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  • Feno próprio: pecuaristas reduzem custos e criam nova renda com autonomia alimentar

    Feno próprio: pecuaristas reduzem custos e criam nova renda com autonomia alimentar

    A pecuária brasileira vive um momento de reinvenção. Com os custos de produção pressionados por fatores como variações climáticas e preços voláteis no mercado de volumosos, a produção própria de feno emerge como uma estratégia-chave para gestão rural. A prática, que já era comum em regiões com tradição forrageira, ganha força como ferramenta de redução de custos e até de geração de renda complementar para os pecuaristas.

    Autossuficiência alimentar: o principal atrativo do feno caseiro

    O maior benefício apontado por especialistas está na autonomia. Quando produzido na própria fazenda, o feno elimina a dependência de fornecedores externos, reduzindo riscos associados à escassez sazonal ou à alta nos fretes. Além disso, o produtor passa a ter total controle sobre a qualidade do volumoso, ajustando cortesia, umidade e até a composição nutricional de acordo com as necessidades do rebanho. Segundo dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), a alimentação representa cerca de 60% dos custos operacionais na pecuária de corte e 50% na de leite — margens que justificam investimentos em técnicas mais precisas.

    Planejamento estratégico para tempos incertos

    O cenário atual, marcado por eventos climáticos extremos e oscilações nos preços internacionais de commodities, reforça a importância do planejamento forrageiro. A produção de feno na propriedade permite estocar alimento nos períodos de safra, quando os custos são menores, e utilizá-lo nos meses de entressafra ou durante secas prolongadas. Técnicas como o feno pré-secado ou a fenação em sistema rotativo ainda possibilitam uma melhor distribuição da mão de obra, otimizando o uso de equipamentos e mão de obra durante o ano.

    O feno como negócio: quando a prática vira receita extra

    O que começou como uma estratégia de redução de custos pode se tornar uma nova fonte de lucro. Em regiões com alta demanda por volumosos de qualidade, como o Centro-Oeste e partes do Sudeste, pecuaristas já comercializam excedentes de feno — especialmente para produtores leiteiros ou criadores de gado de corte com menor capacidade de armazenamento. A comercialização, quando bem estruturada, pode agregar até 20% à renda mensal da propriedade, segundo estimativas de cooperativas agropecuárias.

    Para especialistas, o investimento inicial em maquinário para fenação (como segadora, ancinho e enfardadeira) é compensado em até três safras, dependendo da escala. A técnica, no entanto, exige conhecimento técnico: a colheita deve ocorrer no momento ideal de maturidade da planta, e o processo de secagem precisa evitar umidade excessiva ou fermentação. A adoção de tecnologias como sensores de umidade e drones para monitoramento de pastagens também tem se tornado comum entre produtores que buscam maximizar os resultados.

  • Brasil avança na autossuficiência de fertilizantes: primeira fábrica de fosfatado natural no RS entra em operação com R$ 230 mi e potencial de 300 mil toneladas/ano

    Brasil avança na autossuficiência de fertilizantes: primeira fábrica de fosfatado natural no RS entra em operação com R$ 230 mi e potencial de 300 mil toneladas/ano

    A Águia Fertilizantes S.A., por meio do Projeto Fosfato Três Estradas, inaugurou em 25 de junho de 2026 a primeira fábrica de fertilizante fosfatado natural do Rio Grande do Sul. O empreendimento, que contou com investimento superior a R$ 230 milhões, tem capacidade para produzir até 300 mil toneladas anuais, alinhando-se à estratégia nacional de reduzir a dependência externa de insumos agrícolas — um dos principais gargalos do setor.

    Um passo decisivo para a segurança alimentar brasileira

    O Brasil, segundo maior importador global de fertilizantes, importa cerca de 80% dos insumos utilizados em suas lavouras, cenário agravado por conflitos geopolíticos e flutuações nos preços internacionais. A nova unidade, localizada no estado gaúcho, chega em um momento crítico para o agronegócio, oferecendo uma alternativa local ao fosfato, insumo essencial para a produtividade das culturas.

    Impacto econômico e cadeia produtiva

    Além de diminuir a pressão sobre as divisas nacionais, a fábrica deve gerar empregos diretos e indiretos na região, além de fortalecer a cadeia de fornecedores locais. Especialistas destacam que a produção de fertilizantes fosfatados naturais pode reduzir custos para os produtores rurais, especialmente em um cenário de alta nos preços dos insumos tradicionais, como ureia e potássio, tradicionalmente importados.

    Perspectivas para o futuro do agronegócio

    O projeto gaúcho é apenas o início de uma série de iniciativas que visam ampliar a produção nacional de fertilizantes. Com a demanda global por alimentos em ascensão e a crescente preocupação com a sustentabilidade, a autossuficiência nesse segmento torna-se cada vez mais urgente. A expectativa é que, nos próximos anos, outras unidades similares sejam implantadas em diferentes regiões do país, reduzindo a vulnerabilidade do setor.