Tag: Abimaq

  • Setor de máquinas rechaça retaliação aos EUA e busca solução diplomática para evitar prejuízos de US$ 2 bilhões

    Setor de máquinas rechaça retaliação aos EUA e busca solução diplomática para evitar prejuízos de US$ 2 bilhões

    A entrada em vigor da tarifa adicional de 25% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros — incluindo máquinas e equipamentos — acendeu um alerta no setor industrial. Com potencial de gerar prejuízos anuais de até US$ 2 bilhões, a medida pressiona a competitividade das exportações nacionais no principal mercado externo do segmento.

    Diplomacia em vez de retaliação: estratégia da Abimaq contra a barreira tarifária

    Em reunião realizada na última segunda-feira (21), representantes da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) apresentaram ao vice-presidente Geraldo Alckmin um pacote de medidas para minimizar os danos. Entre as propostas, destacam-se a ampliação de linhas de crédito para exportadores, alívio tributário temporário e o fortalecimento de políticas de promoção comercial, sem recorrer a medidas de reciprocidade.

    Exportações em risco: setor depende de 20% das vendas ao mercado americano

    O setor, que responde por 20% das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos, enfrenta queda imediata na demanda. Segundo dados da Abimaq, os Estados Unidos são o principal destino dessas vendas, e a tarifa pode reduzir em até 15% o volume exportado em 2026. A entidade argumenta que a estratégia de retaliação — como a aplicação de barreiras similares a produtos americanos — poderia agravar a situação, gerando um ciclo de sanções prejudicial a ambos os países.

    Crédito e tributação: as armas para sustentar a indústria nacional

    As propostas entregues ao governo incluem a criação de um fundo de garantia para exportações, com juros subsidiados, e a redução de impostos sobre insumos importados usados na fabricação de máquinas. Além disso, a Abimaq pediu a manutenção de acordos comerciais bilaterais e a aceleração de negociações em fóruns como a OMC para reverter a medida americana. “A retaliação não é solução; precisamos de canais de diálogo e políticas que preservem empregos e investimentos”, afirmou um diretor da entidade, que preferiu não ser identificado.

    Consequências além das máquinas: impacto na cadeia produtiva

    Os reflexos da tarifa vão além do setor de máquinas. A redução nas exportações afeta fornecedores de aço, componentes eletrônicos e serviços logísticos, que já registram queda nos pedidos. Analistas do mercado projetam que, se a medida não for revista, o PIB industrial pode encolher até 0,3% em 2026, com reflexos no emprego formal — especialmente em estados como São Paulo, Santa Catarina e Paraná, polos da indústria de máquinas.

  • Indústria de máquinas e equipamentos projeta recuo de 3,2% em 2026 após queda de 20,4% em maio

    Indústria de máquinas e equipamentos projeta recuo de 3,2% em 2026 após queda de 20,4% em maio

    Receita líquida recua 20,4% em maio de 2026

    A indústria brasileira de máquinas e equipamentos registrou queda de 20,4% na receita líquida de vendas em maio de 2026, comparado ao mesmo período do ano anterior, totalizando R$22,5 bilhões. Os dados, divulgados pela Abimaq em 30 de junho de 2026, confirmam a tendência de retração do setor, que já acumulava perdas desde o início do ano.

    Projeção para 2026 piora: agora, queda de 3,2% na receita

    A associação revisou sua previsão para 2026, elevando a expectativa de recuo na receita líquida de vendas de máquinas e equipamentos de 2,3% para 3,2%. A revisão reflete um ambiente econômico marcado por incertezas, impactado por fatores como a volatilidade cambial e a demanda interna enfraquecida.

    Consumo aparente e exportações: sinais mistos

    O consumo aparente do setor caiu 19,5% em maio de 2026, atingindo R$31,1 bilhões, enquanto as exportações registraram alta de 5,5%, alcançando US$1,04 bilhão. Segundo a Abimaq, parte desse crescimento nas vendas externas se deve à baixa base de comparação em 2025, mas não é suficiente para compensar a queda no mercado doméstico.

