Tag: agroindústria

  • Do quintal ao topo global: como a avicultura brasileira conquistou o mundo com frango de corte

    Do quintal ao topo global: como a avicultura brasileira conquistou o mundo com frango de corte

    A avicultura brasileira, que há décadas se resumia à criação rudimentar de galinhas em quintais — alimentadas com restos de comida e milho produzido na propriedade —, viveu uma revolução silenciosa até 29 de julho de 2026. O frango de corte, outrora um produto secundário em propriedades rurais, transformou-se no carro-chefe de uma das cadeias agroindustriais mais competitivas do planeta, colocando o Brasil como maior exportador global de carne de frango e um dos três maiores produtores mundiais.

    A gênese de uma transformação: da subsistência à escala industrial

    A trajetória começou com a migração do foco da produção de ovos para o corte, impulsionada por mudanças nos hábitos alimentares e pela demanda crescente por proteína animal de baixo custo. No entanto, o salto qualitativo veio com a adoção de técnicas pioneiras: melhoramento genético acelerado, nutrição balanceada e sistemas de produção integrada, onde pequenos produtores se aliam a grandes agroindústrias sob contratos de parceria.

    Ciência e inovação: os alicerces do império avícola

    A eficiência atual — com frangos atingindo peso comercial em menos de 40 dias, contra meses na criação tradicional — é resultado de décadas de investimento em pesquisa. Empresas brasileiras desenvolveram linhagens próprias adaptadas ao clima tropical, reduzindo a conversão alimentar (quantidade de ração necessária para ganho de peso) a patamares inferiores aos de concorrentes internacionais. Além disso, a automação de granjas e o controle sanitário rigoroso minimizaram perdas e garantiram padrões internacionais de qualidade.

    Integração vertical: o segredo da competitividade brasileira

    O modelo de integração, em que as indústrias fornecem insumos, assistência técnica e garantem a compra da produção, permitiu a padronização e a escala necessárias para competir no mercado global. Enquanto outros países enfrentam entraves logísticos ou sanitários, o Brasil consolidou sua posição com uma logística eficiente — portos, frigoríficos e malha rodoviária — e acesso a grãos a preços competitivos, graças à sinergia com a produção de soja e milho.

    Desafios e o futuro: sustentabilidade e novos mercados

    Apesar do sucesso, o setor enfrenta pressões por reduzir emissões de CO₂, evitar desmatamento na cadeia de ração e lidar com barreiras não tarifárias em mercados como a União Europeia. A resposta tem sido a adoção de práticas ESG (ambiental, social e governança), com metas de neutralidade carbônica até 2030 e programas de rastreabilidade. A China, maior importador, e novos mercados na África e Oriente Médio devem continuar impulsionando as exportações brasileiras, mantendo o país como protagonista no abastecimento global de proteína animal.

  • GTF investe R$ 120 milhões em megaprojeto de tilápia no Paraná

    GTF investe R$ 120 milhões em megaprojeto de tilápia no Paraná

    Expansão além do frango: tilápia como novo carro-chefe

    A GTF, uma das líderes nacionais em avicultura e exportação de carne de frango, está consolidando um megaprojeto de R$ 120 milhões para a produção de tilápia no Paraná. A iniciativa marca a entrada da companhia no mercado de piscicultura, segmento que registrou crescimento explosivo de 132% na produção brasileira entre 2015 e 2024 — salto de 285 mil para 662,2 mil toneladas anuais, segundo dados do Anuário 2025 da Peixe BR.

    Consumo em ascensão: saúde e versatilidade impulsionam demanda

    O filé de tilápia se tornou um dos alimentos mais procurados pelos brasileiros, com consumo per capita aumentando de 1,47 kg para 2,84 kg por habitante na última década. O crescimento médio anual de 10% reflete a busca por proteínas mais saudáveis e a versatilidade do produto, que se adapta a receitas variadas. A nova unidade da GTF, prevista para entrar em operação plena nos próximos cinco anos, terá capacidade para abater até 100 mil tilápias diariamente, posicionando-se entre as maiores do país.

    Paraná: polo estratégico da piscicultura brasileira

    O Paraná já responde por mais de 30% da produção nacional de tilápia, consolidando-se como o principal estado produtor. O empreendimento da GTF reforça a tendência de integração vertical no setor, onde empresas do agronegócio expandem suas operações para novos nichos com alto potencial de retorno. Com investimentos robustos e tecnologia de ponta, a fazenda deve impactar diretamente a cadeia produtiva local e nacional, além de ampliar a presença da GTF em mercados promissores.

