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  • Baterias de elétricos usados duram mais do que o esperado; especialistas explicam como avaliar

    Baterias de elétricos usados duram mais do que o esperado; especialistas explicam como avaliar

    O mercado de seminovos de veículos elétricos enfrenta um obstáculo persistente: a desconfiança sobre a durabilidade das baterias. Até recentemente, muitos consumidores evitavam esses modelos usados por receio de que a substituição do sistema de armazenamento de energia fosse onerosa e tecnicamente complexa. No entanto, novos dados de monitoramento de frotas globais revelam uma realidade surpreendente: as baterias estão durando muito mais do que se previa.

    Perda de autonomia é menor que o esperado: 7% em três anos

    Em média, um carro elétrico perde apenas 7% da sua capacidade de autonomia após três anos de uso. Para ilustrar, um BYD Dolphin 2023, que saiu de fábrica com 291 km de alcance (medido pelo PBEV), manteria hoje, em 8 de julho de 2026, cerca de 270,6 km com uma carga completa. Essa resistência à degradação é um dos fatores que podem impulsionar a confiança no mercado de usados.

    Estudos globais confirmam: degradação anual de 1,8% a 2,3%

    A Geotab, empresa especializada em telemetria veicular, publicou um relatório indicando que a perda média de capacidade das baterias de íons de lítio é de apenas 2,3% ao ano. Já a consultoria Recurrent, em seu levantamento mais recente, aponta uma taxa ainda menor, de 1,8% anualmente. Esses números desconstroem o mito de que os elétricos se tornariam inviáveis em poucos anos.

    Como a indústria define o fim da vida útil das baterias?

    A indústria automotiva considera que um pacote de baterias atinge o limite de sua vida útil quando sua capacidade cai para 70% ou 80% da original. Nesse patamar, ainda restam cerca de 10 a 15 anos de utilização viável, dependendo do modelo e das condições de uso. Isso significa que, mesmo após uma década, muitos elétricos ainda operariam com mais de 70% da autonomia inicial — um cenário muito distante do descarte prematuro.

    O que avaliar ao comprar um elétrico usado?

    Para quem busca um carro elétrico seminovo, alguns pontos são essenciais na hora da compra:

    • Histórico de carregamento: Baterias que passaram por carregamentos rápidos frequentes ou exposição a temperaturas extremas tendem a degradar mais rápido.
    • Estado de saúde da bateria (SoH): Muitos fabricantes, como Tesla e BYD, oferecem relatórios detalhados da capacidade residual. Verifique se o veículo possui esse documento.
    • Garantias estendidas: Marcas como Nissan e Chevrolet oferecem coberturas de até 8 anos ou 160 mil km para sistemas de bateria. Confira se o usado ainda está dentro do prazo.
    • Kilometragem e perfil de uso: Carros com trajetos predominantemente urbanos ou em estradas tendem a ter menor desgaste em comparação aos que rodam em condições mais adversas.

    A combinação desses fatores explica por que o mercado de elétricos usados começa a ganhar tração. Com baterias mais duráveis e preços competitivos, a tendência é que a oferta aumente — e, consequentemente, os valores se tornem mais atrativos para o consumidor final.