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  • Mato Grosso inicia vazio sanitário da soja: 91 dias para conter ferrugem asiática e proteger R$ 60 bi em safra

    Mato Grosso inicia vazio sanitário da soja: 91 dias para conter ferrugem asiática e proteger R$ 60 bi em safra

    Trégua obrigatória na maior fronteira agrícola do país

    A segunda-feira (8) marcou o início do vazio sanitário da soja em Mato Grosso, período de 91 dias em que nenhum cultivo da leguminosa é permitido no estado. A medida, coordenada pela Secretaria de Estado de Desenvolvimento Rural (Sedru) e fiscalizada pela Famato, tem como alvo principal as chamadas plantas voluntárias — aquelas que brotam espontaneamente após a colheita, também conhecidas como tigueras. O objetivo é erradicar esses focos verdes antes que sirvam de hospedeiros para a ferrugem asiática (Phakopsora pachyrhizi), fungo que, segundo a Embrapa, pode reduzir a produtividade em até 90% em lavouras infectadas.

    Por que o vazio sanitário é a arma mais eficaz contra a ferrugem

    A ferrugem asiática, detectada pela primeira vez no Brasil em 2001, já causou prejuízos superiores a R$ 28 bilhões à agricultura nacional, segundo dados da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove). Em Mato Grosso — maior produtor nacional, responsável por 35% da safra brasileira — a doença é monitorada 24 horas por dia pela rede de alerta fitossanitário. Durante o vazio sanitário, que se estende até 7 de setembro, drones, técnicos da Emater-MT e fiscais estaduais percorrerão plantações, beiras de estradas e armazéns para garantir que não reste nenhum vestígio de soja viva. A multa por descumprimento pode chegar a R$ 100 mil por hectare irregular.

    Impacto econômico: proteger R$ 60 bilhões em 2026

    A safra 2025/26 de Mato Grosso, estimada em 46 milhões de toneladas de soja, gerou receitas de R$ 60 bilhões aos produtores. Com a ferrugem asiática em expansão — já registrada em 15 estados brasileiros — o vazio sanitário torna-se ainda mais crítico. “Eliminar as plantas voluntárias é a única forma de quebrar o ciclo do fungo. Se não fizermos isso, a próxima safra pode ser dizimada antes mesmo de começar”, alerta o engenheiro agrônomo José Fernando Pimentel, da Famato. Além da ferrugem, o vazio sanitário também reduz a pressão de outras pragas, como o percevejo e a lagarta da soja, otimizando o uso de defensivos agrícolas na próxima temporada.

  • São Paulo inicia vazio sanitário da soja contra ferrugem asiática: prazo e impactos para produtores

    São Paulo inicia vazio sanitário da soja contra ferrugem asiática: prazo e impactos para produtores

    O vazio sanitário da soja entrou em vigor em São Paulo nesta terça-feira (2 de junho de 2026), impondo uma pausa obrigatória no plantio e na manutenção de plantas vivas de soja em todo o estado. A medida, que se estende até 30 de setembro, é coordenada pela Agência de Defesa Agropecuária do Estado de São Paulo (Defesa Agropecuária) e tem como alvo principal o fungo Phakopsora pachyrhizi, causador da ferrugem asiática — uma das doenças mais devastadoras para a cultura.

    Por que o vazio sanitário é fundamental?

    Durante os 99 dias de restrição, a ausência de plantas de soja no campo interrompe o ciclo reprodutivo do fungo, eliminando a chamada “ponte verde”. Sem hospedeiros vivos, a população do patógeno cai drasticamente, reduzindo os riscos de infestação na próxima safra. Estudos da Embrapa indicam que essa estratégia pode diminuir em até 90% a incidência da doença, garantindo maior produtividade e menor uso de fungicidas.

    O que os produtores paulistas devem fazer agora?

    Além de cessar imediatamente qualquer atividade de plantio ou manejo, os agricultores têm um prazo adicional para regularizar a documentação:

    • Cadastro de áreas: Produtores devem declarar suas propriedades no sistema da Defesa Agropecuária até 30 de junho de 2026. A falta de cadastro ou informações incorretas pode resultar em multas e restrições na comercialização da safra seguinte.
    • Monitoramento: É obrigatório o controle de plantas voluntárias (guaxas) em áreas de pousio ou rotação de culturas, que também servem de abrigo para o fungo.
    • Comunicação: A Defesa Agropecuária recomenda que os produtores reportem qualquer foco suspeito da doença para ação imediata.

    Impacto na cadeia produtiva

    A ferrugem asiática já representa prejuízos anuais de até R$ 10 bilhões no Brasil, segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (ABIOVE). Em São Paulo, maior produtor nacional de soja, a medida é vista como um passo crítico para evitar perdas maiores. “O vazio sanitário não apenas protege a lavoura, mas também reduz a dependência de defensivos agrícolas, alinhando-se às demandas por uma agricultura mais sustentável”, afirmou um técnico da Secretaria de Agricultura de São Paulo.

    Comparação com outros estados

    São Paulo segue o ritmo de estados como Mato Grosso e Paraná, que já implementam a medida há anos. No entanto, a fiscalização em SP será reforçada com fiscalizações aéreas e terrestres em regiões críticas, como o Alto Paraíba e o Oeste Paulista, onde a soja é cultivada em larga escala.

    A expectativa é que a adesão dos produtores ao vazio sanitário supere 95%, graças a campanhas de conscientização e à pressão dos mercados internacionais, que exigem grãos livres da doença. Para quem descumprir as regras, as penalidades incluem multas de até R$ 50 mil e a interdição de áreas infectadas.