Tag: fertilizantes

  • Transição energética pode criar escassez de enxofre e elevar preços de fertilizantes até 2040

    Transição energética pode criar escassez de enxofre e elevar preços de fertilizantes até 2040

    Na última segunda-feira, 13 de julho de 2026, o mundo enfrenta um paradoxo: enquanto a transição energética avança, uma matéria-prima essencial para a agricultura — o enxofre — pode se tornar escassa. Segundo estudo publicado na revista The Geographical Journal por pesquisadores da University College London e outras instituições, mais de 80% do enxofre comercializado globalmente é obtido como subproduto da dessulfurização do petróleo e do gás natural. Com a redução da demanda por combustíveis fósseis, a oferta desse elemento tende a cair justamente quando a agricultura precisa aumentar sua produção para alimentar uma população em crescimento.

    Enxofre: o elo frágil entre energia e alimentação

    Atualmente, o enxofre é insumo básico para a fabricação de fertilizantes fosfatados e sulfatados, cruciais para a produtividade do solo. A dependência de sua obtenção a partir do petróleo e do gás — processos como a remoção de enxofre (H₂S) do gás natural — coloca a indústria em uma encruzilhada. O estudo projeta que, até 2040, a disponibilidade do elemento pode ser insuficiente para atender à demanda agrícola, especialmente em países em desenvolvimento.

    Risco logístico: Estreito de Ormuz como ponto de vulnerabilidade

    O cenário se agrava com as tensões geopolíticas. Em entrevista à CNN Internacional em junho de 2026, o CEO da Fertiglobe, Ahmed El-Hoshy, revelou que 47% do enxofre comercializado globalmente transita pelo Estreito de Ormuz, uma das rotas mais críticas para o transporte de fertilizantes e matérias-primas do Oriente Médio. Qualquer interrupção nesse fluxo — seja por conflitos, sanções ou instabilidade política — poderia agravar a crise de oferta e disparar os preços.

    Consequências: da lavoura ao prato

    Os impactos não se limitariam à agricultura. A escassez de enxofre pode elevar os custos de produção de fertilizantes, encarecendo alimentos básicos como grãos e hortaliças. Além disso, setores industriais que dependem do elemento — como a produção de plásticos, papel e produtos químicos — também sentiriam o aperto. Especialistas já alertam para a necessidade de investimentos em tecnologias alternativas, como a recuperação de enxofre de minas ou a reciclagem de resíduos industriais, para mitigar o problema.

    O que vem por aí?

    Governos e empresas do setor agroindustrial precisam agir rápido. A transição energética é inevitável, mas sua implementação deve considerar os riscos colaterais. Enquanto países como Brasil e Índia, grandes consumidores de fertilizantes, dependem de importações de enxofre, a busca por soluções sustentáveis — como a produção sintética ou a diversificação de rotas logísticas — torna-se urgente. Sem essas medidas, o mundo pode enfrentar não apenas uma crise de energia, mas também de fome.

  • Recuo de 8,6% nas importações de insumos agrícolas abre espaço para a indústria nacional

    Recuo de 8,6% nas importações de insumos agrícolas abre espaço para a indústria nacional

    A queda no volume de importações e seus impactos

    As importações brasileiras das principais matérias-primas para fertilizantes recuaram 8,6% no primeiro semestre de 2026, na comparação com o mesmo período de 2025, conforme dados da StoneX. Em 2025, o Brasil havia registrado o maior volume da série histórica, com 45,5 milhões de toneladas importadas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

    Produtos críticos: onde as quedas mais doeram

    A redução foi puxada por insumos essenciais para a agricultura nacional. A ureia, por exemplo, teve suas importações reduzidas em 32%, enquanto o MAP (Fosfato Monoamônico) caiu 24%. Nitrato de amônio e enxofre registraram quedas ainda mais expressivas, de 42% cada. A exceção ficou por conta do cloreto de potássio e do TSP, que avançaram, impulsionados pela migração da demanda diante da oferta restrita de MAP e DAP no mercado internacional.

    Cenário internacional e oportunidades para o Brasil

    A StoneX atribui o movimento à cautela dos compradores diante das incertezas globais e das relações de troca menos favoráveis dos últimos anos. Essa retração, no entanto, pode representar uma oportunidade para a indústria nacional de fertilizantes, que passa a ter menos concorrência de importados e potencial para suprir a demanda doméstica com produtos locais. Especialistas do setor já sinalizam que a redução nas importações pode ser um sinal de alerta para a safra de 2027, caso a tendência se mantenha.

