Tag: genética bovina

  • Brasil avança em genética bovina: laboratório produz 30 mil embriões por mês e consolida liderança global

    Brasil avança em genética bovina: laboratório produz 30 mil embriões por mês e consolida liderança global

    O Brasil consolidou sua posição como potência global na pecuária ao inaugurar, na última sexta-feira, 27 de maio de 2026, o novo laboratório da CPEX Embriões em Mogi Mirim (SP). A estrutura, projetada para operar nos mais altos padrões da biotecnologia, marca um salto qualitativo na produção de embriões bovinos, com capacidade recorde de 30 mil unidades por mês.

    Tecnologia inspirada na indústria farmacêutica

    A nova unidade combina tecnologia de ponta — inspirada nos rígidos controles da indústria farmacêutica — com um ambiente controlado e sistemas automatizados para garantir a excelência na fertilização in vitro (FIV), sexagem embrionária e clonagem. Segundo Matheus Oliveira, sócio-fundador da CPEX, o investimento responde à crescente demanda por genética superior e eficiência produtiva nas fazendas brasileiras.

    Impacto na cadeia produtiva e liderança global

    O avanço coloca o Brasil em destaque no mercado internacional de genética bovina, especialmente em países como EUA, China e Austrália, onde a demanda por embriões de alto valor genético tem crescido. A inovação também abre caminho para pesquisas inéditas em áreas como edição genética e resistência a doenças, fortalecendo a competitividade do agronegócio nacional.

    O que muda para os produtores?

    Para os pecuaristas, a maior capacidade produtiva e a redução de custos operacionais prometem democratizar o acesso a tecnologias antes restritas a grandes players. Além disso, a possibilidade de produzir embriões com características específicas — como maior ganho de peso ou resistência a parasitas — deve transformar a produtividade das propriedades rurais.

  • Embrapa Gado de Leite lança sumários genômicos na Megaleite 2026 para alavancar produtividade leiteira

    Embrapa Gado de Leite lança sumários genômicos na Megaleite 2026 para alavancar produtividade leiteira

    Ciência a serviço do produtor: Embrapa reforça parceria na Megaleite 2026

    A Embrapa Gado de Leite chega à 21ª Megaleite, que ocorre entre os dias 1º e 6 de junho de 2026 no Parque de Exposições da Gameleira (BH/MG), com um compromisso claro: aproximar a inovação científica dos produtores rurais. O evento, organizado pela Associação Brasileira dos Criadores de Girolando (Girolando), promete movimentar mais de R$ 300 milhões em negócios, e a instituição federal será protagonista na disseminação de tecnologias essenciais para o setor.

    Sumários genômicos: o futuro da pecuária leiteira em números

    O grande destaque da participação da Embrapa na feira será o lançamento dos novos sumários de touros e vacas das raças Girolando e Gir Leiteiro, desenvolvidos em colaboração com a Girolando e a ABCGIL (Associação Brasileira de Criadores de Gir Leiteiro). Esses documentos, baseados em avaliações genômicas, oferecem dados precisos sobre o potencial produtivo de fêmeas e touros, permitindo que os criadores tomem decisões estratégicas para o melhoramento genético do rebanho.

    A iniciativa reforça a importância da seleção genética como ferramenta para aumentar a produtividade do leite de forma sustentável, reduzindo custos e impactos ambientais. Segundo especialistas da Embrapa, os sumários genômicos permitem identificar animais com maior eficiência na conversão de alimentos em leite, além de resistência a doenças, um diferencial competitivo em um mercado cada vez mais exigente.

    Sustentabilidade como pauta central

    Além dos lançamentos técnicos, a Embrapa Gado de Leite apresentará estudos e cases sobre práticas sustentáveis na pecuária leiteira, como a redução de emissões de gases de efeito estufa, a gestão de resíduos e a otimização do uso de recursos hídricos. A instituição destaca que a inovação não pode ser dissociada da responsabilidade ambiental, especialmente em um setor que enfrenta pressões por redução de impactos climáticos.

    A Megaleite 2026, portanto, não é apenas uma feira comercial: é um espaço de diálogo entre ciência, tecnologia e produção rural, onde a Embrapa reafirma seu papel como indutor de mudanças no campo brasileiro.

