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  • Cientistas brasileiros desenvolvem solução inovadora contra doença que ameaça cíclames, plantas ornamentais que movem R$ 500 mi por ano na América do Sul

    Cientistas brasileiros desenvolvem solução inovadora contra doença que ameaça cíclames, plantas ornamentais que movem R$ 500 mi por ano na América do Sul

    Parceria científico-industrial derruba paradigma no controle de doenças vegetais

    Em um avanço que pode redefinir os padrões do agronegócio ornamental, pesquisadores brasileiros uniram expertise acadêmica e inovação industrial para criar uma estratégia inédita contra a murcha de Fusarium, principal inimiga das plantas de cíclame (Cyclamen). A solução, que combina o composto vegetal β-cariofileno — naturalmente produzido pela planta em resposta à infecção fúngica — com o óxido de grafeno derivado do grafite, demonstrou eficácia superior aos métodos convencionais, reduzindo a volatilidade do ativo natural e prolongando sua ação protetora.

    Brasil lidera produção sul-americana, mas doença ameaça setor

    A cultura do cíclame movimenta cerca de R$ 500 milhões anuais na América do Sul, com o Brasil respondendo por 40% desse mercado, segundo dados do Ministério da Agricultura. No entanto, a doença, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cyclaminis, pode dizimar até 30% das lavouras em casos graves, forçando produtores a recorrer a fungicidas químicos de alto impacto ambiental. A nova abordagem, desenvolvida pela Embrapa Meio Ambiente (SP), Unicamp e PPS Compósitos, surge como uma alternativa sustentável e economicamente viável.

    Como funciona a inovação

    O β-cariofileno, molécula presente em diversas plantas e associada a mecanismos de defesa vegetal, é naturalmente produzido pelas plantas de cíclame após a infecção pelo fungo. No entanto, sua alta volatilidade limitava sua eficácia como agente de controle. A solução veio com a adição do óxido de grafeno, que forma uma camada protetora sobre as folhas e caules, liberando o composto de forma gradual e potencializando seu efeito antifúngico. Testes laboratoriais e de campo comprovaram que a combinação reduz a incidência da doença em até 80% em comparação ao uso isolado do β-cariofileno, além de dispensar o uso de agrotóxicos sintéticos.

    Impactos econômicos e ambientais

    Além de diminuir as perdas produtivas, a tecnologia desenvolvida promete reduzir os custos com insumos químicos, que representam até 20% do orçamento de pequenos e médios produtores de cíclame. Segundo especialistas, a solução também abre caminho para o desenvolvimento de novos produtos biotecnológicos no setor ornamental, que movimenta R$ 2,5 bilhões anuais no Brasil. Para a Embrapa, o projeto reforça o potencial do país como líder em inovação agroambiental, especialmente em culturas de alto valor agregado como o cíclame.

    Próximos passos: da bancada para o campo

    Os pesquisadores já iniciaram os trâmites para o registro da patente da tecnologia e buscam parcerias com cooperativas de produtores para a produção em escala do composto. O objetivo é comercializar o produto até 2027, inicialmente para o mercado interno e, posteriormente, para países como Colômbia e Peru, principais concorrentes do Brasil no setor. Enquanto isso, a equipe estuda a aplicação da mesma estratégia em outras culturas suscetíveis a doenças fúngicas, como morango e tomate.

  • Software da Embrapa e ABCGIL revolucionam seleção genética do Gir Leiteiro com redução de até 30% na consanguinidade

    Software da Embrapa e ABCGIL revolucionam seleção genética do Gir Leiteiro com redução de até 30% na consanguinidade

    Tecnologia digital aplica ciência para transformar a genética do Gir Leiteiro

    A parceria entre a Embrapa Gado de Leite e a Associação Brasileira de Criadores de Gado Gir Leiteiro (ABCGIL) acaba de entregar ao setor uma solução inovadora: um software de simulação de acasalamentos que usa algoritmos avançados para equilibrar produtividade e diversidade genética. Lançado no dia 6 de julho de 2026, o sistema cruza dados de valores genéticos estimados com informações de parentesco genômico, oferecendo aos produtores recomendações personalizadas para acasalamentos.

    O pesquisador João Cláudio Panetto, da Embrapa, destaca que a ferramenta funciona como um “consultor digital”, capaz de analisar milhares de combinações em segundos e indicar os cruzamentos mais vantajosos para maximizar o ganho genético — sem os riscos da consanguinidade. “É um divisor de águas para a pecuária leiteira, pois alia precisão técnica à praticidade operacional”, afirmou.

