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  • Tarifa de 25% dos EUA sobre café solúvel brasileiro pode encarecer até 25 milhões de xícaras anuais nos EUA

    Tarifa de 25% dos EUA sobre café solúvel brasileiro pode encarecer até 25 milhões de xícaras anuais nos EUA

    No dia 7 de julho de 2026, o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) reacendeu a polêmica ao incluir o café solúvel brasileiro em uma lista de produtos passíveis de uma tarifa retaliatória de 25%. A medida, ainda em fase de estudo, visa pressionar o governo brasileiro em uma disputa comercial não declarada, mas o impacto recairia diretamente sobre os ombros do consumidor norte-americano.

    O Brasil domina o café instantâneo nos EUA: 15,5 mil toneladas anuais em risco

    Dados da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) revelam que mais de 90% do café instantâneo consumido nos Estados Unidos é importado do Brasil. São cerca de 15.500 toneladas por ano — equivalente a 25 milhões de xícaras diárias — que poderiam sofrer reajustes de até 25% no preço final. Aguinaldo José de Lima, diretor-executivo da Abics, alerta: “Além de onerar famílias e empresas americanas, a medida colocaria em xeque milhares de empregos nos EUA, especialmente nas indústrias que dependem do insumo para fabricar bebidas, doces ou produtos de conveniência”.

    Popularidade em alta: 1 em cada 9 americanos já prefere o instantâneo

    A demanda pelo produto disparou nos últimos anos. Em 2021, apenas 6% dos consumidores diários de café nos EUA optavam pelo solúvel; em 2026, esse número saltou para 11%. A praticidade — aliada à queda nos preços nos últimos anos — transformou o café instantâneo em um *commodity* estratégico, especialmente em supermercados e máquinas de escritório. Uma tarifa de 25% poderia reverter essa tendência, forçando os norte-americanos a buscar alternativas, como o café torrado moído ou importações de outros países.

    Quem perde com a guerra comercial? Não é só o Brasil

    Apesar de a medida parecer direcionada ao governo brasileiro, especialistas em comércio exterior, como a economista Maria Fernanda Braga, da FGV, destacam que o setor agrícola dos EUA também poderia ser afetado. “Produtores locais de café solúvel, ainda em expansão, dependem do insumo brasileiro para manter a competitividade. Uma interrupção no fornecimento elevaria seus custos e poderia inviabilizar pequenos e médios fabricantes no país”, explica. Além disso, cadeias de fast-food e cafeterias que usam o produto em suas formulações — como redes de *coffee shops* e padarias — teriam que reajustar cardápios ou absorver a alta nos custos.

    O que vem pela frente? Pressão diplomática ou escalada tarifária?

    Até o momento, não há previsão de entrada em vigor da tarifa, mas a inclusão do café solúvel na lista do USTR indica que a administração americana está disposta a usar instrumentos comerciais para forçar concessões brasileiras em outras áreas, como a de automóveis ou produtos agrícolas. O governo brasileiro já sinalizou que pode recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) caso a medida seja implementada. Enquanto isso, consumidores e empresas nos EUA aguardam com apreensão: o café, afinal, é a segunda bebida mais consumida no país, atrás apenas da água.