  • Petrobras investe R$ 5 bilhões em fábrica de fertilizantes em MS: retomada de empreendimento estratégico para o agro nacional

    Petrobras investe R$ 5 bilhões em fábrica de fertilizantes em MS: retomada de empreendimento estratégico para o agro nacional

    Retomada de obra estratégica com participação do presidente Lula

    A Petrobras formalizou na última quinta-feira (25/6) os contratos para a retomada das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados (UFN-III), localizada em Três Lagoas (MS). O evento, que contou com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marca a retomada de um projeto 100% Petrobras, agora com aporte superior a R$ 5 bilhões e apoio do novo PAC.

    Impacto econômico e geração de empregos

    As obras, que devem ter início ainda neste mês de junho de 2026, têm potencial para criar cerca de 8 mil vagas de trabalho diretas e indiretas. Segundo a estatal, a unidade deve entrar em operação até 2029, contribuindo significativamente para a redução da dependência nacional de importações de ureia, um dos principais fertilizantes nitrogenados utilizados no agronegócio brasileiro.

    Capacidade produtiva e importância para o setor agroindustrial

    A UFN-III terá capacidade nominal de 3.600 toneladas por dia de ureia e 2.200 toneladas diárias de amônia. Enquanto a ureia é fundamental para o setor agrícola, a amônia serve como insumo para a produção de fertilizantes e também é aplicada em indústrias químicas e sistemas de refrigeração. A nova unidade deve atender a aproximadamente 15% da demanda nacional de ureia, reforçando a segurança alimentar do país.

  • Brasil avança na autossuficiência de fertilizantes: primeira fábrica de fosfatado natural no RS entra em operação com R$ 230 mi e potencial de 300 mil toneladas/ano

    Brasil avança na autossuficiência de fertilizantes: primeira fábrica de fosfatado natural no RS entra em operação com R$ 230 mi e potencial de 300 mil toneladas/ano

    A Águia Fertilizantes S.A., por meio do Projeto Fosfato Três Estradas, inaugurou em 25 de junho de 2026 a primeira fábrica de fertilizante fosfatado natural do Rio Grande do Sul. O empreendimento, que contou com investimento superior a R$ 230 milhões, tem capacidade para produzir até 300 mil toneladas anuais, alinhando-se à estratégia nacional de reduzir a dependência externa de insumos agrícolas — um dos principais gargalos do setor.

    Um passo decisivo para a segurança alimentar brasileira

    O Brasil, segundo maior importador global de fertilizantes, importa cerca de 80% dos insumos utilizados em suas lavouras, cenário agravado por conflitos geopolíticos e flutuações nos preços internacionais. A nova unidade, localizada no estado gaúcho, chega em um momento crítico para o agronegócio, oferecendo uma alternativa local ao fosfato, insumo essencial para a produtividade das culturas.

    Impacto econômico e cadeia produtiva

    Além de diminuir a pressão sobre as divisas nacionais, a fábrica deve gerar empregos diretos e indiretos na região, além de fortalecer a cadeia de fornecedores locais. Especialistas destacam que a produção de fertilizantes fosfatados naturais pode reduzir custos para os produtores rurais, especialmente em um cenário de alta nos preços dos insumos tradicionais, como ureia e potássio, tradicionalmente importados.

    Perspectivas para o futuro do agronegócio

    O projeto gaúcho é apenas o início de uma série de iniciativas que visam ampliar a produção nacional de fertilizantes. Com a demanda global por alimentos em ascensão e a crescente preocupação com a sustentabilidade, a autossuficiência nesse segmento torna-se cada vez mais urgente. A expectativa é que, nos próximos anos, outras unidades similares sejam implantadas em diferentes regiões do país, reduzindo a vulnerabilidade do setor.

  • Inadimplência no agro e guerra no Irã derrubam previsão de vendas de fertilizantes no Brasil para 2026

    Inadimplência no agro e guerra no Irã derrubam previsão de vendas de fertilizantes no Brasil para 2026

    A incerteza no campo brasileiro nunca foi tão alta. Em relatório divulgado na última quarta-feira (24 de junho de 2026), o Rabobank reduziu ainda mais suas expectativas para o mercado de fertilizantes no país, projetando uma queda de 8,2% nas vendas em 2026 em comparação ao recorde de 2025. A previsão, que já era negativa em abril, agora aponta para um volume de 45,1 milhões de toneladas — o menor desde 2022, quando a invasão russa à Ucrânia desestabilizou o mercado global de insumos agrícolas.