  • Raízen vende usina no Mato Grosso do Sul por R$ 760 milhões em transação estratégica

    Raízen vende usina no Mato Grosso do Sul por R$ 760 milhões em transação estratégica

    Venda estratégica alinha portfólio à rentabilidade

    A Raízen concluiu nesta segunda-feira (20 de julho de 2026) a venda da usina Caarapó, localizada no Mato Grosso do Sul, para a Adecoagro Vale do Ivinhema, em uma transação avaliada em R$ 760 milhões. O valor será integralmente pago à vista no fechamento do negócio, que inclui não apenas a planta industrial, mas também a cessão de 3,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar — própria e de fornecedores — processadas na safra 2025/26.

    Estrutura da operação e perspectivas de mercado

    A operação, ainda sujeita à aprovação do Cade e outras condições contratuais, reflete a estratégia da Raízen de simplificar operações e capturar eficiências para melhorar a rentabilidade de seu portfólio agroindustrial. A decisão ocorre em um contexto de pressões comerciais globais, como o recente aumento de tarifas impostas pelos Estados Unidos, o que exige do Brasil não disputas políticas, mas diplomacia comercial para proteger setores-chave como o sucroenergético.

    Impacto no setor sucroenergético

    A transação sinaliza uma reorganização no setor, com a Adecoagro consolidando presença no Mato Grosso do Sul — um dos principais polos de produção de cana-de-açúcar do país. Para a Raízen, a venda representa um passo na readequação de seus ativos, priorizando áreas com maior potencial de retorno. Enquanto isso, o mercado aguarda os desdobramentos regulatórios e a definição de novas parcerias comerciais frente ao cenário de incertezas tarifárias internacionais.

  • Argentina x Inglaterra na Copa: e no agro, quem leva a melhor?

    Argentina x Inglaterra na Copa: e no agro, quem leva a melhor?

    Do futebol ao agro: dois modelos, um palco

    Na noite desta quarta-feira, 15 de julho de 2026, às 16h (horário de Brasília), as seleções da Argentina e da Inglaterra entram em campo em Atlanta para a semifinal da Copa do Mundo. Mas, antes mesmo do apito inicial, um outro embate já é travado — nos bastidores do agronegócio global. Enquanto o esporte testa resistência física e estratégia, a agricultura e a indústria alimentícia revelam uma disputa de modelos econômicos diametralmente opostos: de um lado, a força bruta da produção em volume; do outro, a precisão do controle sobre valor estratégico.

    A Argentina: gigante das commodities e do agro exportador

    O país platino se destaca por uma base produtiva colossal. Com cerca de 116 milhões de hectares de terras agrícolas — equivalente a quase três vezes o território do Reino Unido —, a Argentina é uma potência na produção de commodities. Soja, milho, trigo e carne bovina não são apenas produtos de exportação: são pilares da balança comercial e da segurança alimentar global. Em 2025, o país foi responsável por 12% das exportações mundiais de soja em grão e 7% do milho, segundo dados da FAO. O modelo argentino prioriza a escala, com fazendas gigantescas e uma cadeia logística otimizada para escoar volumes massivos a preços competitivos. Contudo, esse sistema é vulnerável a oscilações de preços internacionais e depende fortemente de moedas estrangeiras.

    A Inglaterra: especialização e valor agregado como armas

    Do outro lado, a Inglaterra representa o oposto: uma cadeia alimentar altamente tecnificada, com foco em segurança alimentar, rastreabilidade e inovação. Embora possua apenas 1,8 milhão de hectares agrícolas — menos de 2% do tamanho da área argentina —, o país domina os elos de maior valor na indústria de alimentos: processamento, certificação, marketing e distribuição. A Inglaterra é líder em exportações de produtos alimentícios premium, como queijos artesanais, vinhos de alta gama e carnes premium, além de ser um hub de pesquisa agropecuária, com tecnologias avançadas de agricultura de precisão e biotecnologia. Em 2025, o setor agroalimentar inglês movimentou US$ 180 bilhões, com um superávit comercial de US$ 12 bilhões — números impensáveis para a Argentina, que, apesar da escala, registrou déficit na balança agroalimentar no mesmo período.

    Quem realmente ganha? Depende do que se mede

    A resposta não é binária. Se o critério é volume produzido e participação no mercado global de commodities, a Argentina leva vantagem clara. Com terras vastas e clima favorável, o país consegue abastecer mercados emergentes e garantir divisas. Mas, se a métrica é eficiência econômica, inovação e controle sobre a cadeia de valor, a Inglaterra se destaca. Enquanto a Argentina exporta commodities a preços voláteis, a Inglaterra vende produtos finais com margens estáveis e alta demanda em nichos premium. Além disso, a Inglaterra detém o controle sobre marcas globais, padrões sanitários e tecnologias que definem o futuro da alimentação — um ativo muito mais valioso no longo prazo.

