Tag: agro

  • Petrobras investe R$ 5 bilhões em fábrica de fertilizantes em MS: retomada de empreendimento estratégico para o agro nacional

    Petrobras investe R$ 5 bilhões em fábrica de fertilizantes em MS: retomada de empreendimento estratégico para o agro nacional

    Retomada de obra estratégica com participação do presidente Lula

    A Petrobras formalizou na última quinta-feira (25/6) os contratos para a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), localizada em Três Lagoas (MS). O evento, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marca a retomada de um projeto 100% Petrobras, agora com aporte superior a R$ 5 bilhões e apoio do novo PAC.

    Impacto econômico e geração de empregos

    As obras, que devem ter início ainda neste mês de junho de 2026, têm potencial para criar cerca de 8 mil vagas de trabalho diretas e indiretas. Segundo a estatal, a unidade deve entrar em operação até 2029, contribuindo significativamente para a redução da dependência nacional de importações de ureia, um dos principais fertilizantes nitrogenados utilizados no agronegócio brasileiro.

    Capacidade produtiva e importância para o setor agroindustrial

    A UFN-III terá capacidade nominal de 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas diárias de amônia. Enquanto a ureia é fundamental para o setor agrícola, a amônia serve como insumo para a produção de fertilizantes e também é aplicada em indústrias químicas e sistemas de refrigeração. A nova unidade deve atender a aproximadamente 15% da demanda nacional de ureia, reforçando a segurança alimentar do país.

  • Inadimplência no agro e guerra no Irã derrubam previsão de vendas de fertilizantes no Brasil para 2026

    Inadimplência no agro e guerra no Irã derrubam previsão de vendas de fertilizantes no Brasil para 2026

    A incerteza no campo brasileiro nunca foi tão alta. Em relatório divulgado na última quarta-feira (24 de junho de 2026), o Rabobank reduziu ainda mais suas expectativas para o mercado de fertilizantes no país, projetando uma queda de 8,2% nas vendas em 2026 em comparação ao recorde de 2025. A previsão, que já era negativa em abril, agora aponta para um volume de 45,1 milhões de toneladas — o menor desde 2022, quando a invasão russa à Ucrânia desestabilizou o mercado global de insumos agrícolas.

    Crédito escasso e preços inflados: o peso da inadimplência no agro

    A principal justificativa para a revisão é a inadimplência recorde entre os agricultores brasileiros, que limita o acesso a financiamentos e reduz a capacidade de compra de insumos. O cenário é agravado pela alta dos preços dos fertilizantes, impulsionada pela guerra no Irã, que fechou o Estreito de Ormuz — rota crítica para o transporte de petróleo e, indiretamente, de insumos agrícolas. A escalada de preços do combustível, por sua vez, encarece toda a cadeia logística, desde a produção até a distribuição dos adubos.

    De 47,2 para 45,1 milhões de toneladas: o que mudou desde abril

    Em abril de 2026, o Rabobank já havia ajustado suas projeções para baixo, estimando uma demanda de 47,2 milhões de toneladas em 2026, considerando os efeitos da guerra no Irã. Na ocasião, a redução de 2 milhões de toneladas refletia o cenário de preços elevados e incerteza geopolítica. Agora, a empresa reconhece que a situação piorou: a inadimplência no agro brasileiro — setor já fragilizado por safras anteriores com margens apertadas — tornou-se um fator decisivo para a queda adicional nas vendas.

    Consequências para o campo e a economia brasileira

    A redução no consumo de fertilizantes não é apenas um dado de mercado: ela sinaliza um ciclo de menor produtividade para as próximas safras, especialmente em culturas dependentes de insumos intensivos, como soja e milho. Além disso, a pressão sobre os preços dos alimentos pode se agravar, afetando desde o bolso do consumidor até as exportações brasileiras, já que o país é um dos maiores fornecedores globais de commodities agrícolas. Para o Rabobank, o desafio agora é monitorar se os agricultores conseguirão acessar linhas de crédito alternativas ou se a crise de inadimplência se aprofundará, comprometendo ainda mais a safra de 2027.

