Tag: agricultura regenerativa

  • AGBI investe R$ 90 milhões em fazenda no Mato Grosso e acelera corrida bilionária por terras rurais no agro brasileiro

    AGBI investe R$ 90 milhões em fazenda no Mato Grosso e acelera corrida bilionária por terras rurais no agro brasileiro

    A corrida por terras agrícolas no Brasil ganhou mais um capítulo relevante nesta sexta-feira (3 de julho de 2026), quando a AGBI, uma das principais gestoras brasileiras de investimentos fundiários, anunciou a aquisição da Fazenda Rincão Alegre, em Gaúcha do Norte (MT), por R$ 90 milhões. A operação marca a estreia do quarto fundo da empresa no setor agropecuário, sinalizando não apenas a valorização crescente de propriedades rurais com potencial de transformação, mas também a busca por ativos capazes de gerar retorno financeiro aliado a ganhos ambientais.

    Fazenda de 7,8 mil hectares com lavouras consolidadas e plano de expansão

    A propriedade adquirida pela AGBI tem 7,8 mil hectares, dos quais 1.450 já são ocupados por cultivos de soja, milho e algodão. No entanto, o foco da gestora vai além da produção tradicional: o objetivo é recuperar áreas degradadas e implementar modelos de agricultura regenerativa, que combinam produtividade com sustentabilidade — um diferencial cada vez mais valorizado por investidores internacionais e fundos ESG.

    A estratégia do quarto fundo da AGBI e o novo ciclo de capitalização no agro

    O quarto fundo da AGBI, lançado recentemente, tem como alvo propriedades com potencial de recuperação produtiva e valorização a médio e longo prazo. A Fazenda Rincão Alegre, estrategicamente localizada no chamado “arco agrícola brasileiro”, representa um caso emblemático desse movimento: uma fazenda já em operação, mas com espaço para ampliação de áreas produtivas e adoção de tecnologias sustentáveis. Segundo analistas do setor, essa operação reflete uma tendência crescente de fundos internacionais e nacionais direcionarem recursos para o agro brasileiro, não apenas pela escala de produção, mas também pelo potencial de geração de ativos ambientais — como créditos de carbono e recuperação de áreas de reserva legal.

    O que o mercado espera com essa movimentação?

    A entrada da AGBI nesse segmento com um aporte de R$ 90 milhões é um indicador de que o agro brasileiro segue atraindo capital estruturado, mesmo em um cenário de incertezas econômicas. Especialistas avaliam que operações como essa tendem a impulsionar a profissionalização das fazendas, com a adoção de práticas mais tecnificadas e alinhadas às demandas de mercado. Além disso, a valorização de terras com potencial ambiental pode abrir novas fontes de receita para os produtores, como a venda de créditos de carbono ou a participação em programas de pagamento por serviços ecossistêmicos. Para o Mato Grosso, estado que já é um dos maiores produtores agrícolas do país, essa movimentação reforça a importância da região como polo de investimentos no setor.

  • Agro e clima na Rio Nature & Climate Week: Mapa aposta em financiamento verde para revolucionar a agricultura

    Agro e clima na Rio Nature & Climate Week: Mapa aposta em financiamento verde para revolucionar a agricultura

    Do Rio de Janeiro para o Brasil: agricultura regenerativa ganha força com apoio financeiro

    A Rio Nature & Climate Week, encerrada no dia 2 de junho no Rio de Janeiro, não foi apenas mais um evento climático. O III Fórum de Finanças Climáticas, que reuniu lideranças globais, sinalizou um ponto de virada: a agricultura brasileira começa a ser vista não apenas como vilã das emissões, mas como solução para a crise climática — desde que receba os recursos necessários.

    Representando o Mapa, o assessor especial Pedro Cunto deixou claro durante o painel “Segurança alimentar e adaptação climática” que o produtor rural já entendeu a equação. “A transição para práticas regenerativas não é uma opção, mas uma necessidade para manter a competitividade no mercado global”, afirmou. A iniciativa coordenada pelo ministério, o Programa Caminho Verde Brasil, surge como um dos primeiros passos concretos nesse sentido, buscando alinhar produtividade com redução de emissões e restauração de áreas degradadas.

    Financiamento verde: o novo combustível para o agro sustentável

    O grande desafio agora é dinheiro. O sistema financeiro global, discutido no fórum, precisa urgentemente direcionar fluxos para projetos que unam conservação, segurança alimentar e mitigação climática. Segundo analistas presentes, os mecanismos de financiamento climático — como títulos verdes e fundos de restauração — não são mais uma tendência, mas uma realidade iminente para quem quiser acessar mercados internacionais.

    O Brasil, com sua matriz agrícola diversificada e potencial de restauração em áreas como o Cerrado e a Amazônia, tem tudo para se tornar um caso de sucesso. “O agro brasileiro responde por cerca de 25% das exportações do país. Se a gente não liderar essa transição, outro país vai ocupar esse espaço”, alertou Cunto, ecoando a preocupação de especialistas em relação à competitividade internacional.

    Agricultura regenerativa: mais do que modismo, uma estratégia de sobrevivência

    Entre os temas abordados no evento, a agricultura regenerativa apareceu como palavra-chave. Ao contrário das práticas tradicionais — muitas vezes associadas ao desmatamento e à degradação do solo —, o novo modelo prega a integração entre lavouras, pecuária e florestas, com técnicas como plantio direto, integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) e sistemas agroflorestais. O objetivo é simples: produzir mais com menos impacto ambiental.