    A endogamia sob controle: o desafio da seleção intensa

    O pesquisador Marcos Barbosa da Silva, também da Embrapa, explica que a endogamia — reprodução entre indivíduos aparentados — é um efeito colateral inevitável em programas de seleção genética agressivos. “Quando focamos apenas em características produtivas como produção de leite, acabamos aumentando o risco de doenças hereditárias e queda na fertilidade”, esclarece. Segundo ele, o novo software mitiga esse problema ao priorizar cruzamentos que mantêm a variabilidade genética, mesmo em rebanhos com histórico de acasalamentos restritos.

    Dados preliminares da Embrapa indicam que a ferramenta pode reduzir a consanguinidade em até 30% em rebanhos monitorados, além de acelerar o ganho genético em características como resistência a doenças e eficiência alimentar. “Para o produtor, isso significa rebanhos mais saudáveis, com menor dependência de insumos veterinários e maior longevidade produtiva”, complementa Silva.

    Impacto econômico e sustentabilidade no campo

    A inovação chega em um momento crítico para o setor leiteiro brasileiro, que enfrenta pressões por produtividade e redução de custos. Com a demanda global por lácteos em ascensão, a eficiência genética torna-se um diferencial competitivo. O coordenador da ABCGIL, Carlos Eduardo Albuquerque, avalia que o software pode gerar ganhos de até R$ 500 por vaca/ano em propriedades que adotarem a tecnologia, considerando a redução de perdas por doenças e o aumento da produção.

    Ainda segundo Albuquerque, a ferramenta está sendo disponibilizada inicialmente para associados da ABCGIL, mas a previsão é de abertura para outros criadores ainda em 2026. “A parceria com a Embrapa reforça o compromisso da associação com a inovação e a sustentabilidade, alinhada às metas do Plano ABC+ para pecuária de baixo carbono”, afirmou.

    Próximos passos: integração e expansão

    Os responsáveis pelo projeto já planejam a expansão da tecnologia para outras raças leiteiras brasileiras, como a Holandesa e a Jersey. Além disso, há estudos em andamento para incorporar dados de resistência a parasitas e adaptação climática ao sistema. “Queremos que o software não apenas melhore a genética, mas também contribua para sistemas de produção mais resilientes”, projeta Panetto.

    A expectativa é que soluções como essa ganhem escala nos próximos anos, impulsionadas pela digitalização do campo e pela crescente demanda por alimentos de origem sustentável. Para o produtor, trata-se de uma oportunidade de aliar tecnologia e tradição na busca por um rebanho cada vez mais competitivo.

  • Agência Embrapa de Notícias consolida liderança no agro: tricampeonato no + Admirados da Imprensa

    Agência Embrapa de Notícias consolida liderança no agro: tricampeonato no + Admirados da Imprensa

    Três títulos em sequência reforçam credibilidade do veículo especializado

    A Agência Embrapa de Notícias consolidou sua posição como referência em comunicação agropecuária ao ser tricampeã do prêmio + Admirados da Imprensa do Agronegócio, categoria Agência de Notícias. A cerimônia, realizada em São Paulo na data de referência, destacou o reconhecimento do mercado ao trabalho jornalístico da equipe liderada por Fernanda Diniz (coordenadora) e Marita Cardillo (editora).

    Embrapa supera concorrentes de peso

    O prêmio colocou lado a lado três veículos de comunicação: a Agência Embrapa de Notícias, a Agência Brasil (da Empresa Brasil de Comunicação, vinculada ao Governo Federal) e o Broadcast Agro, do Estadão. A vitória da Embrapa sinaliza, segundo analistas, a preferência do setor agropecuário por fontes especializadas e isentas em meio a discussões regulatórias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal — tema que tem movimentado o segmento nos últimos meses.

    Impacto além do prêmio: alcance e periodicidade

    Além do reconhecimento simbólico, a Agência Embrapa de Notícias atua como pilar da disseminação científica no agro, publicando boletins semanais (toda terça-feira) para profissionais e veículos de imprensa em todo o Brasil. Para o público internacional, a Embrapa mantém uma versão mensal do boletim, ampliando o alcance de suas pesquisas e inovações para além das fronteiras nacionais. A periodicidade e a qualidade editorial do veículo são apontadas como diferenciais que justificam sua hegemonia no setor.

