Um sofisticado esquema de cibercrime aproveitou uma brecha não divulgada em carteiras offline Coldcard, da empresa canadense CoinKite, para desviar criptomoedas de aproximadamente 7,3 mil usuários na última segunda-feira (03/08). Os ataques, realizados em pelo menos 12 ondas coordenadas, permitiram o roubo de 2 mil bitcoins — valor equivalente a R$ 650 milhões na cotação de 5 de agosto de 2026.
Como o ataque ocorreu: um bug explorado em carteiras físicas
A invasão ocorreu por meio de um defeito não corrigido no firmware das carteiras Coldcard, dispositivos projetados justamente para armazenar criptomoedas de forma offline e segura. Segundo análise do Galaxy Research, os hackers identificaram uma falha na validação de transações ou na interface de comunicação com dispositivos conectados (como computadores ou smartphones), permitindo o acesso indevido às chaves privadas dos usuários.
A estratégia foi dividida em quatro fases, com o primeiro lote de vítimas perdendo 1,5 mil BTC (mais de R$ 480 milhões) nas primeiras horas. Os criminosos, que operaram em grupos distintos, usaram técnicas de phishing avançado e engenharia social para induzir os usuários a conectar suas carteiras a dispositivos infectados, facilitando a exploração do bug.
Impacto e medidas: vítimas buscam alternativas após falha em segurança
As autoridades dos Estados Unidos, incluindo o FBI e a SEC, foram notificadas sobre o incidente, mas o rastreamento das criptomoedas roubadas é complexo devido ao uso de mixers e exchanges descentralizadas para lavagem dos valores. O Galaxy Research recomendou que os usuários migrem imediatamente para carteiras alternativas ou redefinam suas senhas, alertando que a vulnerabilidade pode não ser a única explorada no futuro.
O que os especialistas dizem: uma lição para o mercado
O caso reacendeu debates sobre a segurança das carteiras hardware, consideradas até então imunes a ataques remotos. Especialistas em cibersegurança destacam que a falha reforça a necessidade de auditorias independentes regulares e de atualizações urgentes de firmware, mesmo em dispositivos offline. Para analistas do setor, o incidente pode gerar uma corrida por seguros contra hackers e pressionar empresas como a CoinKite a assumir responsabilidade civil pelos prejuízos.
