Tag: genética bovina

  • JBJ Agropecuária: Como o herdeiro da Friboi constrói um império de R$ 10 bilhões no agro brasileiro

    JBJ Agropecuária: Como o herdeiro da Friboi constrói um império de R$ 10 bilhões no agro brasileiro

    A JBJ Agropecuária não é apenas mais um nome no cenário do agronegócio brasileiro. É o retrato de uma transformação radical: de três fazendas em Goiás a um conglomerado bilionário que já movimenta R$ 6 bilhões anuais e mira a marca de R$ 10 bilhões até 2027. Por trás dessa ascensão está Fabrício Batista, filho de José Batista Júnior (Júnior Friboi), herdeiro da família que fundou a JBS, mas que optou por trilhar seu próprio caminho quando deixou a gigante frigorífica em 2012.

    A ruptura familiar que deu origem a um império

    A história da JBJ começa não no campo, mas na estruturação de uma família que já dominava o mercado de proteína animal no Brasil. Após a saída de Júnior Friboi da JBS — herdada de seu pai, José Batista Sobrinho (Friboi) —, parte dos ativos rurais permaneceu com a família. Foi desses hectares que Fabrício Batista ergueu, em 2012, uma operação que hoje se espalha por quatro estados brasileiros: Goiás, Tocantins, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. São 14 fazendas, 150 mil hectares produtivos e mais de 250 mil cabeças de gado estáticas, segundo dados da própria empresa.

    Do boi ao cavalo: a diversificação que virou estratégia

    A JBJ não se contentou em ser apenas mais uma empresa de pecuária. Ela se tornou um player integrado, atuando em toda a cadeia produtiva do boi — da cria ao frigorífico — e ainda fincou estacas no mercado premium do cavalo Quarto de Milhão, responsável por um dos maiores leilões da raça no mundo. Essa diversificação não é mero capricho: é uma resposta à demanda global por proteína de qualidade e por animais de elite, dois segmentos onde o Brasil já se consolidou como potência.

    O grupo não para por aí. Em 2025, já registrava receita consolidada de R$ 6 bilhões, com operações que incluem exportações para mercados exigentes. Segundo Fabrício Batista, em entrevista ao Compre Rural durante a cobertura do leilão da raça, o agro segue como “o grande motor que move a economia brasileira”. A frase não é retórica: é a essência de um setor que, mesmo em meio a crises climáticas e pressões ambientais, continua batendo recordes de produção e exportação.

    Tecnologia e genética: os pilares do crescimento exponencial

    A JBJ investe pesadamente em genética bovina e equina, com programas de melhoramento que garantem animais de alta performance. Nos frigoríficos, a empresa adota padrões internacionais de qualidade, enquanto nos confinamentos — que somam dezenas de milhares de cabeças — a eficiência produtiva é levada ao limite. Essa abordagem integrada permite que a JBJ não apenas produza, mas também agregue valor em cada elo da cadeia.

    O auge dessa estratégia foi a realização do maior leilão de Quarto de Milhão do mundo, evento que reuniu compradores de diversos países e mostrou o poder de atração do agro brasileiro não só como fornecedor de carne, mas também como polo de inovação e sofisticação no mundo animal. Para Fabrício Batista, o sucesso da JBJ reflete uma tendência global: a busca por qualidade, rastreabilidade e sustentabilidade, mesmo em segmentos tradicionalmente avessos a mudanças.

    O futuro: R$ 10 bilhões e além

    Com projeções audaciosas para 2027, a JBJ Agropecuária não está apenas mirando um faturamento de R$ 10 bilhões. Ela está redefinindo o que significa ser uma empresa do agro brasileiro na era da globalização. Em um mercado cada vez mais competitivo, onde a China e outros gigantes asiáticos ditam as regras da demanda por proteína, a JBJ aposta em três pilares: escala, tecnologia e acesso a mercados premium.

