Tag: depressão

  • Saúde mental no agro: 36% dos trabalhadores rurais brasileiros sofrem com depressão

    Saúde mental no agro: 36% dos trabalhadores rurais brasileiros sofrem com depressão

    Depressão no campo supera média nacional em mais de 100%

    Levantamento da Great People Mental Health, intitulado “Saúde Mental no Agronegócio: uma crise silenciosa”, revela que 36% dos trabalhadores rurais brasileiros relatam sintomas de depressão, enquanto a média nacional é de 15%. O estudo estima ainda que cerca de 9 milhões de pessoas no setor agropecuário enfrentam algum transtorno mental, colocando em risco não apenas a saúde individual, mas a produtividade do setor — responsável por 27% do PIB nacional em 2025.

    Cultura de resistência: o tabu que alimenta a crise

    Segundo a psicóloga Janaína Fidelis, especialista em saúde mental no trabalho, a resistência em discutir o tema no meio rural é histórica. “Existe uma crença arraigada de que buscar ajuda é sinal de fraqueza, o que leva ao sofrimento em silêncio”, explica. Essa mentalidade, aliada à isolamento geográfico de muitas propriedades e à pressão por resultados, agrava o problema. Em 2024, dados do Ministério da Saúde já haviam identificado o agro como o terceiro setor com maior incidência de transtornos mentais, atrás apenas da construção civil e do transporte.

    Agro em expansão, mas saúde mental em queda

    Com o Brasil projetado para se tornar o maior mercado agrícola mundial até 2030, a crise de saúde mental no campo ganha contornos ainda mais críticos. O levantamento aponta que 68% dos trabalhadores rurais entrevistados afirmam não ter acesso a profissionais de psicologia ou psiquiatria nas proximidades de suas propriedades. “O setor precisa urgentemente de políticas públicas e programas de prevenção, pois a falta de tratamento agrava não só a vida dos trabalhadores, mas também a sustentabilidade da produção”, alerta Fidelis. Enquanto a irrigação e a tecnologia prometem expandir a fronteira agrícola, a saúde mental dos que alimentam o país segue à deriva.

  • Zé Neto revela luta contra depressão e síndrome do pânico: ‘Três anos para levantar da cama’

    Zé Neto revela luta contra depressão e síndrome do pânico: ‘Três anos para levantar da cama’

    O cantor sertanejo Zé Neto, da icônica dupla com Cristiano, usou a participação no *Domingão com Huck* no último domingo (24) para compartilhar um capítulo doloroso de sua vida: os três anos de sofrimento silencioso contra a depressão e a síndrome do pânico. Aos 31 anos, ele confessou que a rotina exaustiva de turnês e shows agravou seu quadro mental, levando-o a um colapso que quase o tirou do palco — e, em alguns momentos, da cama.

    O peso da fama e o preço da saúde mental

    Zé Neto admitiu que a pressão para manter uma imagem de força — comum no universo sertanejo — contribuiu para esconder sua luta. “Eu cheguei a um ponto que nem levantar da cama era fácil”, revelou. O uso indiscriminado de medicamentos controlados, álcool e tabaco se tornou uma válvula de escape temporária, mas agravou ainda mais seu estado físico e emocional. A decisão de se afastar dos palcos, mesmo que breve, foi um divisor de águas: mesmo que doloroso, foi o primeiro passo para buscar ajuda profissional e recomeçar.

    Um recado necessário para fãs e artistas

    O relato de Zé Neto chega num momento em que a discussão sobre saúde mental na música sertaneja ganha cada vez mais espaço. Artistas como ele, acostumados a turnês exaustivas e expectativas altas do público, muitas vezes carregam sozinhos o fardo da fama. “Muitos colegas meus passam pelo mesmo, mas ninguém fala”, desabafou. Sua coragem em expor a vulnerabilidade pode abrir portas para que outros músicos — especialmente os sertanejos — se sintam menos sozinhos e mais incentivados a procurar tratamento.

    A volta por cima: o que vem agora?

    Apesar do período sombrio, Zé Neto garante que hoje está em recuperação ativa, com acompanhamento psicológico e mudança de hábitos. “Não é fácil, mas agora eu entendo que cuidar da mente é tão importante quanto cuidar da voz”, afirmou. A dupla com Cristiano segue com compromissos, mas a prioridade agora é a saúde. Para os fãs, a mensagem é clara: a força não está em esconder as dores, mas em enfrentá-las de cabeça erguida.