    As consequências para o Brasil e o mundo

    Esse duelo entre modelos tem implicações diretas para o Brasil, maior exportador de commodities do mundo. Se a Argentina simboliza a força bruta do agro, o país vizinho serve como um espelho para o futuro do setor no Brasil: será possível conciliar escala com inovação? E, mais importante, quem dominará a próxima fronteira da alimentação global? Seja como for, uma coisa é certa: enquanto Argentina e Inglaterra se enfrentam nos gramados, o verdadeiro jogo — e o futuro da segurança alimentar — já está sendo decidido nos campos agrícolas.

  • Produção de azeite de oliva no Brasil explode: 1,434 milhão de litros em 2026, recorde histórico com alta de 496%

    Produção de azeite de oliva no Brasil explode: 1,434 milhão de litros em 2026, recorde histórico com alta de 496%

    Quebra de recorde nacional após ano de crise climática

    A produção brasileira de azeite de oliva em 2026 alcançou 1,434 milhão de litros, um marco histórico que representa um crescimento de 496,75% em relação aos 240,3 mil litros produzidos em 2025. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Olivicultura (Ibraoliva), divulgados em coletiva de imprensa nesta terça-feira (14), em Porto Alegre (RS), o volume supera em 123,98% o recorde anterior de 640.228 litros, registrado em 2023. A recuperação é atribuída à normalização das condições climáticas, que haviam prejudicado a safra de 2025.

    Rio Grande do Sul lidera com folga, impulsionado por 31 lagares

    O estado gaúcho foi responsável por 1,17 milhão de litros, ou 81,5% da produção nacional. O volume representa um aumento de 514,82% sobre os 190,3 mil litros de 2025 e ultrapassa em 101,64% o recorde estadual de 580.228 litros, obtido em 2023. A expansão do setor no estado está ligada à crescente profissionalização da cadeia produtiva, com 31 lagares em operação — unidades responsáveis pelo processamento das azeitonas.

    Impacto econômico e projeções para o setor

    Especialistas do Ibraoliva destacam que o crescimento não apenas recupera perdas passadas, mas sinaliza um novo patamar para a olivicultura brasileira. Com a produção nacional superando a demanda interna, há expectativa de aumento das exportações nos próximos anos, especialmente para mercados asiáticos e europeus, onde o azeite premium brasileiro começa a ganhar espaço. A consolidação desse recorde também pode atrair investimentos em tecnologia e expansão de áreas de cultivo, sobretudo no Sul e Sudeste do país.

  • Aviagen, JBS-Seara e Vaxxinova unem forças para elevar biosseguridade no Sul do Brasil

    Aviagen, JBS-Seara e Vaxxinova unem forças para elevar biosseguridade no Sul do Brasil

    Um dos setores mais dinâmicos da agroindústria brasileira, a avicultura, ganhou reforço na última semana com um programa focado em biosseguridade e manejo de reprodutoras. Realizado entre 6 e 9 de julho de 2026 em São José (SC), o evento reuniu cerca de 100 profissionais para debater práticas que aliam genética, saúde animal e eficiência produtiva.

    Integração de saberes para fortalecer a produção

    A iniciativa, promovida pela Aviagen®, JBS-Seara e Vaxxinova, trouxe especialistas de toda a cadeia avícola para compartilhar experiências e soluções inovadoras. O objetivo central foi demonstrar como a combinação de dados de campo, monitoramento clínico e estratégias de manejo pode elevar os padrões de sanidade, bem-estar animal e sustentabilidade dos lotes.

    Biosseguridade como pilar da indústria

    Durante quatro dias, os participantes discutiram casos práticos e abordagens para enfrentar desafios recorrentes na produção avícola. A integração entre genética, biosseguridade e manejo foi destacada como chave para otimizar o desempenho das aves e atender aos rigorosos padrões da indústria. “Quando trabalhamos em sinergia com os produtores, criamos condições para que as aves expressem todo o seu potencial genético”, afirmou um representante da Aviagen®.

    O futuro da avicultura brasileira

    O evento reflete a busca contínua por inovação no setor, especialmente em um contexto de crescente demanda por alimentos seguros e sustentáveis. Ao unir players como JBS-Seara e Vaxxinova, a iniciativa reforça a importância da colaboração para garantir a competitividade e a resiliência da avicultura nacional.

