O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) alerta para um mês de junho atípico no Brasil: enquanto o calor deve bater recordes em praticamente todo o território nacional, as chuvas se concentrarão em faixas específicas, ampliando os contrastes climáticos entre as regiões. Segundo a previsão divulgada neste domingo, 31 de maio de 2026, a anomalia térmica será mais acentuada na faixa central do país, com termômetros até 2°C acima da média histórica.
Norte e Nordeste: as únicas regiões a registrar volumes significativos de chuva
As áreas mais beneficiadas pelo regime de precipitações serão o Pará, Amapá e trechos do Amazonas (Região Norte), além de porções do Nordeste, onde o volume de chuvas deve superar em até 30% a média histórica. No entanto, mesmo nessas localidades, os alívios não serão uniformes: enquanto o Pará central registra acumulados expressivos, o sul do estado enfrenta estiagem moderada. No Nordeste, os estados do Ceará e Rio Grande do Norte lideram os índices positivos, contrastando com a seca prolongada no semiárido.
Centro-Oeste e Sul: risco de crise hídrica para o campo
O cenário é crítico para o agro brasileiro, especialmente em estados como Mato Grosso, Goiás e Paraná, onde o déficit de chuvas pode comprometer a segunda safra de milho — cultura já vulnerável após atrasos no plantio. A pecuária também é impactada: pastagens em regiões como o Triângulo Mineiro e Sul do Brasil devem registrar queda na produtividade, com reflexos nos preços da carne e do leite. A irregularidade das chuvas, aliada ao calor intenso, eleva o risco de incêndios em áreas de vegetação nativa, sobretudo no Cerrado.
Consequências para a economia e a entrada de gigantes chineses
A combinação de clima adverso e pressões no setor produtivo ocorre em um momento delicado para o Brasil. Na última semana, a notícia da entrada de uma empresa chinesa — dona da maior granja de suínos do mundo — no mercado nacional, com foco em Mato Grosso e Goiás, acendeu alertas sobre a concorrência e a necessidade de modernização do setor. Com safras em risco e custos de produção em alta, o país pode enfrentar um choque de oferta em alimentos básicos, afetando tanto o mercado interno quanto as exportações.
Os produtores rurais já se preparam para adotar medidas emergenciais, como a irrigação suplementar e a diversificação de culturas. No entanto, sem uma virada no quadro climático, junho pode se tornar um mês de perdas significativas para o agro nacional — pilar da balança comercial brasileira. O Inmet reforça que, mesmo com a previsão de chuvas pontuais, o volume total para o mês deve ficar abaixo do necessário para repor os estoques hídricos nas regiões mais afetadas.
