Tag: balança comercial

  • Tarifaço dos EUA afeta 18% das exportações brasileiras, mas balança comercial segue firme

    Tarifaço dos EUA afeta 18% das exportações brasileiras, mas balança comercial segue firme

    Em 15 de julho de 2026, o governo dos Estados Unidos anunciou um tarifaço de 25% sobre 18% das exportações brasileiras, medida que afeta diretamente segmentos como máquinas, aço, alumínio, calçados e automóveis. Embora o impacto sobre a balança comercial brasileira seja considerado limitado, os danos à competitividade de setores específicos são inevitáveis.

    Setores mais vulneráveis: máquina, aço e calçados lideram impactos

    Segundo análise da ApexBrasil, São Paulo e Santa Catarina concentram 52% dos efeitos do tarifaço, com São Paulo respondendo por cerca de 30% das exportações nacionais para os EUA. Máquinas e equipamentos, que representam 12% das vendas brasileiras ao mercado norte-americano, são os mais atingidos, seguidos por aço (8%) e calçados (6%). A indústria automobilística, embora menos dependente dos EUA, também enfrenta barreiras adicionais.

    Diplomacia comercial ou guerra comercial?

    Em entrevista à Agência Brasil, o diretor da ApexBrasil, Durigan de Souza, afirmou que o Brasil não descartará negociações para reduzir as tarifas impostas pelos EUA, mas descartou medidas retaliatórias. “A resposta deve ser técnica, não política”, declarou. A previsão da Apex é investir R$ 130 milhões em 2026 para diversificar mercados, com foco em Ásia e África, onde a demanda por produtos brasileiros cresce.

    Exportadores buscam realocar negócios, mas encontram resistência

    Empresários do setor de calçados, um dos mais afetados, relatam dificuldades para transferir operações para outros mercados devido a barreiras não tarifárias. “Os EUA são nosso principal destino, e alternativas como a Europa ou o Oriente Médio não absorvem o mesmo volume”, afirmou um executivo ouvido pela reportagem. A estratégia do governo federal inclui a promoção de feiras internacionais e acordos comerciais para reduzir a dependência do mercado norte-americano.

    Consequências para a balança comercial

    Apesar do recuo nas exportações para os EUA, a balança comercial brasileira deve manter superávit em 2026, impulsionado por vendas recordes de commodities como soja e minério de ferro para a China. No entanto, o efeito psicológico sobre investidores preocupa: a incerteza quanto a futuras medidas protecionistas dos EUA pode levar empresas a adiar expansões industriais no Brasil.

  • Mato Grosso lidera balança comercial brasileira em 2026: agro responde por 43% do superávit nacional

    Mato Grosso lidera balança comercial brasileira em 2026: agro responde por 43% do superávit nacional

    Mato Grosso não apenas manteve, como ampliou sua liderança na balança comercial brasileira no primeiro quadrimestre de 2026. Segundo dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea), o estado registrou um superávit comercial de US$ 11,05 bilhões entre janeiro e abril — o maior resultado entre todas as unidades federativas do país. O desempenho reforça a posição estratégica do estado na economia nacional, especialmente em um cenário de desafios globais para as exportações.

    Doze anos de protagonismo: Mato Grosso já respondia por 40% do superávit brasileiro em 2025

    O resultado não é uma exceção, mas uma consolidação da trajetória de Mato Grosso. Em 2025, o estado já havia atingido um superávit comercial de US$ 27,57 bilhões, equivalente a 40,50% do saldo comercial total do Brasil naquele ano. A coordenadora de Desenvolvimento Regional do Imea, Maria Muniz, destaca que o crescimento em 2026 reflete a centralidade do estado para as exportações nacionais.

    “O resultado mostra como Mato Grosso segue sendo um dos principais motores das exportações brasileiras, reforçando a relevância do estado para a sustentação das exportações nacionais e para a entrada de moeda estrangeira na economia brasileira”, afirmou Muniz. Segundo ela, o desempenho do agronegócio mato-grossense foi determinante para esse cenário, impulsionado pelas exportações de soja, milho e carne bovina.

    Agro lidera tanto nas exportações quanto na geração de empregos no estado

    O boletim mensal do Imea, publicado em 11 de maio, revela que o setor não apenas impulsiona a balança comercial, mas também é um pilar para o mercado de trabalho em Mato Grosso. No final de 2025, o agronegócio contabilizava 437.174 empregos formais. Em março de 2026, esse número avançou para 444.218 postos, um crescimento de 1,61% — ou 7.044 novas vagas criadas em apenas três meses.

    Ao todo, o estoque de empregos formais em Mato Grosso atingiu 1.183.553 vínculos em março de 2026. Desse total, o agronegócio representa 37,53% dos postos de trabalho do estado, demonstrando sua capacidade de absorção de mão de obra mesmo em um contexto de modernização e automação do campo.

    Soja, milho e carne bovina: os três pilares do superávit mato-grossense

    Os números revelam que o agronegócio mato-grossense não depende de um único produto para sustentar sua liderança. No entanto, três commodities se destacam nas exportações do estado:

    • Soja: Principal cultura de exportação, com escoamento para a China, países da Europa e Oriente Médio.
    • Milho: Segundas safra recorde, com forte demanda da Ásia e da indústria de ração animal.
    • Carne bovina: O estado é um dos maiores produtores e exportadores mundiais, com mercados consolidados na Ásia e na América Latina.

    Esse mix diversificado reduz a dependência de um único mercado ou produto, conferindo maior resiliência ao setor mesmo diante de flutuações de preços internacionais ou crises logísticas.

    O que esperar para o restante de 2026?

    Com o início da colheita da segunda safra de milho e a manutenção dos preços internacionais favoráveis para os grãos e proteínas animais, analistas do Imea projetam que Mato Grosso deve manter, ou até ampliar, sua participação no superávit comercial brasileiro nos próximos meses. No entanto, desafios como a logística de escoamento — especialmente a dependência de ferrovias e hidrovias — e a pressão por práticas sustentáveis (como a redução do desmatamento) ainda pairam sobre o setor.

    Para especialistas, a capacidade de Mato Grosso de inovar em tecnologia agrícola e de ampliar parcerias comerciais será decisiva para consolidar sua posição como o estado que sustenta a balança comercial brasileira.