    Se o plano se concretizar, a empresa não só se consolidará como um dos maiores grupos do setor no país, mas também como um exemplo de como o agronegócio brasileiro pode — e deve — evoluir: saindo da commodity bruta para se tornar um player de ponta em segmentos de alto valor agregado. Afinal, como lembra Fabrício Batista, o agro não é apenas o passado do Brasil. É o seu futuro.

  • Fenasul Expoleite: Granja Letícia finca bandeira da excelência leiteira com Grande Campeã da Raça Holandesa

    Fenasul Expoleite: Granja Letícia finca bandeira da excelência leiteira com Grande Campeã da Raça Holandesa

    A Granja Letícia, propriedade da família Gallina e associada à Cooperativa Santa Clara desde os anos 1980, escreveu mais um capítulo de sucesso na Fenasul Expoleite ao transformar a vaca Trufada 018 Atrapalhada CEX91 na Grande Campeã da Raça Holandesa. O título, disputado no último sábado no Parque de Exposições Assis Brasil em Esteio, coroou décadas de investimento em genética e manejo especializado, colocando a propriedade no seleto grupo das mais premiadas do evento.

    A supremacia técnica que define vencedores

    Com 16 animais levados à feira, a Granja Letícia não apenas conquistou o cobiçado troféu de Grande Campeã, mas também acumulou outras quatro distinções: Campeã 5 Anos, Terceira Melhor Fêmea Jovem, Reservada de Campeã Vaca Jovem, além dos títulos de Melhor Criador e Melhor Expositor. “Esse resultado é a materialização de um trabalho contínuo de seleção genética e manejo zootécnico”, declarou Eloi Gallina, sócio-proprietário, evidenciando o método rigoroso aplicado no rebanho.

    Santa Clara: o berço da evolução leiteira gaúcha

    A vitória da Granja Letícia reflete a estratégia da Cooperativa Santa Clara, fundada em 1911 e pioneira no Rio Grande do Sul em práticas como a inseminação artificial e o pagamento por qualidade do leite. “A Fenasul Expoleite é um termômetro da excelência do nosso quadro associativo. A Granja Letícia é um exemplo de como a genética aliada ao manejo de alto nível pode produzir resultados excepcionais”, afirmou a diretoria da cooperativa.

    A competição também rendeu destaques a outros associados da Santa Clara: a Granja Sipp levou o Grande Campeonato da Raça Holandesa Vermelha e Branca, enquanto a Fazenda das Nogueiras conquistou o título de Grande Campeã da raça Gir Leiteiro. “Esses resultados consolidam nossa posição como uma das principais forças do agronegócio leiteiro brasileiro”, destacou a cooperativa em comunicado oficial.

    O legado que transcende prêmios

    Para especialistas do setor, a consagração da Trufada 018 Atrapalhada CEX91 vai além da premiação. “Animais como esse demonstram que o Brasil não apenas importa genética, mas também desenvolve soluções próprias de alto valor agregado”, analisa o zootecnista Antônio Prado, consultor em melhoramento genético. A Fenasul Expoleite, organizada pela Associação Brasileira dos Criadores de Bovinos da Raça Holandesa (ABCBRH), reúne os principais nomes da pecuária leiteira nacional, tornando cada conquista um marco para o setor.

  • Mega Leilão em Cuiabá: Como Mato Grosso reforça a liderança do Brasil na pecuária global

    Mega Leilão em Cuiabá: Como Mato Grosso reforça a liderança do Brasil na pecuária global

    O coração da pecuária brasileira bate forte neste domingo em Cuiabá. A Estância Bahia realiza seu Mega Leilão, um dos maiores eventos do setor no país, reunindo mais de 20 mil animais — entre machos e fêmeas de diversas categorias — que prometem movimentar milhões em negócios.

    O Brasil na vitrine global: por que Mato Grosso é o palco do momento

    O evento não poderia ocorrer em melhor timing. Com mercados estratégicos como Estados Unidos e China enfrentando desabastecimento de carne bovina, a pecuária mato-grossense surge como uma solução de volume, qualidade e preço competitivo. Segundo especialistas, o Brasil, maior exportador mundial do produto, consolida sua posição como fornecedor confiável em um cenário de incertezas globais.

