Tag: hortaliças

  • Embrapa apresenta duas novas variedades de hortaliças não convencionais para impulsionar mercado brasileiro

    Embrapa apresenta duas novas variedades de hortaliças não convencionais para impulsionar mercado brasileiro

    Inovação no campo: Embrapa investe em alimentos subutilizados

    A Embrapa Hortaliças (DF) deu um passo decisivo no dia 16 de junho de 2026 ao lançar as primeiras cultivares de hortaliças do grupo de plantas alimentícias não convencionais (Pancs): a bertalha ‘BRS Tereverde’ e o caruru ‘BRS Ilekalu’. Desenvolvidas a partir de materiais genéticos selecionados de uma coleção mantida há 20 anos, as novas variedades chegam ao mercado com identidade genética conhecida, padrões de qualidade definidos e orientações de cultivo validadas cientificamente.

    Potencial nutricional e desafios de mercado

    Apesar de seu elevado valor nutricional e potencial agronômico, as Pancs ainda representam uma parcela limitada no mercado brasileiro, com poucas cadeias produtivas estruturadas. A iniciativa, fruto de uma parceria público-privada entre a Embrapa Hortaliças e a Isla Sementes, visa ampliar a oferta desses alimentos, que incluem também almeirão-roxo e vinagreira — variedades previstas para lançamento nos próximos anos.

    Impacto para o agronegócio e alimentação

    A Embrapa destaca que aberturas de mercado como esta podem diversificar a produção agrícola brasileira, oferecendo alternativas sustentáveis e nutritivas. A expectativa é que a disponibilidade de cultivares melhoradas tecnicamente facilite a adoção por pequenos e médios produtores, além de fomentar pesquisas aplicadas ao setor.

  • Geadas de 2026: produtores do Sul apostam em tecnologia e nutrição para evitar prejuízos milionários nas hortaliças

    Geadas de 2026: produtores do Sul apostam em tecnologia e nutrição para evitar prejuízos milionários nas hortaliças

    Na manhã desta segunda-feira, 25 de maio de 2026, o calendário marca a aproximação do inverno como um alerta vermelho no campo brasileiro. Na região Sul, onde as geadas são historicamente devastadoras, os termômetros já sinalizam quedas bruscas de temperatura — e com elas, a ameaça de perdas totais em lavouras de hortaliças. Mas, ao contrário de anos anteriores, quando os produtores pouco podiam fazer diante do congelamento, a safra de 2026 chega com uma estratégia: tecnologia, nutrição e adaptação.

    Geadas negras: quando o frio aniquila até 100% das plantas

    O fenômeno das ‘geadas negras’ — que ocorrem quando as temperaturas despencam muito abaixo de zero — é o maior pesadelo dos agricultores. Nessas condições, as células das plantas congelam instantaneamente, interrompendo a fotossíntese e levando à morte das culturas mais sensíveis, como alface, rúcula, couve e salsinha. Segundo Raphael Branco de Araújo, assessor estadual de Agroecologia do Instituto de Desenvolvimento Rural (IDR-Paraná), “as folhosas são as que mais sofrem, com índices de mortalidade que podem ultrapassar 90% na ausência de proteção”.

    Tecnologia e nutrição: as armas dos produtores contra o frio

    Para evitar o colapso, os agricultores estão investindo em soluções de curto e longo prazo. Entre as estratégias emergenciais, destacam-se:

    • Mantas térmicas: Coberturas plásticas ou tecidos especiais são usados para reter calor ao redor das plantas durante as noites mais frias.
    • ‘Vacinas’ nutricionais: Adubos enriquecidos com potássio e silício são aplicados para fortalecer as paredes celulares das plantas, tornando-as mais resistentes ao congelamento.
    • Manejo tático: Ajustes no calendário de plantio e o uso de estufas em áreas críticas ajudam a reduzir a exposição ao frio extremo.

    Além disso, o monitoramento meteorológico em tempo real — com estações climáticas e drones — permite que os produtores antecipem ações preventivas, como acionar sistemas de irrigação para criar uma camada de gelo protetora (técnica conhecida como irrigação por aspersão).

    Consequências econômicas: prejuízos evitados, mas a conta não fecha

    Embora as estratégias estejam reduzindo perdas, os custos não são desprezíveis. A aquisição de mantas térmicas e insumos enriquecidos encarece a produção, enquanto a mão de obra adicional para monitoramento e aplicação dos tratamentos aumenta a pressão sobre margens já apertadas. Para o engenheiro agrônomo Alexandre Costa, consultor de horticultura em Santa Catarina, “a safra de 2026 será um teste de resiliência. Os produtores que não se adaptarem agora podem não sobreviver a um inverno mais rigoroso”.

    Ainda assim, a inovação no campo é um sinal de que o setor está aprendendo a conviver com as mudanças climáticas. Enquanto as geadas não chegam com toda a força, a pergunta que fica é: até quando a engenhosidade dos agricultores será suficiente para segurar a linha?