acessarem redes sociais a partir de janeiro de 2027. O projeto, defendido pelo presidente Emmanuel Macron, estabelece um marco regulatório inédito na Europa e reforça a prioridade europeia em proteger crianças e adolescentes no ambiente digital.

    Duas fases de implementação para restringir o acesso

    A lei será aplicada gradualmente, dividindo-se em duas etapas: a partir de 1º de setembro de 2026, será vedada a criação de novas contas para menores de 15 anos; já a partir de 1º de janeiro de 2027, todas as contas existentes serão bloqueadas automaticamente. Plataformas como Instagram e TikTok terão de adotar mecanismos robustos de verificação de idade, como análise de documentos ou uso de tecnologias biométricas, sob pena de sanções.

    Medida alinha-se à defesa da saúde mental e à soberania digital europeia

    O governo francês justificou a proibição como uma resposta à crescente preocupação com os impactos das redes sociais na saúde mental de jovens, citando estudos que associam o uso excessivo a casos de ansiedade, depressão e exposição a conteúdos nocivos. Além disso, a legislação reforça a estratégia da União Europeia de regular o ambiente digital, alinhando-se a outras iniciativas como o Digital Services Act (DSA) e o Digital Markets Act (DMA).

    Reações e desafios na implementação

    Enquanto defensores da medida celebram o avanço na proteção infantil, críticos apontam para possíveis brechas, como o uso de redes privadas virtuais (VPNs) para contornar o bloqueio. Especialistas também questionam a eficácia dos sistemas de verificação de idade sem invasão de privacidade. A França, contudo, sinaliza que monitorará a aplicação da lei e adaptará as exigências conforme necessário.

  • Feno próprio: pecuaristas reduzem custos e criam nova renda com autonomia alimentar

    Feno próprio: pecuaristas reduzem custos e criam nova renda com autonomia alimentar

    A pecuária brasileira vive um momento de reinvenção. Com os custos de produção pressionados por fatores como variações climáticas e preços voláteis no mercado de volumosos, a produção própria de feno emerge como uma estratégia-chave para gestão rural. A prática, que já era comum em regiões com tradição forrageira, ganha força como ferramenta de redução de custos e até de geração de renda complementar para os pecuaristas.

    Autossuficiência alimentar: o principal atrativo do feno caseiro

    O maior benefício apontado por especialistas está na autonomia. Quando produzido na própria fazenda, o feno elimina a dependência de fornecedores externos, reduzindo riscos associados à escassez sazonal ou à alta nos fretes. Além disso, o produtor passa a ter total controle sobre a qualidade do volumoso, ajustando cortesia, umidade e até a composição nutricional de acordo com as necessidades do rebanho. Segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a alimentação representa cerca de 60% dos custos operacionais na pecuária de corte e 50% na de leite — margens que justificam investimentos em técnicas mais precisas.

    Planejamento estratégico para tempos incertos

    O cenário atual, marcado por eventos climáticos extremos e oscilações nos preços internacionais de commodities, reforça a importância do planejamento forrageiro. A produção de feno na propriedade permite estocar alimento nos períodos de safra, quando os custos são menores, e utilizá-lo nos meses de entressafra ou durante secas prolongadas. Técnicas como o feno pré-secado ou a fenação em sistema rotativo ainda possibilitam uma melhor distribuição da mão de obra, otimizando o uso de equipamentos e mão de obra durante o ano.

    O feno como negócio: quando a prática vira receita extra

    O que começou como uma estratégia de redução de custos pode se tornar uma nova fonte de lucro. Em regiões com alta demanda por volumosos de qualidade, como o Centro-Oeste e partes do Sudeste, pecuaristas já comercializam excedentes de feno — especialmente para produtores leiteiros ou criadores de gado de corte com menor capacidade de armazenamento. A comercialização, quando bem estruturada, pode agregar até 20% à renda mensal da propriedade, segundo estimativas de cooperativas agropecuárias.

    Para especialistas, o investimento inicial em maquinário para fenação (como segadora, ancinho e enfardadeira) é compensado em até três safras, dependendo da escala. A técnica, no entanto, exige conhecimento técnico: a colheita deve ocorrer no momento ideal de maturidade da planta, e o processo de secagem precisa evitar umidade excessiva ou fermentação. A adoção de tecnologias como sensores de umidade e drones para monitoramento de pastagens também tem se tornado comum entre produtores que buscam maximizar os resultados.

  • Arco mira inclusão de pequenos produtores no Programa de Lã Certificada em evento-chave no RS

    Arco mira inclusão de pequenos produtores no Programa de Lã Certificada em evento-chave no RS

    Cinco anos de certificação e novos desafios

    O Programa de Lã Certificada da Arco, que completa cinco anos em julho de 2026, enfrenta agora o desafio de aumentar a participação de pequenos produtores. A iniciativa, lançada durante a pandemia em meio à retração do comércio internacional de lã, já consolidou a certificação como modelo de qualidade para o setor.

    Evento reúne setor para debater logística e mercado

    O 3º Dia da Lã, agendado para 30 de julho de 2026 na Associação e Sindicato Rural de Sant’Ana do Livramento (RS), será palco de discussões sobre gargalos como logística, mão de obra qualificada e integração com a indústria. O encontro reunirá produtores, técnicos, pesquisadores e representantes do setor para avaliar os rumos do programa.

    Legado e perspectivas da certificação

    Segundo o coordenador do programa, Sérgio Muñoz, a certificação nasceu de uma necessidade estratégica: “Mesmo em um dos piores momentos do comércio de lãs, não havia alternativa senão certificar nossas fibras”. A experiência acumulada ao longo de décadas em países como Uruguai e Argentina será ponto de partida para consolidar o programa no Brasil.

  • Aos 77 anos, Ana Maria Braga diversifica carreira e aposta em café orgânico de R$ 30 milhões em Bofete

    Aos 77 anos, Ana Maria Braga diversifica carreira e aposta em café orgânico de R$ 30 milhões em Bofete

    Aos 77 anos, Ana Maria Braga não se contenta apenas com os holofotes da televisão. Na Fazenda Primavera, localizada em Bofete (SP), a apresentadora consolidou um projeto milionário de café orgânico que já atrai olhares do mercado especializado.

    A virada do agronegócio para a telessensação

    Com 376 hectares — área equivalente a 530 campos de futebol —, a propriedade rural se tornou um laboratório de inovação no cultivo de grãos. Ana Maria não apenas supervisiona a operação: nas redes sociais, ela compartilha momentos como a secagem natural dos grãos, etapa crítica para garantir a qualidade sensorial do café orgânico.

    Do plantio à alta gastronomia: um ciclo completo

    O projeto vai além da simples colheita. A fazenda adota práticas sustentáveis em todas as etapas, desde o manejo orgânico do solo até a secagem ao sol, método que preserva os aromas e sabores únicos dos grãos. Com a crescente demanda por cafés especiais no mercado brasileiro — segmento que já movimenta cerca de R$ 30 milhões anualmente —, a iniciativa posiciona Ana Maria na vanguarda do agronegócio premium.

    Expansão estratégica em um mercado em ebulição

    O foco agora é ampliar a área cultivada, aproveitando o momento favorável do setor. Dados do mercado indicam que o consumo de cafés orgânicos cresce a taxas superiores a 15% ao ano, impulsionado pela busca por produtos sustentáveis e de alta qualidade. A fazenda, que já produziu sua primeira safra comercial, planeja dobrar a capacidade nos próximos dois anos, alinhando-se à tendência de valorização do café brasileiro no exterior.