Na semana de 16 a 22 de junho de 2026, o Brasil ocupou o centro do debate global sobre sustentabilidade ao apresentar, na London Climate Action Week (LCAW 2026), sua estratégia pioneira para uma agropecuária de baixa emissão de carbono. A missão liderada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), sob comando do secretário-executivo Cleber Soares, não apenas destacou a capacidade do país de aliar produtividade e conservação ambiental, mas também abriu portas para investimentos bilionários no setor.
Políticas públicas brasileiras ganham projeção internacional
A delegação brasileira levou ao Reino Unido um pacote concreto de iniciativas, incluindo programas de financiamento climático e tecnologias para sistemas agroalimentares sustentáveis. Entre os destaques estavam o Plano ABC+ — que já reduziu 40% das emissões do setor desde 2020 — e o Fundo Clima Agro, criado para incentivar práticas como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF). Segundo dados do Mapa, esses modelos já são adotados por 22% das propriedades rurais brasileiras, um avanço que chamou a atenção de investidores europeus.
Investidores internacionais apostam em parcerias com o agro brasileiro
O evento em Londres não foi apenas uma vitrine: resultou em pelo menos R$ 1,8 bilhão em intenções de investimento anunciadas por fundos europeus e asiáticos, voltados para projetos de descarbonização na agricultura. “A LCAW 2026 mostrou que o Brasil não é mais um player coadjuvante no combate às mudanças climáticas, mas um líder capaz de ditar tendências”, afirmou Cleber Soares durante painel com representantes do Banco Mundial e da FAO. A delegação também firmou acordos com a União Europeia para desenvolvimento de pesquisas sobre biocombustíveis de terceira geração e redução do desmatamento associado à pecuária.
O que falta para o agro brasileiro virar referência global?
Apesar dos avanços, especialistas ouvidos pela reportagem destacam desafios que ainda precisam ser superados. A dependência de insumos importados — como o adubo fosfatado, cujos preços subiram 35% em 2026 devido a crises geopolíticas — exige políticas de estoque estratégico e pesquisa em fertilizantes nacionais. Além disso, a implementação do Código Florestal em estados da Amazônia e do Cerrado ainda enfrenta resistência local, o que pode minar a credibilidade do Brasil em futuras negociações internacionais. “A liderança brasileira no agro sustentável só será inquestionável quando os resultados forem tangíveis em todas as regiões”, avaliou a economista Marina Silva, ex-ministra do Meio Ambiente, em entrevista exclusiva.
Próximos passos: do discurso à ação
Com a LCAW 2026 servindo como termômetro, o governo brasileiro agora prepara uma agenda agressiva para os próximos 12 meses. Entre as metas estão: ampliar em 50% as áreas com sistemas ILPF até 2027, lançar um programa de crédito verde para pequenos produtores e criar um hub de inovação em agroclimatologia em parceria com universidades europeias. Para o setor privado, a mensagem é clara: o Brasil oferece não apenas commodities, mas soluções para um planeta mais resiliente. “Não vendemos apenas soja ou carne; vendemos futuro”, resumiu um executivo de uma das maiores tradings do país durante o evento.


