Tag: carne bovina

  • Mato Grosso: o ataque do agro que garante 13% da carne bovina do Brasil

    Mato Grosso: o ataque do agro que garante 13% da carne bovina do Brasil

    Na reta final para a Copa do Mundo de 2026, que começa em 11 de junho, o Brasil se prepara para um frenesi de churrascos, festas e consumo de proteína animal. Nesse cenário, Mato Grosso surge como o grande protagonista do agro nacional: o estado é responsável por 13% de toda a carne bovina disponível para a população brasileira.

    O poder da pecuária mato-grossense: números que impressionam

    Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), referentes a 2025, revelam que Mato Grosso produziu 2,006 milhões de toneladas de equivalente carcaça bovina, um volume que coloca o estado no topo da cadeia produtiva brasileira. Desse total, 978,32 mil toneladas foram exportadas para 92 países, demonstrando a capacidade de inserção do agro mato-grossense no mercado global.

    Porém, o que chama atenção é a destinação da produção interna: mais da metade (1,027 milhão de toneladas) permaneceu no Brasil, abastecendo tanto o próprio estado quanto outras unidades da federação. Isso significa que, enquanto os brasileiros torcem nos estádios ou em casa, a carne que chega às suas mesas muitas vezes tem origem no cerrado mato-grossense.

    Por que Mato Grosso domina o setor?

    O sucesso da pecuária em Mato Grosso não é fruto do acaso. O estado combina condições climáticas favoráveis, extensas áreas de pastagem e um modelo de produção cada vez mais tecnificado. Além disso, a logística integrada — com portos, ferrovias e rodovias que escoam a produção — garante competitividade no mercado internacional. Enquanto outros estados brasileiros enfrentam desafios climáticos ou regulatórios, Mato Grosso mantém sua trajetória de crescimento.

    O legado do agro para o Brasil

    Com a Copa do Mundo de 2026 como pano de fundo, a pecuária mato-grossense reforça seu papel estratégico na economia brasileira. Não se trata apenas de abastecer o mercado interno: as exportações geram divisas e fortalecem a balança comercial do país. Em um ano de grande visibilidade global, o agro de Mato Grosso mostra que, enquanto o mundo assiste ao futebol, o Brasil segue firme no campo, garantindo o prato dos brasileiros e de milhões de pessoas ao redor do mundo.

  • Brasil lidera ranking global de carnes em 2026: fraldinha e alcatra superam Argentina no TasteAtlas

    Brasil lidera ranking global de carnes em 2026: fraldinha e alcatra superam Argentina no TasteAtlas

    O Brasil cravou seu nome no topo da gastronomia global em 2026, não nos gramados, mas nas grelhas. Na última quarta-feira, o país assumiu a liderança do prestigiado ranking de melhores cortes de carne bovina do mundo elaborado pelo TasteAtlas, superando até mesmo a Argentina — tradicional potência no setor e dona do terceiro lugar no pódio.

    Fraldinha e alcatra: os novos reis das carnes

    A dupla brasileira formada pela fraldinha (1º lugar) e alcatra (2º lugar) desbancou o tradicional bife de chorizo argentino, que ficou com a medalha de bronze. A façanha é ainda mais notável quando se considera que a emblemática picanha — outrora sinônimo de excelência nacional — ficou em 4º lugar, evidenciando uma mudança de paradigma nos paladares mundiais.

    O que explica a virada brasileira?

    A vitória reflete um movimento global de valorização de cortes que combinam maciez, sabor intenso e versatilidade. Enquanto cortes argentinos como o chorizo são celebrados por décadas de tradição, os brasileiros vêm conquistando espaço graças a técnicas inovadoras de maturação, manejo de rebanhos e técnicas de preparo. A fraldinha, por exemplo, é um corte nobre com marmoreio excepcional, enquanto a alcatra oferece uma textura equilibrada entre suculência e resistência ao corte — atributos cada vez mais exigidos por chefs internacionais.

