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  • Farsul trava batalha política contra Febraban por renegociação de dívidas rurais

    Farsul trava batalha política contra Febraban por renegociação de dívidas rurais

    Farsul acusa Febraban de estreitar solução para crise agropecuária

    A Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul) entrou em rota de colisão com a Febraban ao contestar as restrições impostas pela entidade bancária ao Projeto de Lei nº 5.122/2023, que propõe uma linha especial de financiamento para reestruturar dívidas do setor agropecuário. Segundo a Farsul, a medida só será eficaz se abarcar não apenas os débitos bancários convencionais, mas também passivos com cooperativas, revendas, cerealistas e Cédulas de Produto Rural (CPRs) — um universo que, na avaliação da federação, o sistema financeiro se recusa a considerar.

    Crise climática e quebras de safra pressionam produtores

    A ofensiva da Farsul ganha contornos urgentes diante dos repetidos eventos climáticos extremos que assolam o país, como secas e enchentes, responsáveis por quebras históricas de safra e endividamento recorde dos produtores. Em análise técnica divulgada nesta semana, a Farsul argumenta que a abordagem da Febraban — centrada apenas nos créditos bancários — deixa de fora justamente os agentes que mais interagem com os agricultores em momentos de crise, como as cooperativas, que muitas vezes são a única porta de acesso a recursos em regiões remotas.

    Projeto de Lei em xeque: entre a necessidade de socorro e os interesses do sistema financeiro

    Aprovado na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, o PL 5.122/2023 enfrenta resistência da Febraban, que alega riscos para a estabilidade do sistema financeiro ao propor a inclusão de dívidas não bancárias. A Farsul, no entanto, rebate que a limitação da medida às instituições financeiras tradicionais seria um ‘tiro no pé’ para a agricultura nacional, setor que já acumula prejuízos bilionários nos últimos anos. ‘Não se combate uma crise com meias-soluções’, afirmou um dos diretores da federação, destacando que a política pública deve priorizar o produtor, e não os interesses de bancos que, historicamente, já se beneficiaram dos lucros do agro sem arcar com os prejuízos de suas perdas’.

    Consequências de um embate mal resolvido

    O impasse entre Farsul e Febraban pode atrasar a implementação de um mecanismo que, segundo analistas, é crucial para evitar um colapso ainda maior no setor agropecuário. Enquanto os bancos pedem cautela para evitar calotes em massa, a Farsul adverte que a ausência de uma solução abrangente pode levar ao fechamento de milhares de propriedades rurais, com reflexos diretos na segurança alimentar e na balança comercial brasileira. ‘O agro não pode ser tratado como um problema de balanço bancário, mas como um setor estratégico que sustenta a economia do país’, concluiu a federação.

  • UE barra produtos animais do Brasil: falha de gestão ou surpresa? Farsul aponta falta de resposta à regra europeia já vigente

    UE barra produtos animais do Brasil: falha de gestão ou surpresa? Farsul aponta falta de resposta à regra europeia já vigente

    A decisão da União Europeia, anunciada em 11 de junho de 2026, de restringir a importação de produtos de origem animal brasileiros a partir de 3 de setembro de 2026 — motivada pelo uso de antimicrobianos como promotores de crescimento — não pegou o setor agropecuário de surpresa, segundo alega a Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul).

    Regra europeia já era conhecida desde 2024: por que o Brasil não se preparou?

    Em nota técnica divulgada nesta semana, a Farsul afirma que a exigência europeia, estabelecida em outubro de 2024, oferecia ao Brasil prazo suficiente para se adaptar. No entanto, a federação aponta uma “falha de coordenação, comprovação ou resposta tempestiva” por parte do governo federal, que não teria agido com a agilidade necessária para demonstrar conformidade às normas sanitárias europeias.

    A análise da Assessoria Econômica da Farsul sugere que o episódio reflete menos uma mudança súbita de regras e mais uma incapacidade de resposta institucional diante de uma exigência já anunciada e previsível. “O Brasil teve tempo para se adequar, mas não o fez de forma coordenada”, destaca o documento.

