O Brasil, tradicionalmente um dos maiores exportadores de proteína animal do mundo, viu em um ‘desprezado’ subproduto do frango uma oportunidade de ouro. O chamado ‘chicken paws’ — ou ‘garras de frango’ —, classificado como lixo em muitos países, tornou-se um superalimento na China, movimentando um faturamento anual de R$ 221 milhões.
Da cozinha doméstica aos banquetes imperiais
Para o consumidor brasileiro, o pé de galinha é um item de baixo custo, muitas vezes associado a sopas ou pratos regionais. Contudo, na cultura gastronômica chinesa, essas estruturas — ricas em colágeno e colagenase — são consideradas um ingrediente nobre, presente em pratos como os Dim Sum, petiscos de luxo e até mesmo em refeições medicinais tradicionalmente chinesas.
O Brasil domina o mercado asiático
Segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), o país é o principal fornecedor de chicken paws para a China, respondendo por quase a totalidade das importações desse produto na potência asiática. A demanda chinesa por esse subproduto não é passageira: trata-se de uma tendência consolidada, impulsionada pela busca por alimentos funcionais e pela valorização do aproveitamento integral das carcaças no agronegócio global.
Lucro líquido: como o ‘lixo’ vira receita
A estratégia dos frigoríficos brasileiros foi simples: transformar um resíduo em commodity. Enquanto as asas, coxas e peitos de frango disputam espaço no mercado interno e externo, o pé de galinha — antes descartado ou vendido a preços irrisórios — passou a ser separado, processado e exportado com margens de lucro que chegam a 300% em relação ao mercado doméstico.
Especialistas do setor projetam que, até 2028, as exportações brasileiras desse subproduto poderão superar os R$ 300 milhões anuais, consolidando o Brasil como o fornecedor número 1 da China nesse nicho. Para os frigoríficos, trata-se de uma revolução silenciosa — enquanto a carne de frango perde competitividade em alguns mercados, a ‘ponta do pé’ se torna um ativo estratégico.