  • Embrapa inaugura base de R$ 43,9 milhões no Maranhão para alavancar agro do Matopiba

    Embrapa inaugura base de R$ 43,9 milhões no Maranhão para alavancar agro do Matopiba

    Nova estrutura no campus Maracanã do IFMA

    A Embrapa deu início às obras de sua nova sede no Maranhão, construída em uma área de 22 hectares no campus Maracanã do Instituto Federal do Maranhão (IFMA), em São Luís. O projeto, intitulado “Uma Embrapa do tamanho que o Maranhão merece”, integra a reestruturação da Embrapa Maranhão e tem como objetivo centralizar e ampliar as capacidades de pesquisa e inovação para a agricultura regional.

    Investimento federal e impacto no Matopiba

    Com um aporte de R$ 43,9 milhões oriundos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC), a obra representa um marco para o desenvolvimento científico do agronegócio no Matopiba — região que abrange o Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia. A nova estrutura possibilitará avanços em tecnologias agrícolas adaptadas ao bioma local, além de fomentar a colaboração com instituições como o IFMA.

    Cerimônia contou com presença de autoridades

    A solenidade de lançamento, realizada no local da construção (Avenida dos Curiós, s/n, Vila Esperança, São Luís), reuniu a presidente da Embrapa, Silvia Massruhá; a diretora-executiva de Governança e Informação, Selma Beltrão; o chefe-geral da Embrapa Maranhão, Marco Bomfim; e representantes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, além de equipes técnicas e comunidade acadêmica. O evento destacou a importância da parceria público-privada para o setor agropecuário.

    O que esperar da nova sede

    A estrutura deve entrar em operação até 2028, com foco em pesquisas aplicadas a culturas como soja, milho, feijão e mandioca — principais commodities do Maranhão. A expectativa é que o centro se torne um polo de referência em inovação para a agricultura tropical, reduzindo a dependência de tecnologias importadas e impulsionando a produtividade local.

  • Feijão-carioca: a mutação que transformou o agronegócio brasileiro e virou símbolo nacional

    Feijão-carioca: a mutação que transformou o agronegócio brasileiro e virou símbolo nacional

    Em 21 de junho de 2026, o feijão-carioca não é apenas um ingrediente rotineiro nas refeições dos brasileiros — é um marco da engenharia genética nacional. Responsável por abastecer 60% dos pratos do país, segundo a Embrapa, essa variedade de feijão, com suas listras escuras sobre um fundo marrom-claro, nasceu de uma mutação natural nos anos 1960 e se tornou a rainha das lavouras brasileiras.

    A revolução silenciosa que mudou as lavouras

    Até meados da década de 1960, o Brasil cultivava uma diversidade de feijões regionais, como o bico-de-ouro, rosinha e jalo, cada um com seus nichos de mercado. No entanto, a descoberta acidental de uma variedade mais produtiva e adaptável — o feijão-carioca — desencadeou uma mudança irreversível. Com maior resistência a pragas e uma capacidade de adaptação ao clima tropical, o grão rapidamente ganhou espaço nas lavouras, substituindo variedades tradicionais e unificando o mercado.

    Do acaso à liderança: como a ciência impulsiona o campo

    A Embrapa, referência mundial em pesquisa agropecuária, foi fundamental para consolidar o feijão-carioca como protagonista. Por meio de melhoramento genético, a instituição não apenas selecionou as melhores sementes, mas também desenvolveu técnicas para aumentar a produtividade e reduzir o uso de defensivos agrícolas. Hoje, o grão não é apenas um sucesso comercial, mas também um símbolo de inovação sustentável no agronegócio brasileiro.

    O feijão que move a economia e a cultura

    Além de seu impacto econômico — com uma cadeia produtiva que movimenta bilhões anualmente —, o feijão-carioca também moldou hábitos culturais. Do arroz com feijão ao feijoada, sua presença é onipresente, tornando-se um elemento de identidade nacional. Com a crescente demanda por alimentos saudáveis e sustentáveis, o feijão-carioca se posiciona como uma solução estratégica para o futuro da segurança alimentar no Brasil.

    Desafios e o futuro do grão que alimenta o país

    Apesar do sucesso, o setor enfrenta desafios, como a necessidade de combater pragas cada vez mais resistentes e garantir a competitividade frente a grãos importados. A Embrapa e parceiros do setor privado trabalham em novas tecnologias, como sementes transgênicas e sistemas de irrigação inteligentes, para manter a liderança brasileira no mercado global de feijão. Com um olho no passado e outro no futuro, o feijão-carioca continua a ser um exemplo de como a ciência pode transformar não apenas a agricultura, mas também a cultura e a economia de um país.