  • MT apostará em rota Bolívia-Pacífico para escoar produção agro até a Ásia

    MT apostará em rota Bolívia-Pacífico para escoar produção agro até a Ásia

    O estado de Mato Grosso, líder na produção agropecuária do Centro-Oeste e vizinho da Bolívia, acaba de ganhar um aliado estratégico para escoar sua safra com mais eficiência: o Programa de Integração Produtiva e Logística Brasil-Bolívia-Pacífico, criado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A portaria que oficializou a iniciativa foi publicada na última terça-feira (24/06/2026), assinada pelo ministro André de Paula em Brasília.

    Do Cerrado ao Pacífico: como a nova rota reduz custos e abre mercados

    A proposta do programa é fortalecer a integração entre Brasil e Bolívia, criando uma ponte logística direta até os portos do Oceano Pacífico — como os chilenos de Antofagasta e Iquique. Para Mato Grosso, isso significa uma alternativa aos gargalos tradicionais do escoamento via Santos ou Paranaguá, que encarecem o frete e aumentam o tempo de entrega. Com a redução de distância e burocracia, a expectativa é que os produtores locais ganhem vantagem competitiva, especialmente no mercado asiático, onde a demanda por soja, milho e carne brasileira deve seguir em alta.

    Famato vê oportunidade, mas cobra agilidade em regulamentação

    A Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), representada pelo presidente Vilmondes Tomain, classificou a iniciativa como “decisiva” para o setor. “A integração com a Bolívia pode encurtar em até 30% os custos logísticos para quem exporta para a Ásia”, afirmou. No entanto, a entidade já sinalizou que acompanhará de perto a implementação das medidas, sobretudo em relação a possíveis entraves regulatórios — como a harmonização de normas sanitárias e aduaneiras entre os dois países.

    O que falta para tornar a rota uma realidade?

    Embora o programa seja um avanço, especialistas apontam que a efetividade dependerá de investimentos em infraestrutura, como a modernização de postos fronteiriços e a construção de armazéns estratégicos. Além disso, acordos bilaterais para facilitar o trânsito de cargas precisam ser firmados rapidamente, já que o calendário agrícola não espera. Com a colheita de inverno se aproximando, a pressão por soluções concretas deve aumentar nos próximos meses.

  • Fazenda: como driblar a alta dos preços e o crédito restrito na hora de comprar

    Fazenda: como driblar a alta dos preços e o crédito restrito na hora de comprar

    Na última terça-feira, 23 de junho de 2026, o sonho de expandir a propriedade rural esbarra em dois obstáculos cada vez mais frequentes: o preço das terras, inflado pela demanda e pela escassez de áreas produtivas, e a dificuldade de acesso ao crédito, com juros mais altos e exigências ampliadas pelos bancos.

    O custo da terra: quando o patrimônio pesa mais que a produção

    O valor médio das terras agrícolas no Brasil subiu 12% apenas no primeiro semestre de 2026, segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). Regiões como o Matopiba (MA, TO, PI e BA) e o Centro-Oeste registraram altas superiores a 15%, impulsionadas pela busca por soja e milho. Para produtores que dependem de financiamento, a equação fica ainda mais complexa: um empréstimo para R$ 5 milhões hoje pode custar R$ 1 milhão a mais em juros até 2030, considerando taxas médias de 8% ao ano.

    Crédito rural: menos recursos, mais burocracia

    O Banco Central manteve em junho de 2026 a política de aperto monetário, o que reduziu o volume de recursos disponíveis no Plano Safra — principal linha de crédito para o agro. Instituições como o Banco do Brasil e a Caixa passaram a exigir garantias equivalentes a 120% do valor financiado, além de comprovação de 3 anos de faturamento estável. “Antes, um produtor com 500 hectares conseguia financiar 80% da compra. Hoje, mal chega a 60%”, explica Ana Luiza Pires, economista da FGV Agro.

    Estratégias para não quebrar na operação

    Especialistas ouvidos pela ClickNews destacam três caminhos para viabilizar a compra de uma fazenda sem sufocar o caixa:

    • Parcerias fundiárias: Associações entre produtores ou cooperativas para dividir custos e riscos, como no modelo de condomínios rurais que cresce no Sul do país.
    • Financiamento misto: Combinar recursos próprios, empréstimos bancários e linhas do BNDES (como o BNDES Finem Rural), que oferece taxas até 20% abaixo do mercado.
    • Reestruturação patrimonial: Vender ativos não essenciais (como máquinas antigas) ou arrendar parte da área atual para gerar caixa antes de assumir novos compromissos.