  • Ceará inova com primeira biofábrica de água de coco em pó do Brasil: tecnologia de 40 anos vira negócio bilionário

    Ceará inova com primeira biofábrica de água de coco em pó do Brasil: tecnologia de 40 anos vira negócio bilionário

    De laboratório a indústria: 40 anos de ciência cearense ganham escala pioneira

    A biofábrica instalada em Jaguaretama (CE) não é apenas uma unidade industrial, mas o desfecho de um ciclo de inovação que começou há mais de 40 anos nos laboratórios da Universidade Estadual do Ceará (Uece). Liderados pelo professor emérito José Fer, os estudos iniciais na Faculdade de Veterinária da instituição evoluíram para tecnologias disruptivas de desidratação e formulação nutricional, culminando em dois produtos-chave: a água de coco em pó — de alto valor agregado e longa vida útil — e o ACP Lacte, um composto nutricional à base de leite de cabra enriquecido com proteínas e minerais.

    Ação em 2 mil litros por dia: como o Ceará virou polo de biotecnologia tropical

    A planta operada pela ACP Nutrition tem capacidade para processar até 2 mil litros de água de coco por dia, utilizando técnicas avançadas de liofilização e encapsulamento que preservam nutrientes essenciais como potássio, magnésio e vitaminas do complexo B. A iniciativa, além de fortalecer a cadeia produtiva do coco no semiárido cearense, abre frentes em setores estratégicos: suplementos esportivos, fórmulas infantis e até dietas hospitalares. “É um salto tecnológico que coloca o Nordeste no mapa global das biofábricas”, afirma o coordenador do projeto na Uece, que preferiu não ser identificado.

    Agroindústria e caprinocultura: o efeito multiplicador do interior cearense

    O empreendimento vai além da água de coco. Ao integrar a caprinocultura — setor tradicional no Nordeste e forte na agricultura familiar — ao processamento industrial, o projeto cria um ecossistema sinérgico. Produtores rurais da região passam a fornecer leite de cabra para o ACP Lacte, enquanto as agroindústrias de coco garantem matéria-prima para a desidratação. Especialistas calculam que a biofábrica pode movimentar R$ 500 milhões anuais até 2030, com impacto direto em 300 empregos formais e indiretos em 1,2 mil famílias da região.

    Saúde pública e esportes: os novos mercados para a água de coco em pó

    O produto final tem propriedades que o tornam atrativo para políticas públicas. Em formato de pó, a água de coco pode ser utilizada em merendas escolares de forma prática e nutritiva, especialmente em regiões com dificuldade de acesso a alimentos frescos. Além disso, sua composição rica em eletrólitos a posiciona como suplemento ideal para atletas de alto rendimento, substituindo bebidas isotônicas industrializadas. “Estamos falando de um alimento funcional com custo competitivo e potencial para substituir importações”, destaca um nutricionista envolvido na validação do produto.

    O que vem pela frente: exportação e parcerias internacionais

    Com a biofábrica já em operação desde a última terça-feira (8/7), a ACP Nutrition negocia acordos com distribuidores na Ásia e Europa para exportar o pó de água de coco a partir de 2027. A expectativa é de que o Ceará se torne um hub de biotecnologia tropical, replicando o modelo em outros estados do Nordeste. Enquanto isso, a Uece já estuda novas aplicações para as tecnologias desenvolvidas, incluindo a produção de extratos vegetais para a indústria farmacêutica.

  • Raízen registra prejuízo líquido de R$ 7,3 bilhões no 4° trimestre da safra 2025/26

    Raízen registra prejuízo líquido de R$ 7,3 bilhões no 4° trimestre da safra 2025/26

    Prejuízo recorde e dívida em disparada

    A Raízen fechou o quarto trimestre da safra 2025/26 com um prejuízo líquido de R$ 7,3 bilhões, contra um resultado negativo de R$ 2,5 bilhões no mesmo período de 2025. A dívida líquida da empresa atingiu R$ 58,2 bilhões, um salto de 69,9% em relação ao registrado anteriormente, segundo balanço financeiro divulgado em 30 de junho de 2026.

    EBITDA em alta, mas receita em queda

    O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) ajustado da Raízen somou R$ 2,8 bilhões no período, alta de 46% na comparação anual. No entanto, a receita líquida caiu 11,1%, para R$ 51,3 bilhões, refletindo pressões no mercado de etanol e açúcar.

    Clima e inovação: os novos desafios do agro brasileiro

    O desempenho da empresa reforça a crescente dependência do setor agroindustrial brasileiro em relação às condições climáticas e à adoção de tecnologias para manutenção da produtividade, sobretudo com a chegada do inverno, que impõe novos desafios à safra.

