Tag: doenças respiratórias

  • Inverno exige atenção redobrada com saúde respiratória de equinos: poeira e amônia são riscos ocultos

    Inverno exige atenção redobrada com saúde respiratória de equinos: poeira e amônia são riscos ocultos

    O inverno, estação marcada por temperaturas baixas e redução da umidade do ar, impõe desafios adicionais ao manejo de equinos. A permanência prolongada em baias com ventilação deficiente expõe os animais a partículas de poeira presentes em camas e forragens, além de microrganismos e gases irritantes. A combinação desses fatores eleva significativamente o risco de doenças respiratórias, como a doença inflamatória das vias aéreas (DIVA) e a bronquite crônica.

    Amônia: o inimigo invisível nas instalações equinas

    A degradação da urina e dos dejetos no ambiente produz amônia, um composto nitrogenado que se acumula em concentrações perigosas quando a ventilação é inadequada. Inalada pelos cavalos, a substância irrita as mucosas das vias respiratórias, desencadeando processos inflamatórios e prejudicando a capacidade pulmonar. “O manejo ambiental é tão crítico quanto a nutrição para a saúde respiratória dos equinos. Ambientes com excesso de poeira, acúmulo de matéria orgânica e ventilação precária criam um cenário ideal para o desenvolvimento de patologias”, alerta Kauê Ribeiro, coordenador de comunicação técnica da Vetnil.

    Estratégias para mitigar os riscos no inverno

    Para contornar os efeitos adversos do período, especialistas recomendam a adoção de práticas como: uso de forragens de qualidade (baixo teor de poeira), limpeza diária das baias, instalação de sistemas de ventilação adequados e aplicação de produtos que neutralizem a amônia. Além disso, a umidificação controlada do ambiente pode reduzir a dispersão de partículas. A adoção dessas medidas não apenas preserva a saúde dos animais, mas também evita prejuízos econômicos associados a tratamentos veterinários e queda no desempenho atlético.

  • Frio antecipado: queda de temperatura no Brasil já afeta suínos e eleva riscos à saúde dos rebanhos

    Frio antecipado: queda de temperatura no Brasil já afeta suínos e eleva riscos à saúde dos rebanhos

    A partir de 16 de junho de 2026, o Brasil já registra temperaturas abaixo da média histórica em diversas regiões, antecipando os desafios típicos do inverno para a suinocultura nacional. A queda acentuada nas temperaturas, mesmo antes da chegada oficial do inverno em 21 de junho, tem colocado em xeque a produtividade dos suínos — especialmente os leitões, que são mais vulneráveis ao frio.

    Prejuízos no ganho de peso e custos elevados

    Os animais, ao tentarem manter a temperatura corporal estável, aumentam o gasto energético, o que reduz o aproveitamento dos nutrientes e, consequentemente, o ganho de peso diário. Dados da Embrapa revelam que falhas no controle térmico nos galpões podem reduzir em até 15% a eficiência alimentar dos suínos durante o inverno. “O produtor precisa ajustar a alimentação e o ambiente para compensar esse déficit energético, o que eleva os custos de produção”, explica Gladstone Brumano, consultor técnico-comercial da MCassab Nutrição e Saúde Animal.

    Doenças respiratórias em ascensão

    O frio não afeta apenas o desempenho zootécnico: ele também cria um ambiente propício para a proliferação de patógenos. “Baixas temperaturas associadas à umidade excessiva nos galpões aumentam a incidência de doenças como pneumonia e circovirose, doenças que, se não controladas, podem dizimar lotes inteiros”, alerta o zootecnista e pós-doutor em nutrição de monogástricos pela Universidade Federal de Viçosa (UFV). Segundo ele, a ventilação inadequada — muitas vezes negligenciada — é um dos principais vetores de contaminação.

    Manejo térmico: a chave para mitigar prejuízos

    Especialistas recomendam uma série de medidas para minimizar os impactos do frio nos rebanhos. Entre elas, destacam-se:

    • Sistemas de aquecimento: uso de lâmpadas infravermelhas ou campânulas para leitões recém-nascidos;
    • Controle de umidade: manutenção abaixo de 70% nos galpões para evitar a proliferação de bactérias;
    • Nutrição adaptada: aumento de 10% a 15% na energia dietética para compensar o gasto calórico extra;
    • Monitoramento constante: uso de termômetros e termógrafos para ajustar o ambiente em tempo real.

    A adoção dessas práticas, embora exija investimento inicial, tem se mostrado economicamente viável. “Um manejo térmico eficiente pode reduzir em até 8% as perdas por mortalidade e aumentar em 5% o ganho de peso diário nos lotes”, aponta Brumano.

    Perspectivas para o setor

    Com a perspectiva de que o inverno de 2026 seja um dos mais rigorosos dos últimos anos, os suinocultores brasileiros precisam agir rapidamente para evitar prejuízos maiores. “O setor já enfrenta pressões com a alta nos custos de ração e energia. Um inverno mal gerenciado pode agravar ainda mais a situação”, avalia o zootecnista da UFV. Segundo projeções da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), a produção nacional de suínos deve atingir 4,7 milhões de toneladas em 2026 — um número que pode ser comprometido sem ações preventivas.