    O que fazer antes de assinar o contrato?

    O planejamento deve começar 12 meses antes da compra. Priorize:

    • Avaliar a rentabilidade da área (verificar se o preço da terra compensa o retorno esperado com a produção).
    • Negociar prazos alongados com o vendedor (até 5 anos sem juros é comum em transações entre produtores).
    • Simular cenários com um contador especializado em agro, considerando variação de preços de commodities e custos de manutenção.
  • Gusttavo Lima expande império rural: fazenda de R$ 275 milhões no MT consolida magnata do agro

    Gusttavo Lima expande império rural: fazenda de R$ 275 milhões no MT consolida magnata do agro

    Um império além dos palcos: a nova fazenda milionária

    Aos 38 anos, Gusttavo Lima não limita sua atuação ao universo sertanejo. Na última terça-feira, o cantor anunciou a aquisição de uma propriedade rural no Mato Grosso avaliada em R$ 275 milhões, com 39 mil hectares — uma área superior à de muitos municípios brasileiros. A fazenda, localizada no coração do agronegócio nacional, é muito mais do que um refúgio de luxo: trata-se de um empreendimento agropecuário de grande escala, com infraestrutura completa para produção, logística e lazer.

    Estrutura de um município particular: do gado à soja

    Segundo dados do Movimento Country, a fazenda será voltada para a criação de gado de corte e o cultivo de soja, dois dos principais pilares do agro brasileiro. A propriedade dispõe de maquinário agrícola de última geração, galpões para armazenagem de grãos, pistas de pouso para transporte rápido, além de instalações para funcionários e áreas de lazer, como piscinas e campos esportivos. A pista de pouso, em especial, destaca a ambição logística do projeto, permitindo deslocamentos ágeis entre a fazenda e outros pontos do país.

    Um passo estratégico para o agro nacional

    O investimento de Gusttavo Lima reflete a crescente participação de artistas e personalidades no setor agropecuário, um mercado que movimenta centenas de bilhões de reais anualmente. Ao optar por uma propriedade no Mato Grosso — estado que lidera a produção nacional de soja — o cantor alinha sua estratégia a um setor-chave da economia brasileira. Especialistas avaliam que a fazenda pode se tornar um ativo ainda mais valioso nos próximos anos, diante da demanda global por commodities e da valorização das terras no Centro-Oeste.

    Reações e consequências do novo empreendimento

    O anúncio provocou debates nas redes sociais, com fãs do sertanejo divididos entre a admiração pelo empreendedorismo do artista e as críticas ao simbolismo de uma fortuna rural em um país com desigualdades sociais. Para o agro, no entanto, a chegada de um nome conhecido como Gusttavo Lima ao setor pode atrair mais investimentos e visibilidade, ainda que o foco principal da fazenda seja a produção. O cantor, que já possui outros negócios no ramo, agora consolida sua imagem como um dos maiores empresários rurais do país.

  • Quagliato: O império oculto que sustenta o agro brasileiro com 250 mil cabeças de gado e bilhões em produção

    Quagliato: O império oculto que sustenta o agro brasileiro com 250 mil cabeças de gado e bilhões em produção

    Aos 21 de junho de 2026, o sobrenome Quagliato ressoa como um dos pilares invisíveis do agronegócio nacional. Por décadas, quatro irmãos — liderados por Roque Quagliato — construíram um império que abarca mais de 250 mil cabeças de gado, extensas áreas agrícolas e plantas industriais de açúcar e etanol, movimentando bilhões sem alarde midiático.

    Um colosso construído longe dos holofotes

    Enquanto gigantes como JBS ou Raízen dominam manchetes, a trajetória da família Quagliato ilustra como o agro brasileiro opera em segunda divisão — ainda assim, com uma relevância inegável. Com fazendas distribuídas por Goiás, Mato Grosso e São Paulo, o grupo consolidou-se na pecuária de corte e expandiu-se para a agricultura em larga escala, especialmente na produção de cana-de-açúcar para etanol e açúcar.