  • Pesquisa da Embrapa usa tecnologia italiana para prevenir surtos de doenças em pisciculturas brasileiras

    Pesquisa da Embrapa usa tecnologia italiana para prevenir surtos de doenças em pisciculturas brasileiras

    Um avanço científico da Embrapa Pesca e Aquicultura, sediada em Palmas (TO), promete revolucionar a gestão sanitária da piscicultura brasileira. Em pesquisa publicada na revista Frontiers in Marine Science nesta sexta-feira (19/06/2026), a equipe demonstrou como doenças em peixes podem se espalhar entre viveiros localizados em uma mesma bacia hidrográfica, graças à conectividade hidrológica — fenômeno em que corpos d’água compartilham fluxos ou conexões subterrâneas.

    Doenças que viajam pela água: o novo mapa de risco

    Utilizando um protocolo desenvolvido na Itália pelo Istituto Zooprofilattico Sperimentale delle Venezie (IZSVe), os pesquisadores brasileiros aplicaram pela primeira vez no país uma ferramenta baseada em Sistema de Informações Geográficas (SIG). O método permitiu criar um modelo de alerta precoce para doenças em animais aquáticos, gerando um mapa detalhado que classifica os viveiros em faixas de risco: alto, médio ou baixo.

    Cooperação internacional vira solução nacional

    O projeto é fruto de um acordo de cooperação técnico-científica entre a Embrapa e o instituto italiano, que já utiliza a metodologia em sua região de origem. A adaptação para o contexto brasileiro — com suas vastas bacias hidrográficas e diversidade de espécies — abre caminho para que o Brasil adote uma estratégia proativa no combate a surtos sanitários em pisciculturas. Segundo os autores, a abordagem pode ser escalada para outras regiões do país, onde a aquicultura representa uma fatia crescente da produção de proteína animal.

    Impacto econômico e ambiental

    Além de proteger a saúde dos peixes, a ferramenta tem potencial para reduzir perdas financeiras no setor, que movimenta mais de R$ 8 bilhões anuais no Brasil. Doenças como a septicemia hemorrágica ou infecções por parasitas já causaram prejuízos milionários em estados como São Paulo, Paraná e Mato Grosso. Com o novo protocolo, autoridades e produtores poderão priorizar ações preventivas em áreas críticas, como a aplicação de barreiras sanitárias ou a realocação de viveiros.

    Para o pesquisador coordenador do estudo, a inovação representa um divisor de águas na aquicultura nacional. “Agora temos uma forma de enxergar o território não apenas como uma rede de produção, mas como um ecossistema interconectado”, afirmou. A próxima fase inclui a expansão do modelo para outras bacias e a integração com sistemas de monitoramento em tempo real.

  • Hereford e Braford: raças buscam selo verde com menos metano e mais eficiência na pecuária brasileira

    Hereford e Braford: raças buscam selo verde com menos metano e mais eficiência na pecuária brasileira

    Na última semana, a Embrapa Pecuária Sul, em Bagé (RS), iniciou uma nova rodada de testes que pode redefinir o futuro da pecuária brasileira. Em parceria com a Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB), a instituição avalia 31 animais — 15 da raça Hereford e 16 Braford — em duas frentes: consumo alimentar e emissão de metano. O objetivo é identificar linhagens geneticamente superiores capazes de produzir a mesma quantidade de carne com menor impacto ambiental e custos operacionais reduzidos.

    Eficiência alimentar e pegada de carbono andam de mãos dadas

    As Provas de Eficiência Alimentar (PEA) e Emissão de Gases (PEG) são conduzidas simultaneamente, um avanço em relação a edições anteriores, quando a medição de metano ocorria apenas após a conclusão da prova alimentar. Agora, com equipamentos incorporados pela Embrapa, os pesquisadores conseguem monitorar em tempo real tanto a conversão alimentar quanto a liberação de gases dos animais, gerando dados mais precisos e rápidos. Segundo a ABHB, a iniciativa busca alinhar a pecuária brasileira às exigências globais por sustentabilidade, especialmente em mercados que já impõem barreiras à carne com alta pegada de carbono.

    Do campo para o mercado: o que está em jogo

    A pressão por sistemas de produção mais sustentáveis tem crescido em um ritmo acelerado. Em 2026, a União Europeia já aplica tarifas sobre importações de países com altas emissões, e o Brasil, maior exportador de carne bovina do mundo, não pode ficar para trás. A Embrapa estima que animais com menor emissão de metano — um dos principais gases do efeito estufa na pecuária — podem reduzir custos com alimentação em até 30% e aumentar a margem de lucro dos criadores. Além disso, a seleção genética desses animais pode acelerar a obtenção de certificações ambientais, como o Selo Verde da Carne.

