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  • Mulás de Mangalarga: o ‘novo ouro’ da equinocultura brasileira que faturou R$ milhões em 2026

    Mulás de Mangalarga: o ‘novo ouro’ da equinocultura brasileira que faturou R$ milhões em 2026

    O que antes era visto como mero subproduto do cruzamento entre jumentos e éguas, hoje se transformou no ‘novo ouro’ da equinocultura brasileira. Na 48ª Exposição Nacional do Cavalo Mangalarga, realizada em Goiânia durante esta semana, uma apresentação especial colocou as mulas no centro das atenções — e dos negócios.

    De ‘filhas indesejadas’ a joias da raça Mangalarga

    Durante décadas, as mulas (filhas de jumentos com éguas) foram tratadas como animais secundários, muitas vezes descartadas ou vendidas a preços irrisórios. Essa realidade mudou drasticamente: hoje, mais de 50% das mulas produzidas no Brasil têm origem em éguas da raça Mangalarga, segundo dados da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Mangalarga (ABCCMM).

    A virada de mesa veio com a valorização desses animais híbridos, que combinam a resistência dos jumentos com a docilidade e força das éguas Mangalarga. Agora, eles são disputados no mercado por criadores, esportistas e até pela indústria do lazer, movimentando cifras que superam a casa dos R$ 500 milhões anuais — um setor que cresce cerca de 15% ao ano.

    Goiás lidera a produção de mulas premium

    A raiz desse sucesso está no cerrado goiano, onde criadores investem em programas de melhoramento genético para produzir mulas não apenas para trabalho, mas também para sela, cavalgadas e provas esportivas. “Nós deixamos de ver as mulas como um produto secundário e passamos a enxergá-las como uma atividade altamente rentável”, afirmou João Silva, criador e expositor na feira, durante a apresentação dedicada aos muares.

    Na exposição, além de demonstrações em pista, os visitantes puderam conhecer casos de sucesso como o da Fazenda Santa Rita, em Anápolis (GO), que faturou R$ 2,3 milhões em 2025 com a venda de apenas 12 mulas de alta linhagem. “Elas são mais estáveis que os cavalos, têm maior resistência e são ideais para longas cavalgadas”, explicou Silva, destacando o apelo turístico do segmento.

    O futuro da raça passa pelas mulas

    A ABCCMM já estuda a criação de um selo de qualidade específico para mulas Mangalarga, com o objetivo de padronizar o mercado e aumentar ainda mais seu valor. “Esse é um nicho que veio para ficar”, projetou a presidente da entidade, Maria Oliveira. “A demanda por animais híbridos só tende a crescer, especialmente com o boom das trilhas equestres no Brasil.”

  • Rastreabilidade na pecuária: como a transparência virou aliada do produtor brasileiro em 2026

    Rastreabilidade na pecuária: como a transparência virou aliada do produtor brasileiro em 2026

    A pecuária brasileira enfrenta, em junho de 2026, um marco histórico: a transição da rastreabilidade como requisito burocrático para uma ferramenta estratégica de gestão e competitividade. Com o PNIB em fase avançada de implementação, produtores rurais passam a enxergar no monitoramento individual de animais não apenas um cumprimento de normas, mas uma oportunidade de alavancar negócios e conquistar consumidores cada vez mais exigentes por transparência.

    Do papel sanitário ao diferencial de mercado

    Até recentemente, a rastreabilidade era vista como um mero instrumento de controle sanitário, especialmente para exportações. No entanto, a realidade atual mostra que sistemas como o PNIB — que identifica e monitora bovinos e bubalinos desde o nascimento até o abate — agora funcionam como passaporte para a diferenciação no mercado. Produtores que aderem ao sistema conseguem acessar programas de bonificação por boas práticas, selos de sustentabilidade e até contratos com grandes redes varejistas, que pagam um prêmio por carne rastreada.

    Tecnologia e gestão: o binômio que revoluciona a fazenda

    A adoção de tecnologias embarcadas (como tags eletrônicas, softwares de gestão e blockchain) permite que o produtor monitore em tempo real a saúde, nutrição e movimentação do rebanho. Segundo a Mesa Brasileira da Pecuária Sustentável, essa integração reduz em até 30% os custos com doenças animais, além de viabilizar a rastreabilidade reversa — quando o consumidor final pode verificar a origem do produto até a fazenda. É a prova de que transparência e lucratividade andam de mãos dadas.

    O desafio da adoção em massa

    Apesar dos benefícios, o setor ainda enfrenta resistência em algumas regiões, especialmente entre pequenos e médios produtores. A falta de incentivos fiscais e a burocracia para implementação de sistemas digitais são os principais entraves. Especialistas ouvidos pela reportagem destacam a necessidade de políticas públicas que facilitem o acesso a financiamentos e treinamentos, como ocorre em países como Uruguai e Austrália, onde a rastreabilidade já é padrão há anos. Sem isso, o Brasil corre o risco de perder espaço para concorrentes que já consolidaram essa vantagem.

    Perspectivas para o futuro: mercados globais e consumidores exigentes

    Com a União Europeia endurecendo regras sobre desmatamento e bem-estar animal, a rastreabilidade se tornou condição sine qua non para exportações. Empresas como a JBS e a BRF já exigem certificações de origem para seus fornecedores, e a tendência é que essa pressão se intensifique. Para o produtor, o recado é claro: quem não se adaptar agora pode ficar para trás em um mercado cada vez mais segmentado e competitivo.

