Tag: agro sustentável

  • Cerrado Mineiro lança nova estratégia de marca em evento estratégico para o café brasileiro

    Cerrado Mineiro lança nova estratégia de marca em evento estratégico para o café brasileiro

    Reinventando o café do Cerrado: estratégia de marca ganha força no mercado global

    A Região do Cerrado Mineiro (RCM) deu um passo decisivo em sua trajetória de valorização do café de origem no dia 1º de junho de 2026, durante a 3ª edição da Abertura da Safra Mineira de Café e do Fórum Mineiro do Agronegócio Sustentável, em Araguari (MG). O evento, promovido pela Coocacer, serviu como plataforma para o lançamento da nova estratégia de comunicação da RCM, que busca não apenas reforçar sua Denominação de Origem, mas também ampliar sua presença no competitivo mercado de cafés especiais — nacional e internacional.

    Em um painel intitulado “Do campo à liderança global — como o Cerrado Mineiro está redefinindo o valor do café brasileiro”, o diretor executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado, Juliano Tarabal, apresentou os pilares da nova abordagem: diferenciação pela qualidade, sustentabilidade e rastreabilidade. A estratégia, desenvolvida ao longo de 2025 e implementada este ano, chega em um momento crucial para o setor, que enfrenta pressões por preços mais justos e demandas crescentes por transparência na cadeia produtiva.

    Denominação de Origem como diferencial competitivo

    A Região do Cerrado Mineiro, reconhecida como Denominação de Origem desde 2020, enfrenta o desafio de transformar seu prestígio territorial em vantagem comercial. Segundo especialistas do setor, a nova estratégia de marca busca consolidar a região como um selo de excelência, capaz de justificar preços premium e atrair investimentos em inovação. O reposicionamento inclui uma campanha de comunicação direcionada a baristas, importadores e consumidores finais, com ênfase em histórias de produtores e práticas sustentáveis.

    Dados preliminares do evento indicam que a RCM já responde por cerca de 12% da produção brasileira de café especial, com exportações crescentes para mercados como Japão, Estados Unidos e Europa. No entanto, a competição com outras regiões produtoras — como a Serra da Mantiqueira e o Sul de Minas — exige um esforço contínuo de diferenciação. A nova estratégia, segundo Tarabal, prevê parcerias com instituições de pesquisa para desenvolver blends exclusivos e certificações adicionais, como carbono neutro até 2030.

    Sustentabilidade como eixo central do futuro da cafeicultura

    O Fórum Mineiro do Agronegócio Sustentável, realizado em paralelo à Abertura da Safra, trouxe à tona discussões sobre os desafios climáticos e a necessidade de adaptação. A região do Cerrado Mineiro, tradicionalmente menos afetada por geadas em comparação a outras áreas produtoras, enfrenta agora os impactos de verões mais secos e irregulares. A estratégia de marca lançada pela RCM inclui metas ambiciosas de redução de emissões e uso de energias renováveis nas propriedades rurais, alinhadas aos ODS (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) da ONU.

    Para os cafeicultores, a nova abordagem representa uma oportunidade de valorizar a rastreabilidade de seus produtos. Com a adoção de tecnologias como blockchain para registro de safras e blockchain, a RCM busca garantir que cada xícara de café do Cerrado conte uma história — desde a plantação até a xícara. Especialistas ouvidos durante o evento destacaram que essa narrativa será crucial para conquistar mercados dispostos a pagar mais por produtos éticos e transparentes.

    O que esperar para os próximos anos?

    Ainda que o lançamento da estratégia seja um marco, especialistas do setor alertam que o sucesso dependerá de adoção massiva pelas cooperativas e produtores individuais. A RCM já anunciou investimentos em treinamentos para seus associados, focados em boas práticas agrícolas e marketing digital. Além disso, a região prepara uma série de eventos internacionais para 2027, incluindo participação em feiras como a World of Coffee em Copenhagen, para promover suas marcas.

    Em um mercado cada vez mais saturado, a Região do Cerrado Mineiro aposta em algo que vai além do produto: a construção de uma identidade coletiva. Se a estratégia vingar, o café do Cerrado poderá se tornar sinônimo não apenas de qualidade, mas de inovação e responsabilidade socioambiental — um trunfo valioso em tempos de consumidores cada vez mais exigentes.

  • IDH acelera rastreabilidade para evitar embargo europeu: apenas 4% do gado brasileiro é monitorado individualmente

    IDH acelera rastreabilidade para evitar embargo europeu: apenas 4% do gado brasileiro é monitorado individualmente

    Um gargalo que ameaça as exportações

    O Brasil, detentor do maior rebanho bovino do mundo com 238 milhões de cabeças, enfrenta um desafio urgente: apenas entre 2% e 4% do gado possui rastreabilidade individual. A lacuna coloca em risco as exportações para a União Europeia, que a partir de 2026 proibirá a importação de produtos agropecuários oriundos de áreas desmatadas ou com irregularidades ambientais por meio do Regulamento de Desmatamento da UE (EUDR). Até lá, o país precisa expandir rapidamente sua capacidade de monitoramento para evitar embargos comerciais.

    Ação da Fundação IDH: conectando campo e capital sustentável

    A Fundação IDH, desde 2019, tem liderado iniciativas para preencher essa brecha, especialmente em estados-chave como Mato Grosso — responsável por 14% do rebanho nacional — onde a cobertura de rastreamento individual mal chega a 17%. Seus programas já beneficiaram mais de mil pequenos criadores com assistência técnica, além de ter rastreado mais de 250 mil animais nos estados de Mato Grosso e Pará. Em paralelo, a fundação promoveu a conservação de 290 mil hectares de florestas e a regularização ambiental de centenas de propriedades, alinhando produtividade com práticas sustentáveis.

