Tag: clima e agricultura

  • Feijão preto bate novos recordes em maio: entenda o que sustenta a alta histórica dos grãos

    Feijão preto bate novos recordes em maio: entenda o que sustenta a alta histórica dos grãos

    Demanda por grãos recém-colhidos mantém pressão altista

    O mercado de feijão preto segue em trajetória de valorização acentuada na reta final de maio, com preços batendo novos recordes históricos segundo dados do Cepea. A sustentação do movimento, conforme analistas do centro de pesquisas, decorre da forte demanda por lotes recém-colhidos, somada a um contexto de menor disponibilidade de grãos de qualidade superior no Sul do País – região impactada por condições climáticas adversas ao longo do ciclo produtivo.

    Menor área cultivada e clima adverso reduzem estoques

    A combinação de uma área plantada significativamente menor nesta temporada — reflexo da migração de produtores para culturas mais rentáveis — com problemas climáticos recorrentes no Paraná e em Santa Catarina, principais polos de produção de feijão preto, agravou a escassez de grãos no mercado. Segundo o Cepea, a restrição na oferta de lotes premium continua exercendo pressão sobre as cotações, que, a cada semana, superam os patamares registrados desde setembro de 2024, quando a série histórica teve início.

    Feijão carioca resiste, mas com negociações cautelosas

    Enquanto o feijão preto domina os holofotes, a comercialização do carioca segue marcada por cautela dos compradores. Embora a qualidade limitada dos grãos disponíveis mantenha os preços em patamares elevados, a demanda mais retraída tem contido a escalada de valores para esta variedade, que, ainda assim, permanece acima dos patamares médios históricos.

  • Frio histórico no MS: mais de 80 bovinos morrem e expõem fragilidades da pecuária no Centro-Oeste

    Frio histórico no MS: mais de 80 bovinos morrem e expõem fragilidades da pecuária no Centro-Oeste

    Uma onda de frio atípica para o Centro-Oeste brasileiro, registrada entre os dias 18 e 22 de maio de 2026, provocou a morte de mais de 80 bovinos em pelo menos cinco propriedades de Mato Grosso do Sul. Segundo dados da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), os casos se concentraram em municípios como Nova Andradina e Angélica, onde as temperaturas caíram para abaixo de 7°C, com sensação térmica próxima a 0°C em algumas áreas.

    O inverno que não era esperado: quando o frio vira ameaça real

    O episódio serve como um alerta para pecuaristas de todo o país. Tradicionalmente associado ao calor, o Centro-Oeste enfrenta cada vez mais eventos climáticos extremos, como geadas, ventos frios e chuvas persistentes. Quando combinados com a baixa condição corporal dos animais — comum em pastagens esgotadas ou em período de transição alimentar —, esses fatores aumentam drasticamente o risco de hipotermia e óbitos entre o rebanho.

    Fazendas despreparadas: o custo da vulnerabilidade

    O gado criado a pasto, especialmente em áreas abertas sem proteção natural como matas ciliares ou quebra-ventos, mostrou-se altamente suscetível. A falta de estruturas como galpões cobertos ou currais com sombreamento e ventilação adequada agravou a situação. Segundo o zootecnista João Silva, consultor em manejo pecuário, ‘o frio extremo não mata apenas por si só, mas potencializa problemas subjacentes, como doenças respiratórias e desnutrição’.

    Prejuízos que vão além da perda animal

    Além do impacto financeiro imediato — com a perda de animais de alto valor genético ou reprodutivo —, a onda de frio pode desencadear uma reação em cadeia. A redução da oferta de gado no mercado pode pressionar os preços da carne, afetando a cadeia produtiva em um momento de inflação controlada. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de MS, ‘esse é um lembrete de que o clima está cada vez mais imprevisível, e o planejamento deve ser anual, não apenas sazonal’.

    O que os produtores podem fazer agora?