    Consequências para o mercado

    O resultado do TasteAtlas 2026 deve impulsionar ainda mais as exportações brasileiras de carne bovina, já responsáveis por 20% do comércio global do produto. Analistas do setor projetam um aumento de 12% nas vendas para a União Europeia nos próximos 12 meses, especialmente para cortes premium como os que lideraram o ranking. Além disso, o feito pode redefinir estratégias de marketing de países concorrentes, como Argentina e Uruguai, que até então dominavam o imaginário coletivo como sinônimos de carne de qualidade.

  • Crise global de insumos eleva custo da carne bovina: como a safra de 2026 será impactada

    Crise global de insumos eleva custo da carne bovina: como a safra de 2026 será impactada

    A crise silenciosa que assola a nutrição animal ganha contornos críticos na reta final de 2026. Na última quarta-feira, 17 de junho, o mercado de commodities acendeu um sinal de alerta para os pecuaristas brasileiros: a disparada nos preços do ácido sulfúrico — insumo-chave para a produção de fósforo na suplementação mineral — já reverbera em toda a cadeia produtiva, elevando o custo da arroba do boi e reduzindo as margens de lucro.

    Efeito dominó no Oriente Médio: a raiz da crise

    O problema não começou no Brasil, mas sim nas tensões geopolíticas que assolam o Oriente Médio. O ácido sulfúrico, além de sua aplicação na nutrição animal, é uma matéria-prima crítica para a indústria de fertilizantes — setor igualmente afetado pela escalada de preços. Com o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas comerciais globais, sob crescente instabilidade, países fornecedores passaram a priorizar seus mercados internos, restringindo a oferta externa e encarecendo os fretes internacionais.

    Como a logística global afeta a porteira

    O encarecimento do frete internacional e a redução da oferta de insumos básicos como o fosfato bicálcico — derivado do ácido sulfúrico — criam um cenário de aperto na cadeia de suplementação mineral. Produtores rurais, que já enfrentam margens apertadas, agora precisam lidar com custos adicionais que podem inviabilizar investimentos em tecnificação e manejo nutricional. Em estados como Goiás, líder na produção de carne bovina, a pressão já é sentida nas cooperativas, que relatam aumentos de até 30% em alguns insumos desde o início do ano.

    Cenário 2026: o que esperar da safra de gado

    A médio prazo, a crise pode se agravar. Se as tensões no Oriente Médio persistirem e a oferta de insumos não se normalizar, o custo de produção da carne bovina pode sofrer um novo salto nos próximos meses. Para o consumidor final, isso se traduz em preços ainda mais elevados nas gôndolas dos supermercados. Já para os pecuaristas, a alternativa será buscar alternativas de suplementação ou reduzir o ritmo de expansão dos rebanhos, o que pode impactar a oferta de carne no segundo semestre de 2026.

    Até que a crise logística seja resolvida, a pecuária brasileira caminha para um ano de desafios sem precedentes, onde a sobrevivência do setor dependerá não apenas de fatores climáticos, mas também da capacidade de adaptação diante de um mercado global cada vez mais instável.

  • Rússia oficializa status sanitário do Brasil e abre US$ 10 bilhões em oportunidades para o agro

    Rússia oficializa status sanitário do Brasil e abre US$ 10 bilhões em oportunidades para o agro

    A Rússia formalizou, em 10 de junho de 2026, o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação — uma decisão que não apenas valida os protocolos sanitários nacionais, mas também abre caminho para a ampliação das exportações brasileiras de proteínas animais. O anúncio, celebrado pelo Ministério da Agricultura (Mapa), chega após a certificação da Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA) em 2025 e se alinha a movimentos recentes de parceiros estratégicos como a China, que também oficializou a mesma condição sanitária no início de junho.

    Avanço sanitário com impacto comercial imediato

    O reconhecimento russo elimina barreiras não tarifárias que restringiam o acesso de produtos brasileiros de origem animal ao mercado, especialmente carnes bovina e suína. Segundo dados do Mapa, o comércio bilateral entre os dois países ultrapassou US$ 10 bilhões em 2025, com potencial de crescimento exponencial diante da nova certificação. A medida facilita ainda a renegociação de exigências sanitárias para outros segmentos, como lácteos e pescado, e deve acelerar processos de habilitação de frigoríficos e agroindústrias brasileiras nos mercados internacionais.

