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  • Moratória da Soja: fim do acordo pode custar US$ 8,2 bi em serviços ambientais até 2036

    Moratória da Soja: fim do acordo pode custar US$ 8,2 bi em serviços ambientais até 2036

    A decisão de não renovar a Moratória da Soja, acordada em 2006 e que expira na última quarta-feira, 29 de julho de 2026, expõe a economia brasileira a um risco bilionário. Segundo estudo da WWF-Brasil, a supressão de 1,4 milhão de hectares de floresta na Amazônia pode comprometer US$ 8,2 bilhões em serviços ambientais essenciais até 2036.

    O que está em jogo: chuvas, energia e biodiversidade

    Os prejuízos se dividem entre setores críticos. A agricultura lidera as perdas, com US$ 831,6 milhões, devido à redução da umidade necessária para as lavouras. A geração hidrelétrica, responsável por 63% da matriz energética nacional, também seria afetada pela queda na vazão dos rios, com impactos calculados em US$ 1,2 bilhão. Além disso, a biodiversidade amazônica, fundamental para a polinização de culturas e o desenvolvimento de medicamentos, sofreria danos avaliados em US$ 1,5 bilhão.

    Cenário projetado: desmatamento em expansão

    A projeção da WWF-Brasil se baseia em pesquisas publicadas na revista Science, que mapeiam a relação direta entre o avanço do desmatamento e a degradação dos serviços ecossistêmicos. A perda de vegetação nativa altera padrões climáticos regionais, reduzindo a formação de chuvas — essenciais para a agricultura no Centro-Oeste e Sudeste — e aumentando a vulnerabilidade a secas prolongadas. Caso o ritmo atual de desmatamento se mantenha, a Amazônia poderia perder até 20% de sua cobertura florestal até 2050, segundo alertas de cientistas.

    Implicações além da porteira

    Os números revelam uma contradição: enquanto o agronegócio brasileiro busca expandir sua produção, a degradação ambiental impõe limites econômicos invisíveis. A Moratória da Soja, embora não tenha eliminado o desmatamento associado à cultura, atuou como um freio a práticas predatórias. Sua extinção, sem substituição por mecanismos efetivos de controle, pode reverter décadas de esforços para equilibrar produtividade e conservação.