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  • Pecuária de corte em Mato Grosso: recuperação tímida da arroba mas custos ainda sufocam produtores

    Pecuária de corte em Mato Grosso: recuperação tímida da arroba mas custos ainda sufocam produtores

    Mato Grosso, estado que abriga o maior rebanho bovino do Brasil, começa a respirar aliviado após três anos de uma das piores crises da pecuária de corte nacional. A arroba do boi gordo, que chegou a ser comercializada a R$ 170 em momentos críticos — preço considerado insustentável diante da disparada dos custos —, agora volta a ganhar fôlego. No entanto, o presidente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Nando Conte, faz um alerta: a recuperação é real, mas ainda insuficiente para apagar os prejuízos acumulados.

    A crise que quase quebrou a pecuária mato-grossense

    Entre 2023 e 2025, a pecuária de corte enfrentou uma tempestade perfeita: preços aviltantes da arroba, custos de produção nas alturas e crédito escasso. “Vivemos, na verdade, nos últimos três anos, anos sombrios para a atividade pecuária”, declarou Conte em entrevista ao canal Compre Rural. Para sobreviver, muitos produtores foram obrigados a enxugar despesas essenciais, cortando até mesmo insumos básicos como mineralização e suplementação — medidas que, no longo prazo, comprometeram a qualidade dos rebanhos e a produtividade das fazendas.

    A situação foi agravada pela combinação de fatores externos e internos: a queda da demanda internacional, a inflação galopante nos insumos (como diesel, fertilizantes e rações) e a pressão sobre o consumo interno. “Foi um período negro não só para Mato Grosso, mas para toda a pecuária brasileira”, reforçou o dirigente. Segundo ele, a arroba da vaca, negociada abaixo dos custos de produção, tornou a atividade inviável para muitos criadores.

    Sinais de recuperação: o que mudou?

    A virada começou a se desenhar em 2026, impulsionada por três fatores principais: a redução da oferta de animais, a retomada do consumo interno e a força das exportações brasileiras. O Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, vem se beneficiando de um encolhimento global nos rebanhos — especialmente em países como Austrália e Estados Unidos —, o que elevou a demanda por carne brasileira.

    Em Mato Grosso, a arroba do boi gordo já recuperou parte das perdas, mas ainda não empolga os produtores. “Está melhor de trabalhar, é fato. Mas ainda existe muita recuperação pela frente”, admitiu Conte. Segundo analistas do setor, o atual momento abre espaço para um ciclo mais positivo, mas os custos elevados — que não recuaram na mesma proporção dos preços da arroba — continuam pressionando as margens dos pecuaristas.

    Os custos que ainda sufocam o produtor

    Apesar do alívio nos preços da arroba, os custos de produção permanecem em patamares alarmantes. Mineralização, combustível, suplementação e mão de obra seguem caros, corroendo a rentabilidade da atividade. “Os produtores estão operando no limite, e qualquer nova alta nos insumos pode jogar os cofres de volta ao vermelho”, alerta um analista do setor, que pediu anonimato.

    Além disso, a retomada do consumo interno, embora benéfica, ainda não é suficiente para absorver toda a oferta de carne, especialmente em um cenário de rebanhos enxutos. A exportação, portanto, segue como o principal motor da recuperação — mas depende, em grande medida, da manutenção da competitividade brasileira no mercado global.

    O que esperar para os próximos meses?

    O presidente da Acrimat projeta um 2026 mais estável, mas com cautela. “A recuperação é gradual, e o setor precisa de tempo para se recompor”, afirmou. Para os pecuaristas, a palavra de ordem é gerir caixa com inteligência, evitando novos endividamentos e apostando em tecnologias que possam reduzir custos a longo prazo.

    Enquanto isso, o mercado internacional continua sendo o grande termômetro. Se a tendência de encolhimento dos rebanhos globais se confirmar, o Brasil poderá consolidar sua posição como fornecedor de carne premium — mas, para isso, os custos internos precisam ceder. Até lá, os produtores mato-grossenses seguem em um equilíbrio delicado: entre a esperança de dias melhores e o medo de novos tropeços.

  • Acricorte 2026: Aprosmat reforça integração entre sementes forrageiras e pecuária de corte em Mato Grosso

    Acricorte 2026: Aprosmat reforça integração entre sementes forrageiras e pecuária de corte em Mato Grosso

    A pecuária de corte brasileira ganhou um novo capítulo em Mato Grosso durante o Acricorte 2026, evento que se consolidou como o maior encontro técnico do setor no país. Realizado no Centro de Eventos do Pantanal até esta quinta-feira (15), o evento reuniu mais de 5 mil produtores, técnicos, empresas e lideranças do agro em uma programação voltada à inovação, tecnologia e negócios no campo.

    O protagonismo de Mato Grosso na pecuária nacional

    Com o maior rebanho bovino do Brasil, Mato Grosso não apenas sediou o Acricorte 2026 como também reforçou seu papel de protagonista na cadeia produtiva nacional. A participação da Aprosmat (Associação dos Produtores de Sementes de Mato Grosso) ao lado da Acrimat (Associação dos Criadores de Mato Grosso) destacou a integração entre os setores de sementes forrageiras e pecuária de corte — um elo fundamental para a produtividade e sustentabilidade do setor.

    Negócios e parcerias em destaque

    O presidente da Aprosmat, Nelson Croda, destacou a importância do evento como vitrine para os sementeiros associados, que fecham negócios com o setor pecuário local. “Vários sementeiros associados fazem muitos negócios com o setor da pecuária mato-grossense. É uma honra muito grande estar aqui”, afirmou Croda, que também reforçou a relevância da participação da entidade no Acricorte.

    A Feira Brasileira de Sementes 2026 (Febrasem), marcada para junho em Rondonópolis, foi outro ponto alto do evento. Durante visita ao estande da Aprosmat, o governador Otaviano Pivetta foi convidado a participar do encontro, que é um dos principais do setor de sementes no país.

    A força das forrageiras na pecuária moderna

    O vice-presidente da Aprosmat, Gutemberg Carvalho Silveira, ressaltou que o Acricorte é estratégico para o fortalecimento da cadeia de forrageiras, segmento que garante eficiência e competitividade na pecuária brasileira. “É um evento que traz informação, novas tecnologias e parceiros. Todos os anos estamos aqui para fortalecer os laços com a Acrimat e os produtores”, declarou Silveira.

    Um marco para o agro mato-grossense

    O Acricorte 2026 não apenas reuniu os principais players do setor como também sinalizou para o futuro da pecuária brasileira. Com a aproximação entre sementeiros e pecuaristas, o evento reforçou que a inovação e a integração são chaves para enfrentar os desafios do setor, como a demanda por carne sustentável e a busca por maior produtividade.