    Crédito escasso e preços inflados: o peso da inadimplência no agro

    A principal justificativa para a revisão é a inadimplência recorde entre os agricultores brasileiros, que limita o acesso a financiamentos e reduz a capacidade de compra de insumos. O cenário é agravado pela alta dos preços dos fertilizantes, impulsionada pela guerra no Irã, que fechou o Estreito de Ormuz — rota crítica para o transporte de petróleo e, indiretamente, de insumos agrícolas. A escalada de preços do combustível, por sua vez, encarece toda a cadeia logística, desde a produção até a distribuição dos adubos.

    De 47,2 para 45,1 milhões de toneladas: o que mudou desde abril

    Em abril de 2026, o Rabobank já havia ajustado suas projeções para baixo, estimando uma demanda de 47,2 milhões de toneladas em 2026, considerando os efeitos da guerra no Irã. Na ocasião, a redução de 2 milhões de toneladas refletia o cenário de preços elevados e incerteza geopolítica. Agora, a empresa reconhece que a situação piorou: a inadimplência no agro brasileiro — setor já fragilizado por safras anteriores com margens apertadas — tornou-se um fator decisivo para a queda adicional nas vendas.

    Consequências para o campo e a economia brasileira

    A redução no consumo de fertilizantes não é apenas um dado de mercado: ela sinaliza um ciclo de menor produtividade para as próximas safras, especialmente em culturas dependentes de insumos intensivos, como soja e milho. Além disso, a pressão sobre os preços dos alimentos pode se agravar, afetando desde o bolso do consumidor até as exportações brasileiras, já que o país é um dos maiores fornecedores globais de commodities agrícolas. Para o Rabobank, o desafio agora é monitorar se os agricultores conseguirão acessar linhas de crédito alternativas ou se a crise de inadimplência se aprofundará, comprometendo ainda mais a safra de 2027.

  • IPCF recua 0,4% em junho: commodities em baixa e ureia despenca 15%, mas dólar ameniza impactos na safra 2026

    IPCF recua 0,4% em junho: commodities em baixa e ureia despenca 15%, mas dólar ameniza impactos na safra 2026

    Commodities em queda livre: petróleo e grãos pressionam insumos

    O Índice de Poder de Compra de Fertilizantes (IPCF) de junho de 2026 registrou 1,55, uma leve retração de 0,4% em relação a maio, impulsionada pela queda de 6% nas commodities. Entre os principais vilões, o petróleo liderou as baixas ao recuar 18%, reflexo da sobreoferta global e do enfraquecimento da demanda em economias-chave. No front interno, a colheita recorde da safra de soja — com queda de 7% nos preços — e o início da colheita do milho safrinha (3% de desvalorização) exerceram pressão adicional sobre os custos dos fertilizantes.

    Ureia despenca 15%, mas dólar e fosfatados ajudam a conter o estrago

    As matérias-primas seguiram a tendência de baixa, com recuo médio de 4%. A ureia, insumo crítico para a agricultura brasileira, registrou a maior queda: 15% no período. O superfosfato simples também cedeu 7%, enquanto o cloreto de potássio subiu 2% e o fosfato monoamônico avançou 1%, amenizando o impacto negativo. A desvalorização do dólar frente ao real (2,5% no mês) contribuiu para reduzir a pressão sobre os preços no mercado interno, mas não foi suficiente para evitar o alerta para os custos da safra 2026.

    Atrazo nas compras e incertezas globais: o que vem por aí

    O recuo nos preços dos fertilizantes, embora benéfico para o bolso do produtor no curto prazo, esconde riscos para a próxima safra. O atraso nas compras — motivado pela expectativa de novos ajustes nos preços — pode resultar em escassez de insumos nos momentos críticos, como o plantio. Além disso, a volatilidade das commodities e a dependência de fatores externos, como o preço do petróleo e a safra global de grãos, mantêm os produtores em estado de alerta. Para o agronegócio, que já enfrenta margens apertadas, a combinação de preços instáveis e demanda crescente pode redefinir estratégias de plantio e aquisição de insumos.

  • Queda nos fertilizantes: janela de oportunidade ou sinal de alerta para o agro em 2026?

    Queda nos fertilizantes: janela de oportunidade ou sinal de alerta para o agro em 2026?

