Tag: crise no agro

  • ATR abaixo de R$ 1,00: especialista alerta para piora nos preços da cana-de-açúcar em 2026

    ATR abaixo de R$ 1,00: especialista alerta para piora nos preços da cana-de-açúcar em 2026

    O setor sucroenergético brasileiro enfrenta um novo alerta de queda nos preços pagos pela cana-de-açúcar. Segundo o engenheiro agrônomo e produtor rural Felipe Stelutti, o valor do ATR (Açúcar Total Recuperável) — principal indicador para a remuneração dos fornecedores — deve registrar valores abaixo de R$ 1,00 ao longo da atual safra, que se estende até 2026.

    Pressão nos fundamentos: o que explica a queda do ATR?

    Stelutti baseia sua análise nos fundamentos do mercado internacional de açúcar, que já apresentam sinais de superoferta e demanda enfraquecida. A combinação de estoques elevados em países como Índia e Tailândia, além da concorrência acirrada no mercado global, tem pressionado os preços para baixo. No Brasil, a situação é agravada pelos altos custos de produção, que incluem insumos, mão de obra e logística, reduzindo a margem de lucro dos produtores.

    Crise sistêmica: o setor sucroenergético em xeque

    O ATR serve como referência para calcular o valor pago pela cana aos fornecedores, e sua queda representa um golpe duro para a cadeia produtiva. “Eu queria muito dizer que o ATR vai subir, mas a realidade é que, pelos dados que tenho, o cenário é de manutenção ou piora nos preços”, afirmou Stelutti em suas redes sociais. A perspectiva de preços abaixo de R$ 1,00 reacende o debate sobre a viabilidade econômica de muitos fornecedores, especialmente os pequenos e médios, que já enfrentam dificuldades para cobrir seus custos.

    Etanol em segundo plano: o que esperar para os próximos meses?

    Embora o etanol tenha ganhado espaço como alternativa ao açúcar, a baixa no ATR afeta diretamente a rentabilidade da cana como matéria-prima para combustível. Stelutti destaca que, mesmo com o aumento da demanda por etanol, os preços baixos do ATR tornam a produção menos atrativa. “O setor precisa urgentemente de um plano de recuperação que inclua medidas de apoio aos produtores e estímulo à diversificação”, avalia.

    Perspectivas para o futuro: há solução?

    A médio prazo, especialistas do setor sinalizam que a recuperação do ATR depende de fatores como a redução da oferta global, o aumento da demanda internacional e a implementação de políticas públicas que garantam competitividade ao produtor brasileiro. Enquanto isso, a incerteza paira sobre o setor, que já acumula prejuízos e demissões nos últimos anos.

  • Crédito rural a 3% ao ano: a saída que o agro brasileiro busca para driblar a crise

    Crédito rural a 3% ao ano: a saída que o agro brasileiro busca para driblar a crise

    O produtor rural brasileiro enfrenta o pior cenário em uma década. Entre estiagens que dizimam lavouras, preços de commodities em queda e custos de insumos disparados pela geopolítica global, a equação financeira do agro está prestes a explodir. Nesse contexto, uma luz aparece no fim do túnel: linhas de crédito rural com juros a partir de 3% ao ano, oferecidas pela ConsulttAgro, que já intermediou mais de R$ 700 milhões em financiamentos para o setor.

    O aperto que sufoca o campo: por que o crédito tradicional não resolve mais

    Nos últimos dois anos, o Brasil assistiu a uma tempestade perfeita no agro. De um lado, eventos climáticos extremos — como a seca histórica no Centro-Oeste ou as enchentes no Sul — reduziram safras e aumentaram os custos com replantio e reposição de rebanhos. De outro, a queda nos preços da soja (que chegou a perder 30% em 2023) e do milho jogou por terra a rentabilidade de culturas que, até então, garantiam folga no caixa.

    O golpe final veio dos insumos. Com a guerra na Ucrânia desestabilizando cadeias globais, o preço de fertilizantes, defensivos e combustíveis subiu até 50% desde 2020. Para agravar, a política monetária brasileira manteve a Selic acima de 10% até 2024, encarecendo o crédito tradicional e jogando no colo dos produtores a conta da modernização do campo.

    A virada que pode salvar safras: como funciona a linha de crédito da ConsulttAgro

    A ConsulttAgro surge como alternativa em um cenário onde bancos públicos e privados fecharam as portas para o agro. A empresa oferece juros a partir de 3% ao ano — menos da metade da média do mercado — com prazos de até 15 anos e carência de 2 anos. O modelo já atraiu mais de R$ 700 milhões em financiamentos, com foco em:

    • Modernização de máquinas: Aquisição de tratores, colheitadeiras e sistemas de irrigação de última geração, com taxas subsidiadas.
    • Custeio da safra: Capital para compra de insumos e pagamento de mão de obra, evitando quebras de safra por falta de recursos.
    • Investimento em tecnologia: Adoção de agricultura de precisão, drones e softwares de gestão para reduzir desperdícios e aumentar produtividade.

    “O agro brasileiro não pode parar. Se não houver crédito acessível, muitos produtores vão quebrar ou vender suas terras”, alerta João Pedro Almeida, diretor da ConsulttAgro. “Nossa linha chega para preencher o buraco deixado pelos bancos, que hoje cobram juros de dois dígitos e exigem garantias impossíveis de serem cumpridas.”

    O que muda para o produtor: menos burocracia, mais fôlego

    Diferente dos bancos tradicionais, que exigem imóveis rurais como garantia, a ConsulttAgro trabalha com um modelo mais flexível. Produtores de pequeno, médio e grande porte podem acessar os recursos com:

    • Análise de fluxo de caixa em vez de avaliação patrimonial;
    • Prazos estendidos (até 15 anos) para diluir o pagamento em safras boas;
    • Taxas fixas, sem surpresas com variação da Selic ou do câmbio.

    “É uma solução emergencial, mas que pode ser o empurrão que faltava para o agro sair do sufoco”, diz Maria Silva, produtora de soja em Mato Grosso, uma das primeiras a aderir ao programa. “Com o dinheiro, consegui comprar sementes resistentes à seca e contratar um agrônomo para monitorar a lavoura. Sem isso, minha safra de 2024 estaria comprometida.”

    O risco da dependência: até quando o modelo vai aguentar?

    Apesar do alívio imediato, especialistas alertam que a solução da ConsulttAgro não é uma panaceia. A empresa depende de parcerias com fundos de investimento e cooperativas, o que limita sua capacidade de escala. Além disso, a instabilidade regulatória — como mudanças nas regras do crédito rural no Plano Safra — cria incertezas sobre a continuidade das linhas.

    Outro ponto de atenção é o endividamento crescente. Com juros baixos mas prazos longos, produtores podem se enrolar em dívidas se as safras futuras não forem boas. “O ideal seria uma política pública mais agressiva, com juros subsidiados e menos burocracia”, avalia Carlos Eduardo Tavares, economista da FGV. “O que vemos hoje é um paliativo, não uma solução estrutural.”

    O governo federal, por sua vez, tem sido pressionado a agir. Recentemente, o Ministério da Agricultura anunciou a ampliação de R$ 10 bilhões no crédito rural para 2024, mas a demanda supera em muito a oferta. Enquanto isso, iniciativas como a da ConsulttAgro ganham espaço — e se tornam a tábua de salvação para quem não pode esperar.