Na última quarta-feira, 1º de julho de 2026, a gigante tecnológica Google emitiu um comunicado alertando sobre potenciais vulnerabilidades em cibersegurança decorrentes de mudanças na regulamentação europeia. A preocupação central está no Digital Markets Act, lei que visa aumentar a competitividade no setor de tecnologia, mas que, segundo a empresa, pode ter efeitos colaterais perigosos.
O que muda com a nova legislação da UE?
A proposta do Digital Markets Act obriga empresas dominantes, como o Google, a compartilhar dados de mecanismos de busca e sistemas operacionais, como o Android, com concorrentes menores. A intenção é democratizar o mercado, mas Heather Adkins, vice-presidente de Engenharia de Segurança da empresa, destaca um risco iminente: “A abertura desses dados pode facilitar ataques cibernéticos, expondo informações sensíveis de usuários e detalhes operacionais críticos”.
Riscos concretos para usuários e empresas
Segundo Adkins, hackers poderiam explorar essas brechas para acessar pesquisas relacionadas a cibersegurança — como buscas por vulnerabilidades ou ferramentas de proteção — e até mesmo dados internos do Android. A vulnerabilidade não se limita a vazamentos: ataques direcionados a sistemas operacionais e mecanismos de busca tornariam-se mais frequentes e sofisticados.
A medida também contraria os esforços globais de privacidade, como o GDPR, que já impõe restrições rígidas ao compartilhamento de dados na UE. Especialistas em cibersegurança ouvidos pela imprensa destacam que, sem salvaguardas adicionais, a lei poderia criar um efeito dominó de exposição, beneficiando grupos maliciosos.
Google pressiona por ajustes na legislação
Em resposta, o Google já sinalizou que pode buscar alterações no texto final da lei para minimizar os riscos. A empresa argumenta que, sem proteções claras, a abertura compulsória de dados — especialmente em áreas como saúde digital ou finanças — poderia levar a ataques em massa ou espionagem industrial. A discussão ganha urgência diante do crescente número de ciberataques registrados em 2026, com prejuízos superiores a US$ 1 trilhão globalmente, segundo relatórios recentes.