    O mercado global de fertilizantes, que há meses operava sob forte volatilidade e custos elevados, começa a mostrar os primeiros sinais de alívio. Na última semana, a desaceleração em matérias-primas estratégicas e a melhora pontual nas relações de troca internacional reaqueceram discussões no agro brasileiro, onde os insumos representam até 30% dos custos operacionais.

    Da crise à oportunidade: o que mudou no cenário dos fertilizantes?

    A queda nos preços, embora bem-vinda, não é consenso entre especialistas. Enquanto alguns produtores e tradings veem a janela como uma chance para aquisições antecipadas — aproveitando a baixa para estocar insumos e reduzir riscos na safra 2026/27 —, outros alertam para a instabilidade ainda presente no mercado. Fatores como a demanda chinesa, a guerra na Ucrânia e a política de estoques de países como Índia e Marrocos mantêm o setor em estado de alerta.

    Estratégias de compra: antecipar ou esperar?

    A decisão de comprar fertilizantes antecipadamente é complexa. Consultorias como a Safras & Mercado e a Datagro destacam que, embora a queda atual seja real, a volatilidade histórica exige cautela. Produtores de grãos, como soja e milho, já começam a revisar orçamentos, mas muitos optam por contratos de hedge ou compras escalonadas para mitigar riscos. A dica de ouro: monitorar o mercado de commodities e as políticas de exportação dos principais fornecedores globais.

    Impacto no agro brasileiro: mais do que preço, uma questão de competitividade

    Para o Brasil, que depende de importações para cerca de 80% dos fertilizantes, a queda nos preços pode ser um alívio temporário. No entanto, a competitividade do agro nacional ainda depende de outros fatores, como logística, câmbio e políticas de incentivo. A queda dos insumos, se sustentável, poderia impulsionar a margem de lucro dos produtores, mas especialistas como o economista José Garcia Gasques (Embrapa) alertam: “A volatilidade é a regra, não a exceção. O setor precisa se preparar para ciclos de alta e baixa”.

  • Conflitos no Oriente Médio forçam agricultores brasileiros a repensar estratégia de fertilizantes

    Conflitos no Oriente Médio forçam agricultores brasileiros a repensar estratégia de fertilizantes

    Pressão geopolítica derruba importações e eleva preços

    Na data de hoje, 9 de junho de 2026, os conflitos no Oriente Médio seguem criando um efeito dominó no agronegócio brasileiro. Dados da consultoria StoneX revelam que, entre janeiro e maio, o Brasil importou 14,6 milhões de toneladas de fertilizantes — um recuo de 5% em comparação ao mesmo período de 2025. A queda reflete não apenas a redução da oferta em mercados-chave, mas também a precaução de agricultores e importadores diante da volatilidade dos preços internacionais.

    Custos em alta e incerteza definem novas estratégias

    O analista de fertilizantes da StoneX, Tomás Pernías, destaca que a retração não é exclusividade do Brasil. Desde o agravamento dos conflitos na região, o mercado global tem reagido com cautela, limitando negociações e empurrando os custos para patamares menos atrativos. Produtores brasileiros, já acostumados a depender de insumos importados, agora precisam reavaliar suas estratégias, reduzindo compras de fertilizantes tradicionais e buscando alternativas mais competitivas ou nacionais.

    O que muda na safra 2026/2027?

    A pressão sobre os fertilizantes — insumos críticos para a produtividade agrícola — pode gerar dois cenários distintos: ou os produtores optam por reduzir áreas plantadas para conter custos, ou investem em tecnologias e insumos alternativos, como biofertilizantes ou fertilizantes produzidos localmente. Independentemente da escolha, a adaptação será inevitável em um mercado onde a segurança alimentar global já está em jogo.

  • Brasil e Panamá firmam acordo histórico para garantir fertilizantes e abrir mercado para sementes de coco e café

    Brasil e Panamá firmam acordo histórico para garantir fertilizantes e abrir mercado para sementes de coco e café

    Uma missão técnica do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), liderada pela ministra Izabella Teixeira e realizada entre os dias 2 e 6 de junho de 2026, resultou em avanços concretos nas relações comerciais entre o Brasil e o Panamá. O objetivo central foi fortalecer a logística de fertilizantes — insumo crítico para a agricultura brasileira — e ampliar o acesso de produtos agropecuários brasileiros ao mercado centro-americano.