  • César Menotti e Fabiano compram 50% de vaca Nelore premiada por R$ 1,98 milhão em leilão do agro goiano

    César Menotti e Fabiano compram 50% de vaca Nelore premiada por R$ 1,98 milhão em leilão do agro goiano

    A genética Nelore, carro-chefe da pecuária brasileira, voltou a ser destaque no agro nacional — e agora com a participação de nomes do entretenimento. Na última sexta-feira (23/05/2026), durante a 5ª edição do Leilão Fazenda Terra Prometida & Convidados Especiais, promovido pelos cantores Henrique & Juliano em Porto Nacional (TO), a vaca ‘Ísis Valverde FIV da RS’ foi arrematada pela dupla César Menotti e Fabiano. O negócio, de R$ 1,98 milhão — pago em 30 parcelas de R$ 66 mil —, representa mais um passo na escalada de investimentos em matrizes premiadas, que se tornam ativos estratégicos no setor.

    Um negócio que une agro, fama e alto valor

    A compra de 50% da matriz, que já acumula oito premiações, não se limita a um lance milionário: ela simboliza o cruzamento cada vez mais frequente entre celebridades, grandes investidores e o mercado de genética bovina de ponta. A raça Nelore, responsável por cerca de 80% do rebanho de corte do país, tem visto suas matrizes mais valorizadas como ativos de alto rendimento, atraindo nomes como os de Menotti e Fabiano para o setor.

    Genética Nelore: o ouro do agro brasileiro

    O valor recorde da ‘Ísis Valverde’ reflete uma tendência consolidada no agro nacional. Em 2025, leilões de animais geneticamente superiores chegaram a superar a marca de R$ 5 milhões por matriz, impulsionados pela demanda por touros e vacas capazes de garantir melhorias genéticas rápidas no rebanho. A disputa pela vaca, que durou pouco mais de cinco minutos, foi acirrada, mas o lance final não apenas garantiu a parceria entre os investidores e os novos donos, como também elevou o prestígio da matriz no mercado.

    O que esperar desse movimento?

    Especialistas do setor apontam que a entrada de celebridades no agro pode ser um divisor de águas para a profissionalização do mercado. Além de injetar capital, nomes como os de César Menotti e Fabiano ajudam a popularizar a discussão sobre genética animal, atraindo novos investidores e até mesmo jovens pecuaristas. No entanto, o desafio permanece: garantir que os investimentos em genética se traduzam em ganhos reais para o setor, evitando bolhas especulativas.

    Enquanto isso, a ‘Ísis Valverde’ já entra para a história como um dos exemplos mais emblemáticos dessa nova era do agro brasileiro, onde fama, tecnologia e pecuária se encontram para redefinir os padrões de valor no campo.

  • Vaca balinesa: a ‘cervídea’ do agronegócio que revoluciona a pecuária tropical com genética e sustentabilidade

    Vaca balinesa: a ‘cervídea’ do agronegócio que revoluciona a pecuária tropical com genética e sustentabilidade

    A pecuária não se resume à dualidade entre a eficiência fria das raças europeias e a rusticidade dos zebuínos. No epicentro do Sudeste Asiático, uma terceira via genética desafia as convenções: a vaca balinesa (Bos javanicus), um bovino tão distinto que observadores internacionais a comparam a um cervídeo pela sua estrutura óssea delicada e agilidade.

    A herança de um ancestral selvagem: o Banteng na sala de ordenha

    Mais do que uma semelhança estética, a vaca balinesa carrega em seu DNA a marca indelével de seu ancestral: o Banteng (Bos javanicus), um bovídeo selvagem que vaga pelas florestas da Indonésia e do Sudeste Asiático. Domesticada há milênios, a raça manteve características ancestrais que a diferenciam radicalmente de outras linhagens domésticas. Enquanto a maioria dos bovinos domésticos carregam genes de cruzamentos múltiplos, a balinesa é um exemplo de pureza genética, protegida por leis rigorosas na ilha de Bali, onde a importação de outros bovinos é proibida para evitar a diluição de seu material genético.

    Seu aspecto mais marcante — que justifica a comparação com cervos — é sua morfologia refinada: cabeça pequena, orelhas eretas e patas finas adornadas por “meias brancas”. Mas a verdadeira surpresa está em seu dimorfismo sexual cromático. Enquanto bezerros e fêmeas exibem uma pelagem avermelhada vibrante, os machos, ao atingirem a maturidade, passam por uma transformação hormonal e tornam-se negros como azeviche. Segundo o International Journal of Poultry and Agricultural Science, essa mudança é um fenômeno biológico raro entre bovinos domésticos e um indicativo de sua linhagem selvagem preservada.

    O segredo da pecuária tropical: fertilidade, resistência e baixo carbono

    Para o produtor moderno — especialmente aquele que opera em regiões de estresse térmico —, a vaca balinesa não é uma mera curiosidade. Ela é uma solução biológica comprovada. Dados da Indonesian Agency for Agricultural Research and Development (IAARD) revelam que a raça possui uma das maiores taxas de concepção do mundo tropical, variando entre 80% e 92%, mesmo em condições adversas. Enquanto zebuínos e taurinos podem ter queda drástica na fertilidade em ambientes quentes, a balinesa mantém seu desempenho.

