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  • FAEP pressiona governo para barrar leite importado com dumping de até 60%: decisão sobre antidumping pode prejudicar produtores brasileiros

    FAEP pressiona governo para barrar leite importado com dumping de até 60%: decisão sobre antidumping pode prejudicar produtores brasileiros

    A decisão do governo federal de não aplicar medidas antidumping contra as importações de leite em pó da Argentina e do Uruguai, anunciada na quinta-feira (28 de maio de 2026), acendeu um alerta no Sistema FAEP (Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Paraná). A medida contraria a recomendação da Camex (Câmara de Comércio Exterior), que, na mesma data, reconheceu a prática de dumping pelos dois países — com margens de até 60% para a Argentina e 50% para o Uruguai — e confirmou danos à produção brasileira.

    Competição desleal joga na corda bamba o setor leiteiro nacional

    O Departamento de Defesa Comercial (Decom), vinculado ao MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), já havia documentado em abril de 2026 as margens de dumping e o impacto negativo sobre os produtores brasileiros. Desde então, o Sistema FAEP, em parceria com a CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil), a Frente Parlamentar Agropecuária (FPA) e outras federações, intensificou as articulações para pressionar pela aplicação das barreiras comerciais.

    Setor agropecuário se mobiliza para reverter a decisão

    A decisão do governo de ignorar os alertas da Camex e do Decom é vista como um retrocesso pelo setor. “Essa postura ignora não apenas os dados técnicos, mas também a realidade dos produtores brasileiros, que já enfrentam uma queda nos preços do leite e um cenário de incerteza“, afirmou um representante do FAEP. A mobilização agora inclui a busca por diálogo com o Executivo e a articulação com parlamentares para que a medida seja revista antes de causar danos irreversíveis à cadeia produtiva.

    O leite importado, mesmo com preços artificialmente baixos, compromete a competitividade dos laticínios nacionais, que operam com custos mais elevados e enfrentam barreiras sanitárias e logísticas. A falta de ações antidumping, segundo analistas, pode agravar a crise no campo, já fragilizada por fatores como a alta dos insumos e a instabilidade climática.

  • Carros chineses na Europa: preço baixo ou qualidade? A virada que assusta os concorrentes

    Carros chineses na Europa: preço baixo ou qualidade? A virada que assusta os concorrentes

    Nos últimos três anos, uma revolução silenciosa mudou a geografia da indústria automotiva. O que começou como uma estratégia baseada em preços imbatíveis nas décadas de 2000 e 2010 — especialmente em mercados emergentes — transformou-se em um salto qualitativo que agora ameaça até os gigantes tradicionais.

    Da China para o mundo: como as montadoras inverteram a lógica do mercado

    Antes, os carros chineses eram sinônimo de barato, mas nem sempre de confiável. Hoje, graças a investimentos massivos em P&D e cadeias de produção integradas, marcas como BYD, MG e Chery não só equalizaram — em muitos casos, superaram — a tecnologia de rivais europeus e japoneses. O design refinado, o uso intensivo de inteligência artificial nos sistemas de bordo e a autonomia de baterias de até 700 km com carregamento rápido são apenas a ponta do iceberg.

    O resultado não poderia ser mais eloquente: enquanto as vendas globais de veículos cresceram apenas 0,7% nos primeiros três meses de 2026 nos mercados desenvolvidos (Austrália, Coreia do Sul, Japão, Singapura, Israel e Europa), os fabricantes chineses registraram um salto de 66%. Na Europa, especificamente, a participação de mercado saltou de 4,7% em 2025 para 7,7% em 2026 — um avanço que, de tão rápido, já começa a causar reações entre os reguladores.

    Baterias próprias e mão de obra barata: os dois pilares de uma estratégia imbatível

    A vantagem chinesa não é mais apenas mão de obra ou escala. A integração vertical na produção de baterias — controlando desde a extração de lítio até a montagem final — reduziu custos em até 40% em relação a fornecedores ocidentais. Somado a isso, a China mantém uma estrutura de custos trabalhistas ainda significativamente inferior à da Europa, mesmo com a automação crescente.

    Segundo dados da Agência Internacional de Energia (IEA), as montadoras chinesas já respondem por 80% da produção global de baterias para veículos elétricos. Essa dominação permite que ofereçam preços até 30% menores em modelos equivalentes aos europeus, sem comprometer a margem de lucro.

    O preço continuará competitivo? Depende de quem você pergunta

    Para o consumidor europeu médio, a equação é simples: um MG4 elétrico custa cerca de €25.000 na Espanha, enquanto um equivalente da Renault ou Volkswagen parte de €32.000. A diferença chega a €7.000 — o suficiente para financiar um ano de seguro ou dois anos de manutenção.

    Mas especialistas alertam: a estratégia chinesa pode perder força se a União Europeia aplicar novas tarifas protecionistas, já em discussão. Em 2025, a UE investigou possíveis dumping por parte de fabricantes chineses, que estariam subsidiando artificialmente seus preços para conquistar mercado. Caso medidas retaliatórias sejam implementadas, o cenário pode mudar drasticamente nos próximos dois anos.

    O que muda para o consumidor e a indústria europeia?

    A curto prazo, os europeus ganham opções mais baratas e tecnologicamente atualizadas. A MG, por exemplo, já é a segunda marca mais vendida de elétricos na Itália, atrás apenas da Tesla. No entanto, a longo prazo, a dependência de fornecedores chineses — desde chips até baterias — levanta questões sobre segurança energética e soberania industrial.

    Enquanto isso, as montadoras tradicionais tentam reagir. A Volkswagen anunciou um plano de €10 bilhões para reestruturar suas fábricas na Europa e acelerar a produção de modelos elétricos. A Renault, por sua vez, fechou parcerias com a chinesa Geely para desenvolver veículos de entrada mais competitivos. A corrida está apenas começando.