Medida mira logística e privilegia cadeia de suprimentos asiática
A Câmara de Comércio Exterior (Camex), em reunião do Gecex divulgada às 19h07 de hoje, renovou as cotas de importação com imposto zero para kits de veículos elétricos e híbridos desmontados (CKD/SKD), totalizando um teto de US$ 463 milhões. A decisão, que entra em vigor em julho, reforça o apoio do governo à importação de componentes para montagem local, beneficiando principalmente fabricantes estrangeiras como a BYD.
Anfavea acusa ruptura de regras e projeta prejuízos bilionários
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) classificou a medida como ‘quebra de previsibilidade’, alegando que a falta de continuidade nas políticas afeta a confiança do setor. A entidade estima que o anúncio pode colocar em risco R$ 140 bilhões em investimentos já anunciados no Brasil, além de sinalizar insegurança jurídica para montadoras que operam no país.
Veículos montados ficam de fora, mas tarifa de 35% já está em vigor
Enquanto os kits desmontados recebem tratamento fiscal diferenciado, a importação de carros elétricos e híbridos já montados permanece sujeita à tarifa cheia de 35% a partir de julho. A decisão da Camex ignora os apelos da indústria nacional, que defendia a extensão do benefício a todos os veículos eletrificados, independentemente do estado de montagem.
Contexto: estratégia chinesa e pressões do setor
Fontes do governo indicam que a medida busca alinhar o Brasil às tendências globais de descarbonização, mas analistas interpretam o movimento como uma concessão à estratégia de entrada da BYD no mercado brasileiro. Empresas locais, por sua vez, alegam que a decisão prejudica a competitividade da indústria nacional, que ainda depende de componentes importados para produção de veículos eletrificados.