    Outro ponto forte é a eficiência de carcaça. Apesar de ser um animal de porte médio (machos pesam entre 350 kg e 450 kg), seu rendimento chega a 53% a 55%, superando muitas raças comerciais. Isso significa mais carne por quilo de ração — um diferencial econômico em um cenário de custos crescentes.

    Além disso, a raça é uma aliada da sustentabilidade. Por ser adaptada ao clima tropical, requer menos insumos externos (como suplementos energéticos) e produz menos metano por quilo de carne do que raças europeias, segundo estudos de ciclo de vida. Na Indonésia, ela é peça-chave em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta, onde a pecuária de baixo carbono ganha cada vez mais espaço.

    Um patrimônio genético em risco: por que o mundo precisa conhecer a balinesa

    A vaca balinesa não é apenas uma raça exótica; é um ativo estratégico para o futuro da pecuária global. Sua genética única pode ser cruzada com outras raças para desenvolver bovinos mais resistentes ao calor, mais férteis e com menor impacto ambiental. No entanto, o risco de erosão genética é real: cruzamentos não controlados ou a substituição por raças industriais podem diluir esse material precioso.

    Projetos como o Bali Cattle Conservation Program lutam para preservar a raça, mas a pressão por produtividade imediata ameaça sua sobrevivência. Enquanto isso, países como Austrália e Brasil — que enfrentam desafios semelhantes de estresse térmico e demanda por carne sustentável — já começaram a estudar a importação controlada da balinesa, ainda que a legislação indonésia proíba sua saída do país.

    O caso da vaca balinesa prova que, em tempos de crise climática e cobrança por sistemas alimentares mais responsáveis, a inovação pode vir de onde menos se espera. Talvez a próxima revolução na pecuária não venha de laboratórios ou de cruzamentos artificiais, mas de uma ilha no Sudeste Asiático, onde um animal que se parece com um cervo guarda os segredos para alimentar o mundo sem destruir o planeta.

  • Novilhas Nelore aos 12 meses: o tripé de precisão que revoluciona a pecuária brasileira

    Novilhas Nelore aos 12 meses: o tripé de precisão que revoluciona a pecuária brasileira

    A pecuária de corte brasileira vive uma revolução silenciosa, mas implacável. Enquanto os rebanhos nacionais batem recordes de produção, uma fronteira antes impensável se consolida: a inseminação de novilhas Nelore aos 12 meses, com peso médio de 300 kg. A prática, que há uma década parecia um devaneio de técnicos otimistas, hoje é realidade em fazendas modelo — mas não sem riscos.

    A engenharia genética por trás do desafio: quando a precocidade vira regra

    O sucesso nesse empreendimento começa antes mesmo do nascimento do animal. Segundo o professor José Bento Ferraz, da USP Pirassununga e uma das maiores autoridades em genética bovina do país, a base da operação é 100% genética. “Não adianta querer forçar uma novilha se a carga genética não for voltada para precocidade sexual”, alerta o especialista. As fêmeas devem ser filhas e netas de touros e matrizes com DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie) comprovadas para fertilidade e puberdade precoce. Sem esse lastro, os protocolos de IATF (Inseminação Artificial em Tempo Fixo) transformam-se em armadilhas dispendiosas, com taxas de prenhez abaixo do esperado e estragos no balanço reprodutivo da propriedade.

    Ferraz, que há mais de 40 anos pesquisa melhoramento genético, destaca que a seleção deve ser implacável. “O criador precisa entender que está lidando com um organismo que ainda não atingiu sua maturidade completa. A genética deve ser a bússola, não a justificativa para gambiarras”, afirma. A Embrapa, em estudos recentes, aponta que rebanhos com alta pressão de seleção para precocidade apresentam ganhos de até 20% na taxa de prenhez em programas de IATF, quando comparados a grupos sem essa característica.

    O sêmen como fator decisivo: low birth weight como aliado, não como inimigo

    A escolha do touro para inseminação não é mera formalidade — é uma decisão crítica. Em novilhas de 12 meses, ainda em pleno desenvolvimento ósseo e muscular, o peso ao nascer do bezerro é um ponto de atenção. Ferraz recomenda a utilização de touros com DEP para baixo peso ao nascer, uma estratégia que, paradoxalmente, protege a saúde da matriz jovem. “Um bezerro grande demais pode não apenas complicar o parto, mas também retardar o retorno da novilha à ciclicidade reprodutiva”, explica o professor.