    O que muda para o produtor rural?

    Para os produtores, o reconhecimento representa mais do que uma chancela sanitária: é a garantia de preços mais estáveis e acesso a mercados premium. Com a redução de riscos de embargo por doenças animais, o Brasil consolida sua posição como fornecedor confiável, o que tende a atrair investimentos em tecnologia e logística para atender à demanda global. Especialistas do setor destacam que a medida também pode influenciar políticas de renegociação de dívidas rurais, uma vez que a estabilidade do agro é um pilar para a recuperação econômica do campo.

    Próximos passos: certificações e negociações bilaterais

    A missão técnica do Mapa à Rússia, que selou o acordo, também discutiu temas como sanidade animal, fertilizantes e barreiras não tarifárias — itens que, segundo o governo brasileiro, devem pautar as próximas rodadas de negociações. A expectativa é que, até o final de 2026, outros países da Eurásia sigam o exemplo, ampliando ainda mais as oportunidades para o Brasil no cenário agroexportador.

  • Cotas chinesas abrem brecha: Austrália reduz exportações de carne e Brasil se prepara para novo cenário global

    Cotas chinesas abrem brecha: Austrália reduz exportações de carne e Brasil se prepara para novo cenário global

    Austrália, tradicional fornecedora de carne bovina para a China, viu suas exportações para o mercado asiático encolherem 28% entre março e maio de 2026 — de 32 mil para 23 mil toneladas, segundo dados da Meat & Livestock Australia (MLA). O recuo, impulsionado pelo esgotamento de 90% da cota aduaneira chinesa, acende um alerta para o setor pecuário global e projeta um rearranjo logístico que pode beneficiar players como o Brasil nos próximos meses.

    O efeito dominó das cotas chinesas na cadeia global

    A desaceleração australiana não é um caso isolado, mas um sintoma de um mercado cada vez mais pressionado por barreiras tarifárias e políticas comerciais restritivas. A China, maior importadora de carne bovina do mundo, tem ajustado suas regras de importação com frequência, obrigando exportadores a buscar novos destinos ou adaptar suas rotas logísticas. No caso da Austrália, a proximidade geográfica com a China até então era um diferencial — agora, a saturação da cota transformou esse atrativo em um obstáculo.

    Brasil no centro do tabuleiro: oportunidades e desafios

    Para o Brasil, a situação representa uma janela de oportunidade, mas também um teste de capacidade logística e competitividade. Com a redução do fluxo australiano, os preços internacionais tendem a se ajustar, e países com excedentes produtivos — como o Brasil, maior exportador global de carne bovina — podem preencher parte da demanda chinesa. No entanto, especialistas alertam que o cenário exige agilidade: “O rearranjo não será automático. Será necessário otimizar portos, fretes e acordos comerciais para não perdermos essa chance”, avalia um analista do setor, que preferiu não se identificar.

    O fenômeno também expõe a vulnerabilidade da pecuária sul-americana a mudanças abruptas no comércio exterior. Enquanto a Austrália enfrenta restrições pontuais, o Brasil lida com pressões de longo prazo, como a concorrência com a Índia no mercado de carne halal e a crescente demanda por certificações de sustentabilidade na União Europeia. “O mercado global está cada vez mais seletivo. Quem não se adaptar rapidamente vai ficar para trás”, completa o analista.

    O que esperar dos próximos meses

    A partir de agosto de 2026, o impacto das cotas chinesas deve se tornar mais evidente no cotidiano dos pecuaristas brasileiros. Analistas projetam um aumento na demanda chinesa por carne brasileira, mas destacam que a resposta do setor dependerá de fatores como:

    • Capacidade de escoamento dos frigoríficos;
    • Disponibilidade de navios e contêineres para exportação;
    • Negociações comerciais para reduzir tarifas em novos mercados.

    O cenário, portanto, é de cautela otimista: há potencial, mas o tempo é curto e a concorrência, acirrada.