    Impacto das condições macroeconômicas

    Analistas do setor apontam que a combinação de juros elevados, restrições creditícias e a instabilidade no cenário político vêm pressionando o desempenho das empresas. A expectativa é de que a recuperação, se ocorrer, seja gradual e dependa de mudanças estruturais na economia brasileira, como a retomada dos investimentos públicos e privados.

  • Irrigação pode quintuplicar área cultivada no Brasil e impulsionar agro até 2026

    Irrigação pode quintuplicar área cultivada no Brasil e impulsionar agro até 2026

    Na última quarta-feira, 17 de junho de 2026, dados revelaram que a irrigação no Brasil pode se tornar um dos principais motores de transformação do agronegócio nos próximos anos. Um levantamento conjunto entre a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) e pesquisadores da USP/Esalq indicou que a área irrigada no país poderia saltar dos atuais 8,2 milhões de hectares para impressionantes 55,8 milhões de hectares — um crescimento de mais de cinco vezes.

    Oportunidade estrutural para o agro brasileiro

    A irrigação surge como uma solução estratégica para mitigar os impactos das mudanças climáticas, especialmente em regiões como o Centro-Oeste e Nordeste, onde fenômenos como o El Niño ameaçam colheitas. Segundo especialistas, a expansão da área irrigada não só aumentaria a produtividade como também reduziria riscos sazonais, garantindo safras mais estáveis e previsíveis.

    Impacto econômico e social

    A projeção de 55,8 milhões de hectares irrigados não é apenas uma questão de escala, mas de impacto econômico. O estudo estima que a medida poderia gerar milhares de novos empregos diretos e indiretos, além de fortalecer a segurança alimentar do país, reduzindo a dependência de importações e consolidando o Brasil como um dos maiores produtores globais de grãos e commodities.

    Integração com inovação tecnológica

    Para atingir esse potencial, a expansão da irrigação exigirá não apenas investimentos em infraestrutura, mas também a adoção de tecnologias avançadas, como sistemas de irrigação de precisão e monitoramento por satélite. A ABIMAQ já sinalizou a necessidade de políticas públicas que fomentem o setor, incluindo linhas de crédito específicas e incentivos fiscais para produtores rurais.

    Enquanto o Brasil debate formas de driblar a crise hídrica e climática, a irrigação se apresenta como uma resposta concreta — e urgente — para garantir o futuro do agro nacional.

  • Brasil tem potencial para quintuplicar área irrigada e impulsionar agro com US$ 120 bi em investimentos

    Brasil tem potencial para quintuplicar área irrigada e impulsionar agro com US$ 120 bi em investimentos

    A fronteira agrícola brasileira, uma das maiores do mundo, ainda opera com apenas uma fração do seu potencial em irrigação. Segundo o levantamento “Brasil Irrigado 2035: O Futuro que a Água Pode Regar”, divulgado nesta quarta-feira (17/06/2026) pela ABIMAQ em parceria com a USP/ESALQ, o país detém capacidade técnica e territorial para multiplicar por cinco a área atualmente irrigada — um salto de 8,2 milhões para 55,8 milhões de hectares.

    De pastagens a celeiros: onde está o ouro verde do Brasil

    O estudo mapeou que 48% do potencial identificado — cerca de 27 milhões de hectares — está em áreas hoje ocupadas por pastagens degradadas ou de baixa produtividade. Regiões como o Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), o Centro-Oeste e partes do Nordeste aparecem como prioridades para essa transição, que poderia gerar um acréscimo de até R$ 120 bilhões anuais ao PIB agropecuário brasileiro até 2035.