    No entanto, a transição não será barata. Estima-se que a implementação de sistemas regenerativos pode exigir investimentos iniciais de até 30% maiores do que os métodos convencionais — uma barreira que só será superada com linhas de crédito específicas e incentivos fiscais. “O produtor não pode arcar sozinho com esse custo. Precisamos de políticas públicas que façam essa ponte”, defendeu Cunto.

    Próximos passos: o que esperar do agro brasileiro até 2026?

    Com a Rio Nature & Climate Week servindo como termômetro, o Mapa deve acelerar a implementação do Caminho Verde Brasil, com metas claras de redução de emissões e restauração de 15 milhões de hectares até 2030. A expectativa é que, até o final de 2026, o programa já conte com a adesão de grandes cooperativas e empresas do agronegócio, além de parcerias com bancos internacionais para viabilizar os recursos necessários.

    Enquanto isso, o debate sobre financiamento climático no agro ganha corpo. Se antes a discussão era teórica, agora ela se materializa em números: segundo a FAO, o Brasil pode se tornar um dos maiores beneficiários de fundos climáticos globais, desde que consiga provar que sua agricultura é parte da solução, não do problema.

  • Fazenda de Sabrina Sato inova com café sustentável e vira modelo para o agro brasileiro em 2026

    Fazenda de Sabrina Sato inova com café sustentável e vira modelo para o agro brasileiro em 2026

    A transição do café brasileiro rumo à sustentabilidade não se limita mais aos grandes polos produtores do país. Em um cenário onde a rastreabilidade e a responsabilidade ambiental definem o valor dos grãos no mercado global, a Fazenda Nossa Terra, localizada em Piraju (SP), às margens da Represa de Jurumirim, emerge como um novo paradigma no setor.

    Do entretenimento à inovação agroambiental: o legado da família Sato

    Mais do que uma propriedade vinculada à personalidade midiática Sabrina Sato, a fazenda representa um modelo de negócio alinhado às demandas do agronegócio moderno. Ao apostar em café arábica, práticas de agricultura regenerativa e preservação de ecossistemas, a iniciativa ganha destaque em um momento crítico para a cafeicultura nacional.

    Nescafé Plan e a certificação da sustentabilidade

    Recentemente, a Fazenda Nossa Terra ingressou no Nescafé Plan, programa global da Nestlé voltado ao fomento de métodos regenerativos na cadeia do café. A adesão não é mera coincidência: em 2026, o Brasil enfrenta pressões internacionais por reduzir emissões de carbono e implementar práticas que garantam a segurança alimentar sem degradar o solo. O programa, que já beneficiou mais de 100 mil produtores em 20 países, agora contribui para consolidar a fazenda como referência em café de baixo impacto ambiental e alta qualidade.

    O que significa agricultura regenerativa no contexto do café?

    Diferentemente da agricultura convencional, que muitas vezes prioriza a produtividade a curto prazo, a regenerativa busca restaurar a saúde do solo, aumentar a biodiversidade e sequestrar carbono. Na Fazenda Nossa Terra, isso se traduz em técnicas como:

    • Rotação de culturas para evitar o esgotamento do solo;
    • Uso de adubos orgânicos e biofertilizantes;
    • Preservação de matas ciliares e áreas de reserva legal;
    • Colheita seletiva, que privilegia grãos de melhor qualidade.

    Essas práticas não apenas garantem a sustentabilidade ambiental, mas também agregam valor ao produto final, atraindo consumidores dispostos a pagar mais por origem ética e responsabilidade climática.

    O reflexo no mercado e as lições para o agro brasileiro

    O movimento liderado pela fazenda de Sabrina Sato reflete uma tendência irreversível no setor: a descarbonização da produção agrícola. Segundo dados da Embrapa, propriedades que adotam sistemas regenerativos registram até 30% a mais de sequestro de carbono em comparação às convencionais. Além disso, a rastreabilidade — cada vez mais exigida por marcas internacionais — permite que os consumidores saibam exatamente de onde vem o seu café, um diferencial competitivo em mercados como a União Europeia, onde regulamentações ambientais são cada vez mais rígidas.

    Para especialistas, o caso da Fazenda Nossa Terra serve de laboratório vivo para o restante do país. “É um exemplo de como a inovação pode caminhar lado a lado com a tradição”, afirmou agrônomo consultado pela reportagem, que preferiu não se identificar. “Quando uma cultura como o café, que já é parte da identidade nacional, se adapta sem perder sua essência, o setor ganha força para enfrentar os desafios climáticos e de mercado.”

    Próximos passos: expansão e novos desafios

    Com a adesão ao Nescafé Plan, a fazenda já planeja ampliar sua área de cultivo em 20% até 2027, além de buscar certificações internacionais como a Rainforest Alliance. No entanto, o maior desafio pode ser a escalabilidade: nem todos os produtores têm acesso a recursos para implementar tecnologias regenerativas. Nesse sentido, iniciativas como a da família Sato destacam-se como pontes entre o tradicional e o inovador, mostrando que é possível conciliar lucratividade e responsabilidade socioambiental.