  • Arroba do boi gordo supera R$ 360/@: mercado se recupera com exportações recorde e demanda chinesa

    Arroba do boi gordo supera R$ 360/@: mercado se recupera com exportações recorde e demanda chinesa

    O mercado brasileiro da carne bovina dá sinais claros de recuperação em 29 de maio de 2026, com a arroba do boi gordo ultrapassando a barreira dos R$ 360/@ em diversas regiões do país. Após semanas de correção de preços e pressão da indústria frigorífica, o cenário mudou radicalmente graças a três fatores-chave: a oferta mais ajustada de animais terminados, embarques recordes de carne bovina e a expectativa crescente em torno da demanda internacional.

    Exportações batem recorde e sustentam a alta

    Dados recentes mostram que as exportações de carne bovina brasileira atingiram volumes inéditos nas últimas semanas, com embarques recordes para a China — principal destino da carne brasileira. Somente em maio de 2026, o volume exportado superou em 12% a média do mesmo período em 2025, segundo levantamentos preliminares de analistas do setor. Essa demanda aquecida reduz o excedente doméstico e, consequentemente, pressiona os preços do boi gordo para cima.

    Oferta ajustada e Copa do Mundo impulsionam consumo

    A terminação de animais também está mais controlada, com produtores retendo parte do gado para aguardar melhores preços, o que reduz a oferta imediata no mercado físico. Além disso, o calendário esportivo deve dar novo fôlego ao mercado: a expectativa de consumo elevado durante a Copa do Mundo — que começa em junho — já é citada por frigoríficos como um fator adicional de sustentação dos preços. A combinação desses elementos cria um ambiente propício para a recuperação do setor.

    Analistas veem viés positivo, mas movimento ainda gradual

    Consultorias como a Safras & Mercado e a Scot Consultoria destacam que, embora o movimento de alta ainda seja gradual, os fundamentos do mercado estão sólidos. “A recuperação não é mais uma hipótese, mas uma realidade consolidada”, afirmou um analista ouvido pela imprensa especializada. No entanto, o ritmo da alta dependerá da manutenção da demanda internacional e da capacidade dos produtores de ajustar a oferta nos próximos meses.

  • Governo pressiona China para revisar cota de carne bovina em 2027 e desonerar exportações brasileiras

    Governo pressiona China para revisar cota de carne bovina em 2027 e desonerar exportações brasileiras

    Rio de Janeiro, 25 de maio de 2026 — Em um movimento estratégico para aliviar as pressões sobre o setor agropecuário, o governo brasileiro, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), intensifica as negociações com a China para rever até 2027 a salvaguarda imposta às importações de carne bovina brasileira. A medida, que estabelece uma cota anual de 1,1 milhão de toneladas com isenção tarifária e tributa em 50% o volume excedente, tem impactado diretamente a margem de lucro dos frigoríficos e pecuaristas nacionais.

    China mantém papel central nas exportações brasileiras, apesar das restrições

    A China segue como o principal destino da carne bovina brasileira, mesmo diante da sobretaxa chinesa aplicada neste ano. Segundo dados do setor, o país asiático absorveu volumes recordes do produto nacional, ainda que a cota limite a competitividade dos embarques brasileiros. A negociação em andamento busca não apenas reduzir a alíquota para volumes excedentes, mas também flexibilizar o volume total da cota, que hoje restringe o potencial de crescimento do setor.

    Setor aguarda desfecho para garantir margens e sustentabilidade

    O ministro Márcio Elias Rosa, ao anunciar a iniciativa nesta segunda-feira, destacou que o diálogo com a China faz parte de um esforço mais amplo para garantir a sustentabilidade do agronegócio brasileiro. “A China é um parceiro estratégico, mas as condições atuais de exportação impõem desafios à cadeia produtiva”, afirmou. A revisão da cota e da sobretaxa, caso seja concretizada em 2027, poderá injetar US$ 2 bilhões anuais adicionais na balança comercial brasileira, segundo estimativas preliminares do setor.

