Tag: crise financeira

  • Grupo Prime entra em recuperação judicial com dívida de R$ 790 milhões e busca renegociar com credores

    Grupo Prime entra em recuperação judicial com dívida de R$ 790 milhões e busca renegociar com credores

    Na última sexta-feira (4 de julho de 2026), a Justiça do Paraná deferiu o processamento da recuperação judicial do Grupo Prime, empresa especializada em soluções para o agronegócio, com um passivo total de aproximadamente R$ 790,2 milhões. A decisão, publicada nesta segunda-feira (6 de julho de 2026), autoriza o grupo a manter suas operações enquanto conduz negociações com credores e elabora o plano de recuperação.

    O que levou à recuperação judicial?

    O deferimento do processamento da recuperação judicial foi fundamentado no cumprimento dos requisitos da Lei nº 11.101/2005, que rege os processos de reestruturação empresarial no Brasil. Segundo o Judiciário paranaense, a documentação apresentada pela empresa — incluindo dados contábeis, fiscais, patrimoniais e operacionais — foi considerada suficiente para prosseguir com o processo. O passivo de R$ 790,2 milhões inclui tanto créditos concursais quanto extraconcursais, refletindo os desafios enfrentados pelo setor nos últimos anos.

    Atuação do Grupo Prime e impactos do setor

    Fundado no Paraná, o Grupo Prime atua em segmentos essenciais do agronegócio, como nutrição vegetal, manejo biológico e integração lavoura-pecuária. A empresa presta serviços a produtores rurais em diversas regiões do país, mas enfrenta um cenário adverso marcado por juros elevados, restrição ao crédito, aumento da inadimplência e dificuldades financeiras. Esses fatores pressionaram a saúde financeira da companhia, levando à decisão de buscar proteção judicial para reorganizar suas dívidas.

    Próximos passos: negociação e reestruturação

    A recuperação judicial permite que o Grupo Prime mantenha suas atividades enquanto negocia com credores para reestruturar sua dívida. O plano de recuperação, que deve ser apresentado em até 60 dias, será submetido à aprovação judicial e dos credores. A expectativa é que a medida possibilite a continuidade das operações e a manutenção dos empregos, além de evitar a falência da empresa. O desfecho do processo dependerá, no entanto, da capacidade da companhia de apresentar um plano viável e obter o apoio dos credores.

  • Volkswagen mantém Ducati no radar de vendas: grupo busca desinvestimentos para conter crise

    Volkswagen mantém Ducati no radar de vendas: grupo busca desinvestimentos para conter crise

    Volkswagen sinaliza venda da Ducati sem negar diretamente

    A Volkswagen AG, dona da Ducati desde 2012, não descartou a possibilidade de vender a fabricante italiana de motocicletas, segundo resposta obtida pela imprensa no dia 1 de julho de 2026. A declaração, dada por um porta-voz do grupo, veio após reportagem do The Financial Times revelar que consultores financeiros haviam recomendado a venda de ativos não essenciais, incluindo a Ducati, para aliviar a crise de liquidez enfrentada pela montadora.

    Reestruturação radical: demissões e desinvestimentos

    O plano de reestruturação da Volkswagen ganha contornos mais agressivos com a demissão de mais de 100 mil funcionários — um corte de cerca de 17% do quadro total de 600 mil empregados. A medida, anunciada pelo CEO Oliver Blume semanas antes, acompanha a venda de divisões menos estratégicas, como a Bugatti (fechada em 2024) e a divisão de motores marítimos, transações consideradas bem-sucedidas pela direção. A Ducati, no entanto, permanece como um ativo de alto valor simbólico e comercial, o que torna a decisão ainda mais delicada.

    Sinais ambíguos e mercado em alerta

    A resposta da Volkswagen à imprensa foi cuidadosamente redigida: não houve negação categórica da venda, mas tampouco uma confirmação oficial. A estratégia reflete a cautela do grupo em um momento de incerteza, onde qualquer movimento pode impactar o valor das ações e a confiança de acionistas. Para especialistas, a manutenção da Ducati no portfólio dependeria de fatores como a capacidade de geração de caixa da divisão — responsável por cerca de 5% da receita global da VW em 2025 — e a disposição do novo dono, a chinesa Geely, em assumir riscos adicionais.

    Consequências para o mercado de motocicletas

    A possível venda da Ducati poderia reacender disputas entre fabricantes como Harley-Davidson, BMW Motorrad e KTM, todas interessadas em expandir presença em segmentos premium. Além disso, a Ducati, que faturou €1,3 bilhão em 2025, teria de negociar com potenciais compradores em um cenário de retração do mercado europeu de duas rodas. A decisão final, segundo fontes internas, ainda depende de avaliações financeiras a serem concluídas até o fim de 2026.