    Impacto imediato: queda nas exportações e prejuízo ao setor

    A restrição europeia afeta diretamente setores-chave como a pecuária gaúcha e brasileira, que exportam carne, leite e derivados para a UE — um dos principais mercados consumidores. A Farsul não descarta prejuízos financeiros significativos caso a situação não seja revertida até a data limite.

    O governo brasileiro ainda não se manifestou oficialmente sobre o caso, mas fontes ouvidas pela imprensa indicam que negociações estão em andamento para evitar o bloqueio total. Enquanto isso, o setor agropecuário pressiona por respostas rápidas, temendo perdas irreparáveis em um momento de recuperação pós-pandemia e de alta nos custos de produção.

  • Farsul impõe 12 condições para securitização de R$ 171 bi da dívida rural: juros abaixo de 9%, 15 anos de prazo e inclusão de todos os credores

    Farsul impõe 12 condições para securitização de R$ 171 bi da dívida rural: juros abaixo de 9%, 15 anos de prazo e inclusão de todos os credores

    A disputa pelo futuro da dívida rural brasileira entrou em uma fase crítica. Nesta quinta-feira (21), a Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul) levou ao Congresso Nacional um plano detalhado de 12 pontos para viabilizar a securitização de R$ 171 bilhões em créditos estressados no setor agropecuário gaúcho — um volume que, segundo a entidade, pode dobrar em 12 meses se nenhuma medida estrutural for adotada.

    A lista de exigências: juros, prazos e abrangência

    Entre as condições impostas pela Farsul, destacam-se três eixos centrais: um teto de 8,5% nos juros (equivalente à taxa neutra do Banco Central), um prazo mínimo de 15 anos para quitação — com carência real antes da primeira parcela — e a inclusão de dívidas contraídas fora do sistema bancário tradicional. Segundo a entidade, juros acima de 10% tornam qualquer securitização insustentável, enquanto prazos curtos sufocam o fluxo de caixa de produtores já fragilizados.

    Ainda no pacote, a Farsul exige que a medida contemple operadores como cooperativas de grãos, revendas de insumos e cerealistas — credores muitas vezes ignorados em renegociações anteriores. Outro ponto polêmico é a extensão às chamadas operações “mata-mata”, em que produtores contraíram novos empréstimos para pagar dívidas antigas. A data de corte proposta é 30 de abril de 2026, abarcando inclusive as renegociações da MP 1.314, que somam R$ 39 bilhões em recursos livres.

    O funding estrutural e a crítica à gestão de expectativas

    Embora não defenda uma fonte específica de financiamento, a Farsul deixa claro que a solução deve ter “caráter estrutural” — e aponta o Fundo Social do Pré-Sal como opção viável. A entidade foi direta em sua crítica: “Anúncios superlativos com recursos que não se materializam não são política pública — são gestão de expectativas”. A mensagem subliminar é clara: o governo não pode repetir os erros de pacotes anteriores, que muitas vezes se resumiram a promessas vazias.

    Crises climáticas e a raiz do endividamento

    A Farsul, que completará 100 anos em 2027, justifica os 12 pilares como resultado de “décadas de acompanhamento técnico” e afirma que cada medida foi testada em crises anteriores. O texto da entidade aponta as “crises climáticas sem precedentes” como o principal gatilho do atual endividamento: sucessivos episódios de estiagem e enchentes nos últimos anos deixaram o Rio Grande do Sul em uma situação de calamidade econômica prolongada. “O campo não pede privilégio; pede condição”, declarou a federação em tom de apelo aos parlamentares e à sociedade.

    Um apelo à ação parlamentar: “Estamos às vésperas de uma solução definitiva”

    A carta da Farsul não esconde o tom de urgência. Em trecho dirigido diretamente aos congressistas, a entidade afirma: “Estamos às vésperas de uma solução definitiva; contamos e precisamos de vocês”. A mensagem reflete a pressão do setor, que teme que o tema se perca em meio a outras prioridades legislativas. A securitização da dívida rural não é apenas uma questão econômica — é um teste para a capacidade do Estado de responder a crises sistêmicas com políticas públicas duradouras.