  • Carne bovina dos EUA perde espaço na China e abre vantagem estratégica para o Brasil

    Carne bovina dos EUA perde espaço na China e abre vantagem estratégica para o Brasil

    A forte queda na competitividade da carne bovina dos Estados Unidos no mercado chinês, registrada entre 2022 e 2025, não é apenas uma questão de números — é um divisor de águas no comércio global de proteínas animais. Enquanto os norte-americanos enfrentam barreiras tarifárias, restrições sanitárias e concorrência desleal, o Brasil emerge como o principal beneficiário dessa reconfiguração, aproveitando o vazio deixado para reforçar seu protagonismo como maior fornecedor de carne bovina à China.

    Da hegemonia à retração: o declínio dos EUA na China

    Dados compilados pelo analista pecuário Derrell Peel, professor da Universidade Estadual de Oklahoma, revelam uma queda vertiginosa: a participação dos EUA nas importações chinesas de carne bovina despencou de 8,8% em 2022 para meros 3,7% em 2025 — uma redução de mais de 50% em três anos. Especialistas atribuem o fenômeno a uma combinação de fatores, incluindo tarifas retaliatórias chinesas, sanções sanitárias recorrentes e a escalada de custos de produção nos EUA, que reduziram sua capacidade de competir em preço e volume.

    A perda de espaço não é pontual, mas parte de uma tendência estrutural. Desde 2023, a China tem diversificado suas fontes de proteína bovina, priorizando parceiros com acordos comerciais mais vantajosos e maior estabilidade logística — critérios nos quais o Brasil se destaca. Enquanto isso, os EUA, outrora um dos principais fornecedores, passaram a ocupar posições secundárias, atrás até mesmo de países como Austrália e Uruguai.

    Brasil capitaliza o vazio deixado pelos EUA

    Nesse cenário de reorganização comercial, o Brasil se posiciona como o grande vencedor. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que, no mesmo período em que os EUA perdiam participação, as exportações brasileiras de carne bovina para a China cresceram 23% em volume, consolidando o país como o maior fornecedor do mercado chinês — posição que já ocupava, mas agora com margem ainda maior.

    A vantagem brasileira não se limita à questão quantitativa. O país oferece ao mercado chinês não apenas volume, mas também preços competitivos, rastreabilidade avançada e acordos comerciais estáveis, como o Acordo de Livre-Comércio China-Brasil, que eliminou barreiras significativas para a carne brasileira. Além disso, a proximidade geográfica e a capacidade logística brasileira permitem entregas mais rápidas e com menores custos de frete, fatores decisivos em um mercado tão sensível quanto o chinês.

    Implicações globais: quem ganha e quem perde com a mudança

    A queda da participação norte-americana na China não afeta apenas os dois países. Ela redefine a geopolítica da proteína animal, com consequências que se estendem da América Latina à Ásia. Para a China, a diversificação de fornecedores reduz riscos de dependência e melhora seu poder de barganha em negociações comerciais. Para o Brasil, significa não apenas ganhos econômicos, mas também maior influência em um dos mercados mais estratégicos do planeta.

    Já para os EUA, a situação é crítica. Além da perda de mercado, o país enfrenta o risco de queda em sua influência política e econômica na região asiática, onde a China cada vez mais dita as regras do comércio global. Especialistas ouvidos pelo Cenário & Fatos alertam que, sem uma reação estratégica — seja por meio desburocratização de exportações, investimentos em sanidade animal ou renegociações tarifárias —, os EUA podem perder definitivamente a posição de protagonistas no setor.

    Enquanto isso, o Brasil, que já era um player importante, agora se prepara para colher os frutos de uma década de investimentos em tecnologia, sanidade e logística. Com a China cada vez mais dependente de suas exportações, o país não apenas garante seu lugar no topo da cadeia global de proteína bovina, mas também projeta sua influência como potência agroexportadora — um movimento que deve ecoar nos próximos anos.

  • Frango perde fôlego: alta de preços derruba competitividade frente a suínos e bovinos

    Frango perde fôlego: alta de preços derruba competitividade frente a suínos e bovinos

    O mercado de proteínas animais assiste a uma reviravolta em maio. Enquanto as cotações do frango registram leve alta, as concorrentes suína e bovina ganham vantagem competitiva, invertendo uma dinâmica que vinha favorecendo a avicultura brasileira nos últimos meses.

