Tag: Coreia do Sul

  • Funcionários da Samsung protestam dia 16 contra disparidade milionária nos bônus entre divisões

    Funcionários da Samsung protestam dia 16 contra disparidade milionária nos bônus entre divisões

    A desigualdade nos pacotes de compensação da Samsung vem à tona com um protesto marcado para o dia 16 de julho de 2026, quando entre 2 mil e 3 mil funcionários das divisões de celulares, TVs e eletrodomésticos — agrupadas sob a Device Experience (DX) — devem se reunir em frente à sede da empresa em Suwon, na Coreia do Sul.

    Disparidade milionária nos bônus

    Segundo informações da Reuters, enquanto a divisão de semicondutores fechou um acordo para bônus de até 600 milhões de won (cerca de R$ 2 milhões), os empregados da DX devem receber apenas 6 milhões de won em ações em 2026 — aproximadamente R$ 20.430 na cotação atual. A diferença, que chega a 100 vezes, acendeu o alerta entre os trabalhadores, que consideram a remuneração “desproporcional e injusta”.

    Pressão por transparência e equidade

    O sindicato que representa a DX argumenta que a disparidade reflete uma estratégia da Samsung de priorizar a divisão de chips, setor estratégico para a empresa, mas que ignora contribuições essenciais de outras áreas. “Os funcionários da DX são fundamentais para a operação da Samsung, mas estamos sendo tratados como segunda classe”, declarou um representante do sindicato sob condição de anonimato.

    Impacto nos negócios e relação com empregados

    A manifestação ocorre em um momento crítico para a Samsung, que enfrenta pressões para equilibrar suas contas após anos de investimentos massivos em semicondutores. Enquanto a divisão de chips registra lucros recordes, as áreas de consumo lutam para manter margens em um mercado cada vez mais competitivo. Especialistas ouvidos pela ClickNews destacam que a insatisfação dos empregados pode afetar a produtividade e a imagem da empresa no longo prazo.

  • SK Hynix supera Samsung e assume título de empresa mais valiosa da Coreia do Sul após boom da IA

    SK Hynix supera Samsung e assume título de empresa mais valiosa da Coreia do Sul após boom da IA

    O fim de uma era: SK Hynix rompe hegemonia da Samsung

    A SK Hynix alcançou nesta segunda-feira (22 de junho de 2026) um marco histórico ao superar a Samsung no valor de mercado, encerrando uma hegemonia de mais de duas décadas. A fabricante de semicondutores registrou alta de 5,6% em sua capitalização, atingindo 2.080,4 trilhões de won (equivalente a aproximadamente US$ 1,5 trilhão), enquanto a rival sul-coreana viu seu valor recuar frente ao novo ciclo tecnológico.

    IA: o combustível da virada

    A virada da SK Hynix é resultado direto do boom global da inteligência artificial. Enquanto a Samsung — tradicional fornecedora de chips para dispositivos como smartphones e TVs — enfrenta a queda na demanda por seus produtos, a SK Hynix se consolidou como principal fornecedora de memórias para gigantes como Nvidia e Google, cujos data centers exigem componentes de alta performance para treinamento de modelos de IA.

    Memórias que valem ouro

    Os chips de memória, antes commodities tecnológicas, tornaram-se insumos estratégicos para a nova economia. A SK Hynix domina o mercado de memórias HBM (High Bandwidth Memory), essenciais para acelerar o processamento de grandes modelos de linguagem. Essa especialização a posicionou na vanguarda da revolução da IA, enquanto a Samsung, embora diversificada, não conseguiu acompanhar o ritmo no segmento mais lucrativo.

    Consequências para a indústria sul-coreana

    A perda do posto de maior empresa do país pela Samsung não é apenas simbólica, mas sinaliza um realinhamento do poder econômico na Coreia do Sul. A SK Hynix não apenas se tornou mais valiosa, como também ampliou sua influência no setor global de semicondutores, onde já compete diretamente com fabricantes americanas e chinesas. Para a Samsung, o episódio reforça a necessidade de acelerar sua transição para áreas de maior margem, como chips avançados e soluções de IA.

  • Chung Ju-yung: Como uma dívida de uma vaca se tornou o símbolo de um império global

    Chung Ju-yung: Como uma dívida de uma vaca se tornou o símbolo de um império global

    Uma infância forjada na escassez: os alicerces de um gigante

    Nasceu em 1915 em Asan, uma região rural da Coreia — então sob domínio japonês — que hoje pertence à Coreia do Norte. Chung Ju-yung cresceu em uma família de camponeses tão pobre que, segundo registros históricos, a sobrevivência dependia de cada grão colhido e cada animal criado. A vida no campo, com seus ciclos implacáveis de trabalho e fome, moldou sua visão de mundo: recursos eram preciosos, e a dívida moral ou material jamais era esquecida. Foi nesse ambiente que ele aprendeu que, em tempos de crise, até mesmo um único boi poderia representar a diferença entre a vida e a morte.