    Além disso, a seleção deve priorizar touros provados para facilidade de parto, reduzindo o risco de distocia — complicação que pode levar à morte da fêmea ou do bezerro, além de custos veterinários elevados. Dados da Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) mostram que rebanhos que adotam essa prática apresentam queda de 30% nos casos de partos distócicos em matrizes precoces. “É uma equação simples: um touro ruim pode arruinar anos de seleção genética”, resume Ferraz.

    Nutrição de precisão: o combustível invisível da revolução reprodutiva

    Mas genética sozinha não garante o sucesso. A nutrição das novilhas superprecoces exige um cálculo cirúrgico, onde cada grama de proteína, energia e minerais é estrategicamente planejada. A Embrapa Gado de Corte, em parceria com universidades federais, desenvolveu protocolos nutricionais específicos para fêmeas Nelore em programas de IATF, com foco em três pilares:

    • Proteína bruta acima de 14% na dieta: Essencial para o desenvolvimento do trato reprodutivo e síntese de hormônios como o estradiol, crucial para a manifestação do cio.
    • Energia balanceada via concentrados de alta digestibilidade: Evita acúmulos de gordura excessiva (que prejudica a fertilidade) e fornece energia sem sobrecarregar o sistema digestivo em formação.
    • Minerais e vitaminas em doses terapêuticas: Especialmente o selênio, zinco e vitamina E, que atuam como antioxidantes e reguladores do ciclo estral.

    O nutricionista Pedro Paulo Pires, consultor de fazendas no Mato Grosso, relata casos onde a correção nutricional elevou as taxas de prenhez de 45% para 78% em novilhas de 12 meses. “O erro mais comum é tratar essas fêmeas como vacas adultas. Elas precisam de um cardápio sob medida, com ingredientes que não agridam o rúmen em formação”, explica. Segundo ele, o uso de probióticos e leveduras vivas também tem se mostrado eficaz na redução do estresse metabólico durante a IATF.

    O custo da pressa: quando a ambição supera a ciência

    Apesar dos números promissores, especialistas são unânimes em alertar para os riscos de se aplicar essa estratégia de forma indiscriminada. O zootecnista Marcelo Selistre, da empresa de genética CRV Lagoa, estima que cerca de 30% das fazendas que tentam inseminar novilhas aos 12 meses acabam abandonando a prática nos primeiros dois anos. “Os prejuízos não vêm apenas da baixa prenhez, mas também do aumento da mortalidade de bezerros e da queda na vida útil reprodutiva das matrizes”, revela.

    Para Selistre, o erro mais frequente é ignorar o período de adaptação. Novilhas precoces precisam de pelo menos 60 dias de manejo diferenciado antes da IATF, com dieta controlada e ambiente livre de estresse. “Muitas propriedades tentam ‘queimar etapas’, achando que a genética resolverá tudo. Mas a pecuária de precisão não perdoa improvisos”, afirma.

    Outro ponto crítico é o gerenciamento do estresse térmico. Em regiões como o Pantanal e o Centro-Oeste, as altas temperaturas durante a estação de monta podem reduzir em até 40% as taxas de concepção. Soluções como sombra artificial, ventilação forçada e até mesmo o uso de aditivos antiestresse (como o óleo essencial de orégano) têm sido testadas com resultados positivos.

    O futuro já começou: casos de sucesso que ditam o novo padrão

    Empresas como a Agropecuária Jacarezinho, no Mato Grosso do Sul, e a Fazenda Água Limpa, em Goiás, já colhem os frutos dessa revolução. Na Jacarezinho, 85% das novilhas Nelore inseminadas aos 12 meses emprenham na primeira estação de monta, com bezerros nascendo com peso médio de 32 kg — dentro do padrão seguro para as matrizes. Na Água Limpa, o índice chega a 92%, graças a um programa de seleção genética que já dura oito anos.

    Para o professor Ferraz, esses casos não são exceção, mas a prova de que a pecuária brasileira está ingressando em uma nova era. “Antes, os produtores tinham que escolher entre precocidade e longevidade. Hoje, com as ferramentas disponíveis, é possível ter ambos”, conclui. A chave, como sempre, está no tripé: genética + nutrição + gestão — um equilíbrio que separa os inovadores dos meros repetidores de técnicas.