    O que está em jogo: exportações e soberania do agronegócio

    As exigências da EUDR não são apenas uma barreira comercial, mas uma transformação estrutural. Produtores que não comprovarem origem limpa de suas áreas estarão automaticamente fora do principal mercado consumidor de carne brasileira. Nesse contexto, a rastreabilidade deixa de ser um diferencial para tornar-se um pré-requisito. A IDH surge como um elo entre pequenos e médios criadores e o acesso ao capital sustentável, oferecendo ferramentas para que atendam às novas normas sem perder competitividade.

    O futuro do agro brasileiro depende de dados confiáveis

    O cenário atual exige mais do que boas intenções: é necessário um sistema robusto de rastreabilidade que una tecnologia, fiscalização e adesão voluntária dos produtores. Enquanto o governo federal discute estratégias, iniciativas como a da IDH mostram que soluções locais podem acelerar a transição para um modelo de produção transparente. O risco de perder mercados como a UE é real, mas o Brasil tem até dezembro de 2026 para se adequar — um prazo que, na escala do agronegócio, é curto demais para improvisos.

  • Azeite orgânico brasileiro conquista ouro na Turquia e prova: o agro nacional pode ser sustentável e premiado

    Azeite orgânico brasileiro conquista ouro na Turquia e prova: o agro nacional pode ser sustentável e premiado

    A olivicultura brasileira acaba de escrever uma nova página na história do agronegócio nacional — e não foi com soja, milho ou boi. O azeite extravirgem Bene, produzido na Fazenda São Benedito, em Bom Sucesso de Itararé (SP), faturou a medalha de ouro no Blend Gold Award da Anatolian International Olive Oil Competition 2026, um dos mais exigentes do mundo. Em uma competição dominada por países com tradição milenar na produção de azeite, como Turquia, Grécia e Espanha, o Brasil — e especificamente a agricultura regenerativa — mostrou que é possível competir em alta gastronomia com qualidade, inovação e respeito ao meio ambiente.

    Do cerrado paulista ao pódio turco: a trajetória de um produto que nasceu para ser diferente

    O Bene não é apenas mais um azeite extravirgem. Cultivado em solo arenoso do interior de São Paulo, o produto é resultado de um projeto que começou há duas décadas, quando o empresário Nelson Jorge decidiu apostar em variedades de oliveiras europeias — como Arbequina, Arbosana e Koroneiki — em uma região onde o clima frio e a altitude favorecem a produção de azeites de alta acidez e sabor intenso. Mas o que realmente o diferencia é o modelo regenerativo e orgânico, implementado desde 2018 com certificação do IBD (Instituto Biodinâmico), a maior certificadora de orgânicos da América Latina.

    A acidez do azeite, surpreendentemente baixa (0,06%), é um indicador não só de qualidade técnica, mas de um processo produtivo que prioriza a saúde do solo e do consumidor. Enquanto muitos produtos brasileiros ainda dependem de defensivos químicos para garantir produtividade, o Bene prova que é possível aliar sustentabilidade, sabor e rentabilidade. Em 2025, o azeite já havia acumulado seis medalhas de ouro em concursos internacionais, incluindo Grécia, Portugal e Argentina, consolidando uma estratégia de internacionalização que agora chega ao topo.

    A revolução silenciosa do agro brasileiro: por que um azeite orgânico importa

    A conquista do Bene não é apenas uma vitória comercial — é um marco simbólico em um momento em que o Brasil, maior exportador de commodities do mundo, enfrenta pressão global por práticas agrícolas mais sustentáveis. Segundo dados da Embrapa, cerca de 70% das áreas agrícolas brasileiras ainda utilizam agrotóxicos, enquanto mercados como a União Europeia já impõem barreiras a produtos que não atendem a padrões rígidos de redução de químicos.

    O modelo da Fazenda São Benedito, no entanto, segue na contramão. Com técnicas de agricultura regenerativa — que incluem rotação de culturas, adubação verde e manejo integrado de pragas —, a propriedade não só reduz custos a longo prazo, como também captura carbono e melhora a biodiversidade local. “O segredo está em entender o solo como um organismo vivo”, explica Nelson Jorge. “Não adianta forçar a produção com químicos; é preciso trabalhar com a natureza, não contra ela.”

    Esse tipo de abordagem começa a ganhar tração no Brasil, especialmente entre médios e pequenos produtores. Em 2023, o mercado de orgânicos faturou R$ 16,5 bilhões no país, segundo a Associação Brasileira de Orgânicos (ABIO). E enquanto a soja e o milho ainda dominam as exportações, produtos como o Bene abrem portas para um novo nicho: o agro premium sustentável.

    O que muda agora para o mercado e para os consumidores

    A medalha na Turquia não é apenas um troféu — é um passaporte para novos mercados. Com a chancela internacional, o Bene agora pode ser exportado para países que exigem certificações rígidas, como Alemanha, França e Japão. Além disso, a Fazenda São Benedito já negocia parcerias com restaurantes estrelados e distribuidores de produtos gourmet, apostando em um público disposto a pagar mais por qualidade e origem.

    Para os consumidores brasileiros, o impacto é duplo: primeiro, a possibilidade de ter acesso a um azeite extravirgem de classe mundial, produzido a menos de 400 km de São Paulo. Segundo, e mais importante, a chance de apoiar um modelo de agricultura que preserva o meio ambiente, gera empregos locais e ainda compete de igual para igual com os melhores do mundo.

    Enquanto o debate sobre o futuro do agro brasileiro segue acalorado, o Bene oferece uma resposta simples: é possível inovar, ser sustentável e ainda assim vencer nos palcos mais exigentes do planeta. E a Turquia, berço de uma das culturas oleíferas mais antigas da história, acaba de reconhecer isso.