    O rompimento com o passado: fuga, fracasso e a primeira grande virada

    Com apenas 17 anos, em 1932, Chung Ju-yung tomou uma decisão que definiria não apenas sua trajetória, mas também o futuro da indústria coreana. Após vender — ou, segundo algumas versões, tomar emprestado sem a permissão do pai — uma vaca da família, ele fugiu para o sul da península, então sob ocupação japonesa. O objetivo era escapar da miséria e buscar melhores oportunidades em Seul, onde começaria a trabalhar como carregador de arroz e, posteriormente, em uma loja de consertos de automóveis. O gesto foi arriscado: roubar um animal da família em uma sociedade onde a honra e a propriedade eram sagradas não era apenas um crime, mas uma traição. Contudo, para Chung, era também uma questão de sobrevivência. Anos depois, ele descreveria esse momento como um ‘ato de rebelião contra o destino’.

    Do zero ao topo: a fundação de um império em tempos turbulentos

    Os primeiros anos na capital foram de extrema dificuldade. Chung enfrentou a fome, o desemprego e a repressão do regime japonês. Em 1940, fundou sua primeira empresa, uma pequena oficina de reparos de veículos chamada ‘Hyundai Auto Service’. O nome, que significa ‘modernidade’ ou ‘era contemporânea’ em coreano, já revelava sua ambição: construir algo novo em um país assolado pela colonização e pela guerra. Após a Segunda Guerra Mundial e a divisão da Coreia, em 1948, ele expandiu suas operações para a construção civil, aproveitando a reconstrução pós-guerra. Foi nesse período que a Hyundai começou a ganhar notoriedade, construindo estradas e infraestrutura que seriam cruciais para o desenvolvimento sul-coreano.

    A virada nos anos 1960: da construção civil aos automóveis e ao mundo

    Na década de 1960, com a Coreia do Sul buscando se industrializar rapidamente, Chung Ju-yung vislumbrou uma oportunidade. Em 1967, fundou a Hyundai Motor Company, com o objetivo de produzir carros acessíveis para a população local. O primeiro modelo, o Hyundai Cortina, lançado em 1974, foi um sucesso, mas foi o Pony, em 1975, que consolidou a marca no mercado interno e, posteriormente, no exterior. A estratégia era simples: qualidade a preços competitivos. Em 1986, a Hyundai entrou no mercado americano com o Excel, um carro compacto que se tornou um fenômeno de vendas, vendendo mais de 160 mil unidades em seu primeiro ano. Nascia ali um conglomerado que, em poucos anos, se tornaria um dos maiores do mundo, com atuação em setores como construção naval, eletrônicos e energia.

    O gesto que uniu duas Coreias: uma dívida de 1.001 bois

    Em 1994, após décadas de separação política e conflitos, Chung Ju-yung decidiu revisitar o passado de uma forma inusitada. Aos 79 anos, ele liderou um comboio de caminhões carregando 500 cabeças de gado através da Zona Desmilitarizada (DMZ), que separa as duas Coreias, rumo a sua cidade natal, Asan, na Coreia do Norte. O gesto não era apenas simbólico: era uma tentativa de reparar uma dívida moral de mais de 60 anos. ‘Eu peguei uma vaca emprestada quando era jovem’, declarou na ocasião. ‘Agora, estou devolvendo 1.001 bois’. Pouco tempo depois, enviou mais 501 animais, totalizando 1.001, um número que, em coreano, soa como ‘mil e um’ — um trocadilho com a ideia de ‘infinito’ ou ‘eterno’. O gesto, amplamente coberto pela mídia internacional, chocou e comoveu. Não era apenas um ato de generosidade, mas um reconhecimento público de que, por mais que o sucesso material fosse importante, a redenção pessoal também fazia parte do legado que ele queria deixar.

    Legado: de camponês a símbolo do milagre econômico coreano

    Chung Ju-yung faleceu em 2001, aos 85 anos, deixando para trás um império que emprega mais de 200 mil pessoas e tem presença em mais de 190 países. Mas seu legado vai além das cifras: ele personificou a ideia de que o desenvolvimento não é apenas uma questão de políticas governamentais, mas de indivíduos dispostos a correr riscos, aprender com os fracassos e, acima de tudo, honrar suas dívidas — sejam elas financeiras, morais ou históricas. Seu nome está intrinsecamente ligado ao ‘Milagre do Rio Han’, o fenômeno de rápido crescimento econômico da Coreia do Sul entre as décadas de 1960 e 1990. Para muitos, sua história é um lembrete de que, mesmo nos momentos mais sombrios, uma única decisão — como vender uma vaca — pode ser o primeiro passo para construir algo maior do que si mesmo.

    Lições de uma vida: resiliência, reinvenção e o poder da simbologia

    A trajetória de Chung Ju-yung é um estudo de como a adversidade pode ser transformada em alavanca para o sucesso. Seu caso demonstra que, em tempos de crise, a criatividade e a capacidade de inovar são tão valiosas quanto o capital. Além disso, seu gesto final na DMZ mostrou que, em um mundo cada vez mais polarizado, símbolos de reconciliação podem ter um impacto tão grande quanto acordos políticos. Para os empreendedores modernos, sua história é um convite a refletir: quais ‘vacas’ você está disposto a vender hoje para garantir um futuro melhor amanhã?