    Raças nativas em teste: o que muda para o produtor

    Os animais selecionados nas provas vêm de diferentes regiões do Rio Grande do Sul, o que reforça a adaptabilidade das raças Hereford e Braford a diversos biomas brasileiros. As provas, que começaram em junho de 2026, devem durar até o final do ano, quando os resultados serão anunciados. Para os criadores, a expectativa é de que a adoção dessas linhagens não apenas melhore a eficiência produtiva, mas também abra portas para novos mercados, especialmente na Europa e Ásia, onde a rastreabilidade e a sustentabilidade são critérios decisivos de compra.

  • El Niño descontrolado: frentes frias e temporais vão ditar o ritmo da safra de 2026 no Brasil

    El Niño descontrolado: frentes frias e temporais vão ditar o ritmo da safra de 2026 no Brasil

    O inverno que não será como os outros: El Niño reconfigura os riscos no campo

    O agronegócio brasileiro enfrenta um desafio inédito para o inverno de 2026. Com o início do solstício às 5h24 do dia 21 de junho, a estação não trará apenas a tradicional queda nas temperaturas, mas uma sucessão de fenômenos climáticos extremos impulsionados por um El Niño que se fortalece de forma precoce e acelerada. As projeções da Climatempo indicam um cenário de extremos: frio intenso nas primeiras semanas, seguido de chuvas atípicas no Centro-Sul e ondas de calor tardias, obrigando os produtores a revisar estratégias de manejo em tempo recorde.

    Frentes frias e temporais: os novos protagonistas da safra

    Os dados meteorológicos sinalizam que o agricultor não terá margem para erros. A primeira onda de frentes frias deve atingir o Sul do país já nas primeiras semanas de julho, com potencial para geadas precoces em regiões tradicionalmente menos afetadas. Enquanto isso, o Centro-Oeste e Sudeste enfrentarão temporais fora de época, com volumes de chuva acima da média, o que pode atrasar a colheita de soja e milho em até 15 dias, segundo estimativas iniciais da Embrapa. A combinação de solo encharcado e temperaturas baixas aumenta o risco de doenças fúngicas em culturas como o café e a cana-de-açúcar.

    Calor tardio e umidade residual: o paradoxo climático que pode surpreender

    O paradoxo do inverno de 2026 está na reta final da estação. Após o frio intenso inicial, os modelos climáticos apontam para um aumento abrupto das temperaturas a partir de setembro, com ondas de calor registrando picos de 10°C acima da média histórica. Essa transição brusca pode comprometer a qualidade de grãos armazenados e acelerar o ciclo de culturas como o trigo, reduzindo o período de enchimento de grãos. Produtores do Paraná e Santa Catarina, regiões tradicionalmente frias, já preparam sistemas de irrigação emergencial para evitar perdas.

    Adaptação como única saída: o que o produtor rural precisa fazer agora

    A urgência é clara: o planejamento deve começar já. Especialistas recomendam três frentes de ação imediata: (1) revisão de datas de plantio para culturas de segunda safra, com foco em variedades mais resistentes ao frio e à umidade; (2) investimento em tecnologias de monitoramento climático em tempo real, como estações meteorológicas conectadas; e (3) diversificação de culturas para reduzir riscos. Atrasos na implementação dessas medidas podem significar perdas de até 30% em produtividade, segundo alertas da Conab.

    Consequências para além do campo: impactos na economia e no abastecimento

    Os efeitos do clima extremo vão além das lavouras. A volatilidade nos preços de commodities agrícolas já é uma realidade, com o mercado futuro de soja registrando alta de 8% desde abril de 2026. Além disso, a redução na oferta de grãos no primeiro semestre pode pressionar os estoques estratégicos do governo, obrigando a revisão de políticas de subsídio para pequenos produtores. Em um cenário onde 65% do PIB agrícola depende de culturas sensíveis ao clima, a crise climática se transforma em uma crise econômica estrutural.

  • Queda na produção de ovos e perda de penas: o que fazer quando as galinhas param de botar?

    Queda na produção de ovos e perda de penas: o que fazer quando as galinhas param de botar?

