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  • Bicheira-do-novo-mundo volta aos EUA após 60 anos: risco à pecuária em crise agrava crise do menor rebanho bovino em 75 anos

    Bicheira-do-novo-mundo volta aos EUA após 60 anos: risco à pecuária em crise agrava crise do menor rebanho bovino em 75 anos

    Parasita extinto ressurge para abalar a pecuária norte-americana

    Os Estados Unidos enfrentam uma corrida contra o tempo para conter a disseminação da New World Screwworm (NWS), parasita que devora tecido vivo e foi erradicado do país em 1966. Dois casos confirmados no sul do Texas, na última segunda-feira (8 de junho de 2026), acenderam alertas federais e estaduais, mobilizando uma força-tarefa emergencial com bloqueios sanitários e inspeções rigorosas.

    Contexto: crise estrutural na pecuária bovina

    A ameaça chega em um cenário de extrema fragilidade para o setor. Segundo dados do USDA (Departamento de Agricultura dos EUA), o rebanho bovino nacional atingiu o menor patamar desde 1951 — 28,6 milhões de cabeças — em dezembro de 2025, reflexo de anos de seca severa no Meio-Oeste, alta nos custos de produção e redução drástica da oferta de animais para abate. A escassez impulsionou os preços da carne bovina a patamares históricos, com o cutout value (indicador de preços) registrando alta de 18% em maio de 2026, segundo a Bloomberg.

    Impacto potencial: prejuízos bilionários e risco de exportações

    Se não controlada, a NWS poderia dizimar rebanhos, como ocorreu na década de 1950, quando o parasita custou US$ 20 milhões à época (equivalente a cerca de US$ 200 milhões hoje). A doença, transmitida pela mosca Cochliomyia hominivorax, ataca feridas abertas em animais, causando infecções fatais. O Texas, maior produtor de gado dos EUA, já impôs quarentena em 12 condados, com restrições à movimentação de animais. A Organização Mundial de Saúde Animal (WOAH) classificou o risco como “elevado” para a região, devido à proximidade com o México, onde a praga ainda circula.

    Medidas emergenciais e lições do passado

    Autoridades americanas recorrem a estratégias similares às usadas na erradicação da NWS em 1966: liberação de machos estéreis para reduzir a população de moscas e campanhas massivas de pulverização de inseticidas. Além disso, foi ativado o Plano Nacional de Contingência para Pragas Exóticas, com orçamento de US$ 12 milhões para a operação. Especialistas alertam, no entanto, que a resistência a pesticidas e a mudança climática — que amplia o habitat das moscas — podem complicar o controle.

    Consequências além da pecuária: reflexos no mercado global

    A crise afeta não só os EUA, mas também o comércio internacional. O país é o terceiro maior exportador de carne bovina, com vendas de US$ 10,5 bilhões em 2025. Se a NWS se espalhar, países como Japão e Coreia do Sul, principais importadores, podem impor barreiras sanitárias, agravando a queda nas exportações. A União Europeia, que já reduziu suas importações em 12% devido à peste suína africana, também monitora o caso de perto.

  • Bicheira-do-Novo-Mundo avança no Texas: parasita erradicado há 50 anos volta a assombrar a pecuária norte-americana

    Bicheira-do-Novo-Mundo avança no Texas: parasita erradicado há 50 anos volta a assombrar a pecuária norte-americana

    Um velho inimigo ressurge: a praga que já aterrorizou a América

    A confirmação de casos da bicheira-do-novo-mundo (New World Screwworm) no Texas reacendeu o alerta sanitário nos Estados Unidos. Três bezerros, uma cabra e um cão foram diagnosticados com a Cochliomyia hominivorax, mosca cujas larvas se alimentam de tecidos vivos, provocando lesões graves, perdas produtivas e, em casos extremos, a morte dos animais.

    A presença do parasita no país, erradicado desde 1966, surpreende por reverter décadas de controle rigoroso. O USDA (Departamento de Agricultura dos EUA) já iniciou ações de contenção, mas a situação evidencia uma ameaça que o Brasil e outros países tropicais enfrentam há anos: a dificuldade de monitorar rebanhos em larga escala.

    Da erradicação ao caos: como a praga escapou do controle

    A Cochliomyia hominivorax não é uma doença nova, mas sua volta aos EUA após 50 anos de ausência revela falhas críticas na vigilância sanitária. A mosca, que deposita ovos em feridas ou áreas úmidas do animal, tem larvas que se alimentam vorazmente de carne viva — um processo conhecido no Brasil como “bicheira”.

    Nos EUA, a notícia gerou pânico entre pecuaristas, que não estão acostumados a lidar com a praga. No entanto, para o Brasil, onde a infestação é endêmica em regiões como a Amazônia e o Centro-Oeste, o cenário é familiar. A falta de controle pode levar a prejuízos milionários, já que a doença reduz a produtividade leiteira e de carne, além de aumentar os custos com veterinários e medicamentos.

    Consequências e lições: o que os EUA podem aprender com o Brasil

    A situação no Texas serve como um alerta global. Enquanto os EUA tentam conter a praga com armadilhas, inspeções e sacrifício de animais infectados, o Brasil desenvolveu estratégias como o Programa Nacional de Combate à Bicheira, que inclui controle químico, biológico e educação rural.

    A volta da Cochliomyia hominivorax aos EUA não é apenas um problema local, mas um reflexo de como a globalização e as mudanças climáticas podem facilitar a disseminação de pragas. A pecuária norte-americana, acostumada a padrões sanitários elevados, agora enfrenta um desafio que muitos países em desenvolvimento já dominam — ou pelo menos tentam.