    De Cáceres a Paranatinga: a diversidade que define o leilão

    Os animais ofertados vêm de praticamente todas as regiões produtoras de Mato Grosso, como Baixada Cuiabana, Cáceres, Tangará da Serra, Barra do Bugre, Vale do Guaporé, Primavera do Leste e Paranatinga. A distribuição estratégica reflete a robustez do estado, que abriga desde rebanhos de corte até animais de genética avançada.

    Entre os 11 mil machos e 9 mil fêmeas previstos, a oferta é dividida em faixas etárias e categorias: 25% são bezerros, prontos para recria; 50% são garrotes próximos da terminação em confinamento; e o restante inclui animais intermediários, essenciais para a engorda. Um dado que chama atenção é a presença de mais de mil animais Angus — uma evidência do avanço da genética na pecuária nacional e da busca por maior produtividade.

    Perspectivas 2026: o setor respira aliviado

    Em entrevista exclusiva ao Compre Rural, Guilherme Tonhá, gestor comercial da Estância Bahia Leilões, traçou um panorama otimista para a pecuária de corte. “Nós passamos por momentos difíceis nos últimos anos, mas 2026 está sendo um ano firme. Existem ajustes normais de mercado, mas a demanda global — especialmente em mercados que estão desabastecidos — está sustentando os preços e incentivando os investimentos”, afirmou.

    Tonhá destacou ainda que o leilão não é apenas uma vitrine de animais, mas um termômetro do setor. “Eventos como este mostram a resiliência da pecuária brasileira. Mesmo com oscilações, o Brasil mantém sua capacidade de produzir em escala e com qualidade, o que atrai compradores de todo o mundo”, completou.

    O que esperar dos negócios?

    Com a combinação de alta demanda internacional, preços firmes e oferta qualificada, o Mega Leilão promete superar a marca de R$ 100 milhões em negócios. Além disso, o evento reforça a importância de Mato Grosso não apenas como um estado produtor, mas como um hub de inovação e tecnologia pecuária, capaz de ditar tendências para o restante do país.

    Para os pecuaristas, trata-se de uma oportunidade para renovar rebanhos com genética superior e, para os compradores, a chance de adquirir animais com potencial para alavancar a produtividade. Tudo isso em um ambiente onde a transparência e a rastreabilidade são prioridades — um reflexo da crescente exigência dos mercados consumidores.

  • Genética bovina de elite: Por que dono do maior touro do Brasil recusou meio milhão por Hércules?

    Genética bovina de elite: Por que dono do maior touro do Brasil recusou meio milhão por Hércules?

    O mercado de genética bovina de alta performance no Brasil atingiu patamares inéditos em 2025, mas poucos momentos ilustram tão bem a ascensão do setor quanto a decisão de Adilor Pedro Viana, pecuarista catarinense e proprietário do maior touro do país. Em entrevista exclusiva à Globo Rural, Viana revelou ter recusado uma oferta de R$ 500 mil pela venda de Hércules, um exemplar Brahman de sete anos e 1,43 mil quilos — um recorde nacional que redefiniu os padrões de peso e genética na pecuária brasileira.

    Do sul do Brasil ao topo do ranking: como Hércules quebrou uma hegemonia de 50 anos

    Durante a 48ª edição da Expointer, em Esteio (RS), Hércules não apenas conquistou o título de maior touro do Brasil, como desbancou décadas de supremacia de raças europeias como Charolês e Limousin. Essas linhagens, tradicionalmente dominantes em exposições sulistas, foram superadas pela rusticidade e performance do Brahman, uma raça adaptada ao clima tropical e conhecida por sua capacidade de ganho de peso e resistência a doenças. O feito de Hércules não foi apenas simbólico: ele registrou um peso oficial de 1.430 kg, um marco que agora serve como referência para criadores que buscam animais de elite.