  • MORTE DO CASAL CARVALHO: A tragédia que abala a pecuária brasileira e enterra um legado de 50 anos na genética Braford

    MORTE DO CASAL CARVALHO: A tragédia que abala a pecuária brasileira e enterra um legado de 50 anos na genética Braford

    A pecuária brasileira amanheceu de luto nesta quinta-feira (21) com a confirmação de uma das tragédias mais dolorosas para o setor: a morte de João Maurício Faria Carvalho, de 84 anos, e Valdelei Silva Carvalho, de 78, casal que comandava a histórica Cabanha Platáno, referência nacional na criação da raça Braford. O incêndio, que teve início por volta das 2h da madrugada em sua propriedade em São Sepé (RS), não só ceifou vidas, mas também apagou décadas de um legado que moldou a genética bovina brasileira.

    A Cabanha Platáno e a saga de uma família que revolucionou a pecuária nacional

    A Cabanha Platáno não era apenas um nome no mapa do agronegócio gaúcho — era um símbolo. Fundada pela família Carvalho, a propriedade tornou-se sinônimo de excelência na seleção de touros e matrizes Braford, uma raça híbrida que combina as melhores características da Hereford e da Nelore, adaptando-se ao clima tropical brasileiro. Durante mais de 50 anos, a Cabanha foi palco de inovações que elevaram a produtividade e a qualidade genética do rebanho nacional, atraindo criadores de todo o país.

    João Maurício e Valdelei não apenas mantiveram a tradição familiar, mas expandiram-na. Sua paixão pela pecuária os levou a se tornarem referências não apenas no Rio Grande do Sul, mas em todo o Brasil. A morte do casal, contudo, deixa um vazio impossível de preencher: não apenas pela perda humana, mas pela interrupção abrupta de um laboratório vivo de genética.

    O incêndio e as suspeitas que pairam no ar

    O fogo que consumiu a residência da família Carvalho teve início na madrugada de quarta-feira (20), quando as chamas já haviam se alastrado rapidamente. As equipes do Corpo de Bombeiros chegaram ao local em minutos, mas não foi suficiente para salvar os dois proprietários da Cabanha Platáno.

    As investigações preliminares, conduzidas pela polícia e pelo Corpo de Bombeiros, levantam duas hipóteses principais: um possível curto-circuito em uma lareira acesa durante a noite ou o superaquecimento de um aparelho celular conectado à tomada sobre um sofá. A perícia técnica deve emitir um laudo nos próximos dias, mas a dor da perda já é irreversível.

    Um familiar sobreviveu à tragédia: Álvaro Garcia, genro do casal e de 44 anos, estava em outro cômodo da casa e foi resgatado por vizinhos. Ele permanece internado em observação no Hospital de São Sepé, embora sem risco de vida.

    A reação do setor: choque e homenagens a uma lenda do agronegócio

    A notícia da morte do casal Carvalho ecoou como um abalo sísmico no setor pecuário. Em nota oficial, a Associação Brasileira de Hereford e Braford (ABHB) externou “profundo pesar” e destacou a “imensurável contribuição” da família para o fortalecimento da raça Braford no Brasil.

    Símbolos da resiliência e do pioneirismo no campo, João Maurício e Valdelei deixam um legado que transcende gerações. Sua trajetória, marcada pela dedicação incansável à seleção genética, será lembrada como um marco na história da pecuária brasileira — mesmo que agora carregue o peso de uma despedida prematura.

    O que o futuro reserva para a Cabanha Platáno?

    Com a morte do casal Carvalho, a continuidade da Cabanha Platáno torna-se incerta. A propriedade, que já foi um polo de inovação, agora enfrenta um futuro nebuloso. Familiares e colaboradores da fazenda buscam alternativas para preservar o patrimônio genético acumulado ao longo de décadas, mas a tarefa é árdua em meio à dor da perda.

    Enquanto isso, o setor pecuário gaúcho e brasileiro se une em solidariedade, mas também em reflexão: como honrar o legado de quem dedicou a vida a transformar a pecuária nacional? A resposta, por enquanto, ainda é um mistério.

  • JBJ Agropecuária: Como o herdeiro da Friboi constrói um império de R$ 10 bilhões no agro brasileiro

    JBJ Agropecuária: Como o herdeiro da Friboi constrói um império de R$ 10 bilhões no agro brasileiro

    A JBJ Agropecuária não é apenas mais um nome no cenário do agronegócio brasileiro. É o retrato de uma transformação radical: de três fazendas em Goiás a um conglomerado bilionário que já movimenta R$ 6 bilhões anuais e mira a marca de R$ 10 bilhões até 2027. Por trás dessa ascensão está Fabrício Batista, filho de José Batista Júnior (Júnior Friboi), herdeiro da família que fundou a JBS, mas que optou por trilhar seu próprio caminho quando deixou a gigante frigorífica em 2012.