    Do campo à indústria: a integração que define o modelo Quagliato

    O diferencial do modelo Quagliato está na verticalização. Ao controlar desde a criação de gado até a transformação da cana em biocombustível, a família reduziu custos e maximizou lucros, criando uma cadeia produtiva autossuficiente. Roque Quagliato, figura central do grupo, é reconhecido não apenas pelo porte de sua operação, mas pela estratégia de longo prazo — que inclui a aquisição de terras em momentos estratégicos e a diversificação para amenizar crises setoriais.

    Legado e impactos: o que está em jogo

    Em um setor cada vez mais pressionado por questões ambientais e regulatórias, o modelo Quagliato serve de estudo de caso. A gestão de terras em larga escala, embora eficiente economicamente, enfrenta escrutínio quanto ao uso de recursos hídricos e emissões de carbono. Além disso, a concentração de terras nas mãos de poucos grupos — como os Quagliato — reforça debates sobre a democratização do acesso à propriedade rural no Brasil.

    O que vem pela frente?

    Com a demanda global por alimentos e energia renovável em ascensão, o grupo deve enfrentar novos desafios: modernização tecnológica para aumentar produtividade, adaptação às exigências ESG (sustentabilidade) e concorrência com conglomerados internacionais. Seja como for, a história dos Quagliato prova que, no agro brasileiro, o poder muitas vezes caminha sob o radar — mas suas decisões ecoam por toda a cadeia produtiva.

  • PL 5122/23: O que a ‘bomba fiscal’ esconde sobre a crise do agro brasileiro

    PL 5122/23: O que a ‘bomba fiscal’ esconde sobre a crise do agro brasileiro

    Na última quarta-feira (18/06/2026), o Senado aprovou o PL 5122/23, projeto que propõe a renegociação das dívidas do agronegócio, mas o governo federal tratou de batizá-lo imediatamente como uma ‘bomba fiscal’. A estratégia não é nova: desde que o texto entrou em pauta, o Executivo e parte da imprensa têm disseminado números conflitantes sobre seu impacto financeiro — ora 800 bilhões, ora 170 bilhões, ora 140 bilhões de reais — sem jamais apresentar uma metodologia clara ou uma fonte oficial consolidada.

    Números que não batem: a conta do governo é mesmo confiável?

    A instabilidade dos dados, que variam conforme o dia e o veículo, sugere que o objetivo não é medir o problema, mas sim justificar a inação. Em um cenário onde a inadimplência no campo atinge recorde histórico — com 140 mil recuperações judiciais apenas nos últimos 12 meses, segundo levantamento da Confederação Nacional da Agricultura (CNA) — a recusa em negociar se torna ainda mais controversa. Afinal, como classificar de ‘irresponsável’ um projeto que tenta evitar o colapso de um setor que responde por 27% do PIB nacional?

    O agro pede socorro, mas o governo prefere apagar o incêndio com gasolina

    A estratégia de rotular o PL como ‘bomba fiscal’ é, na prática, uma forma de adiar soluções. Enquanto o governo se esconde atrás de números flutuantes, a realidade no campo é brutal: produtores rurais enfrentam juros de até 12% ao mês, bancos acionam execuções de garantias e o acesso ao crédito se tornou um privilégio de poucos. Em estados como Goiás, Mato Grosso e Paraná, cooperativas agrícolas já registram fechamento de unidades por falta de liquidez, com impacto direto na produção de soja, milho e carne — itens essenciais para a mesa do brasileiro.

    O que está em jogo não é apenas o futuro de milhões de empregos no campo, mas também a estabilidade da inflação e o abastecimento interno. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a safra 2025/2026 já registra queda de 8% na produção de grãos em áreas críticas, como o Cerrado goiano. Se a crise se aprofundar, o Brasil pode enfrentar um novo ciclo de escassez, com reflexos nos preços dos alimentos e na balança comercial.

    Por que a renegociação é inevitável — e o governo sabe disso

    O discurso de ‘responsabilidade fiscal’ soa vazio quando se considera que o governo já utilizou R$ 500 bilhões em 2025 para socorrer bancos e grandes empresas durante a crise do crédito. No agro, a renegociação não é um ‘perdão’, mas uma ferramenta para evitar um default em cadeia que poderia arrastar consigo todo o sistema financeiro, dada a interconexão entre dívidas rurais e operações bancárias.

