Tag: agroquímicos

  • Bayer isola glifosato em nova empresa nos EUA: jogada arrisca separar riscos jurídicos ou esconder prejuízos bilionários?

    Bayer isola glifosato em nova empresa nos EUA: jogada arrisca separar riscos jurídicos ou esconder prejuízos bilionários?

    A gigante farmacêutica e agroquímica Bayer surpreendeu o mercado ao concluir, no dia 7 de julho de 2026, a transferência de suas operações com o glifosato — o controverso princípio ativo do herbicida Roundup — para uma nova empresa nos Estados Unidos, batizada de Ruveon. A jogada, anunciada como parte de um “planejamento estratégico de longo prazo”, concentra em uma única estrutura todas as atividades ligadas ao produto no maior mercado consumidor do mundo: produção, precificação, comercialização e gestão legal.

    Por que a Ruveon foi criada?

    A decisão não é aleatória. Desde 2018, a Bayer acumula prejuízos bilionários com ações judiciais que acusam o glifosato de causar câncer. Em acordos milionários, a empresa já desembolsou cerca de US$ 16 bilhões para encerrar litígios envolvendo mais de 100 mil processos. Ao isolar o Roundup em uma subsidiária, a Bayer busca criar uma barreira entre os riscos jurídicos do herbicida e suas demais operações — como fármacos e sementes — protegendo o restante do império corporativo.

    Reação do mercado: alta de ações, mas com ressalvas

    Imediatamente após o anúncio, as ações da Bayer subiram mais de 5% na Bolsa de Frankfurt, refletindo a confiança de investidores na estratégia de mitigar prejuízos. Contudo, analistas como Klaus Nieding, da Berenberg, alertam que a medida pode ser interpretada como um “sinal de desespero”: “Se a Ruveon não conseguir arcar com os passivos, a imagem da Bayer será ainda mais prejudicada. É uma aposta que pode ou não dar certo”.

    O futuro do glifosato pende por um fio

    Enquanto a Bayer se move para reorganizar seus negócios, o glifosato segue sob fogo cruzado. Estudos recentes da Agência Internacional de Pesquisa sobre o Câncer (IARC) — vinculada à OMS — mantêm o herbicida como “provavelmente carcinogênico”, apesar de órgãos reguladores como a EPA (EUA) e a ANVISA (Brasil) defenderem sua segurança quando usado corretamente. A Ruveon, agora, terá que lidar com essa dualidade: inovar na agricultura ou se tornar mais um capítulo de uma batalha jurídica sem fim.

  • Importações de defensivos químicos caem 6,8% em cinco meses; genéricos ganham espaço no mercado

    Importações de defensivos químicos caem 6,8% em cinco meses; genéricos ganham espaço no mercado

    Redução no faturamento reflete ajuste no setor agroquímico

    O Brasil importou defensivos químicos no valor total de US$ 4,28 bilhões nos cinco primeiros meses de 2026, o que representa uma queda de 6,8% em comparação com os US$ 4,59 bilhões registrados no mesmo intervalo de 2025, conforme levantamento do CropData, portal de dados da CropLife Brasil. A retração não se limitou ao valor: o volume de importações também diminuiu 6,5%, passando de 537,3 mil toneladas para 502,6 mil toneladas no período.

    Genéricos ganham espaço e produtos formulados representam um terço do total

    A análise dos dados revela uma reorganização no perfil das compras externas. Os produtos formulados, que incluem as formulações finais dos defensivos, somaram US$ 1,4 bilhão — cerca de 33% do total importado. Além disso, há um movimento claro de migração para defensivos genéricos, cujas participações nas importações vêm crescendo, indicando uma busca por alternativas mais acessíveis em um cenário de ajuste de preços.

    Novas ferramentas do CropData acompanham a transformação do mercado

    Em resposta a essa dinâmica, o CropData, que já monitorava o setor, incorporou três funcionalidades inéditas: Importação de Produto Formulado, Importação por Ingrediente Ativo e Comercialização. Essas ferramentas prometem oferecer maior transparência e precisão para analisar as tendências do mercado de defensivos, que passa por uma fase de transição.

    Consequências para o agronegócio e o que esperar para o restante do ano

    Embora os números mostrem uma redução no volume e no valor das importações, especialistas do setor destacam que o recuo não necessariamente representa menor proteção agrícola. A mudança na composição das compras — com maior participação de genéricos e ajustes nos preços médios — pode sinalizar uma busca por maior eficiência e custo-benefício. Para os próximos meses, o mercado deve continuar observando como os preços internacionais, a demanda interna e as políticas de regulação irão influenciar o ritmo das importações.