    A ruptura familiar que deu origem a um império

    A história da JBJ começa não no campo, mas na estruturação de uma família que já dominava o mercado de proteína animal no Brasil. Após a saída de Júnior Friboi da JBS — herdada de seu pai, José Batista Sobrinho (Friboi) —, parte dos ativos rurais permaneceu com a família. Foi desses hectares que Fabrício Batista ergueu, em 2012, uma operação que hoje se espalha por quatro estados brasileiros: Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. São 14 fazendas, 150 mil hectares produtivos e mais de 250 mil cabeças de gado estáticas, segundo dados da própria empresa.

    Do boi ao cavalo: a diversificação que virou estratégia

    A JBJ não se contentou em ser apenas mais uma empresa de pecuária. Ela se tornou um player integrado, atuando em toda a cadeia produtiva do boi — da cria ao frigorífico — e ainda fincou estacas no mercado premium do cavalo Quarto de Milhão, responsável por um dos maiores leilões da raça no mundo. Essa diversificação não é mero capricho: é uma resposta à demanda global por proteína de qualidade e por animais de elite, dois segmentos onde o Brasil já se consolidou como potência.

    O grupo não para por aí. Em 2025, já registrava receita consolidada de R$ 6 bilhões, com operações que incluem exportações para mercados exigentes. Segundo Fabrício Batista, em entrevista ao Compre Rural durante a cobertura do leilão da raça, o agro segue como “o grande motor que move a economia brasileira”. A frase não é retórica: é a essência de um setor que, mesmo em meio a crises climáticas e pressões ambientais, continua batendo recordes de produção e exportação.

    Tecnologia e genética: os pilares do crescimento exponencial

    A JBJ investe pesadamente em genética bovina e equina, com programas de melhoramento que garantem animais de alta performance. Nos frigoríficos, a empresa adota padrões internacionais de qualidade, enquanto nos confinamentos — que somam dezenas de milhares de cabeças — a eficiência produtiva é levada ao limite. Essa abordagem integrada permite que a JBJ não apenas produza, mas também agregue valor em cada elo da cadeia.

    O auge dessa estratégia foi a realização do maior leilão de Quarto de Milhão do mundo, evento que reuniu compradores de diversos países e mostrou o poder de atração do agro brasileiro não só como fornecedor de carne, mas também como polo de inovação e sofisticação no mundo animal. Para Fabrício Batista, o sucesso da JBJ reflete uma tendência global: a busca por qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade, mesmo em segmentos tradicionalmente avessos a mudanças.

    O futuro: R$ 10 bilhões e além

    Com projeções audaciosas para 2027, a JBJ Agropecuária não está apenas mirando um faturamento de R$ 10 bilhões. Ela está redefinindo o que significa ser uma empresa do agro brasileiro na era da globalização. Em um mercado cada vez mais competitivo, onde a China e outros gigantes asiáticos ditam as regras da demanda por proteína, a JBJ aposta em três pilares: escala, tecnologia e acesso a mercados premium.

    Se o plano se concretizar, a empresa não só se consolidará como um dos maiores grupos do setor no país, mas também como um exemplo de como o agronegócio brasileiro pode — e deve — evoluir: saindo da commodity bruta para se tornar um player de ponta em segmentos de alto valor agregado. Afinal, como lembra Fabrício Batista, o agro não é apenas o passado do Brasil. É o seu futuro.

  • Fenasul Expoleite: Granja Letícia finca bandeira da excelência leiteira com Grande Campeã da Raça Holandesa

    Fenasul Expoleite: Granja Letícia finca bandeira da excelência leiteira com Grande Campeã da Raça Holandesa

    A Granja Letícia, propriedade da família Gallina e associada à Cooperativa Santa Clara desde os anos 1980, escreveu mais um capítulo de sucesso na Fenasul Expoleite ao transformar a vaca Trufada 018 Atrapalhada CEX91 na Grande Campeã da Raça Holandesa. O título, disputado no último sábado no Parque de Exposições Assis Brasil em Esteio, coroou décadas de investimento em genética e manejo especializado, colocando a propriedade no seleto grupo das mais premiadas do evento.

    A supremacia técnica que define vencedores

    Com 16 animais levados à feira, a Granja Letícia não apenas conquistou o cobiçado troféu de Grande Campeã, mas também acumulou outras quatro distinções: Campeã 5 Anos, Terceira Melhor Fêmea Jovem, Reservada de Campeã Vaca Jovem, além dos títulos de Melhor Criador e Melhor Expositor. “Esse resultado é a materialização de um trabalho contínuo de seleção genética e manejo zootécnico”, declarou Eloi Gallina, sócio-proprietário, evidenciando o método rigoroso aplicado no rebanho.

