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  • Colheita da segunda safra de milho no centro-sul atinge 30% e ganha ritmo com tempo seco

    Colheita da segunda safra de milho no centro-sul atinge 30% e ganha ritmo com tempo seco

    Ritmo acelerado em meio ao clima favorável

    A segunda safra de milho no centro-sul do Brasil atingiu 30% de colheita até a última quinta-feira (3 de julho), segundo dados da AgRural. O avanço de oito pontos percentuais em relação à semana anterior (22%) reflete o ganho de ritmo nos trabalhos, especialmente em Mato Grosso e Goiás, onde a redução das chuvas nos últimos dias facilitou as operações.

    Umidade ainda é desafio em outras regiões

    Embora a diminuição das precipitações tenha sido bem-vinda para Mato Grosso e Goiás, a umidade residual dos grãos ainda representa um entrave em estados como Paraná e São Paulo. A consultoria AgRural destacou que, mesmo com o tempo mais seco, a umidade dos grãos permanece alta, limitando o avanço da colheita nessas áreas.

    Contraste com a safra passada

    O ritmo atual supera o desempenho da semana anterior (22%) e se aproxima dos 28% registrados na mesma data de 2025, segundo a AgRural. A evolução reflete não apenas as condições climáticas, mas também a adaptação dos produtores às demandas do mercado, que exige grãos com menor teor de umidade para armazenamento e comercialização.

  • Soja brasileira na safra 2026/27: expansão recorde, mas menor ritmo em 20 anos

    Soja brasileira na safra 2026/27: expansão recorde, mas menor ritmo em 20 anos

    Recorde histórico, mas com freios

    A AgRural divulgou na semana passada sua primeira estimativa para o plantio de soja na safra 2026/27, que será semeada entre setembro e dezembro. O número de 49,006 milhões de hectares representa um aumento de 443 mil hectares em relação à safra anterior (2025/26), mas uma expansão de apenas 0,9% — a menor taxa de crescimento anual desde que o Brasil iniciou sua trajetória de expansão contínua da soja, há duas décadas.

    Pressões que limitam a expansão

    O ritmo modesto da safra 2026/27 não é mera coincidência, mas reflexo de um cenário adverso. A alta dos custos de produção — impulsionada por insumos, energia e logística — reduz as margens dos produtores, enquanto o crédito agrícola se torna mais escasso e caro. Além disso, a previsão da influência do El Niño no início da estação chuvosa acende alertas: o fenômeno pode atrasar o plantio e comprometer a produtividade em estados como Mato Grosso, Paraná e Rio Grande do Sul, pilares da produção nacional.

    20 anos de expansão: um modelo em teste

    A soja consolidou-se como a principal commodity agrícola do Brasil graças a políticas de incentivo, abertura de novas fronteiras agrícolas (como o Matopiba) e inovações tecnológicas. Contudo, a safra 2026/27 põe à prova a resiliência desse modelo. Com a área já próxima ao limite em muitas regiões e os custos pressionando, a indústria enfrenta um dilema: como manter a competitividade sem expandir? A resposta pode vir de ganhos de produtividade ou da diversificação para culturas menos dependentes de insumos, como o milho segunda safra.