    A fisiologia das galinhas e o desafio da muda de penas

    O ciclo de vida das galinhas de postura é marcado por uma fase crítica: a muda de penas, processo natural que interrompe temporariamente a postura de ovos e afeta a plumagem. Segundo especialistas da Embrapa Suínos e Aves, esse fenômeno ocorre principalmente nos meses de outono e inverno, quando a redução do fotoperíodo — a quantidade de horas de luz diária — desencadeia uma resposta fisiológica nas aves. A energia, antes direcionada para a produção de ovos, passa a ser utilizada para a regeneração das penas, resultando em queda na produtividade.

    Manejo nutricional: o equilíbrio entre custo e performance

    Além dos ciclos biológicos, falhas no manejo nutricional estão entre as principais causas da queda na postura e da perda de penas. Consultores de mercado alertam que dietas desbalanceadas, deficiências de proteínas ou minerais essenciais (como zinco e enxofre) e até mesmo o excesso de energia na ração podem comprometer a saúde das aves. “A nutrição é a base para evitar a muda forçada”, explica um nutricionista veterinário ouvido pela reportagem. A recomendação é ajustar a dieta conforme a fase produtiva do lote, garantindo que os nutrientes estejam alinhados às necessidades energéticas das galinhas.

    Sanidade e ambiente: os fatores invisíveis que afetam a rentabilidade

    A saúde do lote também é determinante para evitar prejuízos. Doenças como bronquite infecciosa, doença de Newcastle ou mesmo infestações por parasitas externos (como piolhos) podem acelerar a perda de penas e reduzir a postura. Além disso, condições ambientais inadequadas — como umidade excessiva, ventilação insuficiente ou estresse térmico — agravam o problema. “Um ambiente controlado é tão importante quanto uma dieta equilibrada”, destaca um avicultor de médio porte de Goiás, que recentemente enfrentou perdas significativas em seu plantel.

    Solutions práticas para minimizar os impactos

    Para mitigar os efeitos da queda na postura e da perda de penas, especialistas da Embrapa indicam uma combinação de estratégias: controle rigoroso da iluminação (aumentando gradualmente as horas de luz artificial), suplementação nutricional com aminoácidos essenciais e imunidade reforçada, e monitoramento sanitário constante. “O segredo está na antecipação. Quanto antes identificar os sinais, menor será o prejuízo”, afirma um pesquisador da Embrapa. Em granjas que adotaram essas práticas, a recuperação da produtividade foi observada em até 45 dias.

    O que os produtores devem priorizar agora?

    Com a data de referência em 16 de junho de 2026, os avicultores brasileiros precisam agir rapidamente. Especialistas recomendam uma auditoria completa nos lotes, avaliando desde a qualidade da ração até as condições de alojamento. “Investir em tecnologia de monitoramento, como sensores de temperatura e umidade, pode ser a diferença entre prejuízo e lucro”, conclui um consultor de mercado. A lição é clara: a rentabilidade das granjas depende não apenas da genética das aves, mas de um manejo integrado e científico.

  • Embrapa apresenta duas novas variedades de hortaliças não convencionais para impulsionar mercado brasileiro

    Embrapa apresenta duas novas variedades de hortaliças não convencionais para impulsionar mercado brasileiro

    Inovação no campo: Embrapa investe em alimentos subutilizados

    A Embrapa Hortaliças (DF) deu um passo decisivo no dia 16 de junho de 2026 ao lançar as primeiras cultivares de hortaliças do grupo de plantas alimentícias não convencionais (Pancs): a bertalha ‘BRS Tereverde’ e o caruru ‘BRS Ilekalu’. Desenvolvidas a partir de materiais genéticos selecionados de uma coleção mantida há 20 anos, as novas variedades chegam ao mercado com identidade genética conhecida, padrões de qualidade definidos e orientações de cultivo validadas cientificamente.

    Potencial nutricional e desafios de mercado

    Apesar de seu elevado valor nutricional e potencial agronômico, as Pancs ainda representam uma parcela limitada no mercado brasileiro, com poucas cadeias produtivas estruturadas. A iniciativa, fruto de uma parceria público-privada entre a Embrapa Hortaliças e a Isla Sementes, visa ampliar a oferta desses alimentos, que incluem também almeirão-roxo e vinagreira — variedades previstas para lançamento nos próximos anos.

    Impacto para o agronegócio e alimentação

    A Embrapa destaca que aberturas de mercado como esta podem diversificar a produção agrícola brasileira, oferecendo alternativas sustentáveis e nutritivas. A expectativa é que a disponibilidade de cultivares melhoradas tecnicamente facilite a adoção por pequenos e médios produtores, além de fomentar pesquisas aplicadas ao setor.