    A lógica por trás da recusa: genética como ativo estratégico, não como commodity

    A proposta de R$ 500 mil — que muitos poderiam considerar irresistível — foi descartada por Viana por uma razão simples: o valor multiplicador de Hércules dentro de sua cabanha, a Talismã, em Criciúma (SC). Para o pecuarista, o touro não é apenas um animal, mas um ativo genético, capaz de gerar lucros indiretos muito superiores ao valor da venda imediata.

    O mercado de biotecnologia reprodutiva, impulsionado pela demanda por choque de sangue nos plantéis, tem tornado touros recordistas como Hércules verdadeiras minas de ouro. Cada dose de sêmen do animal pode ser comercializada por valores que variam entre R$ 200 e R$ 500, dependendo da demanda. Em 2025, a Talismã já negociou mais de 500 doses, gerando uma receita líquida estimada em R$ 150 mil — sem contar a valorização institucional da cabanha, que atrai investidores e parceiros comerciais.

    “O prazer de ter o touro mais pesado do Brasil vale mais do que esse dinheiro. Vamos ficar com ele e continuar trabalhando na genética.” — Adilor Pedro Viana, em entrevista à Globo Rural.

    O futuro do plantel: entre recordes e a revolução genética

    Hércules, registrado na Associação Brasileira dos Criadores de Zebu como PVT 115 MR Falcão, já está sendo preparado para um novo ciclo de exposições, com foco na Expointer 2026 — onde o pecuarista ambiciona um novo recorde. Mas o impacto de sua genética vai muito além dos palcos: ele representa a quebra de um paradigma na pecuária nacional, que historicamente priorizava raças europeias em detrimento de linhagens tropicais.

    Para especialistas do setor, a decisão de Viana reflete uma tendência crescente: a pecuária de elite não mais se resume à venda de animais vivos, mas à comercialização de material genético, capaz de transformar plantéis inteiros. Segundo dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), o faturamento com a venda de sêmen de touros zebuínos cresceu 35% nos últimos dois anos, impulsionado por criadores que buscam animais como Hércules para promover cruzamentos terminais ou melhorar a carcaça de rebanhos comerciais.

    O que muda para o mercado brasileiro?

    A recusa de Viana não é um caso isolado, mas um sintoma de um setor em transformação. Com a valorização de raças zebuínas e o avanço da biotecnologia, o Brasil consolida sua posição como potência global em genética bovina, competindo com gigantes como a Austrália e os Estados Unidos. Projetos como o Programa de Melhoramento Genético de Zebuínos (PMGZ), do Ministério da Agricultura, têm incentivado a pesquisa e a exportação de material genético, com Hércules servindo como embaixador não oficial dessa nova era.

    Para criadores, a lição é clara: o futuro da pecuária brasileira não está apenas em produzir mais carne, mas em produzir carne melhor — e animais como Hércules são a ponte para esse objetivo. Enquanto o mercado aguarda ansioso pelo próximo recorde de 2026, uma coisa é certa: a genética de Viana não tem preço.

  • Megaleite 2026 expande leilões e reforça Brasil como potência global em genética bovina leiteira

    Megaleite 2026 expande leilões e reforça Brasil como potência global em genética bovina leiteira

    O boom do setor leiteiro brasileiro em números

    A Megaleite 2026 consolida o Brasil como líder incontestável na produção de genética bovina leiteira na América Latina, com uma programação ampliada para 12 leilões — três a mais que em 2025. O evento, que ocorre de 2 a 6 de junho no Parque da Gameleira (BH), reúne raças de elite como Girolando, Gir Leiteiro, Holandês, Guzerá e Guzolando, além de búfalos, em um mercado que já registra valorização recorde. Segundo Alexandre Lacerda, presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Girolando, “a Megaleite é a praça mais concorrida do ano, onde criadores de todo o país e do exterior disputam animais de genética superior, cujos preços médios têm se mantido em patamares históricos”.

