Tag: emissões de CO₂

  • Fim da Moratória da Soja pode acelerar desmatamento na Amazônia até 2036, aponta estudo

    Fim da Moratória da Soja pode acelerar desmatamento na Amazônia até 2036, aponta estudo

    A Moratória da Soja, acordo voluntário que impede a comercialização de grãos cultivados em áreas desmatadas da Amazônia desde 2008, enfrenta um novo julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto de 2026. Segundo pesquisa publicada na Science, coordenada por instituições como WWF Brasil, Greenpeace Brasil e universidades americanas, o fim do pacto pode desencadear o desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares até 2036 — um crescimento de 17% nas taxas históricas de perda florestal.

    Mais de 700 milhões de toneladas de CO₂ a caminho do clima

    Cada hectare devastado libera, em média, 532 toneladas de CO₂ equivalente, segundo a análise. O volume total projetado — 745 milhões de toneladas — supera as emissões anuais do Canadá, um dos dez maiores poluidores globais. Os impactos não se limitariam à Amazônia: até 28,7 milhões de hectares de florestas públicas poderiam ser pressionados, especialmente em regiões com infraestrutura em expansão e alta vulnerabilidade à especulação fundiária.

    Pressão sobre terras públicas e infraestrutura

    O estudo destaca que a extinção do acordo não apenas reabriria áreas desmatadas antes de 2008, mas também incentivaria a grilagem e a conversão ilegal de terras em estados como Pará, Mato Grosso e Rondônia. “A Moratória foi um dos principais instrumentos de redução do desmatamento associado à soja. Sem ela, o risco é descontrolar não só a Amazônia, mas também o Cerrado e a Mata Atlântica”, avalia um dos coordenadores da pesquisa, vinculado à Universidade de Wisconsin.

    STF e o futuro do agronegócio brasileiro

    O julgamento no STF, marcado para agosto de 2026, ocorre em um contexto de forte lobby do setor agropecuário para flexibilizar a moratória. Empresas signatárias do acordo, como Cargill e Bunge, já sinalizaram que manteriam voluntariamente as restrições — mas a decisão judicial pode impor um novo cenário. “Se o STF derrubar a moratória, o Brasil perderá não só credibilidade internacional, mas também poderá enfrentar barreiras comerciais em mercados exigentes como a União Europeia”, alerta especialista ouvido pela reportagem.

  • GM lança Onix ECO 2027: a volta do etanol exclusivo e o que isso significa para o mercado brasileiro

    GM lança Onix ECO 2027: a volta do etanol exclusivo e o que isso significa para o mercado brasileiro

    Em 3 de junho de 2026, a General Motors deu um passo ousado ao reintroduzir no Brasil uma versão de um carro movido exclusivamente a etanol, o Chevrolet Onix ECO 2027. O modelo, disponível tanto como hatch quanto sedã, chega em um momento em que o debate sobre fontes energéticas para veículos ganha contornos urgentes, especialmente após o lançamento do programa federal Mover.

    Do trauma do álcool à inovação sustentável: uma história de recomeços

    Há quatro décadas, os veículos a álcool dominavam 95,8% das vendas de carros leves no Brasil, mas a crise do combustível na década de 1980 — marcada por filas nos postos e desabastecimento — deixou cicatrizes profundas na sociedade. A queda do preço do petróleo e a priorização do açúcar pelas usinas, com preços controlados pelo governo, selaram o declínio do etanol até a chegada dos motores flexfuel em 2003, que permitiam a escolha entre gasolina e etanol na bomba.

    O Onix ECO e a aposta no programa Mover: uma estratégia de redução de emissões

    Segundo a GM, o Onix ECO 2027 foi projetado para viabilizar a entrada de versões automáticas no Programa Carro Sustentável do Mover, que adota uma métrica radical: o conceito de “poço à roda”. Isso significa que a avaliação de emissões de CO₂ considera não apenas a queima do combustível no motor, mas todo o ciclo de produção, desde a plantação da cana-de-açúcar até o abastecimento do veículo. No caso do etanol, esse cálculo é altamente positivo, pois a cana captura CO₂ durante seu crescimento.

    O etanol como alternativa estratégica no futuro da mobilidade

    Com a transição energética global, o etanol brasileiro — produzido de forma renovável e com tecnologia avançada — volta a ser visto como uma solução para reduzir a dependência de combustíveis fósseis. O Onix ECO 2027, equipado com motor turbo adaptado para o combustível, sinaliza que a indústria automotiva brasileira está alinhada às exigências ambientais, mas também levanta questões sobre a infraestrutura de abastecimento e a aceitação do consumidor. Será o etanol exclusivo uma tendência ou um nicho de mercado?