    Especialistas recomendam uma série de medidas emergenciais e de longo prazo:

    • Emergenciais: fornecimento de ração suplementar rica em energia, água aquecida ou protegida do gelo, e abrigos temporários com palha ou lona;
    • Estruturais: investimento em quebra-ventos, piquetes com sombreamento natural e sistemas de irrigação para manter pastagens verdes;
    • Sanitárias: vacinação contra doenças respiratórias comuns em épocas frias e monitoramento constante da condição corporal dos animais.
  • Perspectivas incertas para o feijão carioca: oferta reduzida mantém preços em alta e projeta safra 2025/26

    Perspectivas incertas para o feijão carioca: oferta reduzida mantém preços em alta e projeta safra 2025/26

    Contexto histórico e importância do feijão no Brasil

    O feijão carioca e preto ocupam posição central na cesta alimentar brasileira, sendo cultivados em praticamente todos os estados do país. Historicamente, o Paraná se destaca como o maior produtor da segunda safra (safra de outono-inverno), responsável por cerca de 40% da produção nacional. A cultura, entretanto, enfrenta desafios recorrentes, como a sazonalidade climática e a vulnerabilidade a pragas, que impactam diretamente os preços e a disponibilidade do produto no mercado.

    Fatores climáticos e atraso na colheita do Paraná

    Segundo dados do Centro de Pesquisas do Cepea, o desenvolvimento tardio das lavouras paranaenses, somado às chuvas irregulares na região, tem postergado as colheitas da segunda safra de feijão. O estado, que concentra a maior parte da produção nacional, viu suas projeções de safra 2025/26 recuarem novamente, refletindo um cenário de incerteza para os próximos meses. A irregularidade das chuvas, que alternam entre períodos de seca e excesso de umidade, prejudicou o desenvolvimento das plantas e atrasou o início das colheitas, reduzindo a oferta do produto nas principais praças de comercialização.

    Impacto nos preços e demanda

    Com a oferta limitada, os preços do feijão carioca e preto seguem em trajetória de alta no início de maio. O feijão carioca, em particular, tem registrado valorizações expressivas, enquanto o feijão preto também ganha destaque no interesse dos compradores, especialmente em regiões onde a demanda por grãos da segunda safra é mais intensa. Os agentes do setor, entretanto, mantêm uma postura cautelosa diante das cotações elevadas, monitorando não apenas a evolução das lavouras no Paraná, mas também os efeitos da aproximação de uma frente fria na região Sul, que pode agravar ainda mais as condições de produção.

    Projeções para a safra 2025/26 e riscos para o mercado

    As recentes revisões nas projeções de produção para a safra 2025/26 acendem um alerta para o setor agropecuário. Com a redução da oferta atual e a incerteza quanto ao volume que será colhido nos próximos meses, o mercado de feijão enfrenta um cenário de alta volatilidade. A dependência do Paraná como principal produtor torna o setor ainda mais vulnerável a fatores climáticos, enquanto a demanda interna, impulsionada pelo consumo doméstico e pela indústria alimentícia, segue aquecida. Especialistas do Cepea alertam que, caso as condições climáticas não melhorem, os preços podem se manter elevados por um período prolongado, afetando não apenas os consumidores finais, mas também os produtores que dependem de preços estáveis para planejamento.

    Agronegócio em foco: desafios e oportunidades

    O cenário atual do mercado de feijão reflete os desafios enfrentados pelo agronegócio brasileiro, que, apesar de ser um dos setores mais dinâmicos da economia, está sujeito a flutuações climáticas e de mercado. Para os produtores, a adoção de tecnologias de irrigação e o uso de sementes adaptadas a condições adversas podem ser estratégias para mitigar os riscos. Já para os consumidores, a alta nos preços pode representar um aumento no custo de vida, especialmente em um contexto de inflação persistente. Nesse sentido, o monitoramento constante das safras e a diversificação da produção surgem como alternativas para estabilizar o mercado e garantir a segurança alimentar.

    Perspectivas para os próximos meses

    Enquanto a colheita no Paraná não avança como esperado, os agentes do setor aguardam com atenção os próximos relatórios do Cepea e do IBGE para mensurar o impacto das condições climáticas na safra. A aproximação da frente fria no Sul do país, prevista para os próximos dias, pode trazer tanto riscos quanto oportunidades. Por um lado, as chuvas podem beneficiar as lavouras em estágio inicial, mas, por outro, o excesso de umidade pode prejudicar a qualidade dos grãos já colhidos. Nesse contexto, a cautela segue sendo a palavra de ordem, enquanto o mercado se prepara para possíveis novos ajustes nos preços e na disponibilidade do produto.