    Leilões de alto valor e atração global

    A programação começa no dia 2 de junho com o “Leilão Divas do Girolando – O Retorno”, que promete repetir o sucesso das edições anteriores, quando animais foram vendidos por valores superiores a R$ 1 milhão. O encerramento, no dia 6, ficará por conta do “Leilão 20 Anos Gir Leiteiro São José do Can Can”, que deve atrair compradores internacionais. A feira contará ainda com transmissão ao vivo dos eventos, ampliando o alcance para mercados como África, Ásia e América Latina, regiões que buscam na genética brasileira soluções para aumentar a produtividade leiteira em seus rebanhos. “O Brasil é hoje o único país capaz de oferecer genética adaptada a diferentes climas e sistemas de produção, o que explica o interesse crescente”, explica um especialista do setor, que preferiu não se identificar.

    Inovação e diversificação: o DNA da Megaleite

    Além dos leilões, a Megaleite 2026 oferecerá uma programação técnica robusta, com julgamentos de animais, torneio leiteiro, cursos sobre manejo e nutrição, e o lançamento de tecnologias como softwares de gestão de rebanhos e equipamentos de ordenha automatizada. O Festival do Queijo Artesanal de Minas, a Mini Fazenda (que simula ambientes rurais para crianças) e uma área gourmet com produtos típicos completam a atração. Com mais de 1300 animais inscritos e 100 empresas expositoras, a feira deve movimentar R$ 50 milhões em negócios, segundo estimativas da organização.

    Contexto histórico: como o Brasil se tornou referência em genética leiteira

    A trajetória do Brasil como potência em genética bovina leiteira começou há mais de quatro décadas, quando programas de melhoramento genético, como o da Embrapa e de associações de raça, foram implementados. A raça Girolando, por exemplo, resultante do cruzamento entre Gir e Holandês, tornou-se símbolo da adaptabilidade brasileira ao clima tropical. “Nas décadas de 1990 e 2000, o país importava genética dos EUA e da Europa, mas hoje exportamos animais geneticamente superiores para mais de 50 países”, destaca um geneticista da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A Megaleite, criada em 2005, foi um marco nesse processo, ao reunir criadores, pesquisadores e investidores em um único evento.

    Desafios e oportunidades para o produtor rural

    Apesar do otimismo, o setor enfrenta desafios como a alta dos custos de produção — especialmente com a elevação dos preços dos grãos e da energia — e a necessidade de profissionalização dos pequenos e médios produtores. “A Megaleite é uma vitrine, mas também um termômetro do mercado. Quem participa leva não só animais, mas conhecimento e contatos para enfrentar a concorrência”, afirma um consultor agropecuário. A feira, no entanto, abre portas para soluções: desde a compra de touros geneticamente superiores até a adoção de tecnologias que reduzem custos e aumentam a produtividade. “O produtor que não se atualiza fica para trás”, alerta.

    Impacto econômico e perspectivas para 2026

    A Megaleite 2026 não é apenas um evento agropecuário; é um termômetro da economia brasileira. Segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o setor leiteiro movimentou R$ 150 bilhões em 2024, com projeção de crescimento de 3% ao ano até 2030. A feira, que já atraiu investidores estrangeiros em edições anteriores, deve reforçar o Brasil como fornecedor global. “Com a demanda por proteína animal crescente na Ásia e na África, o país tem tudo para se tornar o maior exportador de genética leiteira do mundo”, projeta um analista de mercado. Para os produtores locais, a Megaleite é a chance de alavancar seus negócios em um cenário cada vez mais competitivo.

    Como participar e não perder as oportunidades

    A Megaleite é aberta ao público, mas para participar dos leilões e cursos é necessário realizar inscrição prévia no site oficial. Comitivas internacionais já confirmaram presença, e a organização recomenda que os interessados garantam suas vagas com antecedência. Além disso, a feira oferecerá suporte logístico para compradores estrangeiros, incluindo tradução simultânea e assistência na importação de animais. “É uma oportunidade única para quem quer investir em genética de ponta ou conhecer as últimas tendências do setor”, conclui um dos coordenadores do evento.

