Tag: açúcar

  • Brasil rebate EUA: tarifas ao etanol seguem regras do Mercosul e não são exclusivas

    Brasil rebate EUA: tarifas ao etanol seguem regras do Mercosul e não são exclusivas

    Tarifas ao etanol: Brasil segue regras do Mercosul, não mira só os EUA

    A União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica) e a Bioenergia Brasil emitiram nota nesta semana para rebater as críticas do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) sobre as tarifas brasileiras ao etanol importado. Segundo as entidades, a alíquota aplicada não é direcionada exclusivamente aos EUA, mas segue as regras da Tarifa Externa Comum do Mercosul, que uniformiza as tarifas de importação entre os países-membros do bloco.

    EUA mantêm protecionismo ao açúcar brasileiro há décadas

    As entidades também destacaram que os EUA, por sua vez, mantêm há décadas um sistema de proteção ao açúcar doméstico, com tarifas proibitivas e cotas que limitam as exportações brasileiras para o mercado norte-americano. Segundo dados do governo brasileiro, o volume permitido para exportação de açúcar dos EUA é tão restritivo que não chega a representar 1% do mercado global do produto.

    Conflito comercial: etanol vs. açúcar

    A disputa ganha contornos de um jogo de interesses onde ambos os lados mantêm barreiras comerciais. Enquanto o Brasil defende que suas tarifas ao etanol são legítimas e alinhadas a acordos internacionais, os EUA são acusados de praticar políticas protecionistas há anos, restringindo o acesso de produtos brasileiros como o açúcar e, agora, questionando as regras do etanol no mercado brasileiro.

  • Adulteração de 48 toneladas de açúcar no Porto de Paranaguá expõe fragilidades no controle de exportações brasileiras

    Adulteração de 48 toneladas de açúcar no Porto de Paranaguá expõe fragilidades no controle de exportações brasileiras

    A Receita Federal e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) desmontaram uma rede de adulteração no coração logístico do agronegócio brasileiro. Na manhã desta terça-feira (12), uma operação conjunta entre auditores fiscais federais agropecuários e a Polícia Federal resultou na apreensão de 48 toneladas de açúcar VHP no corredor de exportação do Porto de Paranaguá (PR).

    A fraude que coloca o Brasil no radar das importadoras

    Os testes preliminares realizados durante a coleta das amostras revelaram a presença de materiais insolúveis — identificados como areia — em quantidade superior ao limite estabelecido pela legislação brasileira. Segundo protocolos do Serviço de Inspeção de Produtos de Origem Vegetal no Paraná (Sipov/PR), a contaminação detectada compromete não apenas a qualidade do produto, mas também a segurança de quem o consome, seja no fogão doméstico ou em cozinhas industriais.

    A carga, avaliada em dezenas de milhões de reais, estava prestes a ser embarcada para mercados internacionais — um destino cada vez mais cobiçado pelo agronegócio brasileiro. Em 2024, o país bateu recorde de exportações de açúcar: 38,24 milhões de toneladas, com receita de US$ 18,6 bilhões. No entanto, o volume recorde esconde uma realidade preocupante: a vulnerabilidade do sistema a fraudes que mancham a imagem do “padrão brasileiro” de qualidade.

    Do laboratório ao crime organizado: a engrenagem da fraude

    As amostras confiscadas foram encaminhadas ao Laboratório Federal de Defesa Agropecuária em Goiás (LFDA/GO), onde análises técnicas devem confirmar ou descartar a adulteração. Caso a suspeita seja confirmada, a carga poderá ser desclassificada e considerada imprópria para consumo, conforme prevê a legislação federal. Além disso, a fraude pode desencadear sanções administrativas contra os responsáveis e até mesmo desdobramentos criminais, com a possibilidade de enquadramento em crimes contra a saúde pública e o patrimônio.

    O caso não é isolado. Desde o início de 2024, o Mapa e a Polícia Federal intensificaram operações de fiscalização no Porto de Paranaguá, um dos principais terminais de exportação de granéis agrícolas do país. A articulação entre as forças-tarefa busca combater fraudes em cargas de soja, farelo de soja e açúcar — produtos que, juntos, representam mais de 60% do valor das exportações brasileiras de produtos agropecuários.

    O custo da credibilidade: por que a fiscalização é urgente

    A adulteração de açúcar não é apenas uma questão de saúde pública. É um golpe contra a imagem do Brasil como fornecedor confiável de commodities agrícolas. “A fraude afeta diretamente a confiança dos mercados internacionais, que cada vez mais exigem garantias de rastreabilidade e qualidade”, explica um auditor fiscal ouvido pela reportagem. “O Brasil é o maior exportador de açúcar do mundo, mas se não controlarmos esses desvios, podemos perder mercados estratégicos para concorrentes como Índia e Tailândia.”

    As consequências vão além dos prejuízos financeiros. Empresas que atuam de forma transparente podem ser penalizadas pela competição desleal, enquanto os consumidores finais — sejam donas de casa ou chefs de cozinha — ficam expostos a produtos que não atendem aos padrões mínimos de segurança alimentar. A operação no Porto de Paranaguá é mais um alerta de que a fiscalização precisa ser permanente, não apenas reativa.

    Um setor sob pressão: o Brasil entre a liderança global e os riscos internos

    O açúcar brasileiro é sinônimo de competitividade. Com 25% da produção global e 50% das exportações mundiais, o produto é um dos carros-chefes do agronegócio nacional. No entanto, a pressão por maximizar lucros em um mercado altamente concorrido tem levado a práticas arriscadas.

    “A adulteração não é um fenômeno novo, mas a escala e a sofisticação dos métodos estão aumentando”, afirma um especialista em segurança alimentar. “Grupos criminosos têm investido em técnicas para burlar os sistemas de fiscalização, inclusive com a participação de funcionários de empresas exportadoras.”

    Enquanto o LFDA/GO não conclui as análises definitivas, uma coisa é certa: a operação no Porto de Paranaguá reacendeu o debate sobre a necessidade de investimentos em tecnologia de rastreamento e fiscalização em tempo real. Afinal, em um mundo onde a confiança é a moeda mais valiosa, fraudes como essa não apenas prejudicam a economia — elas ameaçam a posição do Brasil como potência agroexportadora.