    Preços em movimento: o frango sobe, mas a competitividade afunda

    Na Grande São Paulo, o preço médio do frango inteiro resfriado atingiu R$ 7,31/kg na parcial de maio, segundo dados do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada). O valor representa um aumento de 1,6% frente a abril, impulsionado pela demanda interna aquecida e pelo bom desempenho das exportações de produtos avícolas — que já haviam registrado recorde em 2023.

    No entanto, a euforia tem curta duração. Desde a segunda quinzena de maio, a liquidez do frango no atacado vem recuando, forçando ajustes negativos nos preços. Se a tendência se confirmar até o fim do mês, o valor do frango inteiro resfriado pode não apenas estagnar como até retroceder, segundo analistas ouvidos pelo Cepea.

    Suínos e bovinos roubam a cena: onde o frango perde participação

    Enquanto o frango tenta se manter, as outras carnes ganham espaço no bolso do consumidor. Na Grande São Paulo, a carcaça especial suína é comercializada a R$ 1,38/kg abaixo do preço do frango, enquanto a carcaça casada bovina apresenta um valor médio de R$ 7,31/kg acima. A vantagem relativa das proteínas concorrentes já começa a se refletir nas prateleiras e nos hábitos de compra.

    Segundo o Cepea, a estabilidade nos preços da carne bovina — que mantêm patamar elevado, mas sem grandes variações — e a queda nos suínos criam um cenário inédito: pela primeira vez em meses, a carne de frango não é a opção mais econômica no comparativo entre as três principais proteínas animais do Brasil.

    Exportações salvam o mês? O que esperar para os próximos dias

    O bom desempenho das vendas externas de produtos avícolas tem sido um dos principais pilares para o aumento dos preços internos do frango. Em abril, as exportações brasileiras de carne de frango bateram recorde, com embarques de 473,5 mil toneladas — alta de 19% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA).

    No entanto, o mercado interno segue como termômetro crucial. Com a liquidez em queda e a concorrência mais acirrada, os produtores e processadores de frango precisam agir rápido para evitar uma queda ainda mais pronunciada nos preços. A pressão sobre as margens de lucro já é sentida por parte do setor, que teme um cenário de superoferta no curto prazo.

    Para especialistas, o equilíbrio dependerá de dois fatores: a manutenção do ritmo de exportações e a reação da demanda interna, que tem sido influenciada pela queda no poder aquisitivo dos brasileiros nos últimos meses.

  • Brasil assume a liderança global da carne bovina: como o país vai suprir a escassez mundial com produtividade e estratégia

    Brasil assume a liderança global da carne bovina: como o país vai suprir a escassez mundial com produtividade e estratégia

    O mercado global de carne bovina enfrenta uma crise silenciosa, mas profunda. Enquanto países tradicionalmente produtores, como os Estados Unidos e a Austrália, registram quedas históricas em seus rebanhos comerciais, o Brasil não apenas mantém sua posição como o maior produtor mundial, mas também amplia sua vantagem competitiva. Dados apresentados pela Friboi, marca da JBS, durante a Apas Show 2026, revelam que o rebanho bovino global está em um patamar semelhante ao de 1965 — uma redução drástica que contrasta com o crescimento contínuo do consumo de proteínas, puxado principalmente pela Ásia.

    O paradoxo da pecuária global: menos gado, mais fome por carne

    O rebanho bovino comercial global encolheu drasticamente nos últimos anos, impulsionado por fatores como a seca prolongada em regiões produtoras, o aumento dos custos de produção e a pressão por substituição de pastagens por culturas agrícolas. Enquanto isso, a demanda por carne bovina segue em trajetória ascendente: segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), o consumo global deve crescer cerca de 2% ao ano até 2030, impulsionado pelo crescimento econômico na China, Índia e Sudeste Asiático.

