Tag: fitossanidade

  • Controles fitossanitários blindam exportações brasileiras de grãos contra barreiras internacionais

    Controles fitossanitários blindam exportações brasileiras de grãos contra barreiras internacionais

    O setor de exportação de grãos brasileiro enfrenta um desafio operacional crítico: garantir que amostras de lotes gigantescos, destinados a mercados internacionais, sejam representativas o suficiente para evitar reprovações fitossanitárias. Na prática, uma única não conformidade pode inviabilizar um carregamento inteiro após meses de preparação.

    Tecnologia e rastreabilidade como pilares da redução de riscos

    Empresas do ramo investem em sistemas avançados de amostragem automatizada e softwares de rastreabilidade para minimizar erros humanos e assegurar que cada lote exportado mantenha padrões rigorosos. Segundo Fátima Parizzi, consultora técnica da ABIOVE e ANEC, a complexidade está não apenas no volume – que pode atingir milhares de toneladas por navio – mas na necessidade de acessar toda a massa de grãos de forma eficiente.

    O impacto das barreiras fitossanitárias no comércio global

    Com as exportações brasileiras de grãos atingindo US$ 87,1 bilhões no primeiro semestre de 2026, conforme dados do Ministério da Agricultura, a pressão por conformidade internacional nunca foi tão alta. Pragas quarentenárias, como a ferrugem asiática da soja ou o caruncho-do-milho, representam riscos que podem fechar portas em mercados como China, União Europeia e Oriente Médio.

    Consequências de uma notificação fitossanitária

    Quando um lote é reprovado por presença de contaminantes ou pragas, o prejuízo vai além do valor da carga: envolve custos logísticos de retorno, multas contratuais e danos à reputação do exportador. Por isso, a capacitação de equipes e a adoção de protocolos internacionais de controle estão se tornando tão estratégicas quanto a própria produção agrícola.

  • Cientistas brasileiros desenvolvem solução inovadora contra doença que ameaça cíclames, plantas ornamentais que movem R$ 500 mi por ano na América do Sul

    Cientistas brasileiros desenvolvem solução inovadora contra doença que ameaça cíclames, plantas ornamentais que movem R$ 500 mi por ano na América do Sul

    Parceria científico-industrial derruba paradigma no controle de doenças vegetais

    Em um avanço que pode redefinir os padrões do agronegócio ornamental, pesquisadores brasileiros uniram expertise acadêmica e inovação industrial para criar uma estratégia inédita contra a murcha de Fusarium, principal inimiga das plantas de cíclame (Cyclamen). A solução, que combina o composto vegetal β-cariofileno — naturalmente produzido pela planta em resposta à infecção fúngica — com o óxido de grafeno derivado do grafite, demonstrou eficácia superior aos métodos convencionais, reduzindo a volatilidade do ativo natural e prolongando sua ação protetora.

    Brasil lidera produção sul-americana, mas doença ameaça setor

    A cultura do cíclame movimenta cerca de R$ 500 milhões anuais na América do Sul, com o Brasil respondendo por 40% desse mercado, segundo dados do Ministério da Agricultura. No entanto, a doença, causada pelo fungo Fusarium oxysporum f. sp. cyclaminis, pode dizimar até 30% das lavouras em casos graves, forçando produtores a recorrer a fungicidas químicos de alto impacto ambiental. A nova abordagem, desenvolvida pela Embrapa Meio Ambiente (SP), Unicamp e PPS Compósitos, surge como uma alternativa sustentável e economicamente viável.

    Como funciona a inovação

    O β-cariofileno, molécula presente em diversas plantas e associada a mecanismos de defesa vegetal, é naturalmente produzido pelas plantas de cíclame após a infecção pelo fungo. No entanto, sua alta volatilidade limitava sua eficácia como agente de controle. A solução veio com a adição do óxido de grafeno, que forma uma camada protetora sobre as folhas e caules, liberando o composto de forma gradual e potencializando seu efeito antifúngico. Testes laboratoriais e de campo comprovaram que a combinação reduz a incidência da doença em até 80% em comparação ao uso isolado do β-cariofileno, além de dispensar o uso de agrotóxicos sintéticos.

    Impactos econômicos e ambientais

    Além de diminuir as perdas produtivas, a tecnologia desenvolvida promete reduzir os custos com insumos químicos, que representam até 20% do orçamento de pequenos e médios produtores de cíclame. Segundo especialistas, a solução também abre caminho para o desenvolvimento de novos produtos biotecnológicos no setor ornamental, que movimenta R$ 2,5 bilhões anuais no Brasil. Para a Embrapa, o projeto reforça o potencial do país como líder em inovação agroambiental, especialmente em culturas de alto valor agregado como o cíclame.

    Próximos passos: da bancada para o campo

    Os pesquisadores já iniciaram os trâmites para o registro da patente da tecnologia e buscam parcerias com cooperativas de produtores para a produção em escala do composto. O objetivo é comercializar o produto até 2027, inicialmente para o mercado interno e, posteriormente, para países como Colômbia e Peru, principais concorrentes do Brasil no setor. Enquanto isso, a equipe estuda a aplicação da mesma estratégia em outras culturas suscetíveis a doenças fúngicas, como morango e tomate.

  • Greening avança no Sul: Rio Grande do Sul registra primeiros casos da doença em cítricos

    Greening avança no Sul: Rio Grande do Sul registra primeiros casos da doença em cítricos

    O Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com a Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul, confirmou em 8 de junho de 2026 os primeiros casos de greening (Huanglongbing – HLB) em plantas cítricas no estado. A doença, transmitida pelo inseto Diaphorina citri e causada pela bactéria Candidatus Liberibacter, foi detectada em um pomar doméstico no município de Palmitinho, na região do Médio Alto Uruguai, próxima à divisa com Santa Catarina.

    Monitoramento de décadas e alerta regional

    A vigilância que identificou os casos é resultado de um programa conjunto entre o Mapa e a Secretaria da Agricultura gaúcha, em operação desde 2004. Nos últimos anos, as ações foram intensificadas devido à expansão da doença em países vizinhos, como Argentina, Uruguai e Santa Catarina, onde a doença já causou prejuízos significativos à citricultura.

    Medidas fitossanitárias já em vigor

    Diante da confirmação, o estado já adotou protocolos de contenção, incluindo a erradicação das plantas infectadas e o controle do vetor. A Secretaria de Agricultura do RS orienta produtores e moradores a relatarem sintomas suspeitos, como folhas amareladas com manchas assimétricas e frutos deformados, em áreas comerciais ou residenciais.

    Impacto econômico e desafios para o setor

    A entrada do greening no Rio Grande do Sul representa um risco para a cadeia produtiva de cítricos, que movimenta cerca de R$ 1,2 bilhão anualmente no estado. A doença, incurável, pode dizimar pomares se não controlada, exigindo investimentos em fiscalização e conscientização. Especialistas alertam que a proximidade com Santa Catarina, onde a doença já é endêmica, exige atenção redobrada para evitar uma crise semelhante.