UE adota modelo pioneiro para proteger crianças na internet
A União Europeia (UE) anunciou nesta segunda-feira (13/07/2026) um plano ambicioso para regular o acesso de menores às redes sociais, estabelecendo uma “maioridade digital” que só será plena aos 18 anos. A proposta, apresentada pela Comissão Europeia sob liderança de Ursula von der Leyen, divide o acesso em quatro fases, com limitações progressivas até a adolescência completa. O objetivo é mitigar riscos como cyberbullying, vício em conteúdo e exposição a conteúdos inadequados — problemas cada vez mais documentados pela comunidade médica.
Como funcionará o acesso gradual?
O modelo, desenvolvido por especialistas em saúde mental e tecnologia, prevê:
- Até 10 anos: uso supervisionado e restrito a plataformas com conteúdo educativo ou recreativo, sem algoritmos de engajamento;
- 11 a 13 anos: cadastro permitido apenas com consentimento parental, com limites de tempo diário e bloqueio de recursos como mensagens privadas;
- 14 a 17 anos: acesso amplo, mas com monitoramento obrigatório por ferramentas de controle parental e relatórios de atividade para os pais;
- A partir de 18 anos: liberdade total — embora a UE estude manter algumas salvaguardas para adultos jovens.
As big techs — como Meta, TikTok e X — terão que submeter seus sistemas à validação prévia da UE, que incluirá auditorias independentes para comprovar a segurança das plataformas. Aquelas que não cumprirem as regras poderão ser multadas em até 4% de seu faturamento global, um valor que pode ultrapassar bilhões de euros.
Contexto: uma tendência global em ascensão
A iniciativa europeia não é isolada. Na última quarta-feira (09/07/2026), a Austrália aprovou lei semelhante, obrigando as redes sociais a identificar usuários menores de 16 anos e limitar seu acesso. Nos Estados Unidos, projetos bipartidários no Congresso também discutem regulações mais rígidas para o uso infantil em plataformas digitais. Especialistas como a neurocientista Dra. Sonia Livingstone, da London School of Economics, destacam que “a infância é um período crítico para o desenvolvimento cerebral, e a exposição precoce a redes sociais sem limites pode causar danos permanentes”.
Críticas e desafios pela frente
Embora a proposta seja louvada por pediatras e defensores dos direitos das crianças, setores da indústria tecnológica já sinalizam resistência. Empresas como a Meta argumentam que “as soluções precisam ser equilibradas para não prejudicar a inovação”, enquanto grupos de pais questionam a eficácia dos controles parentais propostos. Além disso, a implementação exigirá investimentos massivos em tecnologia de verificação de idade, um desafio técnico e ético, já que métodos como reconhecimento facial levantam preocupações com privacidade.