  • Credores chancelam plano de recuperação do Grupo LFPEC; homologação judicial é o próximo passo

    Credores chancelam plano de recuperação do Grupo LFPEC; homologação judicial é o próximo passo

    Plano supera etapa crítica na Justiça

    Os credores do Grupo LFPEC deram um passo decisivo na última quarta-feira (10) ao aprovar o plano de recuperação judicial apresentado pelas empresas do conglomerado. A votação, realizada durante a Assembleia Geral de Credores (AGC), foi facilitada pelas decisões favoráveis anteriores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), que manteve as medidas de proteção necessárias para a condução do processo.

    Homologação judicial será o divisor de águas

    A homologação pelo TJMT é o próximo desafio do Grupo LFPEC. Uma vez validado, o plano passará a vigorar de forma definitiva, permitindo que o conglomerado implemente as condições acordadas com os credores — como prazos de pagamento, renegociação de dívidas e ajustes operacionais — e retome a estabilidade no setor agropecuário. A lei de recuperação judicial (nº 11.101/2005) prevê que tais medidas visam evitar a falência, preservando empregos e a atividade produtiva.

    Setor agropecuário respira aliviado

    A aprovação do plano sinaliza um alento para o Grupo LFPEC e para o setor agropecuário, que enfrenta pressões climáticas, oscilações de mercado e endividamento recorrente. Com a reestruturação, a empresa poderá realocar recursos para investimentos em inovação e expansão, mantendo sua competitividade. O desfecho bem-sucedido da AGC reforça a confiança dos agentes financeiros e fornecedores no modelo brasileiro de recuperação judicial, que já salvou outros grandes players do agro nos últimos anos.

  • Donizeti Camargo, o sertanejo que virou caminhoneiro para sobreviver: a virada de vida após a pandemia

    Donizeti Camargo, o sertanejo que virou caminhoneiro para sobreviver: a virada de vida após a pandemia

    Em meio ao caos da pandemia de COVID-19, que paralisou o mundo em 2020, o sertanejo Donizeti Camargo viu sua carreira decolar e despencar em questão de meses. O hit *Galopeira*, que o levou ao estrelato nos anos 1990, já não rendia os shows e contratos de outrora. Com as portas das casas de espetáculo fechadas e a economia em frangalhos, o artista se viu obrigado a buscar uma alternativa radical para sustentar a família: ao lado de 24 de maio de 2026, Donizeti não é mais apenas o cantor de outrora, mas também o caminhoneiro que percorre rodovias brasileiras para garantir o pão de cada dia.

    Da boate ao volante: o que mudou na vida do sertanejo

    Donizeti Camargo, hoje com 58 anos, construiu sua carreira em uma época em que o sertanejo ainda engatinhava como gênero musical de massa. *Galopeira*, lançada em 1994, foi o marco que o projetou no cenário nacional, vendendo milhões de cópias e enchendo estádios. No entanto, a pandemia chegou como um tsunami sobre um setor já fragilizado: shows foram cancelados, contratos rescindidos e a renda do artista evaporou.

    Em entrevista exclusiva à Cultura & Agenda, Donizeti revelou que a decisão de se tornar motorista de caminhão não foi fácil. “Foi um choque. Depois de viver anos no luxo dos palcos, tive que descer ao chão. Mas não tinha escolha: ou eu mudava ou minha família passava fome”, confessou. A transição não foi apenas profissional, mas pessoal. Ele trocou os holofotes pelo barulho do motor, as plateias animadas pelo silêncio das estradas e a fama pela rotina anônima das estradas federais.

    O impacto da pandemia nas carreiras artísticas

    A história de Donizeti não é isolada. Muitos artistas brasileiros viram suas fontes de renda secarem com a crise sanitária. Segundo dados da Associação Brasileira de Música (ABRAMUS), mais de 60% dos músicos independentes perderam pelo menos 70% de sua renda em 2020. O caso de Donizeti ganha destaque por sua visibilidade e pela forma como ele enfrentou a situação: ao invés de esperar por uma volta aos palcos, que demorou anos para acontecer, ele abraçou uma nova profissão com a mesma dedicação que sempre teve pela música.

    Ainda assim, o sertanejo não esconde a saudade dos tempos de glória. “Eu sinto falta do público, do calor das mãos me cumprimentando. Mas também tenho orgulho de ter mantido minha família unida”, afirmou. Hoje, entre uma viagem e outra, ele ainda canta em pequenos eventos locais quando solicitado, mas admite que o sonho de viver apenas da música ficou para trás.

    O que o futuro reserva para Donizeti

    Com a retomada gradual dos shows e eventos, Donizeti tenta equilibrar as duas vidas: a de motorista, que paga as contas, e a de artista, que alimenta sua alma. Ele já foi visto em programas de rádio e até participou de um festival beneficente em fevereiro de 2025, mas admite que o tempo de viver exclusivamente da música pode ter ficado para trás. “A vida me ensinou que a gente precisa ser flexível. Talvez eu volte a ser só cantor um dia, mas hoje sou grato por ter encontrado uma saída”, declarou.

    Para os fãs que ainda o seguem, Donizeti deixou uma mensagem: “Minha música sempre vai estar aqui, mas minha vida agora tem novos caminhos. Que Deus abençoe todos nós”.