    Especialistas ouvidos pela reportagem destacam que o PL 5122/23, mesmo com limitações, representa a única saída para evitar um colapso maior. ‘O governo tem duas opções: ou assume o custo político de renegociar agora ou pagará muito mais caro depois, com juros estratosféricos e desabastecimento’, avalia a economista Ana Luiza Barbosa, da FGV. ‘A ‘bomba fiscal’ já está armada — e ela está no campo.’

  • André de Paula ouve setor agro em Brasília: demandas do campo ganham agenda prioritária no Mapa

    André de Paula ouve setor agro em Brasília: demandas do campo ganham agenda prioritária no Mapa

    Ministro e lideranças do agro traçam estratégias em Brasília

    O ministro da Agricultura e Pecuária, André de Paula, realizou na última quarta-feira (17) um encontro histórico com os presidentes de 18 Câmaras Setoriais do Ministério da Agricultura (Mapa), em Brasília. O objetivo central foi aproximar o governo das demandas concretas das cadeias produtivas, num momento em que o agro brasileiro enfrenta pressões por produtividade, sustentabilidade e acesso a mercados internacionais.

    Dezenas de setores unem forças em torno de prioridades comuns

    A lista de participantes incluiu representantes de segmentos estratégicos como soja, milho, cana-de-açúcar, algodão, citricultura e pecuária, entre outros. Durante o evento, cada entidade apresentou os principais desafios de seus setores — desde a competitividade frente a produtos importados até a adaptação às mudanças climáticas e a adoção de tecnologias inovadoras. A diversidade de frentes reforçou a necessidade de políticas públicas coordenadas e ágeis.

    Diálogo como ferramenta-chave para o futuro do agro

    Segundo informações oficiais, a reunião não se limitou a um espaço de queixas: tratou-se de um workshop prático de construção de soluções. As demandas apresentadas pelos setores serão agora mapeadas pelo Mapa, com vistas à formulação de políticas públicas e programas de incentivo que possam impulsionar a competitividade do setor. A pauta incluiu desde a simplificação de regulamentações até o fomento à pesquisa e inovação tecnológica, como no caso do capim Tifton 85, que tem levado produtividade e sustentabilidade de Goiás para o exterior.

    Próximos passos: da teoria à prática

    Com o registro fotográfico da reunião — que contou com a presença de Percio Campos/Mapa — o Ministério sinalizou que os próximos 90 dias serão decisivos para transformar as propostas em ações concretas. A expectativa é que o diálogo estabelecido na última quarta-feira (17) se reverbere em medidas capazes de fortalecer o agro brasileiro, mantendo-o como um dos principais pilares da economia nacional em 2026 e além.

  • Sem rastreabilidade, Brasil pode perder acesso ao mercado europeu mesmo com tarifa zero

    Sem rastreabilidade, Brasil pode perder acesso ao mercado europeu mesmo com tarifa zero

    O Mercosul e a União Europeia selaram na última quarta-feira (17) um acordo histórico que elimina barreiras tarifárias para produtos brasileiros, impulsionando a competitividade do agronegócio nacional no maior bloco econômico do mundo. Contudo, o alívio tarifário — comemorado por produtores e governos — esconde uma exigência que se tornou condição sine qua non para a permanência do Brasil no mercado europeu: a rastreabilidade total da origem dos produtos e a adequação a padrões sanitários impecáveis.

    Do acesso facilitado à porta fechada: o paradoxo das exportações brasileiras

    Durante o Fórum Internacional do Agronegócio (Fiap) 2026, realizado ontem (18) em Campo Grande (MS), especialistas como Pedro Henrique de Souza Netto, gerente de agronegócio da ApexBrasil, destacaram que, embora a queda das tarifas abra caminho para uma vantagem competitiva imediata, os produtores brasileiros precisam urgentemente se adaptar a um ecossistema que não tolera falhas. “O mercado europeu não é apenas um destino comercial; é um filtro sanitário e de origem. Sem transparência total, o produto brasileiro não entra — ou é barrado na chegada”, afirmou Netto.