    Fertilizantes: Nova rota para reduzir dependência de fornecedores asiáticos

    A comitiva brasileira identificou oportunidades para diversificar as rotas de importação de fertilizantes, atualmente concentradas em países como Rússia e China. Segundo dados do Mapa, o Brasil importa cerca de 60% dos fertilizantes que consome, o que torna a segurança no abastecimento um pilar da estratégia governamental. O Panamá, por sua localização estratégica no Canal do Panamá, pode se tornar um hub logístico alternativo para a distribuição de insumos agrícolas para o Mercosul e demais países da América Latina.

    Sementes brasileiras de coco e café ganham mercado no Panamá

    Além da pauta de fertilizantes, a missão obteve sucesso na abertura do mercado panamenho para sementes brasileiras de coco e café. Até então, o Panamá restringia a entrada desses produtos por questões fitossanitárias. Agora, com a formalização do acordo, os produtores brasileiros poderão exportar essas culturas para o país centro-americano, onde a demanda por café de qualidade e derivados do coco tem crescido nos últimos anos. A medida deve impulsionar as exportações do setor, que já faturam mais de US$ 5 bilhões anuais com café e coco.

    Agropecuária brasileira: Competitividade em xeque

    O acordo com o Panamá integra uma série de iniciativas do Plano Safra 2026/2027, que prevê investimentos de R$ 300 bilhões em crédito rural, pesquisa agropecuária e infraestrutura logística. Segundo analistas, a diversificação de parceiros comerciais é fundamental para reduzir os custos de produção e garantir a sustentabilidade do agronegócio brasileiro, especialmente em um cenário de volatilidade nos preços internacionais de insumos. “O Brasil precisa reduzir sua dependência de rotas logísticas concentradas e explorar mercados como o panamenho, que oferecem vantagens competitivas”, avalia o economista agrícola Carlos Eduardo Fredo, da FGV Agro.

    O que vem pela frente?

    Nos próximos meses, equipes técnicas do Mapa e do Ministério das Relações Exteriores (MRE) negociarão a implementação prática do acordo, incluindo a definição de protocolos fitossanitários para a entrada de sementes e a construção de terminais logísticos no Porto de Colón, principal porta de entrada de mercadorias no Panamá. Além disso, está prevista a realização de uma feira agropecuária bilateral ainda em 2026, com participação de empresas brasileiras e panamenhas.

  • Fertilizantes: Congresso libera R$ 10 bilhões para reduzir dependência externa do agro

    Fertilizantes: Congresso libera R$ 10 bilhões para reduzir dependência externa do agro

    Dependência externa ameaça a liderança do agro brasileiro

    A dependência de 85% dos fertilizantes importados expõe o agronegócio brasileiro a riscos estruturais, especialmente após crises como a guerra na Ucrânia, que desestabilizou cadeias globais de suprimentos, e a volatilidade do preço do gás natural — insumo fundamental para a produção de nitrogenados. O país, que figura entre os maiores exportadores de commodities agrícolas, precisa urgentemente reduzir essa vulnerabilidade para garantir a segurança alimentar global e a competitividade do setor.

    R$ 10 bilhões em incentivos para reindustrializar o setor

    O Projeto de Lei 699/23, aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 28 de maio de 2026, libera até R$ 10 bilhões em incentivos fiscais ao longo de cinco anos. Os recursos serão destinados à construção de novas fábricas, ampliação de unidades existentes e modernização do parque industrial brasileiro de fertilizantes. A proposta, agora em tramitação no Senado, representa um marco na estratégia de reindustrialização do setor e alinhamento com políticas de soberania nacional.

    Crises globais aceleram a necessidade de autossuficiência

    A pandemia de Covid-19 e a guerra na Ucrânia revelaram a fragilidade das cadeias globais de suprimentos, com impactos diretos nos preços dos alimentos e na inflação. No caso dos fertilizantes, o Brasil depende majoritariamente de importações da Rússia, China e Canadá. A crise energética, agravada pela alta do gás natural — principal insumo para fertilizantes nitrogenados — tornou ainda mais urgente a busca por alternativas locais. Investimentos em pesquisa e inovação, como o desenvolvimento de tecnologias para exploração de reservas de potássio e fosfato, ganham novo impulso com o projeto.

    Consequências para o futuro do agro e da economia

    A aprovação do PL 699/23 pode redefinir o cenário do agronegócio brasileiro, reduzindo custos de produção, aumentando a competitividade das lavouras e diminuindo a pressão sobre a balança comercial. Além disso, a medida alinha-se a políticas de transição energética e descarbonização, já que a produção local de fertilizantes pode ser integrada a práticas agrícolas sustentáveis. Para o Senado, resta avaliar ajustes técnicos e priorizar a celeridade, dada a urgência do tema.