A carne de jacaré produzida na Reserva Extrativista (Resex) Lago do Cuniã, em Porto Velho (RO), ingressa na reta final para obter a Indicação Geográfica (IG), um dos selos mais cobiçados do mercado brasileiro. Entre 1º e 6 de setembro de 2026, uma etapa técnica crucial será conduzida, visando comprovar que o produto carrega atributos exclusivos da região amazônica onde é cultivado.
De alimento local a patrimônio nacional: o que está em jogo
Se aprovado pelo INPI, o reconhecimento transformará a carne de jacaré em mais um dos produtos brasileiros protegidos por sua origem — como o café do Cerrado Mineiro ou o queijo de Canastra. A distinção não apenas agregaria valor ao produto, mas consolidaria Rondônia e a Amazônia como polos de inovação em bioeconomia, alinhados às demandas globais por produtos sustentáveis.
Um modelo que une conservação e economia
Produzida por comunidades ribeirinhas em sistema de manejo sustentável, a iguaria já é comercializada em feiras e restaurantes da região, mas o selo da IG poderia expandir seu mercado para o restante do país. Especialistas destacam que o processo reforça um modelo de desenvolvimento que prioriza a floresta em pé, em contraste com práticas predatórias como o desmatamento ou a pecuária extensiva.
O desafio da certificação: precisão e identidade territorial
A fase técnica em andamento analisará critérios como métodos de criação, alimentação dos animais e características organolépticas da carne. Segundo dados do Ibama e da Embrapa, o manejo na Resex Lago do Cuniã segue protocolos rígidos, com abate controlado e aproveitamento integral do animal — uma abordagem que já atrai interesse de chefs e exportadores europeus.

