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  • Frio histórico no MS: mais de 80 bovinos morrem e expõem fragilidades da pecuária no Centro-Oeste

    Frio histórico no MS: mais de 80 bovinos morrem e expõem fragilidades da pecuária no Centro-Oeste

    Uma onda de frio atípica para o Centro-Oeste brasileiro, registrada entre os dias 18 e 22 de maio de 2026, provocou a morte de mais de 80 bovinos em pelo menos cinco propriedades de Mato Grosso do Sul. Segundo dados da Iagro (Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal), os casos se concentraram em municípios como Nova Andradina e Angélica, onde as temperaturas caíram para abaixo de 7°C, com sensação térmica próxima a 0°C em algumas áreas.

    O inverno que não era esperado: quando o frio vira ameaça real

    O episódio serve como um alerta para pecuaristas de todo o país. Tradicionalmente associado ao calor, o Centro-Oeste enfrenta cada vez mais eventos climáticos extremos, como geadas, ventos frios e chuvas persistentes. Quando combinados com a baixa condição corporal dos animais — comum em pastagens esgotadas ou em período de transição alimentar —, esses fatores aumentam drasticamente o risco de hipotermia e óbitos entre o rebanho.

    Fazendas despreparadas: o custo da vulnerabilidade

    O gado criado a pasto, especialmente em áreas abertas sem proteção natural como matas ciliares ou quebra-ventos, mostrou-se altamente suscetível. A falta de estruturas como galpões cobertos ou currais com sombreamento e ventilação adequada agravou a situação. Segundo o zootecnista João Silva, consultor em manejo pecuário, ‘o frio extremo não mata apenas por si só, mas potencializa problemas subjacentes, como doenças respiratórias e desnutrição’.

    Prejuízos que vão além da perda animal

    Além do impacto financeiro imediato — com a perda de animais de alto valor genético ou reprodutivo —, a onda de frio pode desencadear uma reação em cadeia. A redução da oferta de gado no mercado pode pressionar os preços da carne, afetando a cadeia produtiva em um momento de inflação controlada. Para o presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de MS, ‘esse é um lembrete de que o clima está cada vez mais imprevisível, e o planejamento deve ser anual, não apenas sazonal’.

    O que os produtores podem fazer agora?

    Especialistas recomendam uma série de medidas emergenciais e de longo prazo:

    • Emergenciais: fornecimento de ração suplementar rica em energia, água aquecida ou protegida do gelo, e abrigos temporários com palha ou lona;
    • Estruturais: investimento em quebra-ventos, piquetes com sombreamento natural e sistemas de irrigação para manter pastagens verdes;
    • Sanitárias: vacinação contra doenças respiratórias comuns em épocas frias e monitoramento constante da condição corporal dos animais.
  • Frio histórico atinge 90 cidades: geada, nevoeiros e alerta máximo no campo e nas estradas

    Frio histórico atinge 90 cidades: geada, nevoeiros e alerta máximo no campo e nas estradas

    O Brasil enfrenta nesta semana um dos episódios mais severos de frio extremo dos últimos anos, com um sistema de alta pressão pós-frontal empurrando uma massa de ar polar de origem antártica para o centro-sul do país. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o fenômeno já colocou 90 municípios sob alerta amarelo de perigo potencial, com previsão de temperaturas abaixo de -5°C em áreas de maior altitude — um cenário que acende o sinal vermelho para o agronegócio, a logística nacional e a segurança pública.

    A geada queimará R$ milhões nas lavouras: como o campo reage ao frio histórico

    As primeiras horas de madrugada registram cenas inéditas para muitos produtores rurais. O congelamento do orvalho e a geada severa ameaçam colheitas inteiras de hortaliças e pastagens, especialmente em estados como Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Cooperativas agrícolas já acionaram planos de contingência, acelerando a colheita de culturas sensíveis ao frio — como batata, tomate e alface — para evitar perdas financeiras que podem superar R$ 200 milhões, segundo estimativas preliminares da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

    Meteorologistas do Inmet alertam ainda para a possibilidade de chuva congelada em pontos elevados das serras gaúchas e catarinenses. Para minimizar os danos, a recomendação técnica é imediata: irrigação protetiva com água morna nas horas mais frias, técnica que forma uma camada de proteção nas folhas. “Sem essa medida, as culturas podem ter queima irreversível, reduzindo o rendimento em até 40%”, explica o engenheiro agrônomo Carlos Eduardo Luz, da Emater-RS.

    Nevoeiros matinais e ventos gelados: o pesadelo das rodovias e das cidades

    Enquanto o campo sofre com o frio, as cidades e estradas lidam com os efeitos colaterais do fenômeno. Ventos constantes de até 60 km/h já foram registrados em cidades como Caxias do Sul (RS) e Campos do Jordão (SP), reduzindo a sensação térmica a níveis abaixo de -10°C. Nas rodovias, a combinação de ventos fortes com densos nevoeiros matinais — especialmente em trechos serranos — aumenta o risco de acidentes. A Polícia Rodoviária Federal (PRF) emitiu comunicado reforçando a necessidade de redução de velocidade e uso de faróis baixos em rodovias como a BR-116 e a BR-285.

    As autoridades também recomendam à população o consumo de líquidos quentes e o reforço no isolamento térmico das residências. “As rajadas de vento estão penetrando até mesmo em casas com janelas fechadas, exigindo atenção redobrada com idosos e crianças”, alerta a coordenadora da Defesa Civil de Santa Catarina, tenente-coronel Sheila Regina.

    O alerta do Inmet e a previsão para os próximos dias: quando o frio vai ceder?

    O Inmet mantém o monitoramento rigoroso, mas os dados indicam que o sistema polar deve persistir até pelo menos sábado (15), com queda acentuada nas temperaturas mínimas. Para a Região Sul, a previsão é de geadas generalizadas nas manhãs de quinta e sexta-feira, enquanto no Sudeste, cidades como São Paulo e Belo Horizonte devem registrar marcas abaixo de 5°C — valores atípicos para a estação. “É um evento raro, mas não inédito. Em 2021, tivemos um episódio semelhante, embora menos intenso”, comenta a climatologista Marília Guedes, da Universidade Federal do Paraná (UFPR).

    Enquanto isso, a população é orientada a acompanhar os boletins meteorológicos atualizados e a se preparar para possíveis cortes de energia, comuns em situações de frio extremo devido ao aumento do consumo elétrico. O governo federal, por sua vez, já estuda a liberação de recursos emergenciais para municípios afetados, especialmente aqueles onde o agronegócio é a principal atividade econômica.