Tag: estiagem

  • Produtor rural trava batalha judicial contra Itaú e suspende dívida de R$ 12 milhões por quebra de safra

    Produtor rural trava batalha judicial contra Itaú e suspende dívida de R$ 12 milhões por quebra de safra

    Quebra de safra por estiagem abre brecha para defesa judicial

    A 12ª Vara Cível de São Paulo deferiu medida liminar em favor de um produtor rural, suspendendo a cobrança de contratos de crédito rural que somam R$ 12 milhões junto ao Itaú Unibanco. A decisão baseou-se em análise preliminar que identificou indícios suficientes para a aplicação do alongamento compulsório da dívida, diante da frustração de safra causada por eventos climáticos adversos.

    Danos comprovados em quatro culturas impactam capacidade financeira

    Documentos apresentados na Justiça demonstraram perdas expressivas nas lavouras de soja, milho safrinha, sorgo e café, todas afetadas por estiagem prolongada e condições climáticas desfavoráveis. Segundo o entendimento do juízo, a quebra de safra comprometeu a capacidade financeira do produtor, justificando a tutela de urgência concedida.

    Banco fica impedido de restringir crédito e promover execuções

    Além de suspender os pagamentos, a liminar proíbe o Itaú de restringir novos créditos ao produtor ou promover atos de expropriação das garantias oferecidas. A decisão, concedida em tutela antecipada antecedente, reforça o entendimento de que o impacto climático configura força maior, alinhando-se a regulamentações específicas do setor agrícola.

  • Primíparas sob estiagem: o segredo do pecuarista para não perder dinheiro na seca

    Primíparas sob estiagem: o segredo do pecuarista para não perder dinheiro na seca

    O elo mais frágil da boiada na seca

    Com a estiagem derrubando a qualidade dos pastos e encarecendo a alimentação suplementar, o pecuarista de cria enfrenta um dos maiores desafios do ano: manter a produtividade do rebanho em um cenário onde a fêmea de primeira cria — a primípara — nem sempre recebe a atenção necessária. Enquanto muitos tratam o rebanho como um bloco único, os produtores que apostam em um manejo rigoroso desse grupo específico estão descobrindo uma estratégia capaz de proteger não apenas a safra atual, mas também o ano seguinte.

    A biologia contra o produtor: por que as primíparas são as mais afetadas?

    Pesquisas da Embrapa Gado de Corte revelam que a primípara carrega um duplo fardo na seca: além de ser a fêmea com maior demanda metabólica — por estar em crescimento, gestando um bezerro e ainda produzindo leite —, ela é a primeira a sofrer com a escassez de nutrientes. Segundo o zootecnista Dr. Marcos Barbosa, coordenador do programa de melhoramento genético da Embrapa, “erros no manejo desse grupo durante a estiagem não impactam apenas a prenhez imediata; eles comprometem a capacidade reprodutiva da fêmea para os próximos ciclos, ampliando prejuízos que se estendem por anos”.

    Blindagem financeira: como o manejo diferenciado salva o caixa

    O diferencial está em investir nas primíparas antes mesmo de os efeitos da seca se tornarem críticos. A técnica, já adotada por grandes criatórios, inclui suplementação estratégica com minerais de alta biodisponibilidade, ajustes na dieta para evitar perdas de peso excessivas e, sobretudo, priorização na inseminação artificial em tempo fixo (IATF). “O produtor que negligencia esse grupo na seca está, na prática, adiando um prejuízo inevitável. As primíparas são a ‘carta na manga’ para garantir taxas de prenhez acima de 70% mesmo em anos de estiagem severa”, explica o engenheiro agrônomo João Silva, consultor de rebanhos de corte.

    O custo de ignorar a primípara: um exemplo real

    Dados da Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ) mostram que fazendas que adotam o manejo diferenciado de primíparas registram, na média, 20% a mais de prenhez na IATF durante a seca, em comparação àquelas que tratam todo o rebanho de forma homogênea. Em um cenário de preços de boi gordo em queda — como o observado em julho de 2026 —, cada prenhez adicional representa uma economia de até R$ 1.500 por fêmea, considerando custos evitados com reposição de matrizes e menor impacto na lucratividade do ano seguinte. “É um investimento que se paga na hora e protege o fluxo de caixa”, destaca Silva.

    O futuro do rebanho: preservar o potencial genético

    Além do ganho imediato, o manejo diferenciado das primíparas garante a manutenção do melhoramento genético da propriedade. Como esses animais são as matrizes do futuro, erros na seca podem significar a perda de anos de seleção para características como precocidade sexual, habilidade materna e eficiência alimentar. “A seca é um filtro natural, e quem não cuida das primíparas está jogando fora o trabalho de décadas”, alerta Barbosa. A estratégia, portanto, não é apenas uma questão de sobrevivência no curto prazo, mas de sustentabilidade do negócio pecuário.

  • Frentes frias intensificam chuvas no Sul e avançam pelo país: INMET alerta para instabilidade até o final de junho

    Frentes frias intensificam chuvas no Sul e avançam pelo país: INMET alerta para instabilidade até o final de junho

    Frentes frias dominam o clima e trazem precipitações desiguais

    O Instituto Nacional de Meteorologia (INMET) emitiu alerta para a formação de um sistema frontal nesta segunda-feira (22 de junho de 2026), que deve reorganizar o padrão de chuvas no país ao longo da semana. As precipitações, embora passageiras, prometem ser intensas em pontos do Sul do Brasil e do Mato Grosso do Sul, onde os volumes acumulados podem superar a média histórica para o período. Segundo o modelo numérico do órgão, a instabilidade começa ainda hoje, com maior concentração de chuvas entre terça (23) e quarta-feira (24), quando o fenômeno deve avançar para São Paulo, Triângulo Mineiro e sul de Minas Gerais.

    Sistema frontal derruba temperaturas e afeta a Amazônia

    A frente fria não trará apenas chuvas: a queda nas temperaturas deve ser notável, especialmente no sudoeste da Amazônia, onde as máximas devem cair até 5°C abaixo da média. Nas demais regiões do Norte, a instabilidade permanecerá, com pancadas isoladas impulsionadas pela combinação de calor e umidade. Em Goiás, a previsão indica que o sistema deve atingir o sul do estado a partir de quarta-feira (24), enquanto em Mato Grosso, Rondônia e Acre, a chuva deve se estender até o final da semana.

    Pecuária pode se beneficiar temporariamente com as chuvas

    Para o setor agropecuário, as precipitações representam um alívio pontual em meio à estiagem que afeta várias regiões. Técnicas como a Terminação Intensiva de Pastagem (TIP) ganham destaque como estratégia para otimizar a produção durante períodos de seca, reduzindo a dependência de chuvas regulares. Produtores de Mato Grosso do Sul e do Sul do país podem se beneficiar com a recuperação temporária dos pastos, embora os volumes de chuva projetados não sejam suficientes para reverter deficits hídricos prolongados.

    Impactos regionais e recomendações

    Os estados mais afetados pelas chuvas intensas — Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul — devem monitorar alertas de inundações repentinas e deslizamentos, especialmente em áreas urbanas e de encostas. Em São Paulo e Minas Gerais, as precipitações podem atrapalhar colheitas sensíveis à umidade, como o café e a cana-de-açúcar. Já no Amazonas, a combinação de chuvas e queda de temperatura pode representar riscos para a saúde, com aumento de doenças respiratórias.