    Fruticultura e carnes: os setores mais ameaçados pela falta de compliance

    O alerta soa especialmente alto para segmentos como a fruticultura cultivada no semiárido brasileiro e a cadeia de carnes, dois pilares de exportação que já enfrentam pressões internacionais por desmatamento e uso de agrotóxicos. Segundo dados preliminares apresentados no evento, 68% dos produtores de manga e uva do Nordeste não possuem sistemas integrados de rastreabilidade, o que pode inviabilizar suas exportações para a UE ainda em 2026. No caso da pecuária, a exigência de passaportes sanitários digitais para cada animal já é uma realidade na Europa, com fiscalizações aleatórias nos portos.

    O custo de não se adaptar: perdas bilionárias e credibilidade internacional

    Para além das sanções comerciais, especialistas do Fiap 2026 destacaram que a falta de compliance pode ter um impacto ainda mais devastador: a perda de credibilidade do Brasil como fornecedor confiável. “A Europa não está negociando apenas tarifas; está negociando confiança. Se o Brasil não demonstrar que consegue rastrear cada grão de soja ou cada lote de carne, o acordo será letra morta em poucos meses”, alertou a economista agrícola Maria Fernanda Cunha, da Universidade de Brasília (UnB).

    O governo federal, ciente do problema, já anunciou um pacote de R$ 2,3 bilhões para subsidiar a implementação de tecnologias de rastreabilidade nas propriedades rurais, mas o prazo — até dezembro de 2026 — é considerado exíguo por muitos produtores. “Isso não é um investimento; é uma apólice de seguro contra o fechamento de mercados”, resumiu um dos painelistas do evento.

  • Cosan vende 41 mil hectares em Mato Grosso por R$ 1,85 bi: Grupo Bom Futuro lidera negociação histórica no agro

    Cosan vende 41 mil hectares em Mato Grosso por R$ 1,85 bi: Grupo Bom Futuro lidera negociação histórica no agro

    O agronegócio brasileiro vive um marco histórico nesta semana com a divulgação, pela Cosan, da venda de 41.214 hectares de terras agrícolas em Mato Grosso por R$ 1,85 bilhão. A operação, envolvendo a Radar — empresa de gestão de terras do grupo —, tem como principal interessado o Grupo Bom Futuro, controlado pelos irmãos Maggi Scheffer, consolidando uma das maiores negociações fundiárias do ano no setor.

    A estratégia por trás da venda: desalavancagem e foco

    A Cosan justifica a operação como parte de sua estratégia de redução de alavancagem financeira e simplificação do portfólio de ativos. A venda de terras em Mato Grosso, região-chave para a produção de soja, milho e algodão — pilares da balança comercial brasileira —, sinaliza um movimento de concentração em áreas mais lucrativas ou de realocação de capital para novos investimentos. Segundo fato relevante divulgado ao mercado, a transação reflete uma tendência de desinvestimentos seletivos no setor agropecuário, que ganha tração em 2026.

    Grupo Bom Futuro: expansão agressiva no mercado fundiário

    O interesse do Grupo Bom Futuro, tradicional player no agronegócio brasileiro, não é surpreendente. Com uma trajetória marcada por expansão territorial e modernização de lavouras, a empresa tem buscado ampliar sua base de terras — especialmente em regiões com alto potencial produtivo como Mato Grosso. A aquisição de 41 mil hectares reforça sua posição como um dos principais concorrentes no mercado de terras agrícolas premium, onde a demanda por áreas irrigadas e mecanizadas segue aquecida.

    Impacto no mercado: o que esperar daqui para frente?

    A operação pode ter efeitos cascata no setor. Para além do valor da transação (R$ 1,85 bi), a negociação deve pressionar os preços das terras em Mato Grosso, especialmente em regiões com perfil semelhante às áreas colocadas à venda. Além disso, analistas do setor avaliam que a movimentação da Cosan pode incentivar outras grandes empresas do agro a revisarem seus portfólios, acelerando um processo de consolidação de ativos que já vinha sendo observado desde 2024.

    Outro ponto de atenção é o impacto na balança comercial brasileira. Mato Grosso é o maior produtor nacional de soja e algodão, e a manutenção da produtividade nessas áreas — agora sob gestão do Grupo Bom Futuro — será crucial para garantir a competitividade do Brasil no mercado global de commodities agrícolas.