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  • Após desabamento de aviário e fraudes, produtor de Bragança Paulista reconstrói negócio com biosseguridade e sucessão familiar

    Após desabamento de aviário e fraudes, produtor de Bragança Paulista reconstrói negócio com biosseguridade e sucessão familiar

    Do fracasso na fruticultura ao desafio na avicultura: uma trajetória de resiliência

    Odair Tofanin, natural de Jarinu (SP), carregava na memória as tardes passadas entre os parreirais de uva da infância, onde ele e os irmãos ajudavam os pais nos tempos de colheita. Em 1996, assumiu sozinho o Sítio Santa Luzia, uma propriedade que, à época, mal dava para sustentar a família. A virada veio com a transição para a avicultura de corte em 2005, quando o produtor percebeu o potencial da atividade em uma região com infraestrutura favorável e demanda crescente por proteína animal.

    O desastre que quase paralisou a história familiar

    Na tarde de 22 de maio de 2026 — há menos de vinte dias —, um desabamento parcial do aviário principal do Sítio Santa Luzia não apenas ceifou a vida de 42 mil aves como também expôs uma fraude cometida pela construtora responsável pela obra. O acidente, que poderia ter vitimado funcionários e animais, deixou um prejuízo estimado em R$ 1,8 milhão, incluindo perdas com a produção interrompida e danos à infraestrutura. “Foi um golpe duro, mas não o suficiente para nos derrubar”, relata Diego Tofanin, filho de Odair e atual gerente da propriedade.

    Biosseguridade e sucessão familiar: os pilares do recomeço

    Enquanto a construtora tentava se eximir da responsabilidade, Odair e Diego investiram em um plano de recuperação baseado em dois pilares: biosseguridade rigorosa e planejamento sucessório. A biosseguridade, hoje, é tratada como prioridade absoluta no Sítio Santa Luzia, com protocolos de higienização revisados e instalações adaptadas para evitar novos incidentes. Paralelamente, a sucessão familiar ganhou contornos estratégicos: Diego, que já atuava na gestão, assumiu formalmente a liderança do negócio, enquanto Odair focou na capacitação da equipe e na busca por parcerias com universidades para inovação em genética aviária.

    Lições para o agronegócio: crise como oportunidade

    O caso do Sítio Santa Luzia ressoa como um alerta para o setor avícola brasileiro, especialmente em um cenário de volatilidade de preços e pressões ambientais. Segundo especialistas ouvidos pela reportagem, a crise enfrentada pela família Tofanin evidencia a importância de planos de contingência robustos e de uma governança familiar clara. “A avicultura moderna exige mais do que técnica; exige resiliência e visão de longo prazo”, afirma a engenheira agrônoma Marina Silva, consultora em gestão rural. Para Odair, a lição é simples: “A gente não planta só grãos ou cria só galinhas. A gente planta confiança e colhe futuro”.

  • Ovos jumbo: A matemática por trás do peso extra e se vale a pena para o produtor

    Ovos jumbo: A matemática por trás do peso extra e se vale a pena para o produtor

    A avicultura brasileira vive uma fase de profissionalização acelerada, onde detalhes técnicos definem quem lucra — ou perde — no setor. Um dos exemplos mais claros dessa busca por eficiência é a produção de ovos jumbo, classificados como aqueles com peso superior a 68 gramas. Mas, afinal, o que torna esses ovos tão especiais?

    Maturity matters: Por que galinhas mais velhas produzem ovos maiores

    As poedeiras comerciais atingem seu pico de produção entre 25 e 35 semanas de vida, quando seus sistemas reprodutivos estão plenamente desenvolvidos. Nessa fase, o corpo da galinha prioriza a formação de ovos maiores para garantir a sobrevivência da prole — um instinto preservado pela evolução. No entanto, após os 40 semanas, a produção de ovos menores aumenta, exigindo ajustes estratégicos no manejo.

    Dieta e luz: Os catalisadores invisíveis do peso extra

    A nutrição é o principal combustível para ovos jumbo. Dietas com teores proteicos acima de 18% e suplementação de aminoácidos essenciais — como metionina e lisina — são fundamentais. Além disso, o controle da iluminação artificial (com ciclos de 14 a 16 horas de luz) acelera o metabolismo das aves, aumentando a produção de ovos em até 20%. Segundo dados do MAPA, 63% das granjas que adotam esses protocolos conseguem manter ao menos 30% de sua produção na categoria jumbo.

    O MAPA e a regra do jogo: Como os ovos são classificados

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) estabelece que ovos acima de 68 gramas podem ser comercializados como jumbo, desde que passem por pesagem individual em máquinas calibradas. Essa padronização é crucial para o acesso a mercados premium, como redes de supermercados e indústrias de massas, onde o preço pode ser até 30% maior que o ovo comum. No entanto, a classificação exige investimento em tecnologia: granjas com menos de 50 mil aves muitas vezes não justificam o custo.

    Vale a pena? O custo-benefício da estratégia

    Para o produtor, a resposta depende de dois fatores: escala e margem. Em granjas com 100 mil aves ou mais, os ovos jumbo podem aumentar a receita líquida em até 15%, segundo estudo da Embrapa Suínos e Aves. No entanto, os custos operacionais também sobem: ração premium custa 12% mais que a convencional, e a manutenção de equipamentos de pesagem automática exige R$ 20 mil a R$ 50 mil por ano. Para pequenos produtores, a alternativa pode ser vender ovos comuns e buscar diferenciação em atributos como origem orgânica ou livre de antibióticos.

    O futuro: Automação e genética como novas fronteiras

    As inovações não param. Empresas como a BRF e a Cargill já testam algoritmos de IA para ajustar dietas em tempo real, enquanto melhoristas genéticos desenvolvem linhagens específicas para ovos jumbo. Até 2028, espera-se que 40% da produção brasileira de ovos seja classificada como jumbo, impulsionada pela demanda de indústrias como a de panificação e fast-food. Para o produtor, ficar de fora dessa onda pode significar perder espaço em um mercado cada vez mais exigente.