    Nesse contexto, o Brasil se destaca não apenas por possuir o maior rebanho bovino do mundo — com aproximadamente 192 milhões de cabeças, ante 87 milhões nos EUA e 52 milhões na Argentina — mas também por sua capacidade de aumentar a produtividade sem ampliar significativamente a área de pastagem. Enquanto outros países lutam para manter seus estoques, o Brasil consegue produzir mais carne com menos animais, graças a avanços tecnológicos e gestão sustentável do rebanho.

    A Friboi e a JBS: o Brasil no centro da estratégia global

    Durante o evento, o diretor-executivo de Originação da Friboi, Eduardo Pedroso, enfatizou que poucos países têm condições de suprir o déficit global nos próximos anos. “O Brasil não é apenas o maior produtor, mas também o único com potencial real de expandir sua produção de forma competitiva”, declarou. A afirmação não é exagero: segundo dados da Friboi, o país já é o maior exportador de carne bovina há mais de uma década e, recentemente, ultrapassou os Estados Unidos na produção total da proteína.

    Mas como o Brasil consegue conciliar o crescimento das exportações com a manutenção do abastecimento interno? Segundo Pedroso, a resposta está na revolução silenciosa que transformou a pecuária brasileira nos últimos 20 anos. “Hoje, produzimos 30% mais carne do que há duas décadas, com um rebanho 15% menor. Isso significa que aumentamos a produtividade em mais de 50%”, explica. A combinação de genética avançada, manejo nutricional e adoção de tecnologias como a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF) permitiu ao país dobrar sua produção sem derrubar uma única árvore adicional.

    Os concorrentes definham enquanto o Brasil avança

    Enquanto o Brasil comemora seus números, os principais concorrentes internacionais enfrentam cenários desanimadores. Nos Estados Unidos, a seca histórica no Meio-Oeste reduziu o rebanho para níveis não vistos desde 1951, forçando os frigoríficos a reduzir a capacidade de abate em até 15% em algumas regiões. Na Austrália, os incêndios florestais de 2019-2020 e a subsequente seca dizimaram milhões de cabeças, e a recuperação tem sido lenta. Já na União Europeia, a pressão por redução de emissões de gases de efeito estufa levou a uma queda de 8% no rebanho bovino nos últimos cinco anos.

    Essa conjuntura coloca o Brasil em uma posição única: não apenas como fornecedor, mas como regulador de preços no mercado global. Com estoques estáveis e capacidade de resposta rápida a aumentos de demanda, o país se tornou o “player” que pode evitar uma crise alimentar nos próximos anos.

    O desafio da sustentabilidade: o Brasil pode liderar sem sacrificar o meio ambiente?

    Apesar do otimismo, a expansão da pecuária brasileira não está isenta de críticas. Organizações ambientais, como o Greenpeace e o WWF, alertam que o crescimento do setor pode estar associado ao desmatamento na Amazônia e no Cerrado, especialmente em regiões onde a fiscalização é frágil. No entanto, a Friboi e outras grandes empresas do setor afirmam que o futuro da pecuária brasileira passa pela sustentabilidade comprovada.

    “Hoje, mais de 90% da carne exportada pelo Brasil vem de propriedades com algum tipo de certificação ambiental ou rastreabilidade”, explica Pedroso. Além disso, o setor tem investido em programas como o Projeto ABC Cerrado, que promove a recuperação de áreas degradadas e a adoção de práticas de baixo carbono. “O consumidor global não quer apenas carne barata; ele quer carne ética e sustentável. E o Brasil, aos poucos, está entregando isso.”

    O que esperar nos próximos anos?

    Se as projeções da Friboi se confirmarem, o Brasil deve consolidar sua posição como fornecedor estável e estratégico do mercado global de carne bovina. Até 2030, a empresa projeta um crescimento de 25% na produção brasileira, com foco em mercados asiáticos e africanos — regiões onde a demanda por proteína animal deve crescer mais de 40% até lá.

    Para os consumidores brasileiros, por enquanto, a notícia é positiva: com o aumento da produtividade, os preços internos devem se manter estáveis, mesmo com o crescimento das exportações. Já para os concorrentes internacionais, a mensagem é clara: o Brasil não é apenas uma opção, mas a única solução viável para evitar uma crise na cadeia global de carne bovina.