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  • Brasil pode cortar 92,6% das emissões da pecuária até 2050, revela estudo na ONU

    Brasil pode cortar 92,6% das emissões da pecuária até 2050, revela estudo na ONU

    A pecuária brasileira conquista um protagonismo inesperado em meio às discussões sobre clima: um estudo inédito revelado na sede da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO), em Roma, nesta segunda-feira, 8 de junho de 2026, aponta que o setor pode reduzir em até 92,6% a intensidade de suas emissões de carbono até 2050 — sem abrir mão do crescimento da produção.

    Da teoria à prática: como o Brasil pode zerar o impacto climático na pecuária

    Desenvolvido pela FGV Agro e intitulado “Trajetórias de Descarbonização da Pecuária de Corte no Brasil 2025 a 2050”, o levantamento foi apresentado durante a Quarta Sessão do Subcomitê de Pecuária da FAO. A proposta é clara: demonstrar, com dados robustos, que o país pode atender à crescente demanda global por proteína animal enquanto lidera a agenda climática.

    Eficiência que desmonta o mito da incompatibilidade entre produção e sustentabilidade

    O estudo não se limita a projeções teóricas. Ele detalha estratégias concretas para reduzir a área de pastagens — sem prejudicar a oferta de carne bovina — e otimizar a eficiência do sistema produtivo. Entre as soluções propostas estão a adoção de sistemas integrados (como ILPF), melhorias genéticas no rebanho e a expansão de tecnologias de baixo carbono, como a biogestão de dejetos.

    FAO valida caminho brasileiro, mas cobra urgência na implementação

    A apresentação contou com a participação de representantes da FAO, que destacaram a importância do Brasil como “laboratório global para a pecuária sustentável”. No entanto, especialistas alertam: os resultados dependem de políticas públicas eficazes, investimentos em inovação e cooperação entre setor privado e governo. Sem ação imediata, o potencial de redução de emissões — que já é ambicioso — pode se tornar inalcançável.

  • Resistência antimicrobiana pode custar US$ 318 bi ao agro global até 2040

    Resistência antimicrobiana pode custar US$ 318 bi ao agro global até 2040

    O modelo tradicional de pecuária, que há décadas depende de antimicrobianos para prevenir doenças e acelerar o crescimento animal, enfrenta um paradoxo: o mesmo insumo que garante produtividade hoje pode se tornar uma bomba-relógio para a economia global nas próximas duas décadas.

    O alerta vermelho da FAO: perdas bilionárias à vista

    Um relatório divulgado pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) na última semana projeta que, mantido o ritmo atual de uso de antibióticos na pecuária, a resistência antimicrobiana pode custar até US$ 318 bilhões ao setor global até 2041 — um valor equivalente a quase 15% do PIB anual do Brasil em 2025, segundo estimativas do Banco Mundial.

    Brasil na linha de frente: exportações em risco

    O país, que figura entre os três maiores exportadores mundiais de carne bovina, frango e suína, está diretamente no radar das consequências. Mercados como a União Europeia e os Estados Unidos já intensificaram exigências sanitárias e regulatórias, pressionando o agro nacional a reduzir o uso indiscriminado de antimicrobianos. A transição, no entanto, não é trivial: sem alternativas viáveis no curto prazo, o setor pode enfrentar queda de produtividade ou, pior, barreiras comerciais.

    O custo invisível do excesso: saúde pública e sustentabilidade

    O problema transcende a economia. A resistência antimicrobiana, agravada pelo uso excessivo de antibióticos na pecuária, já é apontada pela OMS como uma das dez maiores ameaças à saúde global. A pergunta que se impõe é: como conciliar a segurança alimentar de uma população crescente — estimada em 9,7 bilhões de pessoas até 2050 — com a necessidade de preservar a eficácia dos medicamentos que salvam vidas? Até 2040, projeta-se que o uso de antimicrobianos na produção animal cresça 30%, segundo a FAO, o que só agravaria o cenário.

    Alternativas em debate: regulação e inovação

    Organizações internacionais, como a OIE (Organização Mundial de Saúde Animal), defendem a implementação de políticas públicas mais rígidas e o investimento em tecnologias alternativas, como probióticos, prebióticos e melhorias genéticas em rebanhos. No Brasil, a discussão ganha urgência após a aprovação do Marco Legal do Agro, que, embora avance em questões ambientais, ainda não aborda de forma contundente o uso de antimicrobianos. A ausência de um plano coordenado pode custar caro — não apenas em dólares, mas em credibilidade global.