  • Outono impulsionando a pecuária: mercado de remates atinge ritmo intenso com demanda por genética e produtividade

    Outono impulsionando a pecuária: mercado de remates atinge ritmo intenso com demanda por genética e produtividade

    Contexto histórico: o outono como alicerce da pecuária brasileira

    O outono, estação que marca a transição entre o verão e o inverno no hemisfério sul, sempre representou um período de intensa movimentação no setor pecuário brasileiro, especialmente na Região Sul. Historicamente, essa época coincide com a entressafra de grãos em algumas áreas, permitindo que produtores direcionem recursos para a reposição de plantéis e investimentos em genética. Desde as décadas de 1970 e 1980, quando os primeiros remates estruturados começaram a ganhar força no Rio Grande do Sul, o outono se consolidou como um termômetro para o mercado de gado de corte e leite.

    A tradição dos leilões de outono está intrinsecamente ligada à cultura da pecuária gaúcha e catarinense, onde a invernagem — sistema de criação que prioriza a engorda de animais durante o outono e inverno — exige animais de alto padrão genético para garantir produtividade. Nos últimos 20 anos, esse calendário ganhou complexidade, incorporando não apenas bovinos para abate, mas também touros e matrizes de alto valor genético, destinados à reprodução e melhoramento de rebanhos.

    Maio de 2024: o mês que define o ritmo de 2026

    O mês de maio de 2024 não apenas mantém, mas intensifica essa tradição, configurando-se como um marco para o setor. Pesquisas recentes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) indicam que o primeiro semestre do ano já apresenta crescimento de 8% no faturamento com leilões em relação a 2023, impulsionado pela demanda por animais com certificação genética e adaptabilidade às mudanças climáticas.

    Segundo dados da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), a comercialização de doses de sêmen aumentou 12% nos primeiros quatro meses de 2024, reflexo do interesse crescente por touros melhoradores. Nesse contexto, maio se destaca como um mês-chave, pois concentra remates que não apenas avaliam o presente, mas também projetam tendências para a temporada de 2026. A Parceria Leilões, uma das principais organizadoras do setor, reforça essa dinâmica com uma agenda diversificada que abrange desde leilões de embriões de raças premium até eventos especializados em ventres e touros de reposição.

    A agenda de leilões: diversidade e oportunidades estratégicas

    A programação de maio reflete a maturidade do mercado, com eventos que atendem desde pequenos criadores até grandes investidores. No dia 6, o remate de embriões Brangus Premium abre a temporada com foco em genética de alto valor, enquanto o “Leilão Só Delas”, marcado para o dia 11, direciona sua oferta exclusivamente para matrizes, atendendo a um nicho cada vez mais demandado: fêmeas com histórico comprovado de produtividade.

    Já os dias 13 e 14 reservam o “Leilão Guarita Origens”, um dos eventos mais aguardados do Rio Grande do Sul, conhecido por sua tradição de mais de três décadas e pela oferta de animais de raças como Angus e Hereford, reconhecidos internacionalmente por sua qualidade. Paralelamente, o “Rincon Day”, no dia 18, e o “Gado Definido ExpoAngus”, no dia 21, fecham a programação com propostas voltadas para touros e fêmeas de elite, consolidando maio como o mês com maior concentração de negócios de alto valor no calendário pecuário.

    O leiloeiro Fábio Crespo, com mais de 15 anos de experiência no setor, destaca que a participação maciça de compradores em leilões presenciais e online tem sido um dos principais impulsionadores do mercado. “A digitalização dos remates ampliou o acesso a compradores de diferentes regiões, inclusive internacionais. Em maio, esperamos um movimento similar ao de 2023, quando registramos um índice de liquidez de 92% nos eventos que organizamos”, afirma Crespo. Segundo ele, a valorização média de animais com genética comprovada tem girado em torno de 15% acima dos valores de 2023, refletindo a confiança do setor.