    Santa Clara: o berço da evolução leiteira gaúcha

    A vitória da Granja Letícia reflete a estratégia da Cooperativa Santa Clara, fundada em 1911 e pioneira no Rio Grande do Sul em práticas como a inseminação artificial e o pagamento por qualidade do leite. “A Fenasul Expoleite é um termômetro da excelência do nosso quadro associativo. A Granja Letícia é um exemplo de como a genética aliada ao manejo de alto nível pode produzir resultados excepcionais”, afirmou a diretoria da cooperativa.

    A competição também rendeu destaques a outros associados da Santa Clara: a Granja Sipp levou o Grande Campeonato da Raça Holandesa Vermelha e Branca, enquanto a Fazenda das Nogueiras conquistou o título de Grande Campeã da raça Gir Leiteiro. “Esses resultados consolidam nossa posição como uma das principais forças do agronegócio leiteiro brasileiro”, destacou a cooperativa em comunicado oficial.

    O legado que transcende prêmios

    Para especialistas do setor, a consagração da Trufada 018 Atrapalhada CEX91 vai além da premiação. “Animais como esse demonstram que o Brasil não apenas importa genética, mas também desenvolve soluções próprias de alto valor agregado”, analisa o zootecnista Antônio Prado, consultor em melhoramento genético. A Fenasul Expoleite, organizada pela Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (ABCBRH), reúne os principais nomes da pecuária leiteira nacional, tornando cada conquista um marco para o setor.

  • Mega Leilão em Cuiabá: Como Mato Grosso reforça a liderança do Brasil na pecuária global

    Mega Leilão em Cuiabá: Como Mato Grosso reforça a liderança do Brasil na pecuária global

    O coração da pecuária brasileira bate forte neste domingo em Cuiabá. A Estância Bahia realiza seu Mega Leilão, um dos maiores eventos do setor no país, reunindo mais de 20 mil animais — entre machos e fêmeas de diversas categorias — que prometem movimentar milhões em negócios.

    O Brasil na vitrine global: por que Mato Grosso é o palco do momento

    O evento não poderia ocorrer em melhor timing. Com mercados estratégicos como Estados Unidos e China enfrentando desabastecimento de carne bovina, a pecuária mato-grossense surge como uma solução de volume, qualidade e preço competitivo. Segundo especialistas, o Brasil, maior exportador mundial do produto, consolida sua posição como fornecedor confiável em um cenário de incertezas globais.

    De Cáceres a Paranatinga: a diversidade que define o leilão

    Os animais ofertados vêm de praticamente todas as regiões produtoras de Mato Grosso, como Baixada Cuiabana, Cáceres, Tangará da Serra, Barra do Bugre, Vale do Guaporé, Primavera do Leste e Paranatinga. A distribuição estratégica reflete a robustez do estado, que abriga desde rebanhos de corte até animais de genética avançada.

    Entre os 11 mil machos e 9 mil fêmeas previstos, a oferta é dividida em faixas etárias e categorias: 25% são bezerros, prontos para recria; 50% são garrotes próximos da terminação em confinamento; e o restante inclui animais intermediários, essenciais para a engorda. Um dado que chama atenção é a presença de mais de mil animais Angus — uma evidência do avanço da genética na pecuária nacional e da busca por maior produtividade.

    Perspectivas 2026: o setor respira aliviado

    Em entrevista exclusiva ao Compre Rural, Guilherme Tonhá, gestor comercial da Estância Bahia Leilões, traçou um panorama otimista para a pecuária de corte. “Nós passamos por momentos difíceis nos últimos anos, mas 2026 está sendo um ano firme. Existem ajustes normais de mercado, mas a demanda global — especialmente em mercados que estão desabastecidos — está sustentando os preços e incentivando os investimentos”, afirmou.

    Tonhá destacou ainda que o leilão não é apenas uma vitrine de animais, mas um termômetro do setor. “Eventos como este mostram a resiliência da pecuária brasileira. Mesmo com oscilações, o Brasil mantém sua capacidade de produzir em escala e com qualidade, o que atrai compradores de todo o mundo”, completou.

    O que esperar dos negócios?

    Com a combinação de alta demanda internacional, preços firmes e oferta qualificada, o Mega Leilão promete superar a marca de R$ 100 milhões em negócios. Além disso, o evento reforça a importância de Mato Grosso não apenas como um estado produtor, mas como um hub de inovação e tecnologia pecuária, capaz de ditar tendências para o restante do país.

