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    Kia no Brasil: Hyundai assume operação e negocia fábrica até 2028 para zerar dívida de R$ 6 bilhões

    A Kia no Brasil enfrenta seu maior rearranjo desde sua chegada ao país em 1992. Até o final de 2026, a fabricante sul-coreana pode ver suas operações locais transferidas para a Hyundai — sua controladora desde 1998 — como parte de uma estratégia audaciosa para desbloquear um entrave histórico: uma dívida fiscal de R$ 6 bilhões, acumulada pela Asia Motors (antiga importadora das vans Topic e Towner) na década de 1990.

    O nó da dívida que emperrava a produção nacional

    A Asia Motors, empresa que detinha os direitos de importação dos modelos da Kia na época, recebeu incentivos fiscais com a promessa de instalar uma linha de montagem em Camaçari (BA). No entanto, a fábrica não se concretizou, e a dívida — que já soma R$ 6 bilhões com juros e multas — tornou-se um passivo intransponível para a Kia operar livremente no Brasil. A solução encontrada, segundo apurou o jornalista João Anacleto, é transferir a gestão brasileira para a Hyundai, que assumiria o controle operacional e, ao mesmo tempo, se comprometeria a construir uma nova fábrica em Piracicaba (SP) até 2028.

    Fábrica em Piracicaba: o que muda na indústria automotiva brasileira?

    O projeto da nova unidade da Kia em Piracicaba não é apenas uma jogada comercial, mas uma condição para o perdão da dívida. A fábrica, com capacidade inicial para 100 mil veículos/ano, poderia produzir modelos como o Sportage e o Sorento, consolidando a presença da marca no maior mercado automotivo da América Latina. Além disso, a Hyundai estuda uma fusão das operações de varejo com a Kia, unificando concessionárias e reduzindo custos — uma tendência global entre as duas marcas, que compartilham plataformas e tecnologias.

    O futuro do Grupo Gandini: do varejo à importação chinesa

    Com a saída da Kia, o Grupo Gandini — que também atua com a distribuidora da Chery no Brasil — passaria a focar em importações, possivelmente incluindo modelos da JMC (Jiangling Motors), fabricante chinesa com a qual já tem parceria. A transição, no entanto, não será imediata: a Kia ainda depende do Grupo Gandini para vendas e suporte até que a Hyundai assuma integralmente as operações, o que deve ocorrer até dezembro de 2026.

    A estratégia da Hyundai-Kia reflete uma tendência global de centralização de gestão para reduzir custos e ganhar escala, mas no Brasil, o movimento ganha contornos ainda mais complexos devido ao passivo fiscal. Se bem-sucedida, a operação poderá redefinir o mapa automotivo brasileiro, com a Kia passando de importadora a fabricante local — e a Hyundai consolidando seu domínio no setor.