A gigante chinesa Alibaba determinou, em decisão inédita, que seus funcionários abandonem o Claude Code, assistente de programação baseado em IA da Anthropic. A proibição veio à tona após desenvolvedores chineses identificarem que a ferramenta realizava rastreamento de máquinas conectadas no país, inclusive através de dados como fuso horário e configurações de proxy.
Rastreio suspeito e justificativas conflitantes
O sistema, segundo relatos da Reuters, ainda marcava mensagens enviadas aos servidores da Anthropic nos EUA para identificar tentativas de burlar bloqueios regionais. A prática, no entanto, já era conhecida: em 1º de julho de 2026, um funcionário da Anthropic admitiu que o recurso fazia parte de um experimento lançado em março, supostamente para evitar uso não autorizado e proteger propriedade intelectual.
Tensão geopolítica e guerra de IA
A decisão da Alibaba não é isolada. Nos últimos meses, grandes empresas chinesas têm restringido ferramentas estrangeiras de IA sob alegação de segurança nacional, enquanto a Anthropic acusa a gigante asiática de protecionismo tecnológico. O bloqueio do Claude Code, que já tinha acesso limitado na China, representa mais um capítulo nas disputas entre Pequim e Washington pelo controle da próxima geração de inteligência artificial.
Consequências para o mercado
Especialistas avaliam que a medida pode acelerar o desenvolvimento de alternativas chinesas de IA, como o Qwen da Alibaba, que já vem ganhando espaço no mercado asiático. Para empresas globais, o caso reforça os riscos de operar em um ambiente regulatório cada vez mais fragmentado, onde inovações tecnológicas esbarram em barreiras geopolíticas.