    Para os pecuaristas, trata-se de uma oportunidade para renovar rebanhos com genética superior e, para os compradores, a chance de adquirir animais com potencial para alavancar a produtividade. Tudo isso em um ambiente onde a transparência e a rastreabilidade são prioridades — um reflexo da crescente exigência dos mercados consumidores.

  • Genética bovina de elite: Por que dono do maior touro do Brasil recusou meio milhão por Hércules?

    Genética bovina de elite: Por que dono do maior touro do Brasil recusou meio milhão por Hércules?

    O mercado de genética bovina de alta performance no Brasil atingiu patamares inéditos em 2025, mas poucos momentos ilustram tão bem a ascensão do setor quanto a decisão de Adilor Pedro Viana, pecuarista catarinense e proprietário do maior touro do país. Em entrevista exclusiva à Globo Rural, Viana revelou ter recusado uma oferta de R$ 500 mil pela venda de Hércules, um exemplar Brahman de sete anos e 1,43 mil quilos — um recorde nacional que redefiniu os padrões de peso e genética na pecuária brasileira.

    Do sul do Brasil ao topo do ranking: como Hércules quebrou uma hegemonia de 50 anos

    Durante a 48ª edição da Expointer, em Esteio (RS), Hércules não apenas conquistou o título de maior touro do Brasil, como desbancou décadas de supremacia de raças europeias como Charolês e Limousin. Essas linhagens, tradicionalmente dominantes em exposições sulistas, foram superadas pela rusticidade e performance do Brahman, uma raça adaptada ao clima tropical e conhecida por sua capacidade de ganho de peso e resistência a doenças. O feito de Hércules não foi apenas simbólico: ele registrou um peso oficial de 1.430 kg, um marco que agora serve como referência para criadores que buscam animais de elite.

    A lógica por trás da recusa: genética como ativo estratégico, não como commodity

    A proposta de R$ 500 mil — que muitos poderiam considerar irresistível — foi descartada por Viana por uma razão simples: o valor multiplicador de Hércules dentro de sua cabanha, a Talismã, em Criciúma (SC). Para o pecuarista, o touro não é apenas um animal, mas um ativo genético, capaz de gerar lucros indiretos muito superiores ao valor da venda imediata.

    O mercado de biotecnologia reprodutiva, impulsionado pela demanda por choque de sangue nos plantéis, tem tornado touros recordistas como Hércules verdadeiras minas de ouro. Cada dose de sêmen do animal pode ser comercializada por valores que variam entre R$ 200 e R$ 500, dependendo da demanda. Em 2025, a Talismã já negociou mais de 500 doses, gerando uma receita líquida estimada em R$ 150 mil — sem contar a valorização institucional da cabanha, que atrai investidores e parceiros comerciais.

    “O prazer de ter o touro mais pesado do Brasil vale mais do que esse dinheiro. Vamos ficar com ele e continuar trabalhando na genética.” — Adilor Pedro Viana, em entrevista à Globo Rural.

    O futuro do plantel: entre recordes e a revolução genética

    Hércules, registrado na Associação Brasileira dos Criadores de Zebu como PVT 115 MR Falcão, já está sendo preparado para um novo ciclo de exposições, com foco na Expointer 2026 — onde o pecuarista ambiciona um novo recorde. Mas o impacto de sua genética vai muito além dos palcos: ele representa a quebra de um paradigma na pecuária nacional, que historicamente priorizava raças europeias em detrimento de linhagens tropicais.

    Para especialistas do setor, a decisão de Viana reflete uma tendência crescente: a pecuária de elite não mais se resume à venda de animais vivos, mas à comercialização de material genético, capaz de transformar plantéis inteiros. Segundo dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), o faturamento com a venda de sêmen de touros zebuínos cresceu 35% nos últimos dois anos, impulsionado por criadores que buscam animais como Hércules para promover cruzamentos terminais ou melhorar a carcaça de rebanhos comerciais.

    O que muda para o mercado brasileiro?

    A recusa de Viana não é um caso isolado, mas um sintoma de um setor em transformação. Com a valorização de raças zebuínas e o avanço da biotecnologia, o Brasil consolida sua posição como potência global em genética bovina, competindo com gigantes como a Austrália e os Estados Unidos. Projetos como o Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ), do Ministério da Agricultura, têm incentivado a pesquisa e a exportação de material genético, com Hércules servindo como embaixador não oficial dessa nova era.

    Para criadores, a lição é clara: o futuro da pecuária brasileira não está apenas em produzir mais carne, mas em produzir carne melhor — e animais como Hércules são a ponte para esse objetivo. Enquanto o mercado aguarda ansioso pelo próximo recorde de 2026, uma coisa é certa: a genética de Viana não tem preço.