    Irrigação além da safra: os efeitos multiplicadores

    A ampliação do uso da água não se limita a aumentar a produtividade das culturas já existentes. O estudo aponta três impactos estruturais: 1) Redução das desigualdades regionais, ao permitir que pequenos e médios produtores ingressem em cadeias de valor antes dominadas por grandes empresas; 2) Estabilização da produção em períodos de seca, diminuindo perdas anuais de R$ 15 bilhões causadas por estiagens; 3) Criação de 1,2 milhão de empregos diretos e indiretos na cadeia de insumos, máquinas agrícolas e logística.

    Os nós que precisam ser desatados

    Para concretizar o cenário, o levantamento elenca três gargalos principais: a) Financiamento: Apenas 15% dos recursos necessários (estimados em R$ 450 bilhões até 2035) estão assegurados via programas públicos como o Moderfrota e o ABC+. b) Infraestrutura: 60% das áreas com potencial irrigável não possuem acesso a fontes hídricas confiáveis ou redes de distribuição adequadas. c) Capacitação: Falta de mão de obra qualificada para operação e manutenção dos sistemas, especialmente em regiões como o Semiárido Nordestino.

    O que dizem os especialistas

    Para o engenheiro agrônomo Carlos Eduardo Lazarini, da USP/ESALQ, a irrigação é “a única forma de tornar a agricultura brasileira verdadeiramente competitiva frente a países como Austrália e Estados Unidos”. Já o presidente da ABIMAQ, José Velloso, alerta: “Sem políticas públicas coordenadas e investimentos privados, o Brasil corre o risco de perder uma década de oportunidades enquanto a Índia e a China aceleram seus programas de irrigação”.

    Enquanto o país discute reforma tributária e controle de gastos, o estudo sugere que a irrigação poderia ser incluída como prioridade nacional em acordos de clima, já que cada hectare irrigado evita a emissão de até 3 toneladas de CO₂ equivalente por ano — um ativo ambiental para o Brasil perante o mercado de carbono.

  • Máquinas agrícolas afundam 22% em abril: juros altos e crédito escasso sufocam o agro em 2026

    Máquinas agrícolas afundam 22% em abril: juros altos e crédito escasso sufocam o agro em 2026

    Abimaq acende alerta vermelho no agro nacional

    Os números do setor de máquinas agrícolas não deixam margem para dúvidas: abril de 2026 foi o pior mês desde o início da crise de confiança no campo. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), a receita líquida do segmento despencou 22,2% em comparação ao mesmo período de 2025, alcançando R$ 4,2 bilhões — uma queda que selou o tombo de 17,9% no acumulado do ano, com faturamento total de R$ 17 bilhões. A entidade, que até recentemente mantinha expectativas otimistas para 2026, agora projeta retração de 2,3% no faturamento anual, revertendo estimativas anteriores de crescimento.

    Juros e crédito: os vilões do financiamento rural

    A combinação de taxas de juros persistentemente altas, crédito restrito e margens de lucro cada vez mais apertadas está sufocando a capacidade de investimento dos produtores. Segundo especialistas ouvidos pela Abimaq, o custo do financiamento para aquisição de máquinas — que já beirava 12% ao ano em contratos de longo prazo — inviabilizou a renovação de frota para muitos agricultores, especialmente aqueles com menor poder de barganha em negociações com bancos e cooperativas. A situação é agravada pela queda na rentabilidade do setor primário, com preços de commodities estagnados ou em declínio desde o início de 2026.

    Consequências para o agronegócio brasileiro

    A retração no mercado interno de máquinas agrícolas não apenas afeta fabricantes e distribuidores — como John Deere, Case IH e AGCO —, mas também reverbera em toda a cadeia produtiva do agro. A redução na demanda por equipamentos pesados, como tratores e colheitadeiras, pode limitar a expansão de áreas plantadas em 2026, especialmente em estados como Mato Grosso e Goiás, onde o setor é vital para a economia. Além disso, a diminuição no ritmo de modernização das lavouras pode comprometer a produtividade em um momento em que o Brasil busca manter sua liderança no mercado global de grãos, enfrentando concorrência acirrada da Ucrânia e dos Estados Unidos.