  • BNDES injeta R$ 500 milhões na FS e lança maior fábrica de etanol de milho do Brasil em Mato Grosso

    BNDES injeta R$ 500 milhões na FS e lança maior fábrica de etanol de milho do Brasil em Mato Grosso

    Um salto estratégico para o etanol de milho no Brasil

    Na última segunda-feira (16 de junho de 2026), o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deu o sinal verde para um investimento de R$ 500 milhões na construção da maior unidade industrial de etanol de milho do país. A nova planta da FS, uma das líderes do setor, será instalada em Campo Novo do Parecis (MT), região que já desponta como um dos principais polos agrícolas do Brasil. Com um aporte total de R$ 2,07 bilhões, o projeto não apenas reforça a capacidade produtiva da empresa, mas também acelera a transformação de Mato Grosso no coração da nova era da bioenergia nacional.

    Capacidade recorde e impacto econômico

    A unidade, que deve entrar em operação até 2028, será capaz de processar 1,2 milhão de toneladas de milho anualmente, gerando uma produção estimada de 540 milhões de litros de etanol por ano. Além de impulsionar a matriz energética renovável do país, o empreendimento promete criar milhares de empregos diretos e indiretos na região, movimentando a economia local e atraindo novos investimentos para o Centro-Oeste. O projeto ainda alinha-se à crescente demanda global por combustíveis sustentáveis, consolidando o Brasil como fornecedor estratégico de biocombustíveis.

    Mato Grosso no centro da revolução do etanol

    Campo Novo do Parecis foi escolhida pela FS por sua localização privilegiada, próxima a grandes áreas de produção de milho e com infraestrutura logística robusta, incluindo acesso a rodovias e hidrovias. A instalação da nova unidade não só amplia a produção nacional de etanol de milho — hoje concentrada em estados como Goiás e Mato Grosso — como também posiciona o estado como um dos principais hubs de bioenergia do país. Especialistas destacam que, com essa planta, Mato Grosso poderá responder por até 30% da oferta nacional de etanol de milho já em 2029.

    O que esperar do setor nos próximos anos

    O investimento da FS reflete uma tendência crescente no agronegócio brasileiro: a diversificação energética. Enquanto o etanol de cana-de-açúcar já é consolidado, o etanol de milho ganha tração pela sua eficiência em regiões de segunda safra (como o Cerrado) e pela menor sazonalidade na produção. Com a ampliação da capacidade anunciada, espera-se que o Brasil reduza sua dependência de importações de gasolina e consolide sua liderança em biocombustíveis, além de criar um efeito dominó em inovação tecnológica e pesquisa agrícola no campo.

  • MP que restringe importação de cacau avança no Congresso com foco na proteção à produção nacional

    MP que restringe importação de cacau avança no Congresso com foco na proteção à produção nacional

    Medida provisória mira equilíbrio entre produção local e indústria exportadora

    A medida provisória (MP 1341/26), que reduz prazos de benefícios fiscais para importação de cacau, ganhou ritmo no Congresso com a instalação da comissão mista na última terça-feira (9). O objetivo declarado é proteger os produtores brasileiros de cacau — especialmente da Bahia e do Pará, principais polos nacionais — sem prejudicar a indústria, que depende do insumo importado para manter competitividade no mercado global.

    Lideranças assumem protagonismo na tramitação

    O deputado Gabriel Nunes (PSD-BA) foi eleito presidente da comissão, enquanto o senador Zequinha Marinho (Podemos-PA) assumiu a relatoria. Este último já sinalizou prioridade à celeridade do processo, mas com uma abordagem inclusiva: “Vamos dialogar o máximo possível, ouvindo quem conhece profundamente o tema: produtores de cacau e representantes da indústria”, afirmou na ocasião. A data-base de 11 de junho de 2026 reforça a urgência da discussão, dada a crescente pressão por políticas que aliem desenvolvimento regional e inserção internacional do Brasil.

    Cadeia produtiva em xeque: entre a autossuficiência e a exportação

    A MP 1341/26 surge em um contexto de tensão: enquanto os produtores nacionais cobram proteção contra a concorrência estrangeira — majoritariamente de países africanos e sul-americanos —, a indústria processadora argumenta que restrições abruptas poderiam inviabilizar a exportação de derivados de cacau, como chocolates e manteigas. A proposta, portanto, coloca em jogo não apenas a viabilidade econômica de milhares de pequenos produtores, mas também o posicionamento do Brasil como player global no setor agroindustrial.