A cotação dos derivados de soja no mercado norte-americano atingiu patamares inéditos na CME Group (Bolsa de Chicago) na última semana de junho de 2026, com o farelo e o óleo registrando valorizações superiores a 12% em relação ao início do mês. Segundo analistas do Cepea, o movimento reflete um cenário de demanda global em expansão, tanto por parte de consumidores domésticos quanto de importadores asiáticos e europeus, que buscam alternativas ao óleo de palma e ao azeite devido a restrições logísticas.
Conflitos no Oriente e crise argentina impulsionam exportações norte-americanas
A escalada nos preços dos derivados de soja nos EUA foi acentuada por dois fatores externos: a persistência de tensões no Estreito de Ormuz, que reduziu os fluxos de óleo cru da região, e a ameaça de paralisação portuária na Argentina, segundo maior exportador de soja do Mercosul. Esses eventos deslocaram parte da demanda para os EUA, cujos estoques de farelo e óleo de soja passaram a ser vistos como opções estratégicas para garantir segurança alimentar.
Brasil capitaliza momento com prêmios de exportação em alta
Enquanto os norte-americanos ampliam sua participação no mercado internacional, o Brasil também colhe resultados. A disputa por soja para exportação no mercado doméstico elevou os prêmios de exportação para níveis não observados desde 2023, segundo dados do Cepea. A valorização reflete não apenas a demanda externa, mas também o período de entressafra no Hemisfério Norte, que tradicionalmente aumenta a dependência das importações. Além disso, o clima adverso no inverno brasileiro — marcado por geadas e chuvas irregulares — reforçou a necessidade de estoques estratégicos, pressionando os preços internos.
Perspectivas: até quando o otimismo persiste?
Ainda que a conjuntura atual favoreça os produtores de soja, analistas alertam para riscos de curto prazo. A chegada do inverno no Hemisfério Sul pode impactar a produtividade das lavouras brasileiras, enquanto a estabilização política na Argentina — ainda incerta — poderia reverter parte da demanda perdida pelo país vizinho. Nos EUA, a política monetária da Fed, que influencia o câmbio do dólar, também será um fator determinante para a manutenção dos preços elevados. Por ora, o mercado opera com a expectativa de que os contratos futuros da soja em grão sigam sustentados até pelo menos o primeiro trimestre de 2027, quando novos ciclos de safra começam a se desenhar.