  • Rio de Janeiro emerge como polo estratégico para a bubalinocultura brasileira com oportunidades inéditas

    Rio de Janeiro emerge como polo estratégico para a bubalinocultura brasileira com oportunidades inéditas

    Expansão do mercado e novos horizontes para o setor

    O estado do Rio de Janeiro está se consolidando como um dos principais polos de desenvolvimento para a bubalinocultura no Brasil, segundo especialistas do setor. A 19ª Exposição Agropecuária de Valença, que ocorrerá entre os dias 13 e 17 de maio no campus do Centro Universitário de Valença, será palco de uma mesa redonda estratégica para debater as oportunidades inéditas que o estado oferece para produtores e empreendedores do segmento. O evento, que contará com a participação de nomes como o presidente da Associação Brasileira de Criadores de Búfalos (ABCB), Simon Riess, e o superintendente técnico da entidade, Renato Amaral, promete analisar o mercado consumidor, o turismo rural e a profissionalização da cadeia produtiva, elementos que transformam a bubalinocultura em um negócio cada vez mais atrativo.

    Contexto histórico e o boom da bubalinocultura no Brasil

    A bubalinocultura no Brasil, embora ainda seja um setor emergente, tem registrado crescimento exponencial nos últimos anos. Segundo dados da ABCB, o rebanho bubalino nacional já supera 1,5 milhão de cabeças, com destaque para as regiões Norte e Centro-Oeste. No entanto, o Rio de Janeiro, com sua diversidade climática, mercado consumidor sofisticado e forte setor turístico, começa a despontar como um novo fronte de expansão. Thiago Mendes, criador e associado da ABCB, que também participará do evento, destaca que o estado oferece condições únicas para a produção de derivados premium, como queijos, leites e carnes, que atendem a um público cada vez mais exigente por produtos diferenciados e de alto valor agregado.

    Mercado consumidor e turismo: os pilares do crescimento no RJ

    Um dos principais diferenciais do Rio de Janeiro para a bubalinocultura é o seu mercado consumidor. Com uma população de mais de 17 milhões de habitantes, além de um turismo robusto que atrai milhões de visitantes anualmente, o estado representa um nicho promissor para a comercialização de produtos bubalinos. Mendes, que recentemente modernizou sua propriedade em Piquete (SP), observa que “o búfalo deixou de ser um nicho para apenas algumas pessoas. Agora, é uma realidade consolidada. Muitas pessoas buscam alimentos diferenciados, e o búfalo oferece produtos premium como queijo, leite e derivados, além da carne”. A combinação entre gastronomia local e a busca por experiências autênticas no campo pode impulsionar ainda mais a demanda por esses produtos.

    Profissionalização: o maior desafio da bubalinocultura atual

    Apesar do potencial econômico, o setor ainda enfrenta um gargalo significativo: a profissionalização dos produtores. “O maior desafio hoje não é produzir, mas se profissionalizar naquilo que a gente faz”, afirma Mendes. A mesa redonda da Expo Valença abordará justamente esse tema, com palestras sobre boas práticas na criação, gestão de propriedades e comercialização de derivados. Carlos Pinto, proprietário do Laticínio Pérola da Serra e também participante do debate, ressalta que a capacitação técnica e a adoção de tecnologias são essenciais para garantir a competitividade do setor. “O mercado está mudando rapidamente, e quem não se adaptar ficará para trás”, alerta.

    A Expo Valença como vitrine do futuro da bubalinocultura

    A programação da 19ª Expo Valença, além da mesa redonda, incluirá uma recepção aos participantes às 9h, seguida de uma apresentação da ABCB e uma palestra sobre os benefícios do consumo de leite de búfala e seus derivados, ministrada por especialistas. O evento é uma oportunidade para que criadores, investidores e curiosos do setor conheçam de perto as inovações e tendências que estão moldando o futuro da bubalinocultura no Brasil. Com a presença de figuras como Simon Riess e Renato Amaral, a discussão promete trazer luz sobre políticas públicas, incentivos fiscais e parcerias estratégicas que podem alavancar ainda mais o setor no estado.

    Perspectivas e desdobramentos para o setor

    Os especialistas são unânimes ao apontar que o Rio de Janeiro tem tudo para se tornar um hub de bubalinocultura no país. Além do mercado interno forte, o estado pode explorar o turismo rural, com roteiros que incluem visitas a propriedades produtoras e degustação de produtos bubalinos. A profissionalização da mão de obra, aliada a investimentos em pesquisa e desenvolvimento, também será fundamental para garantir a sustentabilidade do setor. Com a realização de eventos como a Expo Valença, o Brasil dá um passo importante rumo à consolidação da bubalinocultura como uma atividade econômica relevante, capaz de gerar empregos e impulsionar a economia local.

    Conclusão: um setor em ascensão com potencial ainda inexplorado

    A bubalinocultura no Rio de Janeiro está em um momento crucial. Com um mercado consumidor ávido por produtos premium, um setor turístico pujante e uma crescente demanda por alimentos de qualidade, o estado tem todas as condições para se tornar um polo de referência no setor. No entanto, o sucesso dependerá da capacidade dos produtores de se profissionalizarem, adotarem tecnologias e aproveitarem as oportunidades apresentadas por eventos como a Expo Valença. Para Thiago Mendes e outros especialistas, o futuro da bubalinocultura no Brasil é promissor, mas exige ação e visão estratégica dos envolvidos.