O Estreito de Ormuz, passagem vital para 20% do petróleo global, registrou nesta última terça-feira, 22 de julho de 2026, o menor volume de tráfego em meses: apenas três navios de carga cruzaram a região. Os dados da Kpler revelam uma queda de 25% em relação à segunda-feira (quatro embarcações), enquanto o número de superpetroleiros e navios-tanque de GNL permanece zerado — um indicativo claro de que as tensões geopolíticas estão moldando não só a segurança, mas também a economia do transporte marítimo.
Navios em trânsito: cargas leves e rotas hesitantes
Entre os três navios que arriscaram a travessia, destacam-se o Kaiser, que deixou o estreito carregado, e o graneleiro H7 Smb8, que ingressou em lastro — sinal de que sua carga será embarcada no Golfo Pérsico para posterior destino. O terceiro navio, o Hsin Ocean, transportava oleína de palma refinada, uma commodity que, embora menos estratégica que o petróleo, ainda depende de vias seguras para escoamento.
Guerra comercial e suas sombras: por que o estreito importa
A redução drástica no fluxo de embarcações não é um fenômeno isolado. Desde o início de 2026, a rota — que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico — tem sofrido com ataques recorrentes entre forças americanas e iranianas, forçando armadores a reavaliar rotas alternativas ou, em muitos casos, suspender operações temporariamente. A ausência de superpetroleiros (VLCC) e navios-tanque de GNL na última semana reforça a tese de que o setor optou pela contenção, mesmo em meio à alta demanda sazonal por combustíveis.
Especialistas ouvidos pela imprensa internacional alertam que, se a instabilidade persistir, os preços dos combustíveis poderão sofrer pressões inflacionárias em mercados dependentes de petróleo do Oriente Médio, como China e Índia. Além disso, a redução da capacidade de escoamento pode gerar um efeito dominó em cadeias globais de suprimentos, especialmente na indústria química e de alimentos.
