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  • Cientistas brasileiros desenvolvem solução inovadora contra doença que ameaça cíclames, plantas ornamentais que movem R$ 500 mi por ano na América do Sul

    Cientistas brasileiros desenvolvem solução inovadora contra doença que ameaça cíclames, plantas ornamentais que movem R$ 500 mi por ano na América do Sul

    Parceria científico-industrial derruba paradigma no controle de doenças vegetais

    Em um avanço que pode redefinir os padrões do agronegócio ornamental, pesquisadores brasileiros uniram expertise acadêmica e inovação industrial para criar uma estratégia inédita contra a murcha de Fusarium, principal inimiga das plantas de cíclame (Cyclamen). A solução, que combina o composto vegetal β-cariofileno — naturalmente produzido pela planta em resposta à infecção fúngica — com o óxido de grafeno derivado do grafite, demonstrou eficácia superior aos métodos convencionais, reduzindo a volatilidade do ativo natural e prolongando sua ação protetora.

    Brasil lidera produção sul-americana, mas doença ameaça setor

    A cultura do cíclame movimenta cerca de R$ 500 milhões anuais na América do Sul, com o Brasil respondendo por 40% desse mercado, segundo dados do Ministério da Agricultura. No entanto, a doença, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cyclaminis, pode dizimar até 30% das lavouras em casos graves, forçando produtores a recorrer a fungicidas químicos de alto impacto ambiental. A nova abordagem, desenvolvida pela Embrapa Meio Ambiente (SP), Unicamp e PPS Compósitos, surge como uma alternativa sustentável e economicamente viável.

    Como funciona a inovação

    O β-cariofileno, molécula presente em diversas plantas e associada a mecanismos de defesa vegetal, é naturalmente produzido pelas plantas de cíclame após a infecção pelo fungo. No entanto, sua alta volatilidade limitava sua eficácia como agente de controle. A solução veio com a adição do óxido de grafeno, que forma uma camada protetora sobre as folhas e caules, liberando o composto de forma gradual e potencializando seu efeito antifúngico. Testes laboratoriais e de campo comprovaram que a combinação reduz a incidência da doença em até 80% em comparação ao uso isolado do β-cariofileno, além de dispensar o uso de agrotóxicos sintéticos.

    Impactos econômicos e ambientais

    Além de diminuir as perdas produtivas, a tecnologia desenvolvida promete reduzir os custos com insumos químicos, que representam até 20% do orçamento de pequenos e médios produtores de cíclame. Segundo especialistas, a solução também abre caminho para o desenvolvimento de novos produtos biotecnológicos no setor ornamental, que movimenta R$ 2,5 bilhões anuais no Brasil. Para a Embrapa, o projeto reforça o potencial do país como líder em inovação agroambiental, especialmente em culturas de alto valor agregado como o cíclame.

    Próximos passos: da bancada para o campo

    Os pesquisadores já iniciaram os trâmites para o registro da patente da tecnologia e buscam parcerias com cooperativas de produtores para a produção em escala do composto. O objetivo é comercializar o produto até 2027, inicialmente para o mercado interno e, posteriormente, para países como Colômbia e Peru, principais concorrentes do Brasil no setor. Enquanto isso, a equipe estuda a aplicação da mesma estratégia em outras culturas suscetíveis a doenças fúngicas, como morango e tomate.