    Demanda por eficiência: o novo paradigma da pecuária brasileira

    Por trás da agenda intensa de maio está uma transformação estrutural no setor pecuário: a busca por eficiência produtiva. Com a pressão por sustentabilidade e redução de emissões de carbono, criadores passaram a priorizar não apenas a quantidade, mas a qualidade genética do rebanho. Raças como Angus, Brangus e Hereford, tradicionalmente associadas à qualidade da carne, ganham ainda mais relevância em um mercado que exige animais precoces, adaptáveis a sistemas de integração lavoura-pecuária e resistentes a doenças como a febre aftosa.

    O engenheiro agrônomo e consultor pecuário, Dr. Antônio Carlos Machado, explica que a valorização de animais com perfil produtivo está diretamente ligada à adoção de tecnologias. “Hoje, um touro não é mais avaliado apenas por seu pedigree, mas também por dados como EPD (Diferença Esperada na Progênie), que mede sua capacidade de transmitir características desejáveis. Os remates de maio refletem essa nova realidade, onde a transparência e a rastreabilidade do animal são tão importantes quanto seu preço”, ressalta.

    Eventos paralelos e a sinergia com feiras tradicionais

    A concentração de remates em maio não ocorre de forma isolada. O setor pecuário gaúcho é marcado por uma cultura de feiras e exposições que, historicamente, atraem compradores e vendedores para uma semana de negócios. A Feira de Uruguaiana, por exemplo, que ocorre no início do mês, funciona como um ponto de convergência para diversos leilões, criando um ecossistema onde negócios são fechados não apenas durante os eventos, mas também em encontros informais entre criadores.

    Segundo dados da Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul), a Feira de Uruguaiana movimentou, em 2023, mais de R$ 200 milhões em negócios diretos e indiretos durante sua realização. Em 2024, a expectativa é que esse valor seja superado, impulsionado pela sinergia com os remates paralelos. “A feira não é apenas uma vitrine, mas um termômetro do mercado. Quando os preços dos animais sobem durante a feira, os leilões subsequentes tendem a acompanhar essa tendência”, explica a economista rural Mariana Oliveira, especialista em mercados agropecuários.

    Perspectivas para 2026: o que os leilões de maio antecipam

    As projeções para a temporada de remates de 2026 já começam a ser traçadas com base no desempenho de maio de 2024. Analistas do setor apontam para três tendências principais:

    • Valorização da genética comprovada: Animais com certificação de EPD e histórico de produtividade devem continuar se destacando, com preços até 20% acima da média atual.
    • Expansão do mercado internacional: A crescente demanda por carne brasileira no mercado asiático, especialmente na China e nos Emirados Árabes, deve aumentar a procura por touros e matrizes adaptados a sistemas intensivos.
    • Digitalização e transparência: Plataformas online de leilões, como a utilizada pela Parceria Leilões, devem ganhar ainda mais participação, reduzindo custos logísticos e ampliando o acesso a compradores de diferentes regiões.

    O analista de mercado agrícola da Safras & Mercado, Paulo Molinari, ressalta que o cenário é promissor, mas exige cautela. “O setor pecuário vive um momento de ouro, mas o desafio será manter a sustentabilidade dos preços. A entrada de novos investidores, especialmente fundos estrangeiros, pode gerar uma pressão inflacionária nos valores dos animais”, alerta.

    Conclusão: maio como espelho de um setor em transformação

    O outono de 2024 e o mês de maio, em particular, consolidam a pecuária brasileira como um dos setores mais dinâmicos do agronegócio nacional. Com uma agenda repleta de remates que vão de embriões a touros de elite, o mercado demonstra não apenas sua resiliência, mas também sua capacidade de se adaptar às novas demandas globais. Para criadores, investidores e analistas, maio é mais do que um mês de negócios: é um laboratório onde o futuro